Ir. M. Ana Paula Hyppólito – Cada dom, cada dádiva traz consigo uma tarefa, um desafio e, muitas vezes, uma “espada no coração”. Podemos ver essa realidade na vida de Maria, a Mãe de Jesus. Podemos bem imaginar o que significa ser escolhida para ser a mãe do Filho de Deus, a mãe do Messias, o esperado por tantos séculos e milênios! Que presente da misericórdia de Deus, que dom, que dádiva imensa e imerecida! Muito provavelmente, a Mãe de Jesus refletia sobre tudo isso, ao levar seu pequeno filho ao Templo, junto com São José.

Ela já havia percebido que sua vida e sua missão não seriam fáceis, pois teve que dar à luz num estábulo, sem o conforto do lar que havia preparado com tanto carinho para seu filho. Mas, ali no Templo, ela tem uma nova surpresa: a profetiza Ana e o velho Simeão reconhecem, na criança, o Messias, o Filho do Altíssimo, a Luz das Nações! E Simeão deixa bem claro que junto a esse tão grande dom, Maria receberá também a espada no coração.

 

Quanto maior é o amor tanto maior é a dor

 

Faz parte da vida de todos nós

Acontece também ao recebermos uma tarefa, um cargo ou a própria conclusão dos estudos. Com o “prêmio”, com alegria pela vitória, vem também a responsabilidade para realizar, do melhor modo possível, o que nos foi incumbido. Também nossos talentos e boas qualidades têm seu lado de desafio, o lado de sombra que precisa ser educado! Quanto maior a luz, maior é a sombra que faz! Por exemplo: uma pessoa com grande talento para a arte ou muito inteligente ou com extrema clareza de ideias, precisa saber valorizar os talentos dos outros, não se tornar vaidoso ou autossuficiente e isso exige autoeducação para a humildade, o que pode ser difícil.

Descobrir um ideal de vida, a vocação, a profissão, são presentes de Deus. Com eles vem também o sacrifício, a renúncia, o esforço e, não raras vezes, uma cruz ou uma espada.

Se considerarmos essa realidade da “espada no coração” como algo natural em nossa vida, teremos mais resiliência e não nos assustaremos tanto diante das provações que surgem. A vida é assim: não existe amor sem dor, alegria sem sacrifício, dom sem tarefa. Assim foi na vida da querida Mãe de Deus e é na vida de cada um de nós. Cada “espada” pode se tornar uma bênção em nossa vida, de acordo com nossa avaliação que fazemos dela, como a encaramos.

 

Ela está conosco!

A Aliança de Amor com a MTA, o exemplo de nosso Pai e Fundador e de nossos heróis de Schoenstatt nos ajudam a viver essa realidade. Quando nos entregamos inteiramente à Mãe e Rainha de Schoenstatt, ela nos toma pela mão, nos concede suas dádivas de amor e, acima de tudo, a serenidade necessária para trilharmos o caminho de nossa vida, mesmo que inclua a “espada no coração”. O Fundador nos diz:

“Colocando nossa vida inteiramente ao dispor da Mãe de Deus, de modo semelhante ela também nos presenteia a si mesma: dar-nos-á seu braço poderoso – expressão da Onipotência Suplicante; dar-nos-á o Filho que traz em seus braços, as Línguas de Fogo sobre a cabeça, o Ave no ouvido, o Magnificat nos lábios e a sétupla espada no coração.  (…) Não estamos sozinhos. De todo o coração, podemos rezar e cantar: se geme o vento e brame a tempestade, se os relâmpagos cortam os céus, penso como o filho do timoneiro: Pai e Mãe estão no leme.”[1]

[1]  Segundo Documento Fundação, p. 74  n° 37

Fonte: s-ms.org (Irmãs de Maria de Schoenstatt)