Deus usa luvas! Sim! Essa é uma das imagens que o Pe. José Kentenich utiliza para explicar a ação de Deus em nossa vida, à luz da fé, por trás de todas as situações.
Ele explica que a mão de Deus não costuma nos tocar diretamente, mas de forma indireta. Ela nos toca, geralmente, por meio de mãos humanas. Vejamos sua reflexão…
Pensem na outra imagem que nos é familiar: o bom Deus coloca luvas. Podem ser luvas duras, de ferro, e podem ser luvas macias.
Como são essas luvas? De onde provêm? As luvas são a mão humana que nos toca.
Podem ser…

(Foto: pixabay.com)
LUVAS DE FERRO
São as pessoas que nos querem mal, que, por exemplo, nos caluniam ou querem prejudicar-nos financeiramente.
Por exemplo, uma determinada pessoa que conheço e que me quer mal. Suponho que ela é uma luva de ferro que me toca, mas dentro da qual está a mão macia do Pai. A mão humana pode prejudicar-me, mas, por meio dela, a mão do Pai quer dar-me algo de bom.
Vou contar-lhes um pequeno exemplo, singelo e concreto, para que esta realidade se grave nova e mais profundamente em nós…
Já lhes falei, algumas vezes, de um fato da vida do pequeno Geraldo Majella. Ele era um simples irmão leigo redentorista. Lá fora, no mundo, aprendera o ofício de alfaiate e no convento costurava o tempo todo. […] Ele tinha, desde criança, a mesma atitude sobrenatural que nós designamos como “viver do espírito de fé”. Na juventude fora aprendiz de alfaiate. Os auxiliares de seu mestre eram muito duros e cruéis para com o jovem aprendiz. Surravam-no […]. Sempre que ele cometia um erro, não se contentavam em ralhar com ele, surravam-no. E o pequeno Majella, o que fazia? Não se defendia, limitava-se a sorrir. Aquele que o maltratara ficou embaraçado, sem saber o que fazer. “É verdade – diz o pequeno Majella – eu rio”. Por que seria? A frase singularmente bela que devemos gravar é a seguinte: “Alegro-me porque a mão que me bate é a mão de Deus Pai”.
Isso é a aplicação concreta do que acabamos de explicar, compreendem? Entendemos o “espírito de fé” que semelhante atitude supõe? O heroísmo de fé que significa viver assim? Penso que devem deter-se neste exemplo e refletir como a mão de Deus os tocou, pessoalmente, na sua própria vida; ou seja, como Deus usou intermediários, mãos humanas, para tocá-los.

(Foto: Anastasia Zhenina, via pixabay.com)
LUVAS MACIAS
Deus pode utilizar de mãos humanas cruéis, mas pode, de igual modo, ter utilizado mãos bondosas.
Permitam que chame novamente a atenção para um aspecto que habitualmente não tomamos tanto em conta. Achamos natural que as pessoas sejam boas para nós, não relacionamos logo esse fato com o bom Deus. Mas, à luz de Deus, à luz da fé, é sempre, de alguma forma, o bom Deus que nos toca! Não é por acaso que, de vez em quando, alguma pessoa vem amável e bondosamente ao meu encontro, me ajuda, me dá um conselho e assim por diante; ou que minha firma vai bem. Precisamos aprender a relacionar também todas essas coisas ao bom Deus e a agradecer-lhe de coração.
E por que isso?
Quero gravar especialmente nos senhores uma ideia que ainda não compreendemos em suficiente profundidade. Conhecem a velha expressão: “as pessoas propõem e Deus dispõe”? Por que os planos humanos são tantas vezes totalmente diferentes dos planos de Deus? É assim: o plano traçado pelo bom Deus desemboca sempre no além. (Para ele) o objetivo do mundo e o objetivo de cada pessoa é o céu, o além. Nós vemos apenas a vida das pessoas aqui na terra. É por isso que, na maioria das vezes, nossa previdência terrena é essencialmente diferente da Providência divina.
Acresce que o bom Deus não nos revela de uma só vez o seu plano para a humanidade, […] mas só abre um pouco a portinha, abre apenas uma janelinha. É uma obra de mestre olhar pela portinha e captar, em certa medida, o plano do bom Deus.
Todo autêntico filho de Schoenstatt vive da fé na Providência. […] Concretamente, perguntamos: quando vivemos da fé na Providência? A primeira resposta é: quando escutamos, em todas as situações da nossa vida, um chamado de Deus Pai. Ou, melhor ainda: devemos escutar um chamado do amor de Deus em todas as situações da vida individual e nos acontecimentos do mundo. O chamado de amor desperta uma resposta de amor. Uma segunda resposta, no mesmo sentido, [..] é sentir, em toda a parte, a mão de Deus!
Fonte:
KENTENICH, Pe. José. Às segundas-feiras ao anoitecer, Diálogos com famílias, vol 21 – Nossa vida à luz da fé. Sociedade Mãe e Rainha
