
Ir M Fátima Dotto – Há 75 anos, Padre José Kentenich visitava a nossa Pátria e encontrava-se em Santa Maria/RS. Desta cidade, ele dirigiu uma saudação a um grupo de famílias, em Schoenstatt/ Alemanha. Elas o haviam convidado para o momento especial de sua Aliança de Amor, que se realizaria no Santuário Original, em Schoenstatt, na festa da Santíssima Trindade. Este fato deu origem à Liga de Famílias de Schoenstatt. Como estava em Santa Maria, Padre Kentenich envia uma saudação às famílias, em 15 de abril de 1948, através do Pe. Johannes Tick, sacerdote que o Fundador encarregara de assessorar as famílias.
Destaca-se a importância desta Carta, o fato de em 16 de julho de 1967, por ocasião do jubileu de prata da Obra das Famílias de Schoenstatt, o Fundador a ter denominado de ‘Documento de Fundação da Obra das Famílias de Schoenstatt’.
A mensagem central deste documento, escrito alguns dias após a inauguração do Santuário Tabor, constitui, sem dúvida, uma dimensão essencial das glórias que a Mãe de Deus quer revelar a partir deste lugar: “Levem a imagem da Mãe de Deus e deem-lhe um lugar de honra em seus lares. Assim, estes se transformarão em pequenos santuários…”
A sala histórica do Pai e Fundador, em Santa Maria, guarda uma cópia deste documento (foto acima).
Vamos conhecer a Carta de Santa Maria e inteirar-nos dos valiosos ensinamentos que ela contém?
Favor entregar ao Pe. Tick
para a Obra das Famílias
- Chr. urg. nos[1]! Santa Maria, 15.4.1948
É bom que tenham reservado para si, mais uma vez os dias de Pentecostes, como corresponde à dignidade e importância da obra para a qual são utilizados como istrumentos.
Se para uma pessoa sozinha já é difícil deixar que a graça domine sobre si, parece quase impossível constituir uma família segundo o modelo da Santíssima Trindade ou da Sagrada Família de Nazaré. Sempre foi assim. A época de hoje, no entanto, que imepele em toda a parte a um desenraizamento global de todos os âmbitos da vida, manifesta os seus efeitos devastadores sobretudo no santuário da família. Se a Mãe de Deus quer formar e cunhar, a partir de Schoenstatt[2], uma nova sociedade humana e um novo tipo de personalidade, deve, necessariamente, concentrar todo o poder da graça na criação e multiplicação de sólidas famílias schoenstattianas. Por isso, o Ofício de Schoenstatt reza:
Teu Santuário é nossa Nazaré
onde o Sol de Cristo irradia seu calor.
Com sua luz clara e transparente
forma a santa história da Família,
desperta a silenciosa e forte santidade
da vida diária, na feliz união familiar.
Em Nazaré, para tempos sem abrigo,
Deus quer trazer a salvação para as famílias;
e benígno conceder a santidade da vida diária
onde muitos se consagram à Obra de Schoenstatt.
Mãe, faze Cristo resplandecer em nós
com maior claridade,
une-nos em santa comunidade,
sempre prontos para qualquer sacrifício,
como exige nossa missão sagrada.
O universo, com alegria, dê glória ao Pai,
no Espírito Santo, em seu esplendor,
louve-o por Cristo e com Maria,
agora e na eternidade. Amém
Quem conhece a vida de hoje, quem sabe como são terríveis as catástrofes ao encontro das quais o mundo e a Igreja caminham, tem a profunda convicção de que toda a Família de Schoenstatt, em nível global como nas suas partes, não poderá realizar a sua tarefa sem que todas as águas e forças, em última análise, afluam e desemboquem em santas ilhas de famílias de Schoenstatt, que se unam sempre mais entre elas, numa Obra das Famílias comum. Por vezes, numa reflexão serena, pode parecer um mistério impenetrável o motivo pelo qual Jesus permaneceu 30 anos na solidão de uma família, enquanto o mundo ao seu redor se aproximava vertiginosamente do abismo. Também nós nos perguntamos, espontaneamente, quanto Ele não poderia ter conseguido se tivesse oferecido e colocado, mais cedo, as suas forças divinas ao dispor do mundo. A solução do enigma consiste sempre na única resposta: “Eu faço sempre o que agrada ao Pai!” “Falo as palavras que ele coloca nos meus lábios e realizo as obras de que me encarrega.” Assim, a pergunta é redirecionada e endereçada ao Pai celeste. Conhecemos a resposta. O Pai queria assegurar de modo inequívoco a bênção incomensurável que dimana de autênticas famílias cristãs.
Queira a Mãe de Deus implorar a descida do Espírito Santo sobre todos os senhores, para que compreendam devidamente a grande importância da nova tarefa de vida que escolheram e assumiram livremente, mas também recebam a força de realizarem a moral familiar que os Papas estabeleceram nas suas Encíclicas, de elaborarem para si uma ascese e pedagogia familiar eficazes, de perenizarem costumes familiares comprovados e plenos de alma, tornando-se assim o reservatório, a partir do qual todos os ramos de todo o Movimento são constantemente alimentados e renovados.
Todos nós, sem exceção, estamos interessados neste novo milagre de Pentecostes. Por isso, nos unimos, pedimos e suplicamos com grande fervor um novo milagre de transformação. Levem a imagem da Mãe de Deus e dêem-lhe um lugar de honra nos seus lares. Assim, estes se transformarão em pequenos santuários, nos quais a Imagem de Graças desdobra sua atuação agraciada, cria uma terra santa de famílias e santos membros das famílias.
Já que a Mãe de Deus, no Documento de Fundação, prometeu cuidar que a nossa pátria alcance novamente a frente do velho mundo[3], sabemos que o caminho só pode passar por ilhas santas de famílias schoenstatianas. A MTA realizará a sua promessa se nós correspondermos às exigencias ali colocadas.
Com cordial saudação e a minha bênção para todos os presentes e os que os senhores representam.
Ass. J. K.
[1] Pe. Kentenich emprega uma versão abreviada da expressão paulina: “Caritas Christi urget nos”: – O amor a Cristo nos impele. ( 2Cor 5,14)
[2] No original alemão, o Pe. Kentenich emprega várias vezes, para designar Schoenstatt, a expressão “Manresa”, utilizada sobretudo durante a perseguição do regime nacional socialista como camuflagem do nome de Schoenstatt.
[3] No Documento de Fundação, Padre Kentenich propõe aos jovens o objetivo de colaborarem para que a Alemanha, sua pátria, alcance novamente a liderança espiritual do “velho mundo”, isto é, da Europa. Este objetivo é expressão da responsabilidade moral de todo o cristão pela edificação de uma nova sociedade cristã na sua respectiva pátria.
