
O encontro de Deus com a humanidade
Uma das perguntas que a liturgia deste domingo quer ajudar-nos a responder é: como encontrar Deus? Ou ainda, como se dá nosso encontro com Ele? A resposta configura uma dupla perspectiva: de um lado, a iniciativa divina e de outro, nossa predisposição humana.
A primeira leitura, retirada da profecia de Zacarias, mostra-nos como Deus se revela na pequenez e na humildade: “Eis o teu Rei, justo e salvador, que vem ao teu encontro,
humildemente montado num jumentinho”. Deus, sendo Onipotente, não se reveste de prepotência, se não que doa-se a Si mesmo, assumindo em tudo nossa natureza humana, exceto no pecado, para reconciliar-nos consigo. Mistério do amor divino, que a teologia chama de kênosis, um total despojamento. Esta é a marca da atitude divina, do Deus que vem ao nosso encontro.
A graça pressupõe a natureza
Padre José Kentenich, Pai e Fundador da Obra de Schoenstatt, aplica um princípio empregado por Santo Tomás de Aquino: “A graça pressupõe a natureza”. Isto significa, em outras palavras, que a iniciativa divina precisa ser correspondida pela predisposição humana.
Deus vem ao nosso encontro; enviou-nos o seu Filho Unigênito; revela-se na Palavra, na Eucaristia e na vida concreta de seus filhos, cujos caminhos foram preparados por este Pai. Mas, precisamos ir ao seu encontro, percebê-lo, deixar-lhe espaço para que o seu Espírito que habita em nós, plenifique nossa vida com a sua graça.
Jesus, a via filial para o coração do Pai
No Evangelho, Jesus ensina como nós devemos ir ao Pai: “Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. Tudo me foi entregue por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.”
Jesus apresenta a si mesmo, como se exortasse: ‘Vejam, olhem a mim! Estou aqui para revelar o Pai e conduzir todos a Ele. Como eu reconheço que tudo o que sei, recebi do Pai, segui o meu exemplo, os meus passos na via filial ao coração de Deus, meu Pai e vosso Pai.’
Ademais, a consciência de nossa pequenez, diante do amor redentor de Deus é valiosa garantia para encontrar-nos com Ele. Uma alma que confessa sua pequenez, mas acima de tudo que se sabe amada incondicionalmente, não apesar, mas justamente porque pequena, abre-se para um profundo encontro com Deus.
Nossa resposta a Deus, que incessantemente quer estar em comunhão conosco é o amor filial que lhe dedicamos. Que a vivência desta liturgia nos assemelhe a Jesus, Filho do Pai, e nos aponte caminhos para a união com Deus na vida diária.

