A Igreja sempre defendeu a vida


Juliana Dorigo – “A Igreja sempre defendeu a vida” diz a mensagem enviada pelo Papa Francisco, aos participantes do 7º Congresso Mundial contra a pena de morte, que se realiza em Bruxelas, na Bélgica, o Santo Padre reiterou o valor cristão da vida humana.

De acordo com o Papa, cada um tem a responsabilidade de reconhecer a dignidade do outro. “É nossa responsabilidade reconhecer a dignidade de cada pessoa e trabalhar para que outras vidas não sejam eliminadas, mas ganhá-las para o bem de toda a sociedade”. Pe. Kentenich nos motiva a sempre crer no bem que há no outro; também aqueles que praticaram o mal são criados à imagem e semelhança de Deus e é nossa missão empenhar-nos até o fim para a restauração de sua dignidade.

 

Homem imagem e semelhança

Deus fez o homem a sua semelhança. “Ele nos criou à sua imagem e Ele é alegria” [1]. O Cristo que habita a cada um de nós, nas palavras do Pe. Kentenich, reina de modo perfeito dentro de cada um. “Assim, devo viver: ‘Não sou eu que vivo…’ Sim, esta natureza não vive mais, Cristo vive de modo perfei­to em mim. Entendemos isso não no sentido de que Cristo reina um pouquinho em nós, mas que Cristo reina perfeitamente em nós” [2].

 

Misericórdia de Deus

 “Como é bela essa realidade da fé para a nossa vida! Como é grande e profundo o amor de Deus por nós! É um amor que não falha, que sempre segura a nossa mão, nos sustenta, levanta e guia.” [3]

Quem pode julgar e perdoar um pecador? “Quem deve determinar como podemos obter o perdão é Jesus. Enquanto estava vivo, ele mesmo perdoava; depois, transmitiu este poder aos seus apóstolos.” [4]

 

Maria nos aproxima de Deus

Mas também, podemos recorrer àquela que caminha sempre conosco e nos aproxima de seu Filho, a Mãe de Deus. Quando olhamos para Maria, vemos nela a força a ternura e também o afeto. Ela é a Mãe que nos educa para sermos a santidade que Deus nos pede. “Como uma verdadeira mãe, caminha conosco, luta conosco e nos aproxima incessantemente do amor de Deus”. [5]

“Sempre que olhamos para Maria, voltamos a acreditar na força revolucionária da ternura e do afeto. Nela, vemos que a humildade e a ternura não são virtudes dos fracos, mas dos fortes, que não pre­cisam maltratar os outros para se sentir importantes. Olhando para Ela, descobrimos que aquela que louvava a Deus porque ‘derrubou os poderosos de seus tronos’ e ‘aos ricos despediu de mãos vazias’ é a mesma que assegura o aconchego dum lar à nossa busca de justi­ça” [6]

 

Toda vida é preciosa

Toda vida é preciosa para Deus, o Pe. Kentenich afirma que todos somos instrumentos nas mãos de Cristo, chamados a ser missionários. “Pai, tu nos enviaste, para que, nas mãos do Redentor, sejamos instrumentos, para sempre dedicados a serviço das almas” [7]. E que cada um é habitado pela Santíssima Trindade. “O corpo e a alma estão consagrados à Santíssima Trindade, que reina em nós como no céu e habita em nós com sua riqueza”. [8]

 

Veja o vídeo do Papa Francisco:

 

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[1] André Sève: A alegria de viver.

[2] (Pe. Kentenich: Cristo Minha Vida.

[3] [5] e [6] Papa Francisco: A Igreja da Misericordia.

[4] Para os que sofrem Pe. Luiz Gemelli, Ml).

[7] e [8] Pe. Kentenich: Rumo ao Céu.

 

Fonte: schoenstatt.org.br

Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2019

Bianca Fraccalvieri – Cidade do Vaticano – O tema da criação inspirou a mensagem do Papa Francisco para a Quaresma de 2019. O texto foi divulgado esta terça-feira (26/02) na Sala de Imprensa da Santa Sé, com o título “A criação encontra-se em expectativa ansiosa, aguardando a revelação dos filhos de Deus”, extraído de Romanos 8,19. Nele, o Pontífice oferece algumas propostas de reflexão para acompanharem o caminho de conversão nesta Quaresma.

A redenção da criação

O Pontífice destaca que a criação se beneficia da redenção do homem quando este vive como filho de Deus, isto é, como pessoa redimida. Neste mundo, porém, adverte Francisco, “a harmonia gerada pela redenção continua ainda – e sempre estará – ameaçada pela força negativa do pecado e da morte”.

A força destruidora do pecado

Com efeito, prossegue o Papa, quando não vivemos como filhos de Deus, muitas vezes adotamos comportamentos destruidores do próximo, das outras criaturas, mas também de nós mesmos. Isso leva a um estilo de vida que viola os limites que a nossa condição humana e a natureza nos pedem para respeitar, seguindo desejos incontrolados.

“ Se não estivermos voltados continuamente para a Páscoa, para o horizonte da Ressurreição, é claro que acaba por se impor a lógica do tudo e imediatamente, do possuir cada vez mais. ”

A aparição do mal no meio dos homens interrompeu a comunhão com Deus, com os outros e com a criação, a ponto de o jardim se transformar num deserto.
Trata-se daquele pecado que leva o homem a considerar-se como deus da criação, explica o Papa, a sentir-se o seu senhor absoluto. Quando se abandona a lei de Deus, a lei do amor, acaba por se afirmar a lei do mais forte sobre o mais fraco.

“O pecado, manifestando-se como avidez, ambição desmedida de bem-estar, desinteresse pelo bem dos outros – leva à exploração da criação (pessoas e meio ambiente), movidos por aquela ganância insaciável que considera todo o desejo um direito e que, mais cedo ou mais tarde, acabará por destruir inclusive quem está dominado por ela.”

A força sanadora do arrependimento e do perdão

Por isso, a criação tem impelente necessidade que se revelem os filhos de Deus. E o caminho rumo à Páscoa chama-nos precisamente a restaurar a nossa fisionomia e o nosso coração de cristãos, através do arrependimento, a conversão e o perdão, para podermos viver toda a riqueza da graça do mistério pascal.

A Quaresma chama os cristãos a encarnarem, de forma mais intensa e concreta, o mistério pascal na sua vida pessoal, familiar e social, particularmente através do jejum, da oração e da esmola.

Jejuar, isto é, aprender a modificar a nossa atitude para com os outros e as criaturas: passar da tentação de «devorar» tudo para satisfazer a nossa voracidade, à capacidade de sofrer por amor, que pode preencher o vazio do nosso coração. Orar, para saber renunciar à idolatria e à autossuficiência do nosso eu, e nos declararmos necessitados do Senhor e da sua misericórdia. Dar esmola, para sair da insensatez de viver e acumular tudo para nós mesmos.

“ Queridos irmãos e irmãs, a ‘quaresma’ do Filho de Deus consistiu em entrar no deserto da criação para fazê-la voltar a ser aquele jardim da comunhão com Deus. Que a nossa Quaresma seja percorrer o mesmo caminho, para levar a esperança de Cristo também à criação. ”

“Não deixemos que passe em vão este tempo favorável!”, é o apelo final do Papa.

Para ler mensagem na íntegra clique aqui.

Fonte: Vatican News

Papa na oração do ‘Angelus’: esforço conjunto para combater grave flagelo da violência contra menores

Cidade do Vaticano – Após rezar o Angelus com os peregrinos reunidos na Praça São Pedro, o Papa Francisco falou do Encontro concluído neste domingo no Vaticano, em que patriarcas, presidentes de todas as Conferências Episcopais, líderes das Igrejas Orientais Católicas, representantes dos Superiores das Congregações religiosas e vários dos seus colaboradores da Cúria Romana, trataram do tema da proteção dos menores:

“Como vocês sabem, o problema dos abusos sexuais contra menores por parte de membros do clero, suscitou há tempos grave escândalo na Igreja e na opinião pública, quer pelos dramáticos  sofrimentos das vítimas, quer pela injustificável negligência em relação a eles e o acobertamento dos culpados por parte de pessoas responsáveis ​​na Igreja.

Como é um problema difundido em todos os continentes, eu queria que tratássemos sobre ele em conjunto, de maneira corresponsável e colegiada, nós pastores das Comunidades católicas de todo o mundo. Ouvimos a voz das vítimas, rezamos e pedimos perdão a Deus e às pessoas ofendidas, tomamos consciência de nossas responsabilidades, de nosso dever de fazer justiça, na verdade, de rejeitar radicalmente todas as formas de abuso de poder, de consciência e sexual.

Queremos que todas as atividades e lugares da Igreja sejam sempre totalmente seguros para menores; que sejam tomadas todas as medidas possíveis para que crimes semelhantes não se repitam; que a Igreja volte a ser absolutamente credível e confiável em sua missão de serviço e educação para os pequenos, de acordo com o ensinamento de Jesus.

Desta forma, saberemos colaborar com todo o nosso coração e com eficácia, juntamente com todas as pessoas de boa vontade e todos os componentes e as forças positivas da sociedade, em todos os países e em nível internacional, para que se combata até o fim, de todas as formas, o grave flagelo da violência contra centenas de milhões de menores, crianças, meninas e meninos, em todo o mundo“.

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Fonte: Vatican News

Papa no Angelus: sejamos testemunhas da felicidade de Deus, não de ídolos

Andressa Collet – Cidade do Vaticano – O Papa Francisco, antes da Oração Mariana do Angelus deste domingo (17) de sol e ambiente primaveril, comenta o Evangelho das Bem-aventuranças na versão de São Lucas (Lc 7, 17.20-26). O Pontífice afirma que ter fé é confiar totalmente no Senhor, derrubando “ídolos mundanos”, e a que a felicidade é estar com Deus próximo aos pobres e não seguindo os “profissionais de ilusão”.

O Pontífice começa explicando que o texto se articula “em quatro bem-aventuranças e quatro mandamentos formulados com a expressão ‘ai de vós’”. São palavras fortes e incisivas que Jesus usa para nos abrir os olhos. Francisco nos convida, assim, “a refletir sobre o sentido profundo de ter fé, que consiste em confiarmos totalmente no Senhor”.

Cuidado com o pecado da idolatria

Deus está próximo dos “pobres, dos que tem fome, aflitos e perseguidos” para libertá-los das suas escravidões, diz o Papa, e se dirige aos ricos, saciados, sorridentes e aclamados pelas pessoas com o “ai de vós” para “’despertá-los’ do engano perigoso do egoísmo”.

“ Trata-se de derrubar os ídolos mundanos para abrir o coração ao Deus vivo e verdadeiro; só Ele pode dar à nossa existência aquela plenitude tanto desejada ou difícil para se alcançar. ”

“São muitos, de fato, inclusive nos nossos dias, aqueles que se propõem como distribuidores de felicidade: vêm e prometem sucesso a curto prazo, grande retorno de fácil alcance, soluções mágicas para cada problema e assim por diante. E aqui é fácil escorregar sem perceber no pecado contra o primeiro mandamento, isto é, a idolatria, substituir Deus com um ídolo. Idolatria e ídolos parecem coisas de outros tempos, mas, na verdade, são de todos os tempos! Inclusive de hoje. Descrevem algumas posturas contemporâneas melhor que muitas análises sociológicas.”

Seguir Deus que dá esperança, não os profissionais da ilusão

Por isso Jesus nos abre os olhos para a realidade, afirma o Papa. Somos felizes se estamos ao lado de Deus e “da parte daquilo que não é efêmero, mas dura pela vida eterna”. Somos felizes se “estivermos próximos aos pobres, aos aflitos e a quem tem fome”, acrescenta o Pontífice, “possuindo bens deste mundo”, mas conseguindo “compartilhar com os nossos irmãos”.

“As Bem-aventuranças de Jesus são uma mensagem decisiva que nos motiva a não recolocar a nossa crença nas coisas materiais e passageiras, a não procurar a felicidade seguindo os vendedores de fumaça que muitas vezes são vendedores de morte, aqueles profissionais da ilusão. Não, não seguir eles; são incapazes de nos dar esperança. O Senhor nos ajuda a abrir os olhos, a capturar um olhar mais penetrante sobre a realidade, a sarar da miopia crônica que o espírito mundano nos contamina.”

Testemunhas da felicidade e de Deus

O Papa finaliza sua mensagem através da motivação de Deus, de reconhecermos “aquilo que realmente nos enriquece, nos sacia, nos dá alegria e dignidade” e de nos tornarmos, assim, “testemunhas da felicidade que não engana. Aquela de Deus, não decepciona nunca”.

Fonte: Vatican News

Mensagem do Papa Francisco para o XXVII Dia Mundial do Doente

 

Queridos irmãos e irmãs!

«Recebestes de graça, dai de graça» (Mt 10, 8): estas são palavras pronunciadas por Jesus, quando enviou os apóstolos a espalhar o Evangelho, para que, através de gestos de amor gratuito, se propagasse o seu Reino.

Por ocasião do XXVII Dia Mundial do Doente, que será celebrado de modo solene em Calcutá, na Índia, a 11 de fevereiro de 2019, a Igreja – Mãe de todos os seus filhos, mas com uma solicitude especial pelos doentes – lembra que o caminho mais credível de evangelização são gestos de dom gratuito como os do Bom Samaritano. O cuidado dos doentes precisa de profissionalismo e ternura, de gestos gratuitos, imediatos e simples, como uma carícia, pelos quais fazemos sentir ao outro que nos é «querido».

A vida é dom de Deus, pois – como adverte São Paulo – «que tens tu que não tenhas recebido?» (1 Cor 4, 7). E, precisamente porque é dom, a existência não pode ser considerada como mera possessão ou propriedade privada, sobretudo à vista das conquistas da medicina e da biotecnologia, que poderiam induzir o homem a ceder à tentação de manipular a «árvore da vida» (cf. Gn 3, 24).

Contra a cultura do descarte e da indiferença, cumpre-me afirmar que se há de colocar o dom como paradigma capaz de desafiar o individualismo e a fragmentação social dos nossos dias, para promover novos vínculos e várias formas de cooperação humana entre povos e culturas. Como pressuposto do dom, temos o diálogo, que abre espaços relacionais de crescimento e progresso humano capazes de romper os esquemas consolidados de exercício do poder na sociedade. O dar não se identifica com o ato de oferecer um presente, porque só se pode dizer tal se for um dar-se a si mesmo: não se pode reduzir a mera transferência duma propriedade ou dalgum objeto. Distingue-se de presentear, precisamente porque inclui o dom de si mesmo e supõe o desejo de estabelecer um vínculo. Assim, antes de mais nada, o dom é um reconhecimento recíproco, que constitui o caráter indispensável do vínculo social. No dom, há o reflexo do amor de Deus, que culmina na encarnação do Filho Jesus e na efusão do Espírito Santo.

Todo o homem é pobre, necessitado e indigente. Quando nascemos, para viver tivemos necessidade dos cuidados dos nossos pais; de forma semelhante, em cada fase e etapa da vida, cada um de nós nunca conseguirá, de todo, ver-se livre da necessidade e da ajuda alheia, nunca conseguirá arrancar de si mesmo o limite da impotência face a alguém ou a alguma coisa. Também esta é uma condição que carateriza o nosso ser de «criaturas». O reconhecimento leal desta verdade convida-nos a permanecer humildes e a praticar com coragem a solidariedade, como virtude indispensável à existência.

Esta consciência impele-nos a uma práxis responsável e responsabilizadora, tendo em vista um bem que é indivisivelmente pessoal e comum. Apenas quando o homem se concebe, não como um mundo fechado em si mesmo, mas como alguém que, por sua natureza, está ligado a todos os outros, originariamente sentidos como «irmãos», é possível uma práxis social solidária, orientada para o bem comum. Não devemos ter medo de nos reconhecermos necessitados e incapazes de nos darmos tudo aquilo de que teríamos necessidade, porque não conseguimos, sozinhos e apenas com as nossas forças, vencer todos os limites. Não temamos este reconhecimento, porque o próprio Deus, em Jesus, Se rebaixou (cf. Flp 2, 8), e rebaixa, até nós e até às nossas pobrezas para nos ajudar e dar aqueles bens que, sozinhos, nunca poderíamos ter.

Aproveitando a circunstância desta celebração solene na Índia, quero lembrar, com alegria e admiração, a figura da Santa Madre Teresa de Calcutá, um modelo de caridade que tornou visível o amor de Deus pelos pobres e os doentes. Como dizia na sua canonização, «Madre Teresa, ao longo de toda a sua existência, foi uma dispensadora generosa da misericórdia divina, fazendo-se disponível a todos, através do acolhimento e da defesa da vida humana, dos nascituros e daqueles abandonados e descartados. (…) Inclinou-se sobre as pessoas indefesas, deixadas moribundas à beira da estrada, reconhecendo a dignidade que Deus lhes dera; fez ouvir a sua voz aos poderosos da terra, para que reconhecessem a sua culpa diante dos crimes (…) da pobreza criada por eles mesmos. A misericórdia foi para ela o “sal”, que dava sabor a todas as suas obras, e a “luz” que iluminava a escuridão de todos aqueles que nem sequer tinham mais lágrimas para chorar pela sua pobreza e sofrimento.A sua missão nas periferias das cidades e nas periferias existenciais permanece nos nossos dias como um testemunho eloquente da proximidade de Deus junto dos mais pobres entre os pobres» (Homilia, 4/IX/2016).

A Santa Madre Teresa ajuda-nos a compreender que o único critério de ação deve ser o amor gratuito para com todos, sem distinção de língua, cultura, etnia ou religião. O seu exemplo continua a guiar-nos na abertura de horizontes de alegria e esperança para a humanidade necessitada de compreensão e ternura, especialmente para as pessoas que sofrem.

A gratuidade humana é o fermento da ação dos voluntários, que têm tanta importância no setor socio-sanitário e que vivem de modo eloquente a espiritualidade do Bom Samaritano. Agradeço e encorajo todas as associações de voluntariado que se ocupam do transporte e assistência dos doentes, aquelas que providenciam nas doações de sangue, tecidos e órgãos. Um campo especial onde a vossa presença expressa a solicitude da Igreja é o da tutela dos direitos dos doentes, sobretudo de quantos se veem afetados por patologias que exigem cuidados especiais, sem esquecer o campo da sensibilização e da prevenção. Revestem-se de importância fundamental os vossos serviços de voluntariado nas estruturas sanitárias e no domicílio, que vão da assistência sanitária ao apoio espiritual. Deles beneficiam tantas pessoas doentes, sós, idosas, com fragilidades psíquicas e motoras. Exorto-vos a continuar a ser sinal da presença da Igreja no mundo secularizado. O voluntário é um amigo desinteressado, a quem se pode confidenciar pensamentos e emoções; através da escuta, ele cria as condições para que o doente deixe de ser objeto passivo de cuidados para se tornar sujeito ativo e protagonista duma relação de reciprocidade, capaz de recuperar a esperança, mais disposto a aceitar as terapias. O voluntariado comunica valores, comportamentos e estilos de vida que, no centro, têm o fermento da doação. Deste modo realiza-se também a humanização dos tratamentos.

A dimensão da gratuidade deveria animar sobretudo as estruturas sanitárias católicas, porque é a lógica evangélica que qualifica a sua ação, quer nas zonas mais desenvolvidas quer nas mais carentes do mundo. As estruturas católicas são chamadas a expressar o sentido do dom, da gratuidade e da solidariedade, como resposta à lógica do lucro a todo o custo, do dar para receber, da exploração que não respeita as pessoas.

Exorto-vos a todos, nos vários níveis, a promover a cultura da gratuidade e do dom, indispensável para superar a cultura do lucro e do descarte. As instituições sanitárias católicas não deveriam cair no estilo empresarial, mas salvaguardar mais o cuidado da pessoa que o lucro. Sabemos que a saúde é relacional, depende da interação com os outros e precisa de confiança, amizade e solidariedade; é um bem que só se pode gozar «plenamente», se for partilhado. A alegria do dom gratuito é o indicador de saúde do cristão.

A todos vos confio a Maria, Salus infirmorum. Que Ela nos ajude a partilhar os dons recebidos com o espírito do diálogo e mútuo acolhimento, a viver como irmãos e irmãs cada um atento às necessidades dos outros, a saber dar com coração generoso, a aprender a alegria do serviço desinteressado. Com afeto, asseguro a todos a minha proximidade na oração e envio-vos de coração a Bênção Apostólica.

Vaticano, Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo, 25 de novembro de 2018.

 

Franciscus

Foto: rádio Vaticano

schoenstatt.org.br

Papa: chamados a testemunhar a bondade e a misericórdia no mar aberto da humanidade

Jackson Erpen / Cidade do Vaticano – Deus faz grandes coisas em nós quando nos colocamos com generosidade a seu serviço. Se confiamos n’Ele, “nos liberta de nosso pecado e abre diante de nós um novo horizonte: colaborar na sua missão”.

O chamado de Pedro, a pesca milagrosa. Na reflexão proposta aos milhares de peregrinos presentes na Praça São Pedro para o Angelus dominical, o Papa enfatizou que a resposta de fé de Pedro ao lançar as redes, narrada no Evangelho de Lucas, é a mesma que “nós somos chamados a dar; é a atitude da disponibilidade que o Senhor pede a todos os seus discípulos, sobretudo àqueles que têm cargos de responsabilidade na Igreja”.  Uma “obediência confiante” que gera um resultado prodigioso.

“É a resposta da fé, que também nós somos chamados a dar; é a atitude da disponibilidade que o Senhor pede a todos os seus discípulos, sobretudo àqueles que têm cargos de responsabilidade na Igreja. E a obediência confiante de Pedro gera um resultado prodigioso: ‘Assim o fizeram e apanharam uma grande quantidade de peixes’”.

Sair no mar aberto da humanidade

“Trata-se  – explica Francisco – de uma pesca milagrosa, sinal do poder da palavra de Jesus:

“Quando nos colocamos com generosidade ao seu serviço, Ele faz grandes coisas em nós. Assim age com cada um de nós, nos pede para acolhê-lo no barco da nossa vida, para compartilhar com ele e navegar um novo mar que se revela cheio de surpresas. O seu convite para sair ao mar aberto da humanidade do nosso tempo, para ser testemunhas de bondade e de misericórdia, dá um novo sentido à nossa existência, que muitas vezes corre o risco de debruçar-se sobre si mesmo”.

Colaborar na missão de Jesus

Às vezes, observa o Papa,  “podemos ficar surpresos e hesitantes diante do chamado que nos dirige o Divino Mestre, e somos tentados a rejeitá-lo por causa da nossa incapacidade”. Mesmo Pedro, depois daquela “incrível pesca” disse de joelhos diante daquele que já reconhece como “Senhor”, esta “bela e humilde oração”: “Afasta-te de mim, pois sou um pecador”.

“Mas a resposta de Jesus é de encorajamento: ‘Não temas; de agora em diante serás pescador de homens’, porque Deus, se confiamos nele, nos liberta de nosso pecado e abre diante de nós um novo horizonte: colaborar na sua missão”:

“O maior milagre realizado por Jesus por Simão e os outros pescadores desiludidos e cansados, não é tanto a rede cheia de peixes, mas tê-los ajudado a não cair vítimas da desilusão e do desânimo diante das derrotas. Os abriu para se tornarem na anunciadores e testemunhas da sua palavra e do reino de Deus. E a resposta dos discípulos foi imediata e total: ‘E, atracando as barcas à terra, dei­xaram tudo e o seguiram’.”

A exemplo de Maria, sentir o fascínio do chamado do Senhor

“Que a Virgem Santa, modelo de imediata adesão à vontade de Deus – disse o Papa ao concluir –  nos ajude a sentir o fascínio do chamado do Senhor, e nos torne disponíveis para colaborar com ele para propagar em todos os lugares a sua palavra de salvação”.

Fonte: Vatican News

 

 

Intenção de oração do Papa: rezar pelas vítimas do tráfico de pessoas.

Cidade do Vaticano – Nas intenções de oração para este mês de fevereiro, o Papa Francisco convida a rezar pelas vítimas do tráfico de pessoas. “Mesmo que tentemos ignorá-la, a escravidão não é algo de outros tempos. Perante esta trágica realidade, não podemos lavar as mãos se não quisermos ser, de certa forma, cúmplices destes crimes contra a humanidade”, afirma Francisco no vídeo da Rede Mundial de Oração do Papa.

Francisco ressalta ainda que “não podemos ignorar que hoje há escravidão no mundo, tanto ou talvez mais do que antes. Rezemos pelo acolhimento generoso das vítimas do tráfico de pessoas, da prostituição forçada e da violência”.

Segundo uma nota da Rede Mundial de Oração do Papa,  vemos diariamente essas pessoas nos noticiários e na imprensa. As vítimas são chamadas de migrantes econômicos, refugiados, clandestinos, deslocados, menores abandonados, caravanas, ou de outra forma, esquecendo muitas vezes que são pessoas.

São milhões de pessoas obrigadas a fugir diariamente de suas terras, devido à guerra, fome, perseguições políticas, religiosas ou situações de pobreza extrema, enfrentando abusos de todo tipo. O que por outro não vemos são as organizações criminosas que lucram com isso, escravizando homens, mulheres e crianças, no trabalho ou sexualmente, para o comércio de órgãos, para fazê-los mendigar ou entrar na delinquência.

Dia Mundial de Oração e Reflexão contra o Tráfico de Pessoas

O Dia Mundial de Oração e Reflexão contra o Tráfico de Pessoas é celebrado em 8 de fevereiro, memória litúrgica de Santa Josefina Bakhita.

Em colaboração com Talitha Kum, rede mundial da vida consagrada comprometida contra o tráfico de pessoas, a seção Migrantes e Refugiados do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, a Pontifícia Academia das Ciências, o Serviço Jesuíta para Refugiados e o Apostolado do Mar, a Rede Mundial de Oração do Papa se une ao Dia Mundial de Oração e Reflexão contra o Tráfico de Pessoas, com a hashtag #JuntosContraOTráficodePessoas.

Por sua parte, Pe. Frédéric Fornos, SJ, diretor internacional da Rede Mundial de Oração do Papa, afirmou: “Diante desta tragédia humana, de tanto sofrimento, desamparo e angústia de homens, mulheres e crianças que são vítimas do tráfico de seres humanos e da escravidão, frequentemente no contexto da migração, o que podemos fazer? Denunciar nossa cumplicidade, mas também rezar. O grito da oração, aquele que vem do coração e do qual os salmos são o eco”.

Pe. Fornos também recordou que dias atrás, a seção “Migrantes e Refugiados” do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral apresentou dois documentos importantes para ajudar na luta contra toda forma de tráfico humano: “Não são discursos. Esses documentos são um forte chamado a mudar a sociedade e propõem ações concretas para toda a Igreja. O Papa Francisco está fortemente comprometido com a luta contra este flagelo em suas diversas expressões”.

Saiba mais sobre: O Vídeo do Papa

O Vídeo do Papa é uma iniciativa oficial de alcance global que tem como objetivo difundir as intenções de oração mensais do Santo Padre. É desenvolvida pela Rede Mundial de Oração do Papa (Apostolado da Oração). Mais informações em: https://www.thepopevideo.org/?lang=pt-br

A Rede Mundial de Oração do Papa

A Rede Mundial de Oração do Papa é uma obra pontifícia. Tem como missão mobilizar os cristãos, pela oração e pela ação, para os desafios da humanidade e da missão da Igreja. Estes desafios, discernidos pelo Papa, exprimem-se sob a forma de intenções de oração que ele confia a toda a Igreja. Foi fundada em 1844 como Apostolado da Oração, atualmente está presente em 98 países e mais de 35 milhões de católicos participam, incluindo seu grupo de jovens, o Movimento Eucarístico Jovem. O Papa constituiu este serviço eclesial como uma Obra Pontifícia e aprovou os seus novos estatutos em Março de 2018. O seu diretor internacional é o P. Frédéric Fornos, S.J. Mais informações em: https://www.popesprayer.va/pt-pt/

Seção Migrantes e Refugiados

A Seção Migrantes e Refugiados é um pequeno departamento pastoral da Santa Sé, orientado pessoalmente pelo Papa Francisco, cujo objetivo é ajudar a Igreja, a nível mundial, a acompanhar pessoas vulneráveis que se encontram deslocadas, incluindo aquelas forçadas a deixar as suas terras devido a conflitos, desastres naturais, perseguição, pobreza extrema, refugiados e vítimas de tráfico humano.

Talitha Kum

Talitha Kum é uma rede internacional contra o tráfico de pessoas, fundada em 2009 pela União Internacional de Superiores Gerais, em Roma (UISG). É constituída por 43 redes locais/regionais, abrangendo 77 países. Nela estão envolvidos aproximadamente 2.000 religiosos e religiosas e seus colaboradores. A missão de Talitha Kum é acabar com o tráfico de pessoas, através de ações integradas orientadas sobretudo para a prevenção, proteção e reabilitação social. Mais informação em: https://preghieracontrotratta.org

 

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Fonte: Vatican News

Papa Francisco no XXIII Dia Mundial da Vida Consagrada

Raimundo de Lima/Cidade do Vaticano -“A vida consagrada não é sobrevivência, é vida nova. É encontro vivo com o Senhor no seu povo. É chamado à obediência fiel de cada dia e às surpresas inéditas do Espírito. É visão daquilo que importa abraçar para ter a alegria: Jesus.”

Foi o que disse o Papa Francisco na homilia da missa na tarde deste sábado, 2 de fevereiro, Festa da Apresentação do Senhor e XXIII Dia Mundial da Vida Consagrada, celebrada na Basílica de São Pedro com os membros dos Institutos de Vida Consagrada e das Sociedades de Vida Apostólica.

Festa do encontro

Ressaltando que a celebração da Apresentação do Senhor recorda a apresentação do Menino Jesus no templo, disse que esta “é a festa do encontro”. “Maria e José, jovens, encontram Simeão e Ana, idosos”, se encontram no templo. “Tudo se encontra quando Jesus chega”, frisou o Pontífice acrescentando que “o Deus da vida deve ser encontrado todos os dias da vida; não ocasionalmente, mas todos os dias”.

Seguir Jesus não é uma decisão tomada uma vez por toda; é uma opção diária, acrescentou.

“Quando O acolhemos como Senhor da vida, centro de tudo, coração pulsante de todas as coisas, então Ele vive e revive em nós. E acontece, também a nós, o que sucedeu no templo: ao redor d’Ele tudo se encontra, a vida torna-se harmoniosa. Com Jesus, reencontra-se a coragem de avançar e a força de permanecer firme.”

Voltar às fontes, reavivar o primeiro amor

Dirigindo-se aos religiosos que pouco antes haviam iluminado a Basílica Vaticana com suas velas acesas no início da celebração, Francisco lembrou que é importante voltar às fontes: “percorrer com a memória os encontros decisivos que tivemos com Ele, reavivar o primeiro amor, talvez escrever a nossa história de amor com o Senhor. Fará bem à nossa vida consagrada, para que não se torne tempo que passa, mas seja tempo de encontro.”

O Santo Padre destacou que a vida consagrada desabrocha e floresce na Igreja; se se isolar, murcha. “Hoje, festa do encontro, peçamos a graça de redescobrir o Senhor vivo, no povo crente, e de fazer encontrar o carisma recebido com a graça do dia de hoje.”

Chamado “segundo a Lei” e “segundo o Espírito”

Francisco explicou que há um dúplice chamado, “segundo a Lei”. É o de José e Maria, que vão ao templo para cumprir o que prescreve a Lei. E um chamado “segundo o Espírito”. É o de Simeão e Ana.

Dois jovens acorrem ao templo chamados pela Lei; dois idosos, movidos pelo Espírito. Que diz à nossa vida espiritual e à nossa vida consagrada este duplo chamado: da Lei e do Espírito? – perguntou o Papa. Que todos somos chamados a uma dupla obediência: à lei – no sentido daquilo que confere boa ordem à vida – e ao Espírito, que faz coisas novas na vida. Assim, nasce o encontro com o Senhor:

“O Espírito revela o Senhor, mas, para O acolher, é necessária a constância fiel de cada dia. Os próprios carismas mais elevados, sem uma vida ordenada, não dão fruto. Por outro lado, as melhores regras não são suficientes sem a novidade do Espírito: lei e Espírito andam juntos.”

Na vida religiosa, fidelidade a coisas concretas

Servindo-se ainda dos textos propostos para a liturgia do dia, Francisco lembrou aos religiosos que Deus nos chama a encontrá-Lo através da fidelidade a coisas concretas, ou seja, a oração diária, a Missa, a Confissão, uma caridade verdadeira, a Palavra de Deus… e isto todos os dias. “Coisas concretas, como na vida consagrada a obediência ao Superior e às Regras. Se se praticar esta lei com amor, sobrevem o Espírito e traz a surpresa de Deus, como no templo e em Caná. Então a água da cotidianidade transforma-se no vinho da novidade; e a vida, que parece mais presa, na realidade torna-se mais livre.”

A vida consagrada “é olhar que vê Deus presente no mundo, embora a muitos passe despercebido; é voz que diz: ‘Deus basta, o resto passa’; é louvor que brota apesar de tudo”, concluiu o Santo Padre afirmando ainda o que é a vida consagrada:

“Louvor que dá alegria ao povo de Deus, visão profética que revela aquilo que conta. Quando assim é, floresce e torna-se para todos um apelo contra a mediocridade: contra as quedas de altitude na vida espiritual, contra a tentação de jogar por baixo com Deus, contra a adaptação a uma vida cômoda e mundana, contra a reclamação, insatisfação e lamento da própria sorte, contra o habituar-se a ‘fazer aquilo que se pode’ e ao ‘sempre se fez assim’.”

Agradecimento do cardeal João Braz de Aviz ao Santo Padre

Ao término da celebração o prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, cardeal João Braz de Aviz, dirigiu uma saudação e agradecimento ao Santo Padre por celebrar mais uma vez com os religiosos o Dia Mundial da Vida Consagrada.

Fonte: Vatican News

A caridade do Papa Francisco

Papa Francisco determinou, em 2015, que fosse disponibilizada para a população carente da cidade de Roma uma ampla e bem equipada lavanderia, onde a população sem-teto pudesse cuidar das próprias roupas com dignidade e gratuitamente.

Quem se encarrega de concretizar os projetos de caridade cristã e de ação social impulsionados pelo Papa é uma antiga instituição vaticana chamada Eleemosynaria Apostolica.

A tradução literal em português, “Esmolaria Apostólica“, não é muito precisa nem adequada, já que a palavra “esmola”, em nossa língua, costuma ter um sentido pejorativo, quase arrogante – que, neste caso, não existe. O diretor da instituição é o Eleemosynarius Apostolicus(“Esmoleiro Apostólico“), responsável direto pelas obras de caridade do Papa na diocese de Roma. Atualmente, quem ocupa este cargo é o cardeal Konrad Krajewski, que, juntamente com o próprio Papa Francisco e seguindo orientações diretas dele, realiza dezenas de iniciativas para prestar apoio à população carente da capital italiana. Entre elas, há desde a abertura de um refeitório sustentado com doações até um abrigo estruturado com dormitórios, duchas quentes, barbearia e lavanderia, além, é claro, da oferta de orientação e capacitação profissional.

A lavanderia é mantida em parceria com a comunidade de Santo Egídio e conta com patrocínio de empresas que doam tanto as máquinas de lavar quanto os produtos para a limpeza das roupas.

 

Duchas quentes e barbearia

O Papa Francisco também mandou construir um complexo com duchas e banheiros de alta qualidade, sempre limpos e com a manutenção atualizada, para receber pessoas carentes que vivem sem endereço fixo e sem recursos próprios na cidade de Roma.

Alguns meses depois, ele determinou que também fosse montada e mantida uma barbearia para atendê-los gratuitamente.

 

Dormitório e alojamento “Dom da Misericórdia”

Graças à contribuição da Esmolaria Apostólica foi aberto um alojamento, nas adjacências da Praça São Pedro, em locais de propriedade dos padres jesuítas, para abrigar os necessitados não só da Itália, mas também os chegados de outras nações e que hoje vivem nos arredores. O dormitório, chamado “Dom da Misericórdia”, é dirigido por três Missionárias da Caridade, a congregação religiosa feminina fundada pela Santa Madre Teresa de Calcutá, e por dois voluntários que já foram sem-teto e que agora, assim como outros reabilitados, conseguiram reintegrar-se no mundo do trabalho e começar uma vida nova graças à ajuda da Esmolaria Apostólica.

As pessoas que batem à porta do dormitório podem ficar hospedadas ali durante até três meses, enquanto não tomam um rumo em sua vida ou voltam para seus países de origem. Geralmente, porém, há certa rotação planejada dos beneficiários.

 

Centro de hospedagem “Reitoria São Calisto”

Outra área reservada para a assistência aos sem-teto é a Reitoria de São Calisto, propriedade do Vaticano, em pleno centro histórico de Roma, anexada à paróquia de Santa Maria em Trastevere, confiada à comunidade romana de Santo Egídio – a mesma que também colabora na manutenção da lavanderia disponibilizada à população em situação de rua.

Durante o inverno, as portas da igreja e as salas adjacentes se abrem, com suas trinta camas, cobertores e banheiros, para garantir aos indigentes um teto acolhedor e refeições diárias.

 

Refeitórios e comida quente

Para aliviar o frio e a fome dos sem-teto de Roma, a Esmolaria Apostólica, em parceria com alguns diáconos romanos, oferece pratos quentes para centenas de pessoas necessitadas, refugiadas nas principais estações ferroviárias e metrôs da capital italiana.

Uma vez por ano, o Papa Francisco também recebe pessoalmente centenas de pessoas carentes para almoçarem com ele. O gesto tem um propósito específico: chamar atenção de doadores e benfeitores para que se comprometam a colaborar mais eficazmente na tarefa de combater a fome.

Em geral, esse almoço com o Papa acontece no Dia Mundial dos Pobres, uma data criada pelo próprio Francisco e que é celebrada em novembro, época em que o frio começa a se intensificar na Europa.

Na edição de 2018, foram convidados 1.500 pessoas pobres para o almoço especial com o Papa, em 18 de novembro.

 

Apoio para trabalho e recolocação

Essas obras são formas de caridade pontuais, que visam aliviar as dificuldades das pessoas em situação grave de necessidade. Nada disso seria suficiente, no entanto, se essas diversas obras de caridade e ação social, criadas e mantidas pela Igreja, não fizessem também o trabalho de encaminhar as pessoas necessitadas rumo à autonomia, mediante ajudas para encontrarem trabalho e se recolocarem profissionalmente.

Afinal, por mais que soe como um clichê, continuará sempre sendo verdade que é muito mais efetivo ensinar a pescar do que dar o peixe.

Fonte: Aleteia.org

Papa festa da Epifania: só encontra o mistério de Deus quem deixa os apegos mundanos

Cidade do Vaticano – O Papa Francisco celebrou a missa, na Basílica de São Pedro, neste domingo (06/01), Solenidade da Epifania do Senhor.

“Epifania: esta palavra indica a manifestação do Senhor, que se revela, como diz São Paulo, na segunda Leitura, aos gentios, hoje representados pelos Magos. Desvenda-se, assim, a verdade sublime que Deus veio para todos: todas as nações, línguas e povos são acolhidos e amados por Ele. Símbolo disso é a luz, que tudo alcança e ilumina”, disse o Pontífice em sua homilia.

“Ora, se é verdade que o nosso Deus Se manifesta para todos, surpreende, porém, o modo como o faz. O Evangelho nos mostra um movimento de gente desencadeado em torno do palácio do rei Herodes, precisamente quando se designa Jesus como rei: «Onde está,  perguntam os Magos, o rei dos judeus que acaba de nascer?» O encontrão, mas não onde pensavam: não no palácio real de Jerusalém, mas numa casa humilde de Belém.”

Confundir a luz de Deus com as luzes do mundo

Segundo o Papa, “o mesmo paradoxo aparecera nos textos de Natal, quando o Evangelho falava do recenseamento de toda a terra no tempo do imperador Augusto e do governador Quirino. Mas, nenhum dos poderosos de então percebeu ter nascido, nos seus dias, o Rei da história. E mais tarde quando Jesus, pelos trinta anos, se manifesta publicamente, tendo João Batista como precursor, de novo o Evangelho nos proporciona uma solene apresentação do contexto: depois de elencar todos os «grandes» de então, tanto no poder secular como no religioso, Tibério César, Pôncio Pilatos, Herodes, Filipe, Lisânias, os sumos-sacerdotes Anás e Caifás, conclui: «a Palavra de Deus foi dirigida a João, filho de Zacarias, no deserto», ou seja, a nenhum dos grandes foi dirigida, mas a um homem que se retirara para o deserto. Eis a surpresa: Deus não sobe ao palco do mundo para se manifestar.”

“Ao ouvir aquela lista de personagens ilustres, poderia vir a tentação de «fixar os holofotes» nelas. Poderíamos pensar: teria sido melhor se a estrela de Jesus aparecesse em Roma, na colina do Palatino, onde reinava Augusto sobre o mundo; todo o império teria se tornado cristão imediatamente. Ou então, se tivesse iluminado o palácio de Herodes, este poderia ter feito o bem em vez do mal. Mas, a luz de Deus não vai para quem brilha de luz própria. Deus propõe-se, não se impõe; ilumina, mas não ofusca. É sempre grande a tentação de confundir a luz de Deus com as luzes do mundo.”

Levantar-se e prontificar-se a caminhar

“Quantas vezes corremos atrás dos clarões sedutores do poder e da ribalta, convencidos de que prestamos um bom serviço ao Evangelho! Mas, assim, voltamos os holofotes para o lado errado, porque Deus não estava lá. A sua luz amável resplandece no amor humilde. Além disso, quantas vezes tentamos, como Igreja, brilhar de luz própria! Mas, não somos nós o sol da humanidade; somos a lua que, mesmo com as suas sombras, reflete a luz verdadeira, o Senhor: Ele é a luz do mundo. Ele…, não nós!”

Francisco destacou que “a luz de Deus vai para quem a acolhe. Isaías, na primeira Leitura, nos lembra que a luz divina não impede as trevas e o nevoeiro denso de cobrirem a terra, mas resplandece em quem está pronto a recebê-la. Por isso, o profeta dirige um convite, que interpela a cada um: «Levanta-te e brilhe».”

“É preciso levantar-se, isto é, erguer-se do próprio sedentarismo e prontificar-se a caminhar. Caso contrário, fica-se parado como os escribas consultados por Herodes, que sabiam bem onde nascera o Messias, mas não se moveram. Além disso, é preciso revestir-se de Deus – que é a luz – todos os dias, até que Jesus se torne a nossa vestimenta diária. Mas, para usar a vestimenta de Deus, que é simples como a luz, primeiro é preciso desfazer-se das roupas pomposas.”

Planejar um itinerário diferente

“Caso contrário, faz-se como Herodes, que preferia as luzes terrenas do sucesso e do poder à luz divina. Ao invés, os Magos realizam a profecia, levantam-se para ser revestidos de luz. E são os únicos que veem a estrela no céu: nem os escribas, nem Herodes, ninguém em Jerusalém a viu. Para encontrar Jesus, deve-se planejar um itinerário diferente, deve-se tomar outro caminho: o d’Ele, o caminho do amor humilde. E deve-se perseverar nele. De fato, na conclusão do Evangelho de hoje, diz-se que os Magos, tendo encontrado Jesus, «regressaram ao seu país por outro caminho». Outro caminho, diferente do de Herodes, distinto do caminho do mundo. Um caminho como o percorrido pelos que estão com Jesus, no Natal: Maria e José, os pastores. Eles, como os Magos, deixaram suas casas e tornaram-se peregrinos pelos caminhos de Deus. Com efeito, só encontra o mistério de Deus quem deixa os próprios apegos mundanos e se põe a caminho.”

Para Francisco, “o mesmo vale para nós. Não basta saber onde nasceu Jesus, como os escribas, se não caminhamos até esse onde. Não basta saber que Jesus nasceu, como Herodes, se não o vamos encontrar. Quando o seu onde se torna o nosso onde, o seu quando o nosso quando, a sua pessoa a nossa vida, então cumprem-se em nós as profecias. Então Jesus nasce dentro e torna-se Deus vivo para mim.”

“Hoje, somos convidados a imitar os Magos. Eles não discutem, mas caminham; não ficam olhando, mas entram na casa de Jesus; não se colocam no centro, mas se prostram aos pés d’Ele, que é o centro; não se fixam nos seus planos, mas se prontificam a tomar outro caminho. Nos seus gestos, temos um contato estreito com o Senhor, uma abertura radical a Ele, um envolvimento total com Ele. Com Ele, usam a linguagem do amor, a própria linguagem que Jesus, ainda infante, já fala. De fato, os Magos vão até o Senhor, não para receber, mas para dar. Perguntemo-nos: no Natal, trouxemos algum presente a Jesus, pela sua festa, ou trocamos presentes apenas entre nós?”

Ouro, incenso e mirra

“Se fomos até o Senhor de mãos vazias, hoje podemos remediar. Com efeito, o Evangelho contém por assim dizer uma pequena lista de presentes: ouro, incenso e mirra. O ouro, considerado o elemento mais precioso, nos lembra que, a Deus, deve ser dado o primeiro lugar. Deve ser adorado. Mas, para isso, é preciso privar-se a si mesmo do primeiro lugar e considerar-se necessitado, não autossuficiente.”

“E aqui entra o incenso, que simboliza o relacionamento com o Senhor, a oração, que se eleva para Deus como perfume (cf. Sal 141, 2). Ora, como o incenso para exalar o seu perfume se deve queimar, assim também para a oração é preciso «queimar» um pouco de tempo, gastá-lo para o Senhor. Mas fazê-lo de verdade, e não só em palavras. A propósito de fatos, entra a mirra, unguento que seria utilizado ao envolver amorosamente o corpo de Jesus descido da cruz (cf. Jo 19, 39). Agrada ao Senhor que cuidemos dos corpos provados pelo sofrimento, da sua carne mais frágil, de quem ficou para trás, de quem só pode receber não tendo nada de material para retribuir.”

O Papa concluiu a homilia, dizendo que “é preciosa aos olhos de Deus a misericórdia com quem não tem para restituir, a gratuidade. Neste tempo de Natal que está a terminar, não percamos a ocasião para dar um lindo presente ao nosso Rei, que veio para todos, não nos cenários faustosos do mundo, mas na pobreza luminosa de Belém. Se o fizermos, resplandecerá sobre nós a sua luz”.

Fonte: Vatican News