E vós, quem dizeis que eu sou?

A pergunta que Jesus fizera outrora aos seus discípulos, continua sendo dirigida a seus seguidores, em todos os tempos. No centro das reflexões da liturgia deste 21º domingo do Tempo Comum, está Cristo e sua Igreja, nos quais se constrói e sustenta toda a existência cristã.

Muitos judeus, samaritanos, pagãos haviam cruzado os caminhos do Nazareno. Suas palavras e obras causavam espanto e admiração, de modo que se perguntavam: “Não é este o filho do carpinteiro?” (Mt 13,55). Naturalmente, haviam muitas especulações. Jesus, primeiramente, pergunta o que dizem as pessoas sobre ele. Não é movido por uma simples curiosidade, pois ele sabe o que se passa em cada coração humano; muito menos depende da afirmação de outros. Jesus quer conduzir os seus à profundidade: E vós, que andais comigo a tanto tempo, a quem falei como amigo e mestre quem dizeis que eu sou?

Pedro toma a palavra e faz sua solene profissão de fé: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”. E Jesus o confirma: “Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. Por isso, eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la.” (Mt 16, 17-18)

Uma resposta que nasce do encontro com o Messias

A nós, que participamos do Altar da Palavra e da Eucaristia, somos interpelados com a mesma pergunta: Quem dizeis que eu sou? O Senhor não espera uma resposta pronta ou genérica, mas uma profissão de fé, a transmissão de uma convicção pessoal que nasce do encontro com Ele. Jesus não é apenas um profeta, um homem bom em palavras e obras, é o Deus-Homem, enviado ao mundo para nos reconciliar com o Pai. “Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial ao Pai”, reza o Símbolo Niceno-Constantinopolitano.

Responder à pergunta do Senhor significa interrogar nosso coração e reconhecer o lugar que Cristo ocupa em nossa vida, a importância e o espaço que damos a Ele em nosso cotidiano, como assumimos os seus valores e o esforço que fazemos para segui-Lo com autenticidade.

De outro lado, a resposta de Jesus a Pedro, indica-nos a importância decisiva que Cristo confere à Igreja, como portadora de sua missão salvífica, como a barca que, embora atravesse os reveses do tempo e as tempestades do alto mar, não perecerá. Na Igreja, em seu Magistério, na Sagrada Tradição e nos carismas, através dos quais o Espírito Santo continua desdobrando seus dons, está o verdadeiro reconhecimento da Pessoa de Jesus, bem como o caminho mais seguro para a adesão a sua Pessoa e a sua mensagem evangélica.

Foto destacada: Paul Zoetemeijer na Unsplash