“Agora, diz o Senhor, voltai para mim com todo o vosso coração”, assim inicia a primeira leitura, retirado do livro de Joel (2,12). No tempo santo da Quaresma, a Igreja nos exorta à renovada conversão do coração, a uma decisão mais profunda ao seguimento de Cristo, que se faz um de nós em tudo, exceto no pecado, e entrega-se no altar da Cruz em remissão pelas nossas transgressões.
Todavia, pode ser que iniciemos esta Quaresma como “mais uma” em nossa vida. Desta forma, colheremos pouquíssimos frutos do manancial de graças que nos é ofertado neste tempo e que nos preparam para bem celebrar a festa da Páscoa. Queremos lançar o olhar ao alto e deixar que o próprio Deus nos ensine como viver conforme a sua vontade.
‘Recorda-te que és pó e em pó te hás de tornar’
Podemos nos deixar inspirar pelas palavras do Padre José Kentenich, proferidas no sermão da Quarta-feira de Cinzas do ano de 1954:
“Ainda ressoam em nós as palavras do sacerdote ao tocar nossa testa com a cinza: ‘Recorda-te que és pó e em pó te hás de tornar’. Uma palavra antiga, muito conhecida, válida por todos os tempos, em todas as regiões. Válida para todos; válida também para nós. Sim, para nós que durante o ano demos tanta importância a aumentar nossos bens. Para nós, que nos ocupamos continuamente com nosso corpo e os cuidados pelo seu bem estar, sua saúde e sua beleza. Válida para os que receberam pelo rádio, pela televisão e pela imprensa incontáveis e convincentes recomendações sobre a cultura do corpo. Um dia, porém, o corpo a que dedicamos tantos cuidados será novamente reduzido a pó: voltará à substância e à matéria de que proveio. Recorda, pois, que és pó e em pó te hás de tornar!

São sérias estas palavras que ressoam na nossa alma. A Igreja orienta-nos a não volvermos tanto nossa atenção para o corpo e a que não nos concentremos quase exclusivamente nos nossos negócios, durante as próximas semanas. Voltemos nosso olhar ao alto. Sursum corda! – Ao alto os corações! Olhemos ao alto! Durante a Quaresma, coração e olhar fixam-se particularmente com grande e ardente amor na grande cena do Gólgota. E quando os sinos anunciam o sermão da Quaresma, ressoa em nosso espírito e em nosso coração a palavra de Jesus: “Quando eu for erguido da terra, atrairei todos a mim!” (Jo 12,32) O crucificado não se cansa de nos atrair a si com força irresistível. Faz-nos esquecer dos afazeres de cada dia. Convida-nos a vir à Igreja para escutar suas palavras e responder ao chamado e convite do seu amor.”
Que neste tempo quaresmal nos deixemos conduzir por Maria, a grande Mãe da Dores, a um profundo e vital encontro com a pessoa de Cristo, capaz de configurar e transformar nossa vida.
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