
Pe. Júlio Fabiano Rodrigues Afonso – No dia 10 de julho de 1910, o neossacerdote Padre José Kentenich celebrou sua primeira missa em Limburgo, Alemanha. E que tremenda missão ele recebeu! Ser o fundador de um Movimento de renovação espiritual para a Igreja. O que estaria passando em sua mente e em seu coração nesse dia? Sabemos que para todo sacerdote a primeira missa é um momento muito especial, mas como foi para o Pe. Kentenich?
No santinho que distribuiu na sua primeira missa, escolheu uma frase que revela o que ele pedia: “Conceda, oh meu Deus, que todos os espíritos se unam na verdade e todos os corações no amor”. Agora, depois de 55 anos de sua partida à casa do Pai, sabemos que ele foi um homem com um grande senso da “verdade” e movido por um grande “amor”. A fidelidade à verdade o fez não abdicar da mensagem de Schoenstatt mesmo nos momentos mais difíceis, como quando esteve no campo de concentração e no exílio em Milwaukee/EUA.

Primeira à última missa
Para todo sacerdote, a primeira missa é muito especial. Além da ansiedade e dos nervos, da alegria pela presença dos familiares e amigos, o mais forte e significativo é a consagração do pão e vinho em corpo e sangue de Cristo. Ousaria dizer que a ordenação sacerdotal é como uma aliança de amor com Cristo, e que a celebração da missa é a vivência mais profunda dessa aliança. Padre Kentenich, um homem de aliança, não diminuiu a força dessa experiência, senão que a renovava todos os dias e a aprofundou durantes os anos.
Ele realmente “rezava” a missa diariamente com consciência, como testemunhou: “Devo aproveitar a santa missa para rezar realmente, para ter um intercâmbio vital com Deus, para elevar meu coração, com tudo o que levo em meu interior” [1]. Em sua primeira missa, essa deve ter sido uma oração muito forte e especial!

Em 15 de setembro deste anos vamos recordar 55 anos da partida do Padre Kentenich à casa do Pai eterno. Ele faleceu logo após celebrar sua última missa. Tanto na primeira como na última missa celebrou o dom de sua vocação e missão para a Igreja. Acredito que a frase proferida muitas vezes por ele, como um pequeno lema, foi a que ele viveu: “A missa do dia deve chegar a ser a missa da vida” [1]. Com isso, ele nos quis dizer que “o que nos interessa é que toda a nossa vida diária se transforme, em última instância, em uma prolongação da eucaristia” . A sua última missa deve ter sido, assim como a primeira: a missa de toda uma vida. Ao partir para a casa do Pai, as palavras que tanto rezou agora adquiriam um significado pessoal: “Este é meu corpo entregue por vós”.
Na última linha do seu santinho de ordenação, ele escreveu o pedido: “Por favor uma Ave Maria”. Vamos rezar uma Ave Maria também nós, para que a mensagem que Deus nos deu por meios dele chegue às nossas mentes e aos nossos corações. Ave Maria, cheia de graça…

Santinho da Primeira Missa do Pai e Fundador (frente e verso)
Tradução:
Conceda, oh meu Deus, que todos
os espíritos se unam na verdade e todos
os corações no amor
Lembrança
da minha
Primeira Missa
celebrada na
Capela da Casa das Missões
em
Limburgo do Lahn
(10/07/1910)
P. José Kentenich, PSM
Palotino
Coração de Jesus eu confio em vós
Doce coração de Maria seja minha proteção!
Por favor uma Ave Maria
Referências:
[1] PE. JOSÉ KENTENICH, Cómo hablar con Dios? 4. ed. Santiago do Chile: Nueva Patris, 2007. (homilia pronunciada no dia l° de setembro de 1963).
[1] PE. JOSÉ KENTENICH, Vivir la misa todo el día. 2. ed. Santiago do Chile: Patris, 2005. p. 119 (homilia pronunciada no dia 1 de janeiro de 1965).
Fonte: http://www.schoenstatt.org.br/2018/07/10/para-todo-sacerdote-a-primeira-missa-e-muito-especial/
