Novena de Natal com São José – quinto dia

                              

“Com sua esposa, Maria, que estava grávida” (Lc 2,5)

São meses de muita alegria, nessa jovem família, que se prepara para o nascimento do Filho, que é de Deus e de José ao mesmo tempo. Com certeza, José e Maria rezam diariamente e, quando vão para a sinagoga, onde ouvem ressoar, durante a oração dos Salmos, que o Deus de Israel é um Deus de ternura, que é bom para com todos e “a sua ternura repassa todas as suas obras”[1].

Essa ternura divina preenche seus corações e tece o melhor enxoval para acolher o pequeno Jesus. Sim, no ventre materno, o pequenino já é chamado pelo nome, pelo pai e pela mãe, pois o anjo disse a José: “Ela dará à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus”[2]

Deus muda seus planos mais uma vez. De repente, “apareceu um decreto de César Augusto, ordenando o recenseamento de toda a terra… Todos iam alistar-se, cada um na sua cidade”[3]. E agora? O que fazer? Podemos imaginar a aflição do jovem casal, quantas vezes rezaram e conversaram sobre como cumprir a lei e, ao mesmo tempo, ter segurança na hora do nascimento de Jesus. Quando decidem ir, abandonam-se à Providência Divina e vão com alegria, caminham bendizendo ao Senhor e procurando os sinais de sua presença. “Ele cuidará de tudo!”, assim dizem um para o outro.

“José subiu da Galileia, da cidade de Nazaré, à Judeia, à Cidade de Davi, chamada Belém, porque era da casa e família de Davi, para se alistar com a sua esposa, Maria, que estava grávida”[4].

Com essa narração, “São Lucas tem o cuidado de assinalar que os pais de Jesus observavam todas as prescrições da Lei. Em todas as circunstâncias da sua vida, José soube pronunciar o seu ‘fiat’, como Maria na Anunciação… Na sua função de chefe de família, José ensinou desde cedo Jesus a fazer a vontade do Pai.”

Aplicar em minha vida:José nos ensina que também a história da nossa salvação e de nossa família se realiza, em meio a esperanças e sofrimentos, em experiências profundas de nossas fraquezas e limites, que nosso sim a Deus inclui obedecer às regras e as leis civis.

– Quais são os planos que você precisou mudar nos últimos dias? Como você pode fazer desse Natal uma profunda e alegre vivência do nascimento de Jesus, dentro das restrições impostas com os cuidados para não ampliar a contaminação com a Covid-19?

Texto: Ir. M. Nilza P. da Silva

 

Rezemos com Maria e com São José:

Vem Jesus, ó Rei divino,
ao meu pobre coração.
Eu te espero com saudade,
alegria e gratidão.
Se o mundo te rejeita,
com dureza e rigor,
Minha alma te acolhe,
com ternura e amor.

 

– Dia 1 – E o nome da virgem era Maria

– Dia 2 – Não tenhas medo

– Dia 3 – O sim de José uniu-se ao sim de Maria

– Dia 4 – José recebeu Maria como sua esposa

 

[1] Salmo 145,9

[2] Mt 1,21

[3] Lc 2,1-3

[4] Lc 2, 4-5

Foto: cathopic.com

Fonte: schoenstatt.org.br

Novena de Natal com São José – 4º dia

“José recebeu Maria como sua esposa” (Mt 1, 24)

O humilde José agigantou-se! Seu sonho de família fora resgatado, a alegria preenche seu coração e de sentido a sua vida. Agora, com um imenso amor mesclado com a responsabilidade, ele oferece para Maria um lar e todo o suporte para, juntos, realizarem o plano de Deus. “Despertando do sono, José fez como lhe ordenara o anjo do Senhor e recebeu Maria como sua esposa” (Mt 1,24).

O Papa Francisco diz: “José acolhe Maria… Ele apresenta-se como figura de homem respeitoso, delicado que, mesmo não dispondo de todas as informações, se decide pela honra, dignidade e vida de Maria… José não é um homem resignado passivamente. O seu protagonismo é corajoso e forte. O acolhimento é um modo pelo qual se manifesta, na nossa vida, o dom da fortaleza que nos vem do Espírito Santo. Só o Senhor nos pode dar força para acolher a vida como ela é, aceitando até mesmo as suas contradições, imprevistos e desilusões. [1]

Feliz ele que acreditou. Se Isabel disse da Mãe do Redentor: “Feliz daquela que acreditou”, esta bem-aventurança pode ser referida também a José, porque, de modo análogo, ele respondeu afirmativamente à Palavra de Deus, quando esta lhe foi transmitida, naquele momento decisivo. José é um jovem feliz, de coração purificado e de um amor heroico, que confia no Senhor e faz tudo como o anjo lhe ordenou.

Aquele que Maria gerou pela força do Espírito Santo, José gerou pela fé disponível e pela renúncia de si mesmo. Eles começam a montar o primeiro presépio da história: casa, móveis, berço, roupinhas… José prepara a casa para sua família. Tudo deve ser bem bonito para Maria! Será que ela vai gostar dessa mesa? E desse armário? José não poderia ter feito com mais amor o berço para aquele que já chama de “meu filho”. José louva ao Senhor pela sua família e seus dias são repletos de amor e de ternura.

 

Aplicar em minha vida:Neste Ano de São José, o Papa Francisco escreve que “quem olhar para o ‘artesão de Nazaré’ com confiança para encontrar um trabalho e para que ele seja digno para todos, poderá obter a indulgência plenária, estendida também a quem “confiar seu trabalho cotidianamente à proteção de São José”[2].

Vamos hoje olhar para São José e oferecer o nosso trabalho sob sua proteção? Assim, ele nos ajudará a estar sempre com Maria e preparar com eles, o nascimento do Menino Jesus.

 

Texto: Ir. M. Nilza P. da Silva

Rezemos com Maria e com São José:

Vem Jesus, ó Rei divino,
ao meu pobre coração.
Eu te espero com saudade,
alegria e gratidão.
Se o mundo te rejeita,
com dureza e rigor,
Minha alma te acolhe,
com ternura e amor.

 

– Dia 1 – E o nome da virgem era Maria

– Dia 2 – Não tenhas medo

– Dia 3 – O sim de José uniu-se ao sim de Maria

 

[1] Patris Corde, 4

[2] https://www.vaticannews.va/pt/vaticano/news/2020-12/ano-sao-jose-indulgencia-plenaria-penitenciaria-apostolica.html

Foto: cathopic.com

Fonte: schoenstatt.org.br

Papa Francisco convoca o “Ano de São José”

Vatican News – Pai amado, pai na ternura, na obediência e no acolhimento; pai com coragem criativa, trabalhador, sempre na sombra: com estas palavras, o Papa Francisco descreve São José. E o faz na Carta apostólica “Patris corde – Com coração de Pai”, publicada hoje por ocasião dos 150 anos da declaração do Esposo de Maria como Padroeiro da Igreja Católica.

Com o decreto Quemadmodum Deus, assinado em 8 de dezembro de 1870, o Beato Pio IX quis dar este título a São José. Para celebrar esta data, o Pontífice convocou um “Ano” especial dedicado ao Pai putativo de Jesus a partir de hoje até 8 de dezembro de 2021.

Protagonismo sem paralelo

A Carta apostólica traz os sinais da pandemia da Covid-19, que – escreve Francisco – nos fez compreender a importância das pessoas comuns, aquelas que, distantes dos holofotes, exercitam todos os dias paciência e infundem esperança, semeando corresponsabilidade. Justamente como São José, “o homem que passa desapercebido, o homem da presença cotidiana discreta e escondida”.

E mesmo assim, o seu é “um protagonismo sem paralelo na história da salvação”. Com efeito, São José expressou concretamente a sua paternidade ao ter convertido a sua vocação humana “na oblação sobre-humana de si mesmo ao serviço do Messias”. E por isto ele “foi sempre muito amado pelo povo cristão” (1).

Nele, “Jesus viu a ternura de Deus”, que “nos faz aceitar a nossa fraqueza”, através da qual se realiza a maior parte dos desígnios divinos. Deus, de fato, “não nos condena, mas nos acolhe, nos abraça, nos ampara e nos perdoa” (2). José é pai também na obediência a Deus: com o seu ‘fiat’, salva Maria e Jesus e ensina a seu Filho a “fazer a vontade do Pai”, cooperando “ao grande mistério da Redenção” (3).

Exemplo para os homens de hoje

Ao mesmo tempo, José é “pai no acolhimento”, porque “acolhe Maria sem colocar condições prévias”, um gesto importante ainda hoje – afirma Francisco – “neste mundo onde é patente a violência psicológica, verbal e física contra a mulher”. Mas o Esposo de Maria é também aquele que, confiante no Senhor, acolhe na sua vida os acontecimentos que não compreende com um protagonismo “corajoso e forte”, que deriva “da fortaleza que nos vem do Espírito Santo”.

Através de São José, é como se Deus nos repetisse: “Não tenhais medo!”, porque “a fé dá significado a todos os acontecimentos, sejam eles felizes ou tristes”. O acolhimento praticado pelo pai de Jesus “convida-nos a receber os outros, sem exclusões, tal como são”, com “uma predileção especial pelos mais frágeis” (4).

“Patris corde” evidencia, ainda, “a coragem criativa” de São José, “o qual sabe transformar um problema numa oportunidade, antepondo sempre a sua confiança na Providência”. Ele enfrenta os “problemas concretos” da sua Família, exatamente como fazem as outras famílias do mundo, em especial aquelas migrantes. Protetor de Jesus e de Maria, José “não pode deixar de ser o Guardião da Igreja”, da sua maternidade e do Corpo de Cristo: todo necessitado é “o Menino” que José continua a guardar e de quem se pode aprender a “amar a Igreja e os pobres i” (5).

A dignidade do trabalho

Honesto carpinteiro, o Esposo de Maria nos ensina também “o valor, a dignidade e a alegria” de “comer o pão fruto do próprio trabalho”. Esta acepção do pai de Jesus oferece ao Papa a ocasião para lançar um apelo a favor do trabalho, que se tornou uma  “urgente questão social” até mesmo nos países com certo nível de bem-estar.

“É necessário tomar renovada consciência do significado do trabalho que dignifica”, escreve Francisco, que “torna-se participação na própria obra da salvação” e “oportunidade de realização” para si mesmos e para a própria família, “núcleo originário da sociedade”. Eis então a exortação que o Pontífice faz a todos para “redescobrir o valor, a importância e a necessidade do trabalho”, para “dar origem a uma nova «normalidade», em que ninguém seja excluído”. Em especial, diante do agravar-se do desemprego por causa da pandemia da Covid-19, o Papa pede a todos que se empenhem para que se possa dizer: ”Nenhum jovem, nenhuma pessoa, nenhuma família sem trabalho!” (6).

“Não se nasce pai, torna-se tal”

“Não se nasce pai, torna-se tal”, afirma ainda Francisco, porque “se cuida responsavelmente” de um filho assumindo a responsabilidade pela sua vida. Infelizmente, na sociedade atual, “muitas vezes os filhos parecem ser órfãos de pai” que sejam capazes de “introduzir o filho na experiência da vida”, sem  prendê-lo “nem subjugá-lo”, mas tornando-o “capaz de opções, de liberdade, de partir”.

Neste sentido, José recebeu o apelativo de “castíssimo”, que é “o contrário da posse”: ele, com efeito, “soube amar de maneira extraordinariamente livre”, “soube descentralizar-se” para colocar no centro da sua vida Jesus e Maria. A sua felicidade está no “dom de si mesmo”: nunca frustrado e sempre confiante, José permanece em silêncio, sem lamentações, mas realizando “gestos concretos de confiança”. A sua figura, portanto, é exemplar, evidencia o Papa, num mundo que “precisa de pais e rejeita os dominadores”, rejeita quem confunde “autoridade com autoritarismo, serviço com servilismo, confronto com opressão, caridade com assistencialismo, força com destruição”.

Na décima nota, “Patris corde” revela também um hábito da vida de Francisco: todos os dias, o Pontífice reza uma oração ao Esposo de Maria “tirada dum livro francês de devoções, do século XIX, da Congregação das Religiosas de Jesus e Maria”. Trata-se de uma oração que “expressa devoção e confiança” a São José, mas também “certo desafio”, explica o Papa, porque se conclui com estas palavras: “Que não se diga que eu Vos invoquei em vão, e dado que tudo podeis junto de Jesus e Maria, mostrai-me que a vossa bondade é tão grande como o vosso poder”. A Carta apostólica “Patris corde” é acompanhada da publicação do Decreto da Penitenciaria Apostólica, que anuncia o “Ano de São José” especial convocado pelo Papa e a relativa concessão do “dom de Indulgências especiais”.

Fotos: Vanessa Guerrero e Dante Di Natale em Cathopic

Fonte: Vatican News