
Um tesouro escondido no campo
A liturgia deste 17º domingo do tempo comum convida-nos a refletir quais são nossas prioridades e valores sobre os quais fundamentamos nossa vida. Jesus, através do evangelista São Mateus, apresenta-nos três parábolas, que sob este aspecto complementam-se mutuamente.
Nas duas primeiras parábolas, o Senhor diz: “O Reino dos Céus é como um tesouro escondido no campo. Um homem o encontra e o mantém escondido. Cheio de alegria, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquele campo. O Reino dos Céus também é como um comprador que procura pérolas preciosas. Quando encontra uma pérola de grande valor, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquela pérola.”
Papa Francisco, a 20 de julho de 2020, comenta esta passagem na oração do angelus: “Jesus, que é o tesouro escondido e a pérola de grande valor, só pode suscitar alegria, toda a alegria do mundo: a alegria de descobrir um sentido para a própria vida, a alegria de senti-la comprometida com a aventura da santidade”. Suas palavras ressoam ainda hoje e nos convidam a (re)descobrir a beleza e a alegria de pertencer, ajudar a construir e ser sinal vivo do Reino de Deus, o que plenifica de sentido nossa existência.
Graça divina e disponibilidade humana
Como os discípulos, somos interpelados a perceber que “tanto o homem quanto o comprador das duas parábolas vendem tudo aquilo que possuem, abandonando assim suas seguranças materiais. Disso se entende que a construção do Reino exige não somente a graça de Deus, mas também a disponibilidade ativa do homem.” Não somos objetos passivos, mas colaboradores ativos do Reino, o que exige de nós o radicalismo para decidir-nos por aquilo que corresponde a esta vocação e agirmos de forma consequente, sendo capazes de abandonar seguranças e pretensões humanas.
A terceira parábola, conduz-nos um passo a mais, à semelhança da parábola do joio e do trigo, refletida no último domingo. Agora, Jesus usa a imagem da rede, que lançada ao mar apanha peixes bons e maus. Finalizada a pesca, os pescadores, sentados à beira da praia, separam os peixes. Deus não tem pressa, ele não deseja condenar à morte, mas que todos tenham vida em abundância e cheguem ao conhecimento da verdade.
Recorrendo a uma linguagem humana, poderíamos dizer que Deus ‘espera’ nossa conversão; concede-nos graças e forças para decidir-nos pelo seu Reino, deixando tudo, com alegria, afim de confessarmos como o salmista: “É esta a parte que escolhi por minha herança: observar vossas palavras, ó Senhor! A lei de vossa boca, para mim, vale mais do que milhões em ouro e prata.”
Imagem de capa: IStock
