Ir M Rosequiel Fávero – Todos os anos a Sexta-feira Santa toca os corações dos católicos, seja os que participam ativamente das suas comunidades, seja os que somente neste dia ‘aparecem na igreja’. Em muitas paróquias até é comum que a igreja se encha mais na Sexta-feira da Paixão do que no Domingo de Páscoa, onde o momento do ‘beijo na cruz’ se reveste de uma sacralidade única. Mas, neste ano, em que ninguém poderá ‘aparecer na igreja’, como será nossa Sexta-feira Santa?

Na audiência desta quarta-feira, 8/04, o Papa Francisco acenou para a realidade que vivemos em 2020 a Semana Santa na ‘igreja doméstica’ da família. E que nesta igreja ‘a cruz é a cátedra da Deus nos fala’. Ele disse:

“Nos fará bem olhar o crucifixo em silêncio e ver quem é o nosso Senhor: é Aquele que não aponta o dedo contra ninguém, mas abre os braços para todos; que não nos esmaga com a sua glória, mas se despe por nós; que não nos ama em palavras, mas nos dá a vida em silêncio; que não nos obriga, mas nos liberta; que não nos trata como estranhos, mas assume os nossos males, os nossos pecados. Para nos libertar dos preconceitos sobre Deus, olhemos o crucifixo e depois abramos o Evangelho.

Nestes dias, todos em quarentena e em casa, fechados, tomemos essas duas coisas em mãos: o crucifixo, vamos olhá-lo, e abramos o Evangelho. Isso será para nós, digamos assim, como uma grande liturgia doméstica, pois não podemos ir à igreja nesses dias. Crucifixo e Evangelho.”

Muitos de nós temos nosso Santuário Lar, onde a cruz tem um lugar reservado. E todos, com certeza, se já não tem seu Santuário Lar, tem um lugar especial nas suas casas para a imagem da Mãe e Rainha e para o Senhor crucificado.

Seguindo o que disse o Papa, somos convidados nesta Sexta-feira Santa a colocar em evidência a cruz que temos em casa. Encontrar um momento e um espaço apropriado para reunir-nos como família para recordar e celebrar a paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo. Para quem se interessar, a Comissão de Liturgia da CNBB disponibilizou um roteiro para celebrar a Sexta-feira Santa em família (para baixar o roteiro clicar AQUI).

Como Família de Schoenstatt do Brasil, recebemos a sugestão da Central Nacional de Assessores de colocarmos a ‘cruz da unidade’, que muitos tem em seus Santuários Lares, no centro desta celebração familiar (para ler a carta do Diretor da Central Nacional, Pe. Vandemir Meister, clique AQUI). Pe. Vandemir escreve na sua carta: “Como símbolo, vamos utilizar para a adoração da cruz, se possível, a Cruz da Unidade em nossos Santuários Lares. Nela vemos o Cristo-Tabor, que morre ao lado de sua Mãe Maria. Vemos Maria, com seu coração cheio de dores e incompreensões. Maria representa cada um de nós. Os sentimentos dela, no alto da cruz, hoje são os nossos!”

Assim, unidos a Cristo e Maria na sua entrega ao Pai, por nossa salvação, em nossa celebração familiar, entreguemos a Ele também as dores, inseguranças e desafios deste tempo tão atribulado. No regaço da Mãe e aos pés da cruz de Jesus, encontraremos forças para cantar: “Vitória, tu reinarás! Ó cruz, tu nos salvarás!’

Foto destacada: Exe Lobaiza, em Cathopic