
22 Damos mais um passo em nossa preparação para a Páscoa de Nosso Senhor. Neste 5º domingo do tempo santo da Quaresma, a Palavra de Deus continua a desafiar-nos à conversão e à vida nova em Cristo.
Este é o tempo propício para desatar os nós que nos prendem à morte e ao pecado, abrindo-nos à vida da graça e superando o comodismo. É o momento de abraçar, de todo o coração e com toda a força, a oferta irrecusável de vida que Deus insistentemente nos faz ao dizer de si mesmo: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá” (Jo 11, 25).
“E Jesus chorou”
O Evangelho nos revela o coração misericordioso de Jesus, que se compadece e chora com os que choram. Ao chegar à casa de Marta e Maria após receber a notícia da morte de seu amigo Lázaro, e ao vê-las chorar com os judeus que ali estavam, a delicadeza do escritor sagrado relata: “Quando Jesus a viu chorar, e também os que estavam com ela, estremeceu interiormente, ficou profundamente comovido (…) E Jesus chorou” (Jo 11, 33.35).
Jesus se compadece da dor humana que carregamos em nosso corpo mortal — as feridas e culpas causadas pelo pecado original, pelo qual a morte entrou no mundo. Jesus chora. Seu coração inteiramente humano sente, tem misericórdia e se volta aos seus.
“Compadecer” significa sofrer junto. Isto nos recorda e acalenta, pois reafirma a verdade de que o Senhor e Salvador está conosco, interessa-se por nós e move-se em misericórdia.
Mas Ele não se encerra apenas no sentimento, embora autêntico e genuinamente humano. Jesus também age por amor: dirige-se ao Pai e exclama com voz forte: “Lázaro, vem para fora!”. Jesus ressuscita Lázaro a fim de que aqueles que o rodeiam vejam a glória de Deus e creiam que Ele é o enviado do Pai.

Creio na ressurreição da carne, na vida eterna
Jesus ressuscita Lázaro para manifestar a todos aquilo que há de vir pela ressurreição dos mortos: não apenas uma vida terrena efêmera, mas a vida nova em Deus, na qual cremos e professamos na oração do creio: “Creio na ressureição da carne, na vida eterna. Amém”
Assim, a liturgia nos convida a renovar a fé e a confiança no amor misericordioso do Senhor, que traz vida nova à nossa existência terrena, mesmo que a densa sombra da morte pareça vencer, e nos prepara para a vida eterna junto d’Ele.
