Karen Bueno – Hoje a Família de Schoenstatt brasileira celebra 9 décadas desde a chegada das primeiras 12 Irmãs de Maria ao Brasil. Praticamente, com elas, chegava Schoenstatt à nossa pátria. E até podemos dizer que podemos iniciar nossa preparação para os centenário de Schoenstatt no Brasil. Pois 10 anos passam rápido!

Há 90 anos

No dia 12 de maio de 1935, em Schoenstatt, aconteceu a solenidade de envio das 12 Irmãs Missionárias, do Instituto Secular das Irmãs de Maria de Schoenstatt, enviadas para a América. Elas partiram em um mar de incertezas, com poucos itens pessoais na mala e sabendo que certamente não veriam mais suas famílias; mas também partiram com uma grande medida de entusiasmo e uma confiança sem fim na Mãe de Deus: MHC! (Mater Habebit Curam – A Mãe cuidará!)

Naquele dia, o Pe. José Kentenich presidiu o envio e foi muito franco com elas; ele não prometeu um futuro calmo e confortável, mas adiantou aquilo que seria fundamental na missão: dar a própria vida.

“Queremos ser semente da MTA. Semear é algo de grande, mas talvez seja maior ainda: lançar-se a si mesmo como semente, semente dum novo mundo. O mundo deve tornar-se, mais e mais, Schoenstatt. Este há de ser o sentido de nossa aspiração e de nossas lutas aqui na terra”, disse o Fundador (fonte: crônica das Irmãs de Maria).

O Capital de Graças esteve em primeiro plano

A viagem durou cerca de um mês, até atracar no porto de Santos/SP, em 10 de junho. De lá, as 12 Irmãs pioneiras viajaram até seu primeiro destino, a cidade de Jacarezinho/PR, onde residiram nos primeiros anos.

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Lendo a crônica, encontram-se muitas experiências concretas do que significou, para elas, ser semente e dar a própria vida: fome e frio, condições precárias de sobrevivência, dificuldades de comunicação pelo idioma novo… O começo da história de Schoenstatt no Brasil passou por muita entrega, confiança e ousadia.

A Ir. M. Emanuele Seyfried conta:

“O Pai e Fundador mostrou-nos a importância da MTA e nos levou, lentamente, à compreensão da grande importância de nossa missão no Brasil e para o Brasil. Numa dessas meditações, ele nos disse: ‘Quando uma coisa se torna difícil, eu a dou para a Mãe de Deus. Isto agora deve tornar-se realidade. Agora, preciso aprender a solucionar as dificuldades com a palavra mágica: MATER HABEBIT CURAM!’
Assim o Fundador despertou em nós um grande amor à missão e firme vontade de sacrificar tudo para a MTA, para que ela pudesse conquistar novas terras no Brasil. Nossa fé prática na Providência expressava-se no MHC. Esta fé era profundamente mariana. A Mãe cuidará de tudo, se nós enchermos o Capital de Graças com as nossas contribuições. Por isso, por muito tempo, o Capital de Graças esteve no primeiro plano, em nossa aspiração. Estávamos bem conscientes de que o fundamento de Schoenstatt no Brasil seria o Capital de Graças. E nós, como geração fundadora, devíamos enchê-lo. O Senhor Padre [Pe. Kentenich] sempre nos dizia: Onde se começa algo novo para Schoenstatt, sempre se começa pelo Capital de Graças. E nós, brasileiras, devíamos fundá-lo para o Brasil”.

Quem será uma nova semente?

Quando viajamos ao passado, as histórias não são recordadas pelo sentimento de nostalgia, mas para trazer luz e iluminar os novos tempos. Sendo assim, o que você leva de mensagem deste capítulo da história? Para alguns, pode ser o espírito aventureiro e desbravador de sair em busca de novos mundos; para outros, pode ser a confiança heroica, a filialidade de se entregar aos planos do Pai sempre; ou então a arte de entregar tudo ao Capital de Graças, sabendo que sua vida pode ser maior do que você pode imaginar. Para quem pertence ao Movimento, certamente fica o anseio de levar Schoenstatt para todos os lugares aonde for, lançando-se como semente no trabalho, na família, nos encontros e desencontros da vida.

Seja qual for a lição que se pode aprender, no cerne está sempre a fé prática na Divina Providência, pois os sonhos de Deus para cada um representam uma aventura em oceanos desconhecidos, que levam sempre de volta ao seu amor.