
Ir M Márcia Alves – Vivemos mais um Dia da Aliança. É tão natural fazermos nossa peregrinação (física ou espiritual) a um Santuário de Schoenstatt, que nem nos questionamos sobre isso.
Em torno das comemorações do aniversário do Santuário Tabor, neste ano, no diálogo com um grupo de schoenstattianos, ao relembrarmos a história do primeiro Santuário de Schoenstatt em nossa Pátria, nos deparamos com a realidade das romarias no dia 18. Pois já na semana seguinte à inauguração do Santuário Tabor, já aconteceu a primeira peregrinação e renovação da Aliança de Amor com ‘o povo’. Deste diálogo, surgiu esta reflexão.
“Gostaria de transformar este lugar, num lugar de romarias”
Em 1914, no dia 18 de outubro quando nosso Pai e Fundador selou a Aliança de Amor com a Mãe de Deus. Na conferência que fez aos jovens seminaristas já lançou seu objetivo:
“Não seria possível que a Capelinha de nossa Congregação se tornasse nosso Tabor, no qual se manifestem as magnificências de Maria? Sem dúvida, maior ação apostólica não podemos realizar, herança mais preciosa não podemos legar aos nossos sucessores do que mover nossa Senhora e Rainha a estabelecer aqui, de modo especial, o seu trono, distribuir seus tesouros e realizar milagres da graça. Pressentis o que viso: gostaria de transformar este lugar, num lugar de romarias e de graças para nossa casa, para toda a Província alemã e, talvez, para mais além.”
E as “romarias” começaram! Primeiro “individualmente”, quando os jovens iam ao Santuário para rezar. Mas também já em 1914, começaram as romarias de pequenos grupos de seminaristas, que se reuniam no Santuário para ouvir o Fundador ou para fazer suas orações.
Com o desenvolvimento do Movimento de Schoenstatt, cresceram também as romarias ao Santuário… Como o Padre Kentenich profetizou, o Santuário tornou-se um lugar de romarias e de graças, primeiramente para os moradores do seminário do Padres Pallottinos e depois para toda a Província Alemã! E nós, que não somos alemães, nos incluímos no “para mais além!”

Sim, o Santuário é um lugar de romarias e de graças para todos nós!
Em meados dos anos 30, com a ascensão de Hitler ao poder, Padre Kentenich viu a necessidade de fazer a Mãe e Rainha conhecida pelo povo, para fazer uma ‘contracorrente’ ao que o nazismo pregava. Incentivou que fossem feitas romarias populares ao Santuário. A partir daí, se desenvolveu um movimento popular de romarias primeiro ao Santuário Original e, mais tarde, aos Santuários filiais de Schoenstatt. Desta forma, como em diversos Santuários marianos acontece este grande movimento de romarias, também em todos os santuários de Schoenstatt recebemos grupos de romarias.
Porem há uma romaria especifica ‘schoenstattiana’, que acontece cada mês no Santuário da Mãe e Rainha: a romaria do dia 18. Em muitos lugares falamos da Missa da Aliança, pois a Aliança de Amor na maioria dos Santuários e também nas inúmeras paróquias é renovada junto a celebração da Santa Missa.
Como e onde começou a “romaria do dia 18”? Quem foi o grande incentivador dela?
Essas perguntas tocam bem profundamente a nossa história de Schoenstatt no Brasil.
Em 1948 o Padre José Kentenich veio da África do Sul especialmente para participar da inauguração do Santuário Tabor, que aconteceu no domingo, dia 11 de abril de 1948, com a abertura do Congresso Eucarístico na Diocese de Santa Maria.
O bispo de Santa Maria de então, D. Antônio Reis, fez a inauguração do Santuário como ‘Capelinha da Adoração Perpétua na Diocese de Santa Maria’. Na mesma noite, Padre Kentenich, com integrantes do Movimento, realizou o convite à Mãe de Deus para estabelecer-se no Santuário Tabor! Nesta oportunidade, dentre outros disse:
“Assim como a Mãe de Deus em 1914, se deixou mover pelas orações e sacrifícios dos jovens a se estabelecer no pequeno Santuário para criar um Movimento de renovação, deve se estabelecer também aqui, como fez em Schoenstatt.”
E, reforçando a fé no ‘Mistério de Schoenstatt’, também disse: “A Mãe de Deus deve agora desdobrar todas as suas forças a partir daqui, como em Schoenstatt. O bispo dirá: Voltamo-nos para a Eucaristia! Outros dizem: Voltamo-nos para a Mãe de Deus! E nós dizemos: Voltamo-nos para a Mãe e Rainha Três Vezes Admirável de Schoenstatt!”
Que graça nós tivemos, de ser o próprio Fundador a selar esta Aliança de Amor, bem assim como o fez no Santuário Original! Não podemos nos cansar de agradecer!
Depois da celebração do dia 11 à noite, Padre Kentenich, incentivou as Irmãs a tornarem Schoenstatt conhecido. Mas como fazer isso? Aqui vemos como, ele era coerente com tudo o que havia falado e procurava meios para colocar em prática o Documento de Fundação. “Gostaria de transformar este lugar, num lugar de romarias”
Insistiu então que deveriam promover uma romaria no dia 18, que era no domingo seguinte. E que uma das Irmãs, Irmã M. Emanuele Seyfried, deveria fazer uma palestra para o povo. Foi uma grande aflição para ela, pois não se sentia ainda tão segura em fazer uma palestra em português.
Portanto, aqui no Brasil sabemos como e onde começaram as romarias do dia 18. Foi na noite do primeiro dia 18 após a inauguração do Santuário Tabor, que o povo se reuniu em torno do Santuário para renovar a Aliança de Amor! Era domingo, dia 18 de abril de 1948.

18 de abril à sombra do Santuário Tabor 73 anos depois…
A história das romarias do dia 18 junto ao Santuário Tabor tem sua história própria, acompanhando a história do Fundador e a do Movimento de Schoenstatt. Teve também na pessoa e atuação do Servo de Deus João Luiz Pozzobon um grande incentivador.
Estamos em tempo de pandemia… Já há mais de um ano precisamos ter um público reduzido na Missa da Aliança. O maior número de pessoas participará da Missa do Dia da Aliança pelas redes sociais do Santuário.
Um convite especial
Convidamos você a fazer a sua peregrinação espiritual ao Santuário e renovar esta Aliança de Amor, junto conosco, a partir do mesmo lugar onde começaram as romarias do dia 18 há 73 anos, refletindo as palavras do Padre José Kentenich em 18 de abril de 1948, para a Juventude Feminina, e hoje dirigida a nós:
“Sabem porque o dia 18 foi instituído por nós como dia de peregrinação… Vale a pena esforçar-nos por fazermos todos os meses, no dia 18, uma peregrinação a este Santuário. Podemos fazê-lo de duas maneiras: podemos fazê-lo espiritualmente, quer dizer, esforçando-nos, durante o dia, talvez a determinadas horas, por tocar muitas vezes com fé o chão deste Santuário. Cada ato de fé em que a Mãe de Deus está presente, e atua de modo particular aqui no Santuário, pode ser considerado como uma peregrinação espiritual neste sentido. É evidente que quem acredita profunda e intimamente no atuar da Mãe de Deus a partir daqui se vai esforçar, na eficaz do possível e em que o tempo e a tarefa o permitirem, por fazer uma verdadeira peregrinação a este Santuário. Talvez chegue um dia o tempo em que, no dia 18 de cada mês, haja aqui, a uma determinada hora, uma grande pregação para peregrinos, feita por alguém inteiramente abrasado por Schoenstatt.”
“É assim que queremos celebrar o dia 18 e celebrá-lo todos os meses.” (18/04/1948)
Quem desejar, poderá participar da celebração da Renovação da Aliança de Amor, às 20h, pelas redes sociais do Santuário Tabor.














