Cinco pães e dois peixes – Deus que nos chama à Aliança

Iniciando o mês de agosto, dedicado pela Igreja no Brasil à reflexão sobre as vocações, a liturgia deste 18º domingo do Tempo Comum apresenta-nos o convite de Deus para nos sentarmos à mesa que Ele próprio nos preparou. O Senhor nos chama e oferece a cada um de nós o dom do seu amor, o alimento que sacia nossa fome de vida, de verdade, de justiça e de eternidade.

Na primeira leitura, Isaías dirige-se ao povo hebreu com as palavras que lhe foram ditas da parte do Senhor: “Inclinai vosso ouvido e vinde a mim, ouvi e tereis vida; farei convosco um pacto eterno, manterei fielmente as graças concedidas a Davi”. Esta aliança que Deus sela com a humanidade é sempre um chamado que nasce do seu amor redentor. Todavia, como bem o sabemos, a aliança é um compromisso mútuo que necessita uma resposta pessoal e livre.

O Evangelho de hoje, segundo as palavras do Padre José Kentenich, “nos apresenta uma imagem de Deus, sumamente consoladora. Mais profundamente visto é a imagem do Pai” que tem compaixão do seu povo, cura-o e não o despede de mãos vazias, mas revela-se a si mesmo, como aquele que é sempre fiel ao chamado que fizera e a aliança selada.

“Apenas” cinco pães e dois peixes

São Mateus relata como o olhar puramente humano dos discípulos os leva a dizer a Jesus: “Este lugar é deserto e a hora já está adiantada. Despede as multidões, para que possam ir aos povoados comprar comida!”.

Jesus, porém, não afasta, mas acolhe a pequenez e os limites dos seus seguidores; aceita a aparente insuficiência dos pães e peixes e revela a sua grandeza e poder como o Deus Salvador, o único capaz de saciar plenamente nossa alma: “‘Trazei-os aqui’. Jesus mandou que as multidões se sentassem na grama. Então, pegou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos para o céu e pronunciou a bênção. Em seguida partiu os pães, e os deu aos discípulos. Os discípulos os distribuíram às multidões. Todos comeram e ficaram satisfeitos.”

A graça de Deus é infinitamente grande e poderosa, pois para o Senhor dos céus e da terra nada é impossível. À nossa falta de fé e confiança, Ele continua manifestando sua presença e conduzindo nossa vida e a história da humanidade.

Foto: Heloísa Seikoski

Em cada Santa Missa, sob as espécies do pão e do vinho sacramentais, Ele continua saciando as multidões que tem fome e sede, renova a eterna Aliança selada com a humanidade e fortalece aqueles a quem chamou: “Irmãos: Quem nos separará do amor de Cristo? Tribulação? Angústia? Perseguição? Fome? Nudez? Perigo? Espada? Em tudo isso, somos mais que vencedores, graças àquele que nos amou!” (Rom 8, 35.37)

Assim, no início do Mês Vocacional, queremos conscientizar-nos que Deus continua chamando homens e mulheres para participarem da sua obra. Ele não espera que lhe ofereçamos grandes dons ou capacidades extraordinárias, mas corações disponíveis; novamente espera os “cinco pães e dois peixes”, por meio dos quais pode saciar a fome de Deus que marca a humanidade de todos os tempos.

Foto destacada: Studio-Annika / iStock