Um coração aberto a Deus e aos irmãos

A Liturgia da Palavra do 23º Domingo do Tempo Comum nos conduz ao coração da vida cristã: a relação com Deus e com os irmãos. Deus nos recorda que ninguém caminha sozinho na fé e que somos responsáveis uns pelos outros.

Na primeira leitura, o profeta Ezequiel recebe do Senhor uma missão muito concreta: ser “vigia” para o povo. Sua tarefa é advertir o irmão quando este se afasta do caminho. A tarefa do profeta não é de condenar ou apontar os erros do outro, mas de assumir, com amor, a responsabilidade por ele. Deus nos mostra que o verdadeiro amor não permanece indiferente diante do sofrimento ou do afastamento de quem caminha conosco.

Essa mesma atitude aparece no Evangelho, no qual Jesus ensina aos discípulos, de maneira muito prática, como agir quando um irmão comete uma falta. O objetivo de todo o caminho proposto pelo Senhor é “ganhar o irmão” (Mt 18,15). A correção fraterna, quando verdadeiramente inspirada pelo Evangelho, nasce do desejo de restaurar os vínculos e ajudar o outro na obra de sua conversão. Eis um ensinamento particularmente atual em um mundo no qual é comum emitir juízos sem responsabilidade e comentar os erros alheios, esquivando-se da caridade.

Juntos, a caminho da realização do ideal

Em Schoenstatt, pela Aliança de Amor que selamos, tornamo-nos Família, comunidade de educação e de educadores. Por isso, em nossos grupos e comunidades, tomamos muito a sério a autoeducação, mas também, nos abrimos à correção fraterna, à educação através do outro. A abertura à educação de Deus revela-se na docilidade em acolher os instrumentos que Ele coloca em nossa vida e que desejam, com sinceridade, conduzir-nos à realização do ideal ao qual fomos chamados.

Quantas vezes precisamos aprender novamente a escutar, dialogar, perdoar e oferecer ao outro a oportunidade de recomeçar? Quantas vezes somos convidados a substituir o julgamento pela misericórdia e a indiferença pela responsabilidade fraterna, a fim de aproximar os irmãos do coração de Cristo, sempre disponível a comunicar-nos sua graça salvadora?

E o Evangelho culmina com uma das promessas mais consoladoras de Jesus: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou no meio deles” (Mt 18,20). A comunidade cristã não é simplesmente um grupo de pessoas que compartilham a mesma fé, mas, unidas pelo vínculo da caridade, torna-se lugar da presença e da manifestação de Cristo.

Que a Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt, em seu Santuário, nos ajude a ter um coração verdadeiramente aberto a Deus e aos irmãos, capaz de corrigir com amor e acolher a correção com humildade, a fim de testemunhar a comunidade nova, formada por personalidades livres, generosas e firmes, que nosso Pai e Fundador, Padre José Kentenich, almejou formar e presentear ao mundo e à Igreja por meio de Schoenstatt.