Karen Bueno – A poucas casas de distância, vejo a realidade dura de uma família vizinha: pais desempregados, filhos pequenos a se criar, um país inteiro em crise ao seu redor. Talvez isso aconteça também na sua rua, ou no seu bairro. Talvez essa seja a realidade da sua família. O coração simplesmente não consegue “passar batido” pela atual situação, é impossível não se colocar no lugar do outro. Também a situação de guerra que vivemo no mundo nos trazes tantas inquietações. Ao mesmo tempo, nessa hora, o olhar se guia quase que instintivamente para o filho mais novo da família: apesar de tudo, ele continua saltitando e se divertindo como se fosse um dia normal de férias escolares. Não se abala. O menino provavelmente compreende que a família enfrenta dificuldades, mas sabe que os pais vão “dar um jeito”. É isso o que os pais fazem.

No dia da Aliança de Amor, olhando para a imagem acima, essa mesma impressão se repete. Nela, os filhos de Schoenstatt são representados como crianças, levando seus corações ardentes para a Mãe. São pequeninos e indefesos, são filhos e, como filhos, sabem que o Pai e a Mãe vão “dar um jeito”. Mas, ao mesmo tempo, eles fazem a sua parte, não deixam a missão só para a Mãe de Deus. Olhamos nos detalhes da imagem que as crianças se ajudam mutuamente, se apoiam, elas foram em busca de luzes e de flores. Essa representação mostra exatamente a forma que o Fundador de Schoenstatt, Pe. José Kentenich, imaginou sua Família: Cada um empenhado em fazer tudo o que lhe cabe na missão, mas, todos pequenos e filiais diante da Mãe, diante de Deus Pai. Não podemos ver, mas ele certamente é um desses pequenos que oferece o coraçãozinho ali, ao lado dos outros – é ele quem chama e guia todos a esse encontro filial.

 

Em essência, viver a filialidade de maneira “heroica” é viver a Aliança de Amor da maneira mais perfeita e coerente possível: Nada sem vós, nada sem nós.

Quer um exemplo? Santa Teresinha – a quem o Pe. Kentenich tanto admirava pela filialidade vivida – ofereceu-se ao Menino Jesus para ser seu “brinquedinho”. Ao falar com a superiora sobre seu “pequeno caminho” para a santidade, Teresinha diz: “Minha Madre, o caminho que desejo trilhar é o caminho da confiança e do total abandono” [1]. E, ao apresentar este caminho, ela nos convida a sermos crianças, ou seja, como as crianças esperam tudo de seus pais e nada podem por si mesmas, assim também devemos esperar tudo do Pai do céu. Ao mesmo tempo, Santa Teresinha é exemplo de luta para conquistar o que reconhece como desejo de Deus, ela ousou até mesmo apresentar-se diante do Papa para pedir o consentimento à sua entrada no Carmelo, com apenas 15 anos.

 

Olhe para a imagem mais uma vez…

Voltando a olhar para a imagem acima, podemos imaginar essas crianças partindo, após o reencontro com a Mãe neste dia 18, e retornando às suas atividades diárias. Algumas têm casa e filhos para cuidar, outras vão encontrar uma empresas ou um comércio falindo, outras ainda estarão sem emprego e tentando se reinventar. Mas, todas elas têm algo em comum no semblante: a atuação responsável em suas tarefas e, ao mesmo tempo, a tranquilidade e a confiança de que, se são fiéis à Aliança, a Mãe vai “dar um jeito”. Foi a Mãe mesmo que prometeu: “Não vos preocupeis… Eu amo aos que me amam” [2]. A troca de corações está feita – e troca de coração, nos diz o Pe. Kentenich, significa troca de confiança, de sacrifício e de fidelidade [3].

 

 

Referências:

[1] História de uma Alma, 12

[2] Documento de Fundação de Schoenstatt

[3] Kentenich, Pe. José. Que as rosas falem por nós

 

* A imagem destacada é obra da artista uruguaia (já falecida) Irma Ulmer, que fez vários desenhos simbólicos que expressam lindamente a espiritualidade de Schoenstatt.

Fonte: schoenstatt.org.br