Ir. Cassiana Maria Jänisch – Por natureza, o gênero humano busca um ideal de vida que não se esgota no aquém e nem termina com a morte. Já dizia Santo Agostinho: “Fizeste-nos, Senhor, para ti, e o nosso coração anda inquieto enquanto não descansa em ti.”
Por conseguinte, para enfrentar o tempo atual, com tudo que ele abrange, e trilhar confiantes um caminho novo, é preciso reconhecer que o mundo depois da pandemia não será mais o mesmo [1].
O Papa Francisco, no IX Encontro Mundial das Famílias, em Dublin/Irlanda, assegurou que: “em casa, que podemos chamar ‘igreja doméstica’, os filhos aprendem o significado da fidelidade, da honestidade e do sacrifício” [2]. Dessa experiência, o nome CASA, para os que cultivam uma espiritualidade, torna-se um Santuário da vida, um Santuário Lar; pois a família, como a menor célula da sociedade, é a esperança de uma nova sociedade. A partir dela se concretiza o cuidado pela casa comum, o meio ambiente no qual vivemos.
A casa é um lugar sagrado
O Santuário Lar faz parte da espiritualidade do Movimento Internacional de Schoenstatt, cuja expressão foi criada pelo Fundador, Pe. José Kentenich, e se aplica não só aos lares, mas a todo e qualquer recinto que foi preparado para tornar-se um lugar de oração e acolhimento. Ao convidar a Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt para ali se estabelecer, este recinto, seja ele uma sala de aula, um escritório, ou um quarto etc., torna-se um lugar sagrado, um Santuário Lar. Ali todo o nosso ser, alma, mente e corpo são envolvidos e perpassados pelo sagrado.
A jovem advogada Bárbara Rafaela B. R. de Mélo, membro da Juventude Feminina de Schoenstatt, de Garanhuns/PE, partilha da importância do Santuário Lar como uma forma de vida em harmonia consigo mesma, com Deus, o próximo o trabalho e o meio ambiente em que se vive: “Ela, (a Mãe de Deus), quer estar comigo em todos os momentos da minha vida, assim, com a sua presença e a do seu Filho, Ela vem trazer o ar divino para mim e para minha família, o real sentido da ‘Igreja Doméstica’. Aqui eu vivo com muita profundidade todos os tempos litúrgicos da Igreja, bem como confio as minhas aflições à Rainha, que me conduz a viver a santidade em todas as horas do meu dia”.
Semelhante experiência faz o cirurgião-dentista Berzelius Brown Gomes, da Liga de Famílias de Schoenstatt, de Garanhuns/PE, que experimenta o Santuário Lar como local da presença e proteção de Deus. Ele testemunha: “O Santuário Lar em nossa casa é nosso local de encontro para rezar e partilhar os momentos alegres e felizes, como também as angústia, tristezas e anseios de cada um. Neste tempo de pandemia, o Santuário é onde nos sentimos abrigados e protegidos de tudo que nos rodeia e onde o amor de Deus Pai nos impulsiona a seguir confiantes sempre. É ter a certeza de que tem alguém cuidando de mim”.
A psicóloga Rita Alcione Oliveira dos Santos Brilhante, da Liga de Famílias de Schoenstatt, de Juazeiro do Norte/CE, testemunha que o Santuário Lar pode ajudar a enfrentar o sofrimento inevitável da pandemia. Ela diz: “Para mim, ele significa a presença constante de Maria na minha família como modelo de fidelidade e confiança. A pandemia nos coloca diante de um sofrimento inevitável e a presença de Maria nos ajuda a enfrentar a situação a partir dos nossos valores de atitude, reconhecendo que o controle de tudo está nas mãos do seu Filho amado e que precisamos ser obedientes, pacientes e confiantes, que mesmo que nos sobrevenha a dor, o fim último é o amor”.
Referências
[1] MELO, Clayton. Como o coronavírus vai mudar nossas vidas: dez tendências para o mundo pós-pandemia
[2] FRANCISCO, Papa. Discurso. Viagem Apostólica à Irlanda por ocasião do IX Encontro Mundial das Famílias. Visita à Pró-Catedral de Santa Maria. Dublin, Sábado, 25 de agosto de 2018. Disponível em: http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2018/august/documents/papa-francesco_20180825_dublino-irlanda-cattedrale.html. Acesso em: 24 maio 2020.
(Foto: Alex Formigoni)
Fonte: schoenstatt.org.br
