
Rainha da Filialidade Heroica, aceita a coroa
Ir. Maria da Graça Sales Henriques – Hoje fazemos memória da coroação da Mãe de Deus como Rainha da Filialidade Heroica, realizada por nosso Pai e Fundador, em 20 de agosto de 1949.
Na época, autoridades eclesiásticas cumpriam a sua função de submeter a Obra de Schoenstatt ao exame a que é sujeito todo o carisma inovador que se manifesta na Igreja. Nosso Pai e Fundador, consciente da sua responsabilidade pelo carisma recebido, procurava, por sua vez, defender e desdobrar na Igreja o dom da graça que Deus lhe confiara.
A história prova que ao longo dos séculos a integração de novas formas de vida cristã na vida da Igreja nunca é fácil nem isenta de tensões e incompreensões, falhas e faltas humanas que podem dar lugar até a injustiças. À luz da fé na divina Providência, reconhecemos, porém, que através das limitações humanas, Deus confirma a autenticidade do carisma. Para usar uma expressão do Cardeal Ratzinger, este se encontra em um campo de tensões entre a obediência devida, por um lado, às autoridades da Igreja e, de outro lado, ao carisma recebido.
É este o cenário de fundo da coroação da Mãe de Deus em 20 de agosto de 1949 como Rainha da Filialidade Heroica, no Santuário Tabor. Reconhecendo a fecundidade da sua atuação no Santuário, como resposta à fidelidade ao carisma, nosso Pai e Fundador reza, ao coroá-la:

“Novamente nos confessamos por teu reinado …
Na verdade, revelaste tuas glórias como a grande Rainha Tabor!
(…) Assim, pedimos-te que aceites a coroa como expressão de profunda gratidão.
Este é um ato de gratidão pelo teu poder, pelo grande poder de tuas glórias”!
De igual forma, confia à Mãe de Deus a responsabilidade pelos problemas que surgiram “no espaço e no âmbito da Igreja”, no contexto da luta pelo reconhecimento do carisma que Deus lhe confiou. Expressando que seu único desejo e intento é o serviço à missão da Igreja, formula a súplica filial: “Pedimos-te que não cesses de suplicar a Jesus, ao Pai e ao Espírito Sato, enquanto não conseguires realizar o grande fim, para o qual nos conduziste à Igreja e nos introduziste na Igreja, para que, na Igreja e pela Igreja, realizemos as tarefas que, assim cremos, tu mesma depositaste sobre nossos fracos ombros.”
Filialidade Heroica: herança e missão
Sintetiza esse “grande fim”, a tarefa depositada sobre os “fracos ombros” no pedido: “Cuida que todos os filhos de Schoenstatt, … recebam e conservem, até o fim dos tempos, a graça da filialidade heroica e, com ela, a garantia do elemento essencial de nossa espiritualidade.”
O Padre Kentenich estava profundamente consciente que Deus lhe confiara, através de Maria, a missão de conduzir muitos corações a se entregarem filialmente a Deus, Pai de amor e de misericórdia. A “filialidade heroica” que considerava elemento essencial da espiritualidade de Schoenstatt, é a resposta a todos os problemas e desafios da nossa época que separa inteiramente de Deus a vida concreta, a história da humanidade e a vida individual. Reconhecer Deus, Pai de bondade, por trás de todos os acontecimentos e desafios e se entregar a ele em confiança filial; não deixar jamais de acreditar que tudo vem do seu amor e que Ele só quer o nosso bem; perseverar na entrega filial e confiante a sua condução é a graça da filialidade heroica que a Mãe de Deus concede no Santuário como resposta ao grande pedido de nosso Pai e Fundador, ao coroá-la como Rainha da Filialidade Heroica em 20 de agosto de 1949.
A filialidade heroica, dom de Deus e missão é a grande resposta que somos chamados a dar, em Maria, à angústia, insegurança e desenraizamento que hoje marcam a experiência existencial de tantas pessoas.
