A alegria e a dor de José na apresentação do Filho

Ir. M. Nilza P. da Silva – Nesse dia em que celebramos a apresentação de Jesus no Tempo, coloquemo-nos mais uma vez ao lado de São José, ou melhor, em seu lugar, para nos aprofundarmos na grandeza desse Santo, filho tão amado de Deus e sua imagem viva para Jesus e Maria.

Pe. Kentenich diz: “Sempre me sobrevêm uma silenciosa admiração quando, já desde as primeiras páginas do Novo Testamento, o evangelista São Mateus nos relata com toda a naturalidade e singeleza como vivia São José, cumprindo a vontade divina.” [1] É cumprindo essa vontade que José sobe com sua esposa para apresentar o Menino no Templo.

 

José cumpre seu dever de pai: apresentar o primogênito ao Senhor!

São João Paulo II explica que a apresentação do primogênito ao Senhor é um “dever do pai e é cumprido por José. No primogênito estava representado o povo da Aliança, resgatado da escravidão para passar a pertencer a Deus.” [2] Por isso, “no Templo, quarenta dias depois do nascimento, José – juntamente com a mãe – ofereceu o Menino ao Senhor e ouviu, surpreendido, a profecia que Simeão fez a respeito de Jesus e Maria” [3], escreve o Papa Francisco.

Mas, José não está sozinho, no momento da oferenda, Maria está com ele, pois ela também tinha que ir ao templo para purificar-se e une-se a José na apresentação de seu Filho. Pe. Kentenich reza: “Volvendo a nós teu olhar de Mãe, o devolves irrestritamente ao Pai. Como tu, Servidora da oferenda, entrego o mais caro pelas almas.” [4]

 

A espada de dor de Maria atinge o coração de José

Ao que tudo indica, grande parte do evangelho de Lucas é escrito segundo a descrição feita a ele por Maria. Lucas descreve: “Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua mãe: ‘Eis que este menino está destinado a ser uma causa de queda e de soerguimento para muitos homens em Israel, e a ser um sinal que provocará contradições, a fim de serem revelados os pensamentos de muitos corações. E uma espada transpassará a tua alma.” (Lc 2, 30-35) E conclui ainda: “Seu pai e sua mãe estavam admirados das coisas que dele se diziam.”

Podemos de fato imaginar o quanto tudo isso tocou fundo a alma de José, como essas palavras foram uma espada que ferira a sua alma, já naquele momento, pois ele recebera de Deus a missão de ser o guardião, o protetor, de Jesus e Maria. Como Maria, ele guardou e meditou isso em seu coração. “José é o pai: a sua paternidade não é só ‘aparente’, ou apenas ‘substitutiva’; mas está dotada plenamente da autenticidade da paternidade humana, da autenticidade da missão paterna na família.” [5]

 

Vinculados a José, como Maria

Quando “voltaram para a Galileia, à sua cidade de Nazaré”, certamente José tenha encorajado Maria a ficar tranquila, pois ele prometera a Deus e iria cuidar dela e de Jesus. Maria confiou em José e a vida seguiu na alegria do amor e na força da fé. A Sagrada Família é “uma verdadeira família humana, formada pelo mistério divino.” [6] Por isso, “se os esposos estiverem vinculados à Mãe de Deus, estarão também, reflexiva e instintivamente, vinculados à sua atitude, isto é, ao seu modo de viver em relação a São José e a Deus Trino.” [7] Confiemos que ele cuida também de cada um de nós.

          Imagem de São José no Santuário de Schoenstatt em Porto Alegre/RS – foto: Márcia Kazumi

 

Referências

[1] Em Santidade da vida diária

[2] Exortação Apostólica Redemptoris Custos, 13

[3] Carta Apostólica Patris Corde

[4] Pe. Kentenich, Rumo ao Céu, 344

[5] Exortação Apostólica Redemptoris Custos, 21

[6] Idem

[7] José Kentenich, homilia em 19 de março de 1966

Foto destacada: Fiore Bagatello em Cathopic

Fonte: schoenstatt.org.br

São José: agora nas Ladainhas também Patrono dos exilados e dos pobres

Alessandro Di Bussolo – A Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos enviou hoje, 1º de maio, festa de São José Operário, uma “Carta aos Presidentes das Conferências Episcopais sobre novas invocações na Ladainha em honrade São José”. No documento, assinado pelo Secretário do Dicastério do Vaticano, Arcebispo Arthur Roche e pelo Subsecretário Padre Corrado Maggioni, são apresentadas estas sete novas invocações, que atualizam a ladainha aprovada em 1909 pela Santa Sé, no 150º aniversário da proclamação de São José como Patrono da Igreja Universal. E por ocasião da carta apostólica Patris corde, escrita pelo Papa Francisco com o objetivo de “aumentar o amor por este grande Santo, para nos sentirmos impelidos a implorar a sua intercessão e para imitarmos as suas virtudes e o seu desvelo”.

As sete invocações: de Guardião do Redentor a Patrono dos pobres

A Congregação extraiu as novas invocações das intervenções dos Papas que refletiram sobre aspectos da figura do Patrono da Igreja Universal, ou seja, São Paulo VI, São João Paulo II e São Francisco. São eles: Guardião do Redentor (Custos Redemptoris), extraído da exortação apostólica Redemptoris custos de São João Paulo II; Servo de Cristo (Serve Christi), pronunciada por São Paulo VI em sua homilia na Festa de São José em 1966, e citada tanto por São João Paulo II como pelo Papa Francisco em Patris corde; Ministro da Salvação (Minister salutis) de São João Crisóstomo, também citado pelo Papa Wojtyla em Redemptoris custos; Amparo nas dificuldades (Fulcimen in difficultatibus), usado pelo Papa Francisco no prólogo da Patris corde); por fim Patrono dos exilados, dos aflitos e dos pobres (Patrone exsulum, afflictorum, pauperum), também na Patris corde.

As Conferências Episcopais poderão acrescentar invocações locais

Estas novas invocações foram apresentadas ao Papa que aprovou sua integração nas Ladainha de São José, como no texto completo anexado à carta do dicastério, que repete todas as 31 invocações ao Esposo da Virgem Maria. “Será tarefa das Conferências dos Bispos”, diz a carta, “providenciar a tradução da ladainha para os idiomas de sua competência e publicá-los”. Traduções que não precisarão de confirmação da Sé Apostólica. A Congregação finalmente autoriza as Conferências Episcopais a introduzir, “segundo seu prudente julgamento”, “no lugar apropriado e preservando o gênero literário, outras invocações com as quais São José é particularmente homenageado em seus países”.

Foto: Pascom São José Operário, em fotografiareligiosa.com.br

Fonte: Vatican News

Celebrando São José Operário em família

A Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) disponibiliza o roteiro “Celebrar em Família” para o dia de São José Operário.

Este material é destinado às famílias, especialmente àquelas privadas de participar das missas presenciais neste dia 1º de maio. O roteiro traz uma breve celebração familiar para marcar o dia de São José. Além disso, no caso das pessoas que não podem participar presencialmente da Eucaristia, a CNBB motiva a acompanhar a transmissão da missa pelos meios de comunicação ou pelas redes sociais.

ACESSE E BAIXE AQUI O MATERIAL PARA SUA FAMÍLIA

 

Recorte de foto de Il Ragazzo, em cathopic.com

Fonte: schoenstatt.org.br

Papa Francisco: São José e o sonho da vocação

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO
PARA O 58º DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES
[25 de abril de 2021 – IV Domingo da Páscoa]

«São José: o sonho da vocação»

Queridos irmãos e irmãs!

No dia 8 de dezembro passado, teve início o Ano especial dedicado a São José, por ocasião do 150º aniversário da declaração dele como Padroeiro da Igreja universal (cf. Decreto da Penitenciaria Apostólica, 8 de dezembro de 2020). Da parte minha, escrevi a carta apostólica Patris corde, com o objetivo de «aumentar o amor por este grande Santo» (concl.). Trata-se realmente duma figura extraordinária e, ao mesmo tempo, «tão próxima da condição humana de cada um de nós» (introd.). São José não sobressaía, não estava dotado de particulares carismas, não se apresentava especial aos olhos de quem cruzava com ele. Não era famoso, nem se fazia notar: dele, os Evangelhos não transcrevem uma palavra sequer. Contudo, através da sua vida normal, realizou algo de extraordinário aos olhos de Deus.

Deus vê o coração (cf. 1 Sam 16, 7) e, em São José, reconheceu um coração de pai, capaz de dar e gerar vida no dia a dia. É isso mesmo que as vocações tendem a fazer: gerar e regenerar vidas todos os dias. O Senhor deseja moldar corações de pais, corações de mães: corações abertos, capazes de grandes ímpetos, generosos na doação, compassivos para consolar as angústias e firmes para fortalecer as esperanças. Disto mesmo têm necessidade o sacerdócio e a vida consagrada, particularmente nos dias de hoje, nestes tempos marcados por fragilidades e tribulações devidas também à pandemia que tem suscitado incertezas e medos sobre o futuro e o próprio sentido da vida. São José vem em nossa ajuda com a sua mansidão, como Santo ao pé da porta; simultaneamente pode, com o seu forte testemunho, guiar-nos no caminho.

 

Sonho

A vida de São José sugere-nos três palavras-chave para a vocação de cada um. A primeira é sonho. Todos sonham realizar-se na vida. E é justo nutrir aspirações grandes, expectativas altas, que objetivos efêmeros como o sucesso, a riqueza e a diversão não conseguem satisfazer. Realmente, se pedíssemos às pessoas para traduzirem numa só palavra o sonho da sua vida, não seria difícil imaginar a resposta: «amor». É o amor que dá sentido à vida, porque revela o seu mistério. Pois só se tem a vida que se dá, só se possui de verdade a vida que se doa plenamente. A este propósito, muito nos tem a dizer São José, pois, através dos sonhos que Deus lhe inspirou, fez da sua existência um dom.

Os Evangelhos falam de quatro sonhos (cf. Mt 1, 20; 2, 13.19.22). Apesar de serem chamadas divinas, não eram fáceis de acolher. Depois de cada um dos sonhos, José teve de alterar os seus planos e entrar em jogo para executar os misteriosos projetos de Deus, sacrificando os próprios. Confiou plenamente. Podemos perguntar-nos: «Que era um sonho noturno, para segui-lo com tanta confiança?» Por mais atenção que se lhe pudesse prestar na antiguidade, valia sempre muito pouco quando comparado com a realidade concreta da vida. Todavia, São José deixou-se guiar decididamente pelos sonhos. Por quê? Porque o seu coração estava orientado para Deus, estava já predisposto para Ele. Para o seu vigilante «ouvido interior» era suficiente um pequeno sinal para reconhecer a voz divina. O mesmo se passa com a nossa vocação: Deus não gosta de revelar-Se de forma espetacular, forçando a nossa liberdade. Transmite-nos os seus projetos com mansidão; não nos ofusca com visões esplendorosas, mas dirige-Se delicadamente à nossa interioridade, entrando no nosso íntimo e falando-nos através dos nossos pensamentos e sentimentos. E assim nos propõe, como fez com São José, metas elevadas e surpreendentes.

Na realidade, os sonhos introduziram José em aventuras que nunca teria imaginado. O primeiro perturbou o seu noivado, mas tornou-o pai do Messias; o segundo fê-lo fugir para o Egito, mas salvou a vida da sua família. Depois do terceiro, que ordenava o regresso à pátria, vem o quarto que o levou a mudar os planos, fazendo-o seguir para Nazaré, onde precisamente Jesus havia de começar o anúncio do Reino de Deus. Por conseguinte, em todos esses transtornos, revelou-se vitoriosa a coragem de seguir a vontade de Deus. Assim acontece na vocação: o chamado divino impele sempre a sair, a dar-se, a ir mais além. Não há fé sem risco. Só abandonando-se confiadamente à graça, deixando de lado os próprios programas e comodidades, é que se diz verdadeiramente «sim» a Deus. E cada «sim» produz fruto, porque adere a um desígnio maior, do qual entrevemos apenas alguns detalhes, mas que o Artista divino conhece e desenvolve para fazer de cada vida uma obra-prima. Neste sentido, São José constitui um ícone exemplar do acolhimento dos projetos de Deus. Trata-se, porém, de um acolhimento ativo, nunca de abdicação nem capitulação; ele «não é um homem resignado passivamente. O seu protagonismo é corajoso e forte» (Carta ap. Patris corde, 4). Que ele ajude a todos, sobretudo aos jovens em discernimento, a realizar os sonhos que Deus tem para cada um; inspire a corajosa intrepidez de dizer «sim» ao Senhor, que sempre surpreende e nunca desilude!

 

Serviço

Uma segunda palavra marca o itinerário de São José e da vocação: serviço. Dos Evangelhos, resulta como ele viveu em tudo para os outros e nunca para si mesmo. O Povo santo de Deus chama-lhe castíssimo esposo, desvendando assim a sua capacidade de amar sem nada reservar para si próprio. Libertando o amor de qualquer posse, abriu-se realmente a um serviço ainda mais fecundo: o seu cuidado amoroso atravessou as gerações, a sua custódia solícita tornou-o patrono da Igreja. Ele, que soube encarnar o sentido oblativo da vida, é também patrono da boa-morte. Contudo o seu serviço e os seus sacrifícios só foram possíveis, porque sustentados por um amor maior: «Toda a verdadeira vocação nasce do dom de si mesmo, que é a maturação do simples sacrifício. Mesmo no sacerdócio e na vida consagrada, requer-se este gênero de maturidade. Quando uma vocação matrimonial, celibatária ou virginal não chega à maturação do dom de si mesmo, detendo-se apenas na lógica do sacrifício, então, em vez de significar a beleza e a alegria do amor, corre o risco de exprimir infelicidade, tristeza e frustração» (Ibid., 7).

O serviço, expressão concreta do dom de si mesmo, não foi para São José apenas um alto ideal, mas tornou-se regra da vida diária. Empenhou-se para encontrar e adaptar um alojamento onde Jesus pudesse nascer; prodigalizou-se para defende-Lo da fúria de Herodes, apressando-se a organizar a viagem para o Egito; voltou rapidamente a Jerusalém à procura de Jesus que tinham perdido; sustentou a família trabalhando, mesmo em terra estrangeira. Em resumo, adaptou-se às várias circunstâncias com a atitude de quem não desanima se a vida não lhe corre como queria: com a disponibilidade de quem vive para servir. Com este espírito, José empreendeu as viagens numerosas e muitas vezes imprevistas da vida: de Nazaré a Belém para o recenseamento, em seguida para o Egito, depois para Nazaré e, anualmente, a Jerusalém, sempre pronto a enfrentar novas circunstâncias, sem se lamentar do que sucedia, mas disponível para dar uma mão a fim de reajustar as situações. Pode-se dizer que foi a mão estendida do Pai Celeste para o seu Filho na terra. Assim não pode deixar de ser modelo para todas as vocações, que a isto mesmo são chamadas: ser as mãos operosas do Pai em prol dos seus filhos e filhas.

Por isso gosto de pensar em São José, guardião de Jesus e da Igreja, como guardião das vocações. Com efeito, da própria disponibilidade em servir, deriva o seu cuidado em guardar. «Levantou-se de noite, tomou o menino e sua mãe» (Mt 2, 14): refere o Evangelho, indicando a sua disponibilidade e dedicação à família. Não perdeu tempo a cismar sobre o que estava errado, para não o subtrair a quem lhe estava confiado. Este cuidado atento e solícito é o sinal duma vocação realizada. É o testemunho duma vida tocada pelo amor de Deus. Que belo exemplo de vida cristã oferecemos quando não seguimos obstinadamente as nossas ambições nem nos deixamos paralisar pelas nossas nostalgias, mas cuidamos de quanto nos confia o Senhor, por meio da Igreja! Então Deus derrama o seu Espírito, a sua criatividade sobre nós; e realiza maravilhas, como em José.

 

Fidelidade

Além do chamado de Deus – que realiza os nossos sonhos maiores – e da nossa resposta – que se concretiza no serviço pronto e no cuidado carinhoso –, há um terceiro aspeto que atravessa a vida de São José e a vocação cristã, cadenciando o seu dia a dia: a fidelidade. José é o «homem justo» (Mt 1, 19) que, no trabalho silencioso de cada dia, persevera na adesão a Deus e aos seus desígnios. Num momento particularmente difícil, detém-se «a pensar» em tudo (cf. Mt 1, 20). Medita, pondera: não se deixa dominar pela pressa, não cede à tentação de tomar decisões precipitadas, não segue o instinto nem se cinge àquele instante. Tudo repassa com paciência. Sabe que a existência se constrói apenas sobre uma contínua adesão às grandes opções. Isto corresponde à laboriosidade calma e constante com que desempenhou a profissão humilde de carpinteiro (cf. Mt 13, 55), pela qual inspirou, não as crônicas da época, mas a vida quotidiana de cada pai, cada trabalhador, cada cristão ao longo dos séculos. Porque a vocação, como a vida, só amadurece através da fidelidade de cada dia.

Como se alimenta esta fidelidade? À luz da fidelidade de Deus. As primeiras palavras recebidas em sonho por São José foram o convite a não ter medo, porque Deus é fiel às suas promessas: «José, filho de Davi, não temas» (Mt 1, 20). Não temas: são estas as palavras que o Senhor dirige também a ti, querida irmã, e a ti, querido irmão, quando, por entre incertezas e hesitações, sentes como inadiável o desejo de Lhe doar a vida. São as palavras que te repete quando no lugar onde estás, talvez no meio de dificuldades e incompreensões, te esforças por seguir diariamente a sua vontade. São as palavras que descobres quando, ao longo do itinerário do chamado, retornas ao primeiro amor. São as palavras que, como um refrão, acompanham quem diz sim a Deus com a vida como São José: na fidelidade de cada dia.

Esta fidelidade é o segredo da alegria. Como diz um hino litúrgico, na casa de Nazaré reinava «uma alegria cristalina». Era a alegria diária e transparente da simplicidade, a alegria que sente quem guarda o que conta: a proximidade fiel a Deus e ao próximo. Como seria belo se a mesma atmosfera simples e radiosa, sóbria e esperançosa, permeasse os nossos seminários, os nossos institutos religiosos, as nossas residências paroquiais! É a alegria que desejo a vós, irmãos e irmãs que generosamente fizestes de Deus o sonho da vida, para servi-Lo nos irmãos e irmãs que vos estão confiados, através duma fidelidade que em si mesma já é testemunho, numa época marcada por escolhas passageiras e emoções que desaparecem sem gerar a alegria. São José, guardião das vocações, vos acompanhe com coração de pai!

Roma, São João de Latrão, 19 de março de 2021, Solenidade de São José

Francisco

 

Foto: Vinicius Cruz, em fotografiareligiosa.com.br

Fonte: vatican.va

Aprendendo sobre São José: Qual era sua profissão?

O Terço dos Homens Mãe Rainha, neste ano dedicado a São José, está preparando diversos podcasts de estudo sobre ele. Vejamos o que nos diz o Pe. Vandemir J. Meister sobre a profissão de São José: “Nós temos a tradição de que José era carpinteiro. Está plasmado em nossa memória que a função de José era apenas a carpintaria. O que nós temos que perceber, no entanto, é que um carpinteiro, hoje, trabalha apenas em uma área específica, ele não faz outras atividades”. Mas, diz o Pe. Vandemir, “na época de José, o trabalho de marceneiro era muito mais amplo do que nós imaginamos hoje”.

Além disso, “é interessante ver que, no contexto profissional de José, também estava Jesus. Jesus estava na oficina junto com José desde pequeno e acompanhava o seu trabalho. Cuidando da criança, José fez de Jesus também um artesão e carpinteiro”.

Ficou curioso para aprender mais? Para saber qual era a profissão de José? Ouça o podcast preparado pelo Pe. Vandemir, assessor nacional do Terço dos Homens:

 

Quaresma com São José – última parte

Pe. Rafhael Silva Maciel -Estamos chegando ao final da Quaresma, que devemos ter aproveitado como caminho favorável de conversão, oferecido a nós pelo Senhor e pela sua Igreja. Nesse ano nos propomos a fazer esse caminho acompanhados pelo glorioso São José.

Uma das práticas devocionais da tradição popular da Igreja são as 7 dores e alegrias de São José e nessa última catequese da Quaresma com São José vamos nos aproximar das dores do Santo Patriarca, e perceber através delas como o Chefe da Santa Família pôde estar unido, antecipadamente, ao mistério da Páscoa de Jesus Cristo.

As sete dores de São José são retiradas de trechos dos Evangelhos em que ele, de algum modo, sofreu junto com Jesus e Maria no cumprimento da vontade do Pai: 1ª. A angústia ao ter de aceitar a ideia de abandonar a sua castíssima noiva por algo que não conseguia compreender (Mt 1,18s); 2ª. Ver nascer em meio à pobreza o Deus Menino (Jo 1,11/Lc 2,6-7); 3ª. Ver o sangue de Jesus sendo derramado na circuncisão (Lc 2,21); 4ª. Ouvir a profecia de Simeão a respeito dos sofrimentos pelos passariam Jesus e Maria (Lc 2,34s); 5ª. Ter que sustentar o Filho do Altíssimo e sua esposa, na fuga para o Egito (Mt 2,13); 6ª) O medo de reconduzir do Egito o Filho e a esposa, por temor de Arquelau (Mt 2, 22); 7ª. A perda do Menino Jesus, que teve de procurar por três dias (Lc 2,44s).

Na da Paixão de Cristo São José, seu pai adotivo, não estava, já havia morrido. Mas, a perseverança até o fim da parte de Jesus e a força incomparável de Maria, sem dúvida receberam luzes, também, da memória do tempo com José em Nazaré. Na Cruz, a profecia de Simeão, que José ouviu, no Templo, cumpriu-se. Ele havia escutado o anúncio de que a Paixão viria e que, Aquele que lhe chamou de pai, na terra, resgataria toda a humanidade do pecado e da morte, debaixo de sofrimento.

José ouviu o choro e a dor que o seu Filho passou para que se cumprisse o ato religioso da circuncisão. Certamente, se estivesse presente ao dia da Cruz, lembrar-se-ia do sangue que Jesus, ainda recém-nascido, já havia “derramado” no momento da circuncisão ritual.

Ao nos aproximarmos da Sexta-feira da Paixão, sabemos que, mais do que aquela pequena quantidade de sangue derramado pela circuncisão, Jesus derramou seu sangue durante os flagelos que sofreu até chegar à Cruz. Na verdade, toda a vida de Jesus foi “derramamento” de sangue, foi sacrifício agradável a Deus Pai.

Terminando os exercícios quaresmais, com São José, aprendamos a oferecer os pequenos e grandes sacrifícios, “derramando nosso sangue” como Jesus, fazendo oferta de nós mesmos ao Pai, com Cristo no Espírito. Falar de sacrifício parece algo “fora de moda”, mesmo em alguns ambientes eclesiais. Mas, não podemos perder de vista que o preço do nosso resgate foi o Sacrifício perfeito e santo do “filho do carpinteiro”.

Papa Francisco diz que “a vida cristã é uma luta permanente. Requer-se força e coragem para resistir às tentações do demônio e anunciar o Evangelho. Esta luta é magnífica, porque nos permite cantar vitória todas as vezes que o Senhor triunfa na nossa vida” (Gaudete et exultate, n.158).

Em tempo de pandemia, de dores e mortes que afligem nossos povos, causadas pelo vírus, ou por doenças psicológicas e espirituais, seja pelo desemprego e a miséria, o Santo Carpinteiro nos acompanha, na contemplação da dor da Paixão, ama-nos “com coração de pai: assim [como] amou a Jesus” (Patris corde).

A Quaresma nos prepara para recomeçarmos com Cristo. Da sétima dor de S. José sabemos que perder alguém dói muito, o coração aperta e angustia-se. Como fruto quaresmal, queiramos de todo coração que nunca nos suceda perdermos a Jesus por culpa grave, e se acontecer de o perdermos, com contínua dor o procuremos e o encontremos.

Como um último gesto concreto quaresmal, na escola de S. José, “pai na Paixão” durante essa Semana Santa procuremos ser portadores da Boa Notícia para aqueles com quem nos encontrarmos, deixando de lado qualquer murmuração! Outro gesto permanece: a obra de caridade de fazer alguma doação de alimentos, entre outros bens para irmãos que passam necessidade nessa hora tão difícil.

São José, providenciai!

Foto: cathopic.com

Os homens conquistam a imagem de São José

Karen Bueno – Há de se estranhar que, em plena sexta-feira à noite, centenas de homens se coloquem diante do computador ou de um celular para participar da Santa Missa. E foi justamente isso que aconteceu na Solenidade de São José, no último dia 19 de março.

De vários cantos do país, os grupos do Terço dos Homens Mãe Rainha (THMR) se reuniram virtual e espiritualmente junto ao Santuário de Schoenstatt Tabor da Nova Evangelização, que fica em Olinda/PE, para a celebração da Santa Missa. O local não foi escolhido ao acaso, ele é o berço do Terço dos Homens no Brasil.

“Hoje é chegado um momento tão esperado para muitos de nós”, diz o Pe. Argemiro Ferracioli, presidente da celebração. Neste dia, após rezar uma novena especial, os homens vão conquistar a imagem de São José para suas casas e seus Santuários Lares.

“É muito importante conquistar a imagem desse homem de Deus, desse homem de Maria. De modo especial, essa novena quer nos ajudar a conhecer esse homem, esse instrumento. Deus escolheu São José e ele foi fiel”, diz o Pe. Argemiro.

Como dica aos conectados, ele salienta: “Um bom pai é aquele que sabe ser um bom filho[diante de Deus], como foi São José”.

 

Eu conquistei!

 

 

O coordenador do THMR no regional Nordeste I, Romulo Cavalcante, ao saber deste projeto logo estimulou vários grupos a participarem da conquista: “São José nos inspira, primeiro pela sua dúvida em receber Maria como esposa. Da mesma forma, muitos homens também têm essa dificuldade em começar a participar do terço, pois pensam que ‘rezar é coisa de mulher’. Mas, nosso dever é trabalhar [com o THMR] e participar da missa aos domingos na Igreja, pois quando começamos e conhecemos o poder da oração conjunta é que nos damos conta das graças recebidas. Assim como São José foi o pai adotivo de Jesus, nós também ‘adotamos’ o terço, rezado pelos homens, reconduzindo muitos de volta, junto com a família, a serviço de nossas igrejas”.

O Sr. Antonio Possetti, de Londrina/PR, conquistou a imagem para o Santuário Lar “Mãe, Rainha Educadora”: “A inspiração em São José veio por um impulso. Meus pais sempre foram devotos. Um tempo atrás, ganhei de presente a imagem de São José do meu filho, Pe. Vitor Hugo Possetti, sacerdote de Schoenstatt, e ele disse: ‘Pai, trouxe esta imagem porque São José me faz lembrar o senhor’. Foi aí que despertou em mim essa devoção por São José. Admiro sempre as imagens, principalmente aquelas em que ele está dormindo. Hoje, recorro sempre a São José. Somos felizes por termos a Sagrada Família presente em nossa vida”.

O Sr. Suamy Ricardo Barbosa Borba ingressou, há 13 anos, no grupo do THMR de Olinda: “O convívio com a prática do Terço foi me transformando em um ser humano melhor: melhor profissional, melhor filho, melhor esposo e, o principal, melhor pai”. Ao mudar-se para o interior do estado, no município de Gravatá/PE, passou a frequentar justamente a Capela São José e, a partir daí, a ter mais intimidade com ele: “Depois deste convívio com o que São José representa, percebi sua importância para minha vida, pois ele se tornou o exemplo do homem que desejo ser. Quando soube da conquista da imagem, não pensei duas vezes, corri e adquiri uma imagem de São José, participei da Novena e da bênção especial do Pe. Argemiro no último dia 19, e hoje conquistei o convívio com a imagem dele em minha mesa de trabalho”.

 

Você, homem, também pode participar da conquista

Como estamos vivendo, ao longo de 2021, o Ano de São José, este projeto do Terço dos Homens se estende de março de 2021 até março de 2022 e todos podem participar.

 

Como fazer isso?

1. Cada homem adquire uma imagem de São José para si (pode ser uma imagem nova ou alguma que já tenha em casa, a escolha dela é livre)

2. Rezará a Novena de São José oferecida pela Secretaria Nacional do Terço dos Homens (acesse aqui)

3. Após rezar a novena, é necessário participar da missa transmitida ao vivo do Santuário de Olinda e nela se dará a bênção da sua imagem. Esta missa acontece todo mês, no dia 19, às 20 horas, presidida pelo Pe. Argemiro Ferraciolli. Para participar acesse o canal do Youtube: Santuário Mãe Rainha Olinda e Recife

4. Uma vez feita a novena e tendo participado da missa online, registre seu nome no Livro da Secretaria Nacional através do link: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfYyJ4h81nfj6KcL0zpglYPnAJfKI8W5Ye_UHhz4LLht0rHLw/viewform

 

Foto destacada: Foto: María Paola Bertel, via cathopic.com

Fonte: schoenstatt.org.br

Quaresma com São José – VI

Pe. Rafhael Silva Maciel -O Papa Francisco, na carta Patris corde, recorda o Catecismo da Igreja Católica, n. 1014, que apresenta S. José como “patrono da boa morte”, invocado pelo povo de Deus em favor dos moribundos, e auxílio na preparação dos fiéis para aquele encontro definitivo com o Senhor.

A tradição de recorrer a S. José para obter uma morte santa, em graça de Deus, foi transmitida ao longo da vida da Igreja não por uma fonte textual bíblica, porém a história de como teria sido a morte de S. José aparece nos primeiros séculos da Igreja, como narra Isidoro de Isolanis, dizendo que nas igrejas orientais costumava-se ler, todo 19 de março uma narração solene da morte do pai adotivo de Jesus Cristo.

No escrito se dizia que tendo chegado a hora da morte do Santo Patriarca, um anjo lhe haveria anunciado que sua morte estaria próxima. Retornando a Nazaré e agravada a saúde, recolheu-se e, “entre Jesus e Maria, que o assistiam com carinho, expirou suavemente, abrasado no Divino Amor” e logo “Jesus e Maria fecharam os olhos de S. José”.

A narrativa relembra que Jesus chorou o amigo Lázaro e faz a analogia: “E como não havia de chorar Aquele mesmo Jesus que choraria sobre a sepultura de Lázaro? ‘Vede como ele o amava!’, disseram os judeus. S. José não era tão só um amigo, mas um pai querido e santíssimo para Jesus”.

Na Ladainha de S. José, alguns dos títulos com os quais recorremos à intercessão do esposo de Maria são: “alívio dos miseráveis”, “esperança dos doentes”, “patrono dos moribundos”, “terror dos demônios”. S. José, alívio e esperança, para que na doença possamos aprender a oferecer sacrifícios e dores pela nossa conversão e pela conversão do mundo inteiro. Para que “a esperança que não decepciona” (Rm 5,5) seja conforto e nos ajude na conformação com a Cruz de Jesus.

Santa Teresa (Vida VI,5-8) testemunha sobre S. José, ao escrever sobre seu estado de saúde, que a certo ponto começa a recorrer ao Santo e escreve: “Tomei então por meu advogado e patrono o glorioso S. José e a ele me confiei com fervor. Este meu pai e protetor me ajudou na necessidade em que me achava e em muitas outras mais graves, em que estava em jogo a minha honra e a salvação da minha alma (…). Não me lembro de ter jamais lhe rogado uma graça sem a ter imediatamente obtido”.

Como patrono dos moribundos, que estão em situação de risco de morte, S. José emerge como amigo e consolador. Em meio a uma pandemia em escala mundial, quantas pessoas queridas foram afetadas no corpo por esse vírus ou por outras enfermidades. Quantas pessoas foram e estão sendo afligidas na alma e no espírito, pelas mortes e enfermidades. Entre essas pessoas está um grande homem que tive a alegria de conhecer, D. Henrique Soares da Costa, Bispo de Palmares (PE). Um dos irmãos de D. Henrique, Adriano, relatou que as últimas palavras do Bispo antes de ser entubado foi: “[estou] alquebrado no corpo, mas firme na fé”.

De Dom Henrique devemos aprender a pedir a S. José que nos ensine a morrer na companhia de Jesus e de Maria. Em momentos de incertezas e de imensa fragilidade humana e sanitária busquemos orientar a nossa vida para a salvação, pois por mais difícil que seja a morte é uma realidade para a qual devemos nos preparar. O santo de Assis louvava a Deus “pela ela Irmã Morte” pois “nenhum ser vivo escapa de sua perseguição”.

Como mais um gesto concreto quaresmal, na escola de São José, patrono da boa morte durante esses dias de Quaresma pratiquemos a obra de misericórdia espiritual de rezar pelos defuntos, especialmente aqueles faleceram vítimas da pandemia e por outras doenças, e encomendemos a celebração de Missas em sufrágios das almas desses nossos irmãos. Ainda outro gesto concreto pode ser o envio de alguma mensagem com uma pequena recordação ou mesmo alguma ajuda material para pessoas/famílias que estão enlutadas neste momento.

São José, providenciai!

Foto: kiki_garcia em cathopic.com

A necessidade de um modelo masculino

Continuação da reflexão do Pe. Marcelo Avarenga

Se é verdade que a tradição católica e a arte religiosa nos mostraram um José muitas vezes idoso, sonolento, incapaz de grandes façanhas e sempre em segundo plano, não é menos verdade que as informações bíblicas, em todos os Evangelhos, nos mostram um José muito diferente. Ele se mostra decidido a agir após receber as “mensagens” de Deus em seus sonhos, um homem de fé firme, que não se poupa de esforços para proteger sua família. Ele também está fisicamente pronto para empreender a longa jornada de exílio, trabalhar para sua família e retornar a Nazaré. José nos convence por sua virilidade, fidelidade e resiliência. Ele parece ser muito claro sobre seu papel e responsabilidade como homem, esposo, pai e trabalhador.

Alguns aspectos a destacar

Quero destacar três aspectos da pessoa de José usando, em parte, o conteúdo da Carta Patris Corde – o Coração de Pai – do Papa Francisco (08/12/2020). São os elementos que me parecem ser o olhar mais relevante para o homem de hoje em nossa sociedade. Haveria muitos mais, mas só vou escolher três.

 

Pai na ternura

“Dia após dia, José via Jesus crescer «em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens» (Lc 2, 52). Como o Senhor fez com Israel, assim ele ensinou Jesus a andar, segurando-O pela mão: era para Ele como o pai que levanta o filho contra o seu rosto, inclinava- se para Ele a fim de Lhe dar de comer (cf. Os 11, 3-4). Jesus viu a ternura de Deus em José: «Como um pai se compadece dos filhos, assim o Senhor se compadece dos que O temem» (Sal 103, 13)”.

Creio que este breve parágrafo da carta de Francisco, que fala de ternura, nos mostra esse valor tão humano e urgente para saber como se relacionar com os outros. Humildade, gentileza, bondade, respeito, afeto, mansidão são virtudes que complementam o homem em seus vínculos. Esses, sem dúvida, favorecem a personalidade dos homens, transformando-os em veículos de amor e cordialidade, às vezes tão carentes em nossa sociedade, especialmente em nossas famílias e ambientes de trabalho.

A ternura não é um sinal de fraqueza, pelo contrário, ela mostra segurança e autoconfiança que leva a dar-se aos outros sem segundas intenções. Em outros lugares, o Papa Francisco enfatiza a urgência de construir uma cultura de ternura para favorecer o encontro com os outros e assim desmantelar a anticultura da frieza, da instrumentalização do outro e do egoísmo. O mundo de hoje precisa de homens “ternos”. Ou seja, homens que são fortes em seus afetos: estáveis, firmes, confiáveis e permanentes.

Gostaria também de acrescentar que a ternura abre o caminho para a compaixão e o perdão. O homem moderno precisa pedir perdão e saber como perdoar aos outros. Se este não for o caso, não há reconciliação ou salvação. Neste contexto, basta recordar o Salmo 24/25 que fala da ternura de Deus como o caminho da misericórdia, da justiça e do perdão.

 

Pai no acolhimento

“José acolhe Maria, sem colocar condições prévias. Confia nas palavras do anjo. «A nobreza do seu coração fá-lo subordinar à caridade aquilo que aprendera com a lei; e hoje, neste mundo onde é patente a violência psicológica, verbal e física contra a mulher, José apresenta-se como figura de homem respeitoso, delicado que, mesmo não dispondo de todas as informações, se decide pela honra, dignidade e vida de Maria. E, na sua dúvida sobre o melhor a fazer, Deus ajudou-o a escolher iluminando o seu discernimento»”.

Este aspecto me parece ser especialmente relevante, porque assume duas realidades muito desafiadoras para vida do homem. Por um lado, aceitar a vontade de Deus em sua vida e, por outro, assumir sua história pessoal como ela vem. Queremos aceitar o divino e o humano presente em nossa biografia. José o faz com humildade, obediência e respeito de modelo por sua realidade. Ele aceita e assume com nobreza o seu destino, os acontecimentos de sua vida. Não faz sentido se rebelar, ficar com raiva ou perder o controle porque as coisas não acontecem como se desejaria. Isso não ajuda, não ajuda a avançar através das vicissitudes da vida. José aceita o plano de Deus e tudo o que ele implica. Isto significa maturidade e responsabilidade, calma sem rigidez. Significa ter uma personalidade reconciliada, tão necessária no homem de hoje.

 

Pai trabalhador

“Um aspeto que caracteriza São José – e tem sido evidenciado desde os dias da primeira encíclica social, a Rerum novarum de Leão XIII – é a sua relação com o trabalho. São José era um carpinteiro que trabalhou honestamente para garantir o sustento da sua família. Com ele, Jesus aprendeu o valor, a dignidade e a alegria do que significa comer o pão fruto do próprio trabalho”

O trabalho é um tema básico ao longo da vida de um homem. Ter um emprego é algo que dignifica, dá sentido e nos permite conquistar objetivos temporários. Infelizmente, o trabalho tornou-se algo urgente e o desemprego está em níveis insuportáveis. O trabalho, do ponto de vista da economia da salvação, é a participação no próprio trabalho de salvação, afirma o Papa Francisco nesta Carta Patris Corde, é uma oportunidade para apressar a vinda do Reino, colocando todos os nossos talentos e potencialidades a serviço da sociedade. Um belo pensamento, mas sofremos quando vemos que isso não acontece em todos os lugares.

As crises no mundo se refletem em toda a sua crueldade quando não há trabalho e, portanto, não há pão na mesa das pessoas. Não há alegria, mas angústia. A pessoa, qualquer que seja sua tarefa, está colaborando com Deus na perfeição da criação. Assim, o homem de hoje descobre e realiza sua vocação de construtor de um novo mundo. Esta realidade se tornou muito mais premente neste tempo de pandemia. Precisamos do trabalho para viver com dignidade e para ser mais uma pessoa que cresce em humanidade.

 

Que São ajude a formar homens novos

Peçamos a São José sua intercessão, como um homem sábio e de fé vital, para que possa intervir na vida dos homens: pais, filhos e esposos, para educá-los e modelá-los segundo seu exemplo. Para que eles não tenham confusão ou dúvidas sobre seu papel na sociedade e no mundo de hoje.
Quero terminar acrescentando uma oração a São José. Não é a tradicional, mas a que o Papa Francisco reza diariamente, especialmente neste momento de crise em que precisamos de um poderoso intercessor:

«Glorioso Patriarca São José, cujo poder consegue tornar possíveis as coisas impossíveis, vinde em minha ajuda nestes momentos de angústia e dificuldade. Tomai sob a vossa proteção as situações tão graves e difíceis que vos confio, para que obtenham uma solução feliz. Meu amado Pai, toda a minha confiança está colocada em Vós. Que não se diga que eu vos invoquei em vão, e dado que tudo podeis junto de Jesus e Maria, mostrai-me que a vossa bondade é tão grande como o vosso poder. Amém.

Leia AQUI a primeira parte desta reflexão.

Foto: Karen Bueno

Fonte: schoenstatt.org.br

São José e o homem de hoje

Pe. Marcelo Aravena – Penso que a iniciativa do Papa Francisco de convocar 2021 como um Ano de São José chega em boa hora. Estamos no meio de uma pandemia planetária que revelou ainda mais as deficiências e desigualdades sociais que sofremos hoje como humanidade. Também revelou outras crises que afetam a convivência entre as pessoas, na família, no trabalho. É a crise da imagem e do papel dos homens, dos homens como tal.

Talvez contemplar a imagem e a ação concreta de São José possa nos oferecer luz e certeza sobre um verdadeiro modelo de homem, esposo e pai no meio dos desafios da vida. A continuação deste artigo são algumas observações pastorais.

Uma concepção do homem em um processo de superação

Tradicionalmente, na cultura ocidental, cultivava-se a ideia de que um homem deveria ser forte, duro, resistente e que não poderia demonstrar fraqueza “chorando” em público. Como chefe de família, ele deve ser o provedor por excelência, aquele que fornece a maior renda financeira para a família e que impõe uma ordem indiscutível dentro da casa. Na sociedade em geral, ele aparece como o “macho”, firme, com o direito de “conquistar” e subjugar as mulheres. Outros sinais de machismo como o clericalismo, autoritarismo, dominação e sexismo estão sendo gradualmente superados.

A irrupção gradual de um ser e de um sentimento diferente

Especialmente nas últimas décadas, outros traços de uma masculinidade diferente têm tomado conta da sociedade. Por meio de meu trabalho pastoral pude observar que outros valores e atitudes estão começando a predominar nos homens. Por exemplo: um maior espaço para o diálogo, sensibilidade e emoções; uma maior preocupação com a condição física; estética pessoal e moda; e uma certa liberdade relaxada em se dar e se relacionar com os outros.

Há também o fato da inversão de papéis com as mulheres, especialmente com as profissionais. Muitas vezes ele não é mais o único “ganha-pão”, nem a última autoridade na casa, evitando cair na arrogância do autoritarismo, mas, talvez, indo para o outro extremo de deixar as coisas acontecerem e deixar as coisas acontecerem “naturalmente”.

Os homens também estão dispostos a compartilhar com as mulheres as tarefas domésticas ou as de criar e educar as crianças. Tarefas que eram classicamente realizadas predominantemente por mulheres.

Percebemos que em todas essas imagens temos luzes e sombras. Ficamos com a pergunta: a imagem do homem ficou sem perfil ou foi complementada com outros elementos?

 

Está curioso para continuar essa reflexão? Acompanhe a segunda AQUI.

Foto: Alexander Cifuentes, via unsplash.com

Fonte: schoenstatt.org.br