Quaresma com São José – III

Pe. Raphael Silva Maciel – O Papa João Paulo II, em 15 de agosto de 1989, oferecia à Igreja a belíssima Exortação Apostólica Redemptoris custos, sobre a figura e a missão de São José na vida de Cristo e da Igreja. Dentre os vários aspectos abordados por São João Paulo II, no número 16, apresenta-se a temática do sustento e da educação de Jesus, em Nazaré, sob o olhar de Maria e de José, que “tinha a alta função de ‘criá-lo’; ou seja, de alimentar, vestir e instruir Jesus na Lei e num ofício, em conformidade com os deveres estabelecidos para o pai [de família]”. São José era o PAI PROVIDENTE.

No decorrer da história da Igreja, porque foi lhe confiado ser o custódio, o guarda, o provedor do sustento de Jesus e de Maria, São José sempre foi invocado como um pai providente por parte dos fiéis. O Beato Papa Pio IX afirmava que a São José Deus “confiou a guarda dos seus tesouros mais preciosos e maiores”. Os santos, em diferentes épocas dão o testemunho dessa guarda providencial de Deus através do auxílio de São José. Sobre a missão de ser o sustento da vida da família de Nazaré, afirma São Bernardo que “São José foi ‘o servo fiel e prudente’ (Mt 24,45), pois Deus destinou-o a ser o apoio de sua Mãe, o sustento da sua carne e o auxiliar do seu desígnio de salvação”.

Santa Teresa d’Ávila testemunha a esse respeito: “Tomei por advogado e senhor o glorioso São José (…). Não me lembro até hoje de ter-lhe suplicado algo que ele não tenha feito (…)” (Livro da Vida 6,6).  Outro santo que fala explicitamente dos favores do Guardião da Sagrada Família é São José Maria Escrivá, que dizia: “O que faz José, com Maria e com Jesus, para obedecer a ordem do Pai, a inspiração do Espírito Santo? Dar-se todo por inteiro, coloca-se ao seu serviço a sua vida de trabalhador”.

São João Paulo II, ainda sobre São José afirmava que “a aparente tensão entre a vida ativa e a vida contemplativa tem em José uma superação ideal, possível para quem possui a perfeição da caridade. Atendo-nos à conhecida distinção entre o amor da verdade (caritas veritatis) e as exigências do amor (necessitat caritatis), podemos dizer que José fez a experiência quer do amor da verdade, ou seja, do puro amor de contemplação da Verdade divina que irradiava da humanidade de Cristo, quer das exigências do amor, ou seja, do amor igualmente puro do serviço, requerido pela proteção e pelo desenvolvimento dessa mesma humanidade” (RC 27).

Nesta Quaresma, que vivemos ainda em tempo de pandemia, experienciamos dramas imensos seja pela perda de pessoas que amamos seja por todas as dificuldades econômicas que vieram à tona com a atual situação. São José, nesse momento desafiante da história, apresenta-se a nós como sinal da providência divina. Papa Francisco na sua Carta Patris corde n. 5, escreve que São José é “o pai com coragem criativa”, apontando o Santo Patriarca como uma intervenção divina, pois através dele “o Céu intervém, confiando na coragem criativa deste homem (…)”.

Nós somos chamados a olhar para São José como um pai providente, que nos ajuda pela intercessão e exemplo a vivermos a criatividade da caridade e aprendermos a “transformar um problema numa oportunidade, antepondo sempre a sua confiança na Providência”. Neste tempo de conversão quaresmal, “se, em determinadas situações, parece que Deus não nos ajuda, isso não significa que nos tenha abandonado, mas que confia em nós com aquilo que podemos projetar, inventar, encontrar” (Patris corde, n.5).

Desse modo, como São José foi guarda e custódio, providente e sinal da caridade divina para com Jesus e Maria, essa Quaresma nos convida a sermos sinal da Providência divina para os mais necessitados. Em tempos de pandemia, de crise econômica provocada por políticas restritivas, o Senhor nos pede amor fraterno, caridade operativa e criativa para com os sofredores desse mundo, aqueles que sofrem materialmente as consequências nefastas da atual crise sanitária e, ao mesmo tempo, sofrem na alma e no espírito – as periferias existenciais!

Como mais um gesto concreto quaresmal, aprendendo da caridade criativa, na escola de São José, durante essa Quaresma façamos algum gesto de caridade para com algum necessitado, com alguma doação material – alimentos ou outro gênero de ajuda material – para alguma instituição de caridade ou mesmo para alguma(s) família(a) que passam necessidade nessa hora tão difícil! Desse modo, nossa penitência nos leve à santa caridade e nossas ações sejam reflexo da oração, realizada conforme a vontade do Senhor.

São José, providenciai!

Foto: Alejandra Inés Arias, em cathopic.com

Fonte: Vatican News

 

Quaresma com São José – II

Pe. Rafhael Silva Maciel – Como tempo especial de conversão e discernimento da nossa vida cristã, a Quaresma nos lembra a cada dia, seja na liturgia e seja nos exercícios espirituais que nos são propostos, a contemplação do mistério da Cruz de Jesus Cristo.

O Diretório para liturgia e a piedade popular, afirma que os fiéis, “contemplando o Salvador crucificado, entendem mais facilmente o significado da imensa dor injusta que Jesus, o Santo e Inocente, padeceu pela salvação do homem, e compreendem, desse modo, o valor do seu amor solidário e a eficácia do seu sacrifício redentor” (n. 127).

A Cruz de Jesus Cristo é o ato mais alto de sua obediência ao Pai do Céu, pois “tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o extremo” (Jo13,1).

Foi pelo seu amor incondicional à vontade do Pai que Jesus “abaixou-se, tornando-se obediente até a morte, à morte sobre uma cruz” (Fl 2,8).

Toda a vida de Jesus foi obediência, todas as suas ações e palavras foram em consonância e união íntima entre a sua vontade e a vontade do Seu Pai.

O Senhor, ainda na sua glória junto do Pai, como Verbo divino já obedecera, encarnando-se no seio da Virgem Maria. De Maria mesmo Ele aprendeu a obedecer, tendo escutado a resposta da escolhida: “Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a Tua palavra”, o Verbo entra no mundo, por obra do Espírito Santo.

Não é somente da Virgem Mãe que Jesus recebe o testemunho da obediência e da acolhida radical da vontade divina na vida. O homem ao qual está prometida Maria em casamento, José, também é testemunho de obediência e de acolhida irrestrita da vontade de Deus. Ao final do sonho em que o Anjo Gabriel lhe revela o projeto divino, diz o evangelista Marcos que “José, ao despertar do sono, agiu conforme o Anjo do Senhor lhe ordenara e recebeu em casa sua mulher” (Mc 1,24).

Ainda outras duas vezes José agirá em plena conformidade com a ordem de Deus, quando avisado em sonho pelo Anjo do perigo que rondava à Sagrada Família “levantou-se, tomou o menino e sua mãe, durante a noite, e partiu para o Egito” (Mc 2,14), e quando recebe a revelação de que pode retornar para casa e sair do Egito, José “levantou-se, tomou o menino e sua mãe e entrou na terra de Israel” (Mc 2,21).

Papa Francisco na sua carta Patris corde escreve que São José, em nenhum momento “hesitou em obedecer”, que “com confiança e paciência, esperou” (n. 3), por isso São José é o “pai na obediência”, é o homem, esposo e pai de família que sabe que obedecer a Deus é princípio vital para a sobrevivência da vida, em sentido integral.

O que é a vontade de Deus? A serva de Deus Chiara Lubich uma vez respondeu, quando questionada, que a vontade “é aquilo que mais nos custa”. Levada em consideração essa resposta, São José é ícone dessa suave e doce submissão à vontade divina porque sabe, desde o seu interior, que quando Deus chama, quando Deus pede algo da pessoa, Ele não quebra a sua vida, mas a deixa ainda mais aberta e livre! Fazer a vontade de Deus não é uma condenação, outrossim é uma experiência de enamoramento com a Graça de Deus.

No nosso caminho quaresmal com São José encontramos o “justo” – aquele que, temente a Deus, realiza na sua vida o que Deus lhe chama a fazer, a vocação para a qual foi chamado. Pessoalmente, São José deu o testemunho da sua obediência ao Filho de Deus, que estava sob seus cuidados e, ao mesmo tempo, “na sua função de chefe de família, ensinou Jesus a ser submisso aos pais (Lc 2,51)” e, na escola de José, Ele [Jesus] aprendeu a fazer a vontade do Pai” (Francisco, Patris corde, n.3)

Vivemos tempos difíceis seja no entendimento da palavra obediência, numa sociedade que prega uma liberdade sem limites e uma consciência moral frouxa, seja o reconhecimento de que a vontade de Deus, que tem como fundamento a salvação do ser humano e o seu bem.

São José emerge como um exemplo de obediência e de liberdade sem iguais, porque deixou-se iluminar pela luz divina e, “quando os homens estão na luz, não são eles que iluminam, mas são iluminados e tornam-se resplandecentes por ela (Sto. Irineu).

Como mais um gesto concreto quaresmal, aprendendo a obediência, na escola de São José, durante essa Quaresma demos mais espaço para a escuta de Palavra de Deus e vivamos a penitência que já foi escolhida (se ainda foi seria bom escolher) buscando realizar através dela a vontade de Deus – “aquilo que mais nos custa”!

Desse modo, nossa penitência, por mais simples que seja, leve-nos à santa obediência e que nossas ações, acompanhadas pela oração, sejam feitas conforme a vontade do Senhor. São José, providenciai! Boa oração, abençoada meditação!

Fonte: Vatican News

Quaresma com São José

Quaresma com São José! A cada semana da Quaresma, o Pe. Rafhael Silva Maciel propõe uma pequena catequese, que este ano terá como linha guia o Ano de S. José, proclamado pelo Papa Francisco. Pe. Rafhael é Missionário da Misericórdia e Mestre em Sagrada Liturgia. Confira a primeira reflexão.

 

A Quaresma é aquele tempo especial na liturgia da Igreja que precede e prepara-nos para a celebração anual da Páscoa de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Por isso mesmo, é tempo oportuno e especial para a escuta da Palavra de Deus e para atender ao seu chamado à conversão através da oração, do jejum e da esmola (cf. Mt. 6, 1-6. 16-18).

Neste tempo em que o Santo Padre Francisco convocou toda a Igreja para viver um ano dedicado à meditação sobre São José faremos nosso caminho quaresmal acompanhados pelo esposo da Bem Aventurada Virgem Maria.

Na Mensagem para a Quaresma 2021, o Papa escreve que “neste tempo de conversão, renovamos a nossa fé, obtemos a ‘água viva’ da esperança e recebemos com o coração aberto o amor de Deus que nos transforma em irmãos e irmãs em Cristo (…).

O itinerário da Quaresma, como aliás todo o caminho cristão, já está inteiramente sob a luz da Ressurreição que anima os sentimentos, atitudes e opções de quem deseja seguir a Cristo”. Tendo diante dos olhos a São José buscaremos fazer com que a fé, a esperança e a caridade deem frutos verdadeiros em nós.

 

Quem foi São José?

Na Palavra de Deus não há muitas informações sobre São José; nós encontramos nos Evangelhos de São Mateus e São Lucas as poucas informações a respeito dele, principalmente, ligando o Santo Patriarca aos eventos da infância e adolescência de Jesus Cristo.

Ele era um homem do seu tempo, da linhagem do rei de Davi, trabalhador, noivo e esposo de Maria, pai nutrício de Jesus Cristo, chamado de “homem justo” (Mt. 1,19). Uma vez que somos chamados à conversão, “apesar da secularização da sociedade contemporânea, o povo cristão chama à atenção, claramente, que durante a Quaresma é necessário dirigir as almas para as realidades que realmente importam; isso sim exige empenho evangélico e coerência de vida, traduzida em boas obras, em formas de renúncia ao que é supérfluo e lascivo, em manifestações de solidariedade com os sofredores e necessitados” (Diretório para Liturgia e piedade popular, 125).

São José é o homem discreto, muitas vezes despercebido, que não faz as coisas para o espetáculo, para ser visto pelos homens (Mt. 6,1). Essa presença discreta e quase despercebida não é fuga de responsabilidades, não é omissão, pelo contrário, é ocasião para viver a justiça verdadeira, que é fazer a vontade de Deus em toda a sua inteireza.

 

São José, o ‘justo’

São José é conhecido como “justo”, não o é como os justos aos olhos do mundo, mas como quem tudo realiza conforme a vontade de Deus, como bem define o Catecismo da Igreja Católica: “A justiça é a virtude moral que consiste na constante e firme vontade de dar a Deus e ao próximo aquilo que lhe é devido” (n. 1807).

O justo sabe-se dependente de Deus, sabe que somente o cumprimento da vontade de Deus realizará de modo pleno e saciará a sua vida. Deste modo, São José, como justo que era, vivia as leis da religião do seu tempo para agradar a Deus, somente. E o jejum praticado de modo justo é agradável a Deus, ajuda-nos a entender que nós não nos bastamos a nós mesmos! E que outra criatura humana, depois de Maria, pode nos dar exemplo de total submissão à vontade de Deus, que não o amado São José?

No Guardião da Família de Nazaré “todos podem encontrar (…) um intercessor, um amparo e um guia nos momentos de dificuldade” (Francisco, Patris corde, introdução). São José é um intercessor! Em outras palavras, é homem de oração, de profunda intimidade com o seu Deus e Senhor. No caminho quaresmal somos chamados a sermos cada vez mais pessoas de oração – de corpo, alma e espírito voltados para o Céu. Porque era um homem de oração São José soube em tudo reconhecer e cumprir a vontade do Pai que está no Céu (Mt. 6,1).

Homem de bem, trabalhador operoso, São José é um amparo para os que dele e nele esperavam, especialmente sua esposa e o filho que Deus lhe confiou para cuidar. Neste tempo de conversão somos chamados a cuidar ainda mais um dos outros, pela caridade operativa para com os mais necessitados, pela prática da esmola, que mais do que, simplesmente, dar uma esmola é ter o coração em Deus na esmola dada e no serviço realizado em favor de alguém. Por isso, no caminho quaresmal que iniciamos com a Quarta-feira de Cinzas, recordando nossa vida efêmera e passageira sobre a terra, façamos o firme propósito, olhando para São José, de nos convertermos ainda mais para o Senhor, pelos exercícios espirituais do jejum, da oração e da esmola que “tal como são apresentados por Jesus na sua pregação (cf. Mt 6, 1-18) – são as condições para a nossa conversão e sua expressão” (Francisco, Mensagem para Quaresma 2021). Sejamos presença discreta e atuante, pelo amor a Deus, na vida de tantas pessoas necessitadas.

 

Intercessores e custódios como São José

Como primeiro gesto concreto quaresmal sejamos intercessores e custódios como São José. Durante essa Quaresma escolhamos alguém ou alguma instituição por quem nos comprometamos em rezar e a fazer sacrifícios! Sim, rezar – porque a primeira ação nossa por alguém deve ser sempre a oração. As ações que possamos vir a realizar deverão ser ações rezadas, para que sejam feitas conforme a vontade do Senhor. São José, providenciai! Boa oração, abençoada meditação!

Fotos: Cathopic.com

Fonte: Vatican News

” e o 20 de janeiro

 

Ana Paula Paiva – O 20 de janeiro sempre foi um marco histórico profundo e não facilmente compreendido, uma vez que existe sempre a dificuldade de análise histórica do que foi a perseguição nazista, quanto aos motivos pelos quais ela se direcionou aos sacerdotes alemães (incluindo o fundador) e porquê o regime enxergava neles uma ameaça.

Sabe-se, contudo, que foi uma época muitíssimo difícil para a Obra de Schoenstatt e para toda a Igreja, além – evidente – das graves ofensas humanas e do horror da guerra. Correspondências foram interceptadas, investigações sem qualquer crivo processual levadas a efeito, prisões e consequentes encaminhamentos a campos de trabalho (e extermínio). A guerra agravou a crise econômica em toda a Europa, e toda a humanidade sofreu com a morte, com a fome e com o temor pela perda da liberdade.

No mesmo período em que Adolf Hitler alçava postos significativos dentro do partido e começava a vencer eleições, com discursos e narrativas absolutamente contrários à doutrina da Igreja, nosso Fundador percorria grande parte da Alemanha pregando retiros para sacerdotes diocesanos e falando, aberta e claramente, sobre os riscos do nacional-socialismo, do bolchevismo, da massificação e mecanização, bem como da absoluta importância da liberdade, da personalidade forte, da colaboração com Deus e da filialidade heroica.

O Fundador, certamente, incomodou. Preso pela Gestapo em Coblenza, sendo intimidado em diversas ocasiões (e tendo demonstrado profundo vigor pessoal), e lhe sendo oportunizado (por membros da Família de Schoenstatt) a utilização de um exame médico que lhe favoreceria e, provavelmente, não o levaria ao campo de trabalho (um paradoxo absolutamente bizarro pois, sob o pretexto de trabalharem, eram exterminados), o Fundador disse não. Era 20 de janeiro de 1942.

Vemos um José profundamente firme, corajoso, íntegro. Um José que sabia as consequências dos seus atos, mas ainda assim, que colocou a Providência como protagonista de sua própria história pessoal. O Fundador foi a Dachau não apenas por ele mesmo, mas por cada um de nós.

Temos um outro José como referência, patrono da Igreja, pai de Jesus. Um José que longe de ser aguado e pouco participativo, foi absolutamente eficiente em sua missão: corajoso, viril, protetor da Virgem Maria e do Menino Deus. São José é um grande exemplo de serviçalidade, humildade, força, silêncio, amor, entrega e fé, e o ano a ele devotado é salutar nesse tempo em que a família é duramente atacada e a autoridade paterna esquecida.

A Sagrada Família de Nazaré não teve uma vida simples. Em meio a uma perseguição sangrenta, São José pegou o Menino e Sua Mãe e fugiu para o Egito, proveu todo o sustento necessário à Família, garantiu segurança aos seus, valentemente confiou na Providência e seguiu Seus planos. São José é o heroico protetor da Família de Nazaré e, também, da nossa.

 

 

E o que esses dois ‘Josés’, tão queridos por nós, têm em comum?

Há muito o que dizer: Nosso Fundador, José Kentenich, espelhou, em tantas importantes medidas, seu onomástico São José. Foi valente, íntegro, forte e, ao mesmo tempo, silencioso, honrado, casto e heroico. Também espelhou São José, atuando – em sua vida sacerdotal – com zelo pelas almas, as confiando à proteção de Maria – que foi a única que, realmente, o influenciou em toda sua vida, tal como o esposo castíssimo de Maria, fiel em todas as circunstâncias.

Que nesse ano em que nos dedicaremos a estudar mais sobre o Santo Patrono de nossa Igreja, possamos incorporar em nossa vida suas virtudes, tal como fez o Fundador da Obra de Schoenstatt, e carregar em nossa vida a integridade e firmeza que o vimos manifestar no 20 de janeiro de 1942, marco da confiança divina, da fidelidade aos planos de Deus e da integridade ante os desafios morais.

Fonte: schoenstatt.org.br

Dois ‘Josés’ e o 20 de janeiro

 

Ana Paula Paiva – O 20 de janeiro sempre foi um marco histórico profundo e não facilmente compreendido, uma vez que existe sempre a dificuldade de análise histórica do que foi a perseguição nazista, quanto aos motivos pelos quais ela se direcionou aos sacerdotes alemães (incluindo o fundador) e porquê o regime enxergava neles uma ameaça.

Sabe-se, contudo, que foi uma época muitíssimo difícil para a Obra de Schoenstatt e para toda a Igreja, além – evidente – das graves ofensas humanas e do horror da guerra. Correspondências foram interceptadas, investigações sem qualquer crivo processual levadas a efeito, prisões e consequentes encaminhamentos a campos de trabalho (e extermínio). A guerra agravou a crise econômica em toda a Europa, e toda a humanidade sofreu com a morte, com a fome e com o temor pela perda da liberdade.

No mesmo período em que Adolf Hitler alçava postos significativos dentro do partido e começava a vencer eleições, com discursos e narrativas absolutamente contrários à doutrina da Igreja, nosso Fundador percorria grande parte da Alemanha pregando retiros para sacerdotes diocesanos e falando, aberta e claramente, sobre os riscos do nacional-socialismo, do bolchevismo, da massificação e mecanização, bem como da absoluta importância da liberdade, da personalidade forte, da colaboração com Deus e da filialidade heroica.

O Fundador, certamente, incomodou. Preso pela Gestapo em Coblenza, sendo intimidado em diversas ocasiões (e tendo demonstrado profundo vigor pessoal), e lhe sendo oportunizado (por membros da Família de Schoenstatt) a utilização de um exame médico que lhe favoreceria e, provavelmente, não o levaria ao campo de trabalho (um paradoxo absolutamente bizarro pois, sob o pretexto de trabalharem, eram exterminados), o Fundador disse não. Era 20 de janeiro de 1942.

Vemos um José profundamente firme, corajoso, íntegro. Um José que sabia as consequências dos seus atos, mas ainda assim, que colocou a Providência como protagonista de sua própria história pessoal. O Fundador foi a Dachau não apenas por ele mesmo, mas por cada um de nós.

Temos um outro José como referência, patrono da Igreja, pai de Jesus. Um José que longe de ser aguado e pouco participativo, foi absolutamente eficiente em sua missão: corajoso, viril, protetor da Virgem Maria e do Menino Deus. São José é um grande exemplo de serviçalidade, humildade, força, silêncio, amor, entrega e fé, e o ano a ele devotado é salutar nesse tempo em que a família é duramente atacada e a autoridade paterna esquecida.

A Sagrada Família de Nazaré não teve uma vida simples. Em meio a uma perseguição sangrenta, São José pegou o Menino e Sua Mãe e fugiu para o Egito, proveu todo o sustento necessário à Família, garantiu segurança aos seus, valentemente confiou na Providência e seguiu Seus planos. São José é o heroico protetor da Família de Nazaré e, também, da nossa.

 

 

E o que esses dois ‘Josés’, tão queridos por nós, têm em comum?

Há muito o que dizer: Nosso Fundador, José Kentenich, espelhou, em tantas importantes medidas, seu onomástico São José. Foi valente, íntegro, forte e, ao mesmo tempo, silencioso, honrado, casto e heroico. Também espelhou São José, atuando – em sua vida sacerdotal – com zelo pelas almas, as confiando à proteção de Maria – que foi a única que, realmente, o influenciou em toda sua vida, tal como o esposo castíssimo de Maria, fiel em todas as circunstâncias.

Que nesse ano em que nos dedicaremos a estudar mais sobre o Santo Patrono de nossa Igreja, possamos incorporar em nossa vida suas virtudes, tal como fez o Fundador da Obra de Schoenstatt, e carregar em nossa vida a integridade e firmeza que o vimos manifestar no 20 de janeiro de 1942, marco da confiança divina, da fidelidade aos planos de Deus e da integridade ante os desafios morais.

Fonte: schoenstatt.org.br

José e João: Dois homens e muitas mensagens

Ir. M. Rosequiel Favero / Karen Bueno – Chegamos a mais um ‘dia 10’, que – dentro do Ano João Pozzobon – é um momento de parada e reflexão sobre este nosso Irmão na Aliança de Amor, já dentro de 2021 e em pleno ano consagrado a São José, patrono da Igreja.

 

O que encontramos de semelhante entre São José e João Pozzobon?

 Para a proclamação do Ano de São José, nosso querido Papa Francisco promulgou a Carta Apostólica ‘Patris Corde’ (em latim: ‘Coração de Pai’). Nela, ele apresenta São José como aquele que amou Jesus com um ‘coração de Pai’.

João Luiz Pozzobon tinha plena consciência da sua vocação de pai e não renunciava a ela. Embora seu apostolado tenha sido grandioso, ele mesmo afirmava que “não adianta mover o mundo inteiro se descuidar da própria família”. Seus filhos eram seus tesouros, presentes que Deus lhe havia presenteado. Seu filho mais novo, Humberto Pozzobon, testemunhou diversas vezes que João Pozzobon era um pai amoroso, que se importava com os filhos.

São José era obediente aos planos de Deus. Na sua carta, o Papa descreve como Deus lhe revelava seus planos através de sonhos. José ouvia a voz de Deus e a seguia imediatamente.

João Pozzobon era também alguém muito atento às inspirações de Deus: aos seus mandamentos, às orientações da Igreja, à escuta atenta da Palavra de Deus. Com uma visão muito deficiente, deu um acento à ‘escuta’, que fez dele um homem sábio. Ele mesmo testemunha: “Eu tinha os símbolos, porque nunca pude ler nem a Bíblia, nem outro livro qualquer. Eu só podia escrever, porque há muitos anos quase não enxergo. Não pude ler nem a Bíblia, nem a vida do Padre Kentenich, nem a história de Schoenstatt. Só posso ouvir. Então aprendi uma coisa bonita que, este ano, é meu lema: ‘Quem escuta, nunca envelhece, está sempre pronto a servir’. Eu sempre procurei escutar”.[1]

São José era um homem trabalhador, que sustentou a Sagrada Família com o suor do seu rosto. João Pozzobon foi educado numa família de imigrantes italianos, em que o trabalho era muito valorizado. Aprendeu, desde criança, a trabalhar com honestidade e afinco. Primeiro na agricultura, depois na administração de um hotel e, finalmente, de um armazém de secos e molhados. Seus filhos testemunham que ele era muito exato e honesto. Na época não haviam os pacotes fracionados em quilos, como estamos acostumados hoje. Era preciso pesar cada quilo de arroz, açúcar, feijão. Seu filho Humberto conta: “Nosso pai dizia nem menos e nem mais. Devíamos ser honestos e fazer os pacotes com o peso correto”.

A São José foi confiado uma grande preciosidade: cuidar de Maria e Jesus. João Pozzobon também aceitou esta tarefa, ao receber a Mãe Peregrina sob seus cuidados. Durante toda a vida, Pozzobon foi guardião da Mãe e do Filho, inclusive dormindo no chão algumas noites, em vigília, diante deles – lembrando a José, que dormiu no chão do estábulo.

Tanto José, como João, colocaram-se em segundo plano, para que a atenção estivesse sempre sobre o essencial: a virgem com o filho nos braços. Diz o Papa Francisco que José “soube descentralizar-se, colocar Maria e Jesus no centro da sua vida.” (Patris Corde, 7). Era também João Pozzobon aquele que sempre falava indicando Maria: “Ela fez isso, Ela fez aquilo…”, cada dia uma história sobre o que a “Mãe fez” – ele “nada fazia”, costumava dizer, era apenas seu burrinho.

Para fugir dos perigos da época, José “tomou consigo o Menino e a Mãe”, como Anjo do Senhor pediu, e fugiu para o Egito. Pozzobon não precisou fugir, mas também enfrentou desafios e esteve sempre ao lado dos dois, de Maria e de Jesus, sem temer os poderosos, pois cumpria os planos de Deus.

José e João, roguem por nós!

Crendo que esses dois modelos de pai, de esposo e de missionário estão juntos no céu, pedimos sua intercessão para o ano que começa. Que eles intercedam pelas famílias, pela Campanha da Mãe Peregrina, pelo Movimento de Schoenstatt, pela Igreja e por toda a humanidade.

 

[1] URIBURU, 140.000 km, 31.

Novena de Natal com São José – nono dia

“Prostrando-se diante dele, o adoraram” (Mt 2,11)

Logo mais é Natal! Jesus virá! “Nossa casa” está preparada? Com José e Maria, queremos dar os últimos retoques, sobretudo em nosso coração. Vamos olhar para a estrela e seguir o seu caminho, sem nos deixar influenciar por aquilo que não é essencial.

Festejaremos unidos a todos da família e ao mesmo tempo, cada um em sua casa. Assim foi também em Belém. Não havia ali parentes, mesa com ceia e nem tinha celulares e internet para compartilhar fotos ou realizar encontros virtuais. O que levou os pastores e os reis a encontrarem Jesus, com José e Maria, foi olhar para cima, mudar os planos e seguir a luz que veio do alto.

O Natal deste ano pode ser o mais verdadeiro que já celebramos até agora, se seguirmos o exemplo de São José, não colocando no centro o sacrifício que fazemos, mas, o amor que temos e que transborda em doação e entrega.

O Papa Francisco diz que é assim que “José exerceu a paternidade durante toda a sua vida. Não se nasce pai, torna-se tal… E não se torna pai, apenas porque se colocou no mundo um filho, mas porque se cuida responsavelmente dele… A lógica do amor é sempre uma lógica de liberdade e José soube amar de maneira extraordinariamente livre. Nunca se colocou a si mesmo no centro; soube descentralizar-se, colocar Maria e Jesus no centro da sua vida. A felicidade de José não se situa na lógica do sacrifício de si mesmo, mas na lógica do dom de si mesmo.”[1]

A alegria do amor que diz sim. Durante esses dias, meditamos como São José constantemente precisou mudar os seus planos e dar um sim aos planos de Deus. É isso que precisamos fazer, se queremos encontrar a Jesus, nesta Noite Santa, e inclinar-nos para adorá-lo. “Para encontrar Jesus, deve-se planejar um itinerário diferente, deve-se tomar outro caminho: o d’Ele, o caminho do amor humilde… Maria e José, os pastores, como os Magos, deixaram suas casas e tornaram-se peregrinos pelos caminhos de Deus. Com efeito, só encontra o mistério de Deus quem deixa os próprios apegos mundanos e se põe a caminho… não se colocam no centro, mas se prostram aos pés d’Ele, que é o centro… vão até o Senhor, não para receber, mas para dar.

Perguntemo-nos: no Natal, levamos algum presente a Jesus, pela sua festa, ou trocamos presentes apenas entre nós?”[2]

Jesus nasce hoje! Vamos até Belém e encontremos Maria, José e o Menino! Levemos a eles os nossos presentes! Então, se faz Natal em nossa casa, em nosso coração!

Na alegria de José e Maria, adoremos o Menino Jesus: Feliz Natal!

 

Texto: Ir. M. Nilza P. da Silva

Rezemos com Maria e com São José:

Vem Jesus, ó Rei divino,
ao meu pobre coração.
Eu te espero com saudade,
alegria e gratidão.

Se o mundo te rejeita,
com dureza e rigor,
Minha alma te acolhe,
com ternura e amor.

[1] Patris Corde, 7

[2] Papa Francisco, 6.1.2019

Fonte: schoenstatt.org.br

Novena de Natal com São José – oitavo dia

“Encontraram Maria, José e o menino”

De repente, os pastores veem um anjo que ilumina a escuridão da noite e lhes anuncia: “Não temais, eis que vos anuncio uma Boa Nova que será alegria para todo o povo: Hoje vos nasceu na Cidade de Davi um Salvador, que é o Cristo Senhor… E subitamente ao anjo se juntou uma multidão do exército celeste, que louvava a Deus e dizia: ‘Glória a Deus no mais alto dos céus e na terra paz aos homens de boa vontade.’

Depois que os anjos os deixaram e voltaram para o céu, falaram os pastores uns com os outros: ‘Vamos até Belém e vejamos o que se realizou e o que o Senhor nos manifestou’ Ele foram com grande pressa e acharam Maria e José, e o menino deitado na manjedoura.” (Lc 2,10-16) Em Belém, José “foi testemunha da adoração dos pastores, que acorreram ao lugar onde Jesus nascera… Mais tarde, foi testemunha também da homenagem dos Magos, vindos do Oriente”[1], seguindo a luz de uma estrela.

José está ali, como esposo e pai. Sigamos os planos de Deus e mantenhamos a Sagrada Família unida, reconhecendo toda a dignidade e grandeza de São José. Disse o Pe. José Kentenich que “Maria reconhece a posição dirigente de São José, na ordem do ser da pequena família sagrada e, dócil e amorosamente, concedeu a seu Filho a posição que lhe competia, conforme o ser, em sua vida.”[2]

Como Jesus e Maria, confiemos que São José vela por nós, com ternura de pai, e quer ajudar a preparar o nosso coração e de nossa família para um Santo Natal. “O Filho do Todo-Poderoso vem ao mundo, assumindo uma condição de grande fragilidade, ele necessita de José para ser defendido, protegido, cuidado e criado. Deus confia neste homem, e o mesmo faz Maria que encontra em José aquele que não só Lhe quer salvar a vida, mas sempre a sustentará a Ela e ao Menino.”

José amou a Jesus. Ele “teve em relação a Jesus, todo aquele amor natural e toda aquela solicitude afetuosa que o coração de um pai possa experimentar. Com a autoridade paterna (que Deus lhe deu) sobre Jesus, Deus comunicou também a José o amor correspondente para com seu Filho”

Aplicar em minha vida:José cumpre fielmente o “nada sem nós” que Deus lhe confia na Obra da Redenção. Ao ler a Bíblia, vemos que por de suas ações ele tem a coragem de amar e provar por meio de ações concretas que realmente ama a Jesus e Maria.

“Rezar o Terço em família e entre namorados é uma das formas de se obter este dom (a indulgência). São José foi o esposo de Maria, pai de Jesus e guardião da família de Nazaré. Ali floresceu a sua vocação. A esse propósito, a Penitenciaria Apostólica convida as famílias cristãs a recriar ‘a mesma atmosfera de comunhão íntima, de amor e oração que se vivia na Sagrada Família’.”

 

Texto: Ir. M. Nilza P. da Silva

Rezemos com Maria e com São José:

Vem Jesus, ó Rei divino,
ao meu pobre coração.
Eu te espero com saudade,
alegria e gratidão.

Se o mundo te rejeita,
com dureza e rigor,
Minha alma te acolhe,
com ternura e amor.

[1] Redemptoris Custus, Papa João Paulo II

[2] Espiritualidade Mariana do instrumento

Foto: Cathopic.com

Fonte: schoenstatt.org.br

 

Novena de Natal com São José – sétimo dia

“Envolvendo-o em faixas, reclinou-o numa manjedoura”

Normalmente, o presépio nos apresenta São José com uma lanterna na mão, sinal da chama de sua fé, que nunca se deixou abalar. Despojado de todos os bens materiais, da justa honra que um esposo e pai gostaria de ter, por conseguir oferecer o melhor para sua família, na pobre gruta, José ainda brilha. A luz de seu abandono na fé preenche a gruta e tranquiliza Maria, eles vivenciam que a Providência Divina não abandona os que colocam o Reino de Deus em primeiro lugar. “Estando eles ali… ela deu à luz seu filho primogênito. Envolvendo-o em faixas, reclinou-o numa manjedoura.”[1]

Amparada pelo amor e a companhia de José, “Maria é aquela que sabe transformar um curral de animais na casa de Jesus, com uns pobres paninhos e uma montanha de ternura. Ela é a serva humilde do Pai, que transborda de alegria no louvor.”[2]

O pequeno recém-nascido, Menino “Jesus viu a ternura de Deus em José”[3]

“Nele se pode vislumbrar o homem novo, que olha para o futuro com confiança e coragem, não segue o seu próprio projeto, mas se entrega totalmente à infinita misericórdia Daquele que torna realidade as profecias e abre o tempo da salvação”[4]. “São José assumiu sua paternidade à sombra de Deus Pai. Jesus homem aprendeu a dizer ‘papai’ a Deus Pai, aprendeu do testemunho de José”[5], disse o Papa Francisco.

E ele continua: “Às vezes também a nossa vida parece à mercê dos poderes fortes, mas o Evangelho nos diz que Deus consegue sempre salvar aquilo que conta, desde que usemos a mesma coragem criativa do carpinteiro de Nazaré, o qual sabe transformar um problema numa oportunidade, antepondo sempre a sua confiança na Providência. Se, em determinadas situações, parece que Deus não nos ajuda, isso não significa que nos tenha abandonado, mas que confia em nós com aquilo que podemos projetar, inventar, encontrar.”[6] “A ternura é a melhor forma para tocar o que há de frágil em nós… Só a ternura nos salvará… Por isso, é importante encontrar a Misericórdia de Deus, especialmente no sacramento da Reconciliação, fazendo uma experiência de verdade e ternura.”[7]

Aplicar em minha vida:O milagre de Belém se atualiza em nossa vida, quando o coração se decide pelo que é maior, sem fazer exigências e se abrindo para acolher a Deus que nos abraça por meio da realidade.

“São José, verdadeiro homem de fé, nos exorta a reencontrar a relação filial com o Pai, a renovar a fidelidade à oração, a ouvir e corresponder com profundo discernimento à vontade de Deus. Por isso, recebe a indulgência desse ano de São José, “quem meditar ‘por pelo menos 30 minutos a oração do Pai-Nosso’, ou participar de um retiro espiritual, mesmo por um dia ‘que inclui uma meditação sobre São José’”[8]

 

Texto: Ir. M. Nilza P. da Silva

Rezemos com Maria e com São José:

Vem Jesus, ó Rei divino,
ao meu pobre coração.
Eu te espero com saudade,
alegria e gratidão.

Se o mundo te rejeita,
com dureza e rigor,
Minha alma te acolhe,
com ternura e amor.

 

– Dia 1 – E o nome da virgem era Maria

– Dia 2 – Não tenhas medo

– Dia 3 – O sim de José uniu-se ao sim de Maria

– Dia 4 – José recebeu Maria como sua esposa

– Dia 5 – Com sua esposa, Maria, que estava grávida

– Dia 6 – Não havia lugar para eles na hospedaria

 

Referências

[1] Lucas 2, 4-7

[2] Evangelii Gaudium, 286

[3] Patris Corde, 2

[4] Papa Bento XVI, 20.12.2010

[5] Papa Francisco, 18.12.2017

[6] Patris Corde, 5

[7] Patris Corde, 2

[8] https://www.vaticannews.va/pt/vaticano/news/2020-12/ano-sao-jose-indulgencia-plenaria-penitenciaria-apostolica.html

Foto: Carlos Daniel, via cathopic.com

Novena de Natal com São José – sexto dia

“Não havia lugar para eles na hospedaria” (Lc 2,7)

O jovem casal, José e Maria, finalmente chega a Belém. Podemos imaginar o alívio que isso traz para eles: “Conseguimos! Deus nos amparou e Maria dará à luz em um lugar seguro.” Então, Maria deve ter ficado aguardando, para não ter que andar muito, e José vai à procura de uma boa hospedaria. A primeira está lotada, a segunda não é tão boa, mas, também já não tem mais vaga, assim, José vai descendo o padrão de qualidade nas suas escolhas…. Até não ter mais nada a escolher. “A vontade de Deus, a sua história e o seu projeto passam também através da angústia de José”, escreve o Papa Francisco. “Assim ele ensina-nos que ter fé em Deus inclui também acreditar que Ele pode intervir inclusive por meio dos nossos medos, das nossas fragilidades, da nossa fraqueza. E ensina-nos que, no meio das tempestades da vida, não devemos ter medo de deixar a Deus o timão da nossa barca. Por vezes, queremos controlar tudo, mas o olhar d’Ele vê sempre mais longe.”[1]

Coloquemo-nos nas ruas de Belém e, com José, vamos dizer para Maria que, o único lugar disponível é um curral, fincado num buraco, onde estão também alguns animais. Se nós nos desmoronamos só de imaginar isso, José o fez do melhor modo possível e Maria acolheu do mesmo modo, um facilitando a vida do outro, e ambos se dirigem para lá, com uma “coragem criativa”, diz o Papa e “esta vem ao de cima… Com efeito, perante uma dificuldade, pode-se estacar e abandonar o campo, ou tentar vencê-la de algum modo. Às vezes, são precisamente as dificuldades que fazem sair de cada um de nós recursos que nem pensávamos ter…

José é o homem por meio de quem Deus cuida dos primórdios da história da redenção. Ele é o verdadeiro “milagre”, pelo qual Deus salva o Menino e sua mãe. O Céu intervém, confiando na coragem criativa deste homem que, tendo chegado a Belém e não encontrando alojamento, onde Maria possa dar à luz, arranja um estábulo e prepara-o de modo a tornar-se o lugar mais acolhedor possível para o Filho de Deus, que vem ao mundo.”[2]

Aplicar em minha vida:José é venerado como aquele guardião, que cuida dos bens financeiros, talvez porque ele conheceu tão bem o que é não ter nada e, ao mesmo tempo, descobrir tesouros no pouco que Deus lhe oferece. José aceita com simplicidade o “pior lugar”, como o maior presente de Deus.

A indulgência deste ano especial pode ser obtida realizando “uma obra de misericórdia corporal ou espiritual”, seguindo o exemplo de São José… que “nos exorta a redescobrir o valor do silêncio, da prudência e da lealdade no cumprimento de nossos deveres”.[3]

 

Texto: Ir. M. Nilza P. da Silva

Rezemos com Maria e com São José:

Vem Jesus, ó Rei divino,
ao meu pobre coração.
Eu te espero com saudade,
alegria e gratidão.

Se o mundo te rejeita,
com dureza e rigor,
Minha alma te acolhe,
com ternura e amor.

– Dia 1 – E o nome da virgem era Maria

– Dia 2 – Não tenhas medo

– Dia 3 – O sim de José uniu-se ao sim de Maria

– Dia 4 – José recebeu Maria como sua esposa

– Dia 5 – Com sua esposa, Maria, que estava grávida

 

[1] Patris Corde, 2

[2] Patris Corde, 5

[3] https://www.vaticannews.va/pt/vaticano/news/2020-12/ano-sao-jose-indulgencia-plenaria-penitenciaria-apostolica.html

 

Foto: Valter Cirillo em Pixabay

Fonte: schoenstatt.org.br