Na sua primeira semana de ‘missões’ na diocese do Crato/CE, Ir M Raquel Mainardi passou 8 dias no município de Mauriti, mais propriamente em Gravatazinho, onde já a alguns anos tem um Santuário Paroquial, com uma ativa vida schoenstattiana.

 

O Schoenstatt que encontrei em Mauriti e Milagres/CE

Ir M Raquel conta: “Nos oito dias que fiquei morando em Gravatazinho, pude ver e sentir bem de perto o grande e vasto Movimento de Schoenstatt ali edificado. Dei-me conta de que atrás daquelas 19 comunidades que visitei, com os grupos da Família de Schoenstatt lá existentes, havia um líder inspirador. Seria um outro ‘Diácono João Pozzobon’?  Lá vi um Diácono, que denominei algumas vezes de “Diácono João Pozzobon nordestino”, só com o nome de Diácono Francisco Alves de Souza, ou “Diácono Chiquinho da Mãe Rainha”, como é carinhosamente chamado.

Tomado de um profundo amor à Mãe Rainha e ao Pai e Fundador, com aguçada percepção capta com rapidez o sopro do Espírito, que se manifesta nas correntes de vida, pelas ideias que surgem da fé e religiosidade daquele povo. Com um dinamismo que lhe é peculiar, sem ter algum cargo de coordenação, impulsiona as 13 organizações existentes em torno do Santuário Lar Paroquial de Gravatazinho, é a alma da vida schoenstattiana que lá borbulha.

 

Conte-nos algo dos encontros com a Família de Schoenstatt local.

Nas palestras que fiz e nas celebrações, pude ver bem de perto a vida schoenstattiana que lá se desenvolve. Em uma noite participei de uma celebração da palavra, quando 42 pessoas provenientes de duas comunidades selaram a Aliança de Amor junto ao Santuário Paroquial. Tinham se preparado através de 9 encontros feitos pelos coordenadores, sendo que o último, um dia de recolhimento, o Diácono Francisco o reserva para si, para o cultivo de uma espiritualidade mais intensa.

Em minhas idas e vindas pude ver também pessoas do Círculo dos Guardas Nobres do Santuário, caminhando quilômetros a pé pelo asfalto e mais 3km de estrada de chão, para fazer, conforme a escala, seu dia de guarda no Santuário Paroquial. No dia da Aliança, todos os que podem, vem fazer sua guarda e participar da Missa da Aliança às 17h junto ao Santuário Lar Paroquial (são 231 Membros ativos).

Nos encontros e celebrações das comunidades, contemplei maravilhada o grande número de mães do Círculo de Oração das Filhas Heroicas (grupo de senhoras ligadas ao ‘Círculo Externo de Adoração’, das Irmãs Adoradoras junto ao Santuário Tabor), que muito felizes demonstravam sua identidade com sua camiseta própria. Círculo este, que surgiu inspirado na coroação da Rainha da Filialidade Heroica que o Pai e Fundador fez há 70 anos, no dia 20.08.1949, no Santuário Tabor em Santa Maria. E pasmem, são 32 grupos com aproximadamente 500 mães!

O dia 24 de maio foi muito especial, quando falei aos jovens da comunidade, transmitindo-lhes a esperança que Pai e Fundador deposita na juventude. Deste encontro participou também o grupo do JUMAS, único Ramo da Liga Apostólica de Schoenstatt, por ora, lá organizado. O testemunho daqueles rapazes, sua bandeira e hinos, a convicção de sua missão como Juventude Masculina, despertou tensões criadoras nas jovens, que se entusiasmaram para formar um grupo da JUFEM entre elas.

 Grande foi minha alegria, como responsável pelo Secretariado da Causa de Beatificação do nosso Pai e Fundador, no encontro dos Amigos do Padre Kentenich (57 membros ativos) e poder falar mais extensamente sobre o carisma de nosso Pai e Fundador. Estes Amigos têm a missão de ajudar a cultivar o amor e a vinculação ao Pai Fundador nos seus setores. Como eles fazem isto praticamente? Cuidam que as 47 relíquias do Padre Kentenich, que colocaram em uma moldura com vidro, façam o giro pelas famílias do seu setor, ficando 24 horas em cada casa. Além disto, eles tem a tarefa de ajudar as pessoas a escrever os pedidos e as graças que alcançam através de sua oração ao Padre Kentenich. O Diácono Chiquinho me entregou uma caixa de pedidos que as famílias já fizeram ao Pai e Fundador. O que calou fundo no meu coração foi ver o quanto ele é amado entre o povo, que de modo tão filial assim se dirigem a ele: “Meu querido Pai e Fundador, eu te peço…”

Para ler as conclusões dos Amigos do Padre Kentenich de como colaborar para a sua beatificação clicar aqui.

Pude também visitar algumas casas que já constituíram o seu Santuário-Lar. Fiquei surpresa ao ouvir o testemunho daquelas famílias de como configuram sua vida de oração familiar, e como estão cientes da importância do ideal que escolheram. Atualmente são 175.

Pude participar também da reentronização do Santuário Lar do Diácono Francisco, juntamente com sua esposa Francisca, seu filho José Kentenich e de seu pai José. Nos dias que lá estive hospedada pode ver quanto o ideal que escolheram, “Fé Prática na Divina Providência” os ajuda a superar os percalços do dia a dia.

E o que dizer do encontro com a Campanha da Mãe Peregrina Infanto-Juvenil? Aquelas crianças inocentes e espontâneas, todas com sua camiseta especial com a imagem da Mãe Rainha, que cantavam e rezavam a todos os pulmões, emocionavam a qualquer um e me faziam lembrar as prediletas de Jesus (Cf. Mt. 18,3). Há 14 Grupos com aproximadamente 200 crianças.

Pude ver também a atuação do Terço dos Homens Mãe Rainha na celebração da Palavra junto ao Santuário Lar Paroquial de Gravatazinho, que lá estavam em grande número e com sua banda, animando a celebração da Palavra. São 52 Grupos com aproximadamente 1.000 membros.

Nas paróquias de Mauriti e Milagres pude visitar e ver a vida schoenstattiana que há nas 4 ermidas da Mãe Rainha, onde as pessoas se reúnem especialmente nos dias 18.

As atividades apostólicas se estendem também aos doentes, cujo Apostolado dos Enfermos de Schoenstatt, com 11 grupos, visitam e assistem atualmente em torno de 90 enfermos.

O Padre Kentenich tinha razão

O expressivo amor filial a Maria e ao Pai e Fundador que pude observar e vivenciar no convívio com as pessoas destes grupos, me fez compreender melhor ainda o que Pe. Kentenich constatou e confessou que a alma brasileira tem uma estrutura essencialmente filial. Desde o seu costume tão singelo de pedir a bênção ao me cumprimentar e a devoção expressiva a Maria que demonstram de maneira tão viva são uma manifestação da filialidade inata no coração deste povo.

As lindas coroações das quais participei, eram como uma festa, manifestações eloquentes à Mãe e Rainha de Maio. Aqueles altares nas capelas ou nas ruas, majestosamente ornamentados e repletos de anjos, onde um deles ao som de um canto de coroação, coroava solenemente a fronte de Nossa Senhora, eram uma manifestação viva e vibrante dos filhos à sua Mãe Celeste.

Para ler o 2º testemunho na íntegra clicar aqui

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