
9º DIA – A LIBERTAÇÃO
Na Semana Santa de 1945, de repente, toda a situação do Campo de Concentração mudou. Dizia-se que os sacerdotes alemães seriam postos em liberdade. De fato, alguns foram demitidos do Campo, enquanto outros aguardavam, na incerteza, entre a liberdade ou um “transporte de morte”.
Padre Kentenich nos relata o momento de sua liberdade: “Dia 5 pela manhã tive o reconhecimento claro de que no dia seguinte eu seria livre. Na manhã seguinte, dia 06 de abril, fui ao campo da chamada com o pensamento de que ficaria livre. De repente, chamada! Estou livre!… Exteriormente livre, porque livre eu sempre fui. Pensei: agora poder ir para onde e como quiseres! Deixei o Campo. Sexta para sábado, 7 de abril, a Juventude de Schoenstatt veio encontrar-me. Comecei logo a fazer conferências. Como são maravilhosos os planos de Deus!”
Na viagem de regresso de Dachau a Schoenstatt, que levou 14 dias, onde o Padre Kentenich se detinha, geralmente nas Casas Paroquiais, era logo assediado por membros da Família de Schoenstatt. Todos queriam ouvi-lo e alegrar-se com ele, bendizendo ao Senhor pela proteção maravilhosa durante o tempo de prisão.
As estradas de rodagem e as ferrovias estavam em grande parte destruídas, isto porém não impedia as viagens. Vinham a pé ou de bicicleta. Até mesmo o Padre Kentenich comprou um coche com dois cavalos e assim pretendia chegar em Schoenstatt. porém para a alegria de muitos, a planejada viagem com os cavalinhos não foi necessária. Pe. Menningen conseguiu arranjar um carro, gasolina e o visto das autoridades policiais para ir buscá-lo.
Depois de muitas peripécias, raiou afinal o dia 20 de maio de 1945. Era domingo de Pentecostes. O brilho do sol, o céu azul e a vegetação anunciavam por toda a parte a Primavera.
Apesar das belezas naturais, durante a viagem, ao longo das estradas só havia ruínas, cidades inteiras destruídas. Por toda a parte havia desolação total.
Chegando, porém, ao vale de Schoenstatt, na terra sagrada da Mãe de Deus, Padre Kentenich contempla as belezas de um paraíso. Parece até que a natureza primaveril está mais feliz, sorrindo de alegria. Tudo estava intato. Nenhum vestígio dos horrores da guerra.
Mas se toda a Alemanha era um montão de ruínas, como foi possível que Schoenstatt ficasse preservado? A realidade estava ali, não havia dúvidas, porém inexplicável. A não ser a prova visível da proteção da Mãe de Deus. Ela protegeu a sua terra, o Tabor de suas magnificências. Milhares de bombas caíram sobre a Alemanha. Em Schoenstatt não caiu nenhuma. Por quê? Schoenstatt, como lugar, está no coração da Alemanha, mas também está de modo especial no Coração da Mãe de Deus. E isto a história nos provou de maneira tão visível pela guerra.
A Aliança de Amor venceu as duras provas e com ela o Santuário, a fonte de vida e de graças para os membros da Obra de Schoenstatt.
Com a volta do Padre Kentenich, a Obra, que havia se ocultado nas catacumbas, surgiu vigorosa à luz do dia. Os trabalhos foram reiniciados com mais ardor e convicção. Havia um mundo material e espiritual para reconstruir.
O Fundador abraça ardorosamente a tarefa de ajudar a reconstruir o edifício espiritual de um povo abatido pelos horrores da guerra e os longo anos do império do Nacional Socialismo. Embora ele já estivesse nos 60 anos de idade, não pensou em descanso, em férias, para refazer-se dos anos passados na prisão. Ele tinha muito para fazer. Tratava-se agora de introduzir na Obra as ricas experiências acumuladas em Dachau.
MENSAGEM DO PADRE KENTENICH
“Desde o dia 20 de maio canta e ressoa em nossa alma um afeto que nunca mais quer calar: é o afeto de gratidão… Não fazemos parte dos nove leprosos que receberam a graça e esqueceram de agradecer… Desde que estou aqui celebrei todos os dias a Missa de ação de graças, em parte em gratidão por tudo o que foi dado aos indivíduos, e em parte pelo que a Família recebeu em dádivas e graças no últimos anos”. (09.06.1945)
“Sempre estamos conscientes de que devemos ser gratos ao bom Deus. Para sermos agradecidos, temos que aprender primeiro a examinar o que Deus operou de modo singular na Família… O que devemos agradecer? Parece-me que se quiséssemos reunir todos os benefícios que como Família total recebemos… teríamos uma corrente sem fim de dádivas de amor do eterno Deus Pai. Dádivas que são uma solicitação de amor e esperam de nós uma resposta de amor”. (1966)
- Na história de minha vida Deus também me conduz com sabedoria e segurança, mesmo quando antes de alcançar a vitória tenha que passar pelo escuro da dor e aflição. Ele sempre me envolve com sua presença, com suas graças e força.
- Até que ponto sei descobrir e agradecer a proteção e providência divina a conduzir minha vida?
PROPÓSITO
Anotarei, hoje, as provas de amor que Deus Pai me concede e manifestar-lhe-ei minha gratidão, rezando o “Magnificat”.
ORAÇÃO
HINO DE GRATIDÃO[1]
Caíram as algemas! Da terra sagrada de Schoenstatt se elevem todas as vozes, em jubiloso hino de gratidão.
Na dura peregrinação, Deus manifestou à nossa comunidade sua grandeza e sabedoria, para seu louvor e sua glória.
A desgraça que o poder e a astúcia de Satanás tramaram, o olhar do Pai transformou em nossa maior felicidade.
O que era terreno no pensar e humano demais na doação, Deus quis orientar para o alto e submergir inteiramente em si.
Assim, hoje estamos estreitamente unidos, fundidos no amor de Deus, lutando incansavelmente contra os descendentes de satanás,
para que surjam homens novos, livres e fortes aqui na terra que, nas alegrias e dificuldades, procedam como Cristo
e somente a Ele vinculem as aspirações de seu coração, assim como a Mãe e Esposa o fez outrora, em sua vida.
(Rumo ao Céu, 612 a 618)
[1] Foi composto na prisão de Coblença para a festa da Candelária, 2 de fevereiro de 1942. A partir de 22 de janeiro, festa de São Vicente Pallotti, o Padre Kentenich estava convicto de que voltaria são e salvo do Campo de Concentração. De fato, nesse dia, em Berlim a Gestapo decidiu enviá-lo, não a Mauthausen (Campo de extermínio com morte certa) mas para Dachau. O Fundador pediu às Irmãs de Maria que rezassem esta oração todos os dias, até sua volta. Quando em 20 de maio de 1945 isso aconteceu, tornou-se este hino o cântico da vitória.
