Heloísa Seikoski – Iniciamos o último mês do Ano Santo da Esperança. Quantas graças vivemos nesse Ano Jubilar e quantas ainda poderemos receber neste último mês do ano!

Nessa época, muitas vezes os olhos já estão voltados às festas de fim de ano, aos encerramentos, às comemorações e ao planejamento do próximo ano que iniciará. Mas, este último mês do ano é uma oportunidade para refletir e avaliar o ano que tivemos: onde falhamos, qual área da nossa vida deixamos de lado, como foi a nossa vinculação a Deus e se crescemos no amor a Ele e em nosso caminho de santidade. É um tempo propício para avaliar e renovar o ardor, a fim de começar o próximo ano com novo vigor.

Como percebo a atuação de Deus em minha vida?

Voltar o olhar para a nossa jornada é uma prática fundamental na espiritualidade. Não para nos culparmos, mas sim para agir com humildade e fazer um reconhecimento sincero. A revisão começa pela vinculação a Deus: Como se manteve nossa vinculação a Deus? Será que a rotina, o cansaço ou as incessantes preocupações conseguiram esmaecer o fervor da oração diária e a busca pela santidade?

Da mesma forma podemos refletir: Em que medida o ideal de santidade, que este Ano Jubilar reacendeu, se concretizou em atos de paciência, caridade, ordem e fidelidade aos pequenos deveres? Qual foi o “talento” que, por receio ou preguiça, deixamos de investir e desenvolver?

“Com a mão no pulso do tempo e ouvido no coração de Deus”

No entanto, a reflexão mais profunda deve ser aquela que se concentra na atuação de Deus em nossa história. É um convite a fazer uma leitura de fé de toda a trajetória do ano, reconhecendo que o que parecia fracasso pode ter sido a “poda” necessária para um crescimento mais robusto, e que o sofrimento inesperado pode ter-se revelado a escola da entrega e da confiança. Assim como nosso Pai e Fundador, Pe. José Kentenich, devemos estar “Com a mão no pulso do tempo e o ouvido no coração de Deus” e nos perguntar: O que nos Deus sussurrava através de cada acontecimento? As alegrias e os sucessos vieram como dons a serem partilhados e agradecidos? As dificuldades e as dores foram instrumentos de fortalecimento?

Acima de tudo, um novo sim aos planos de Deus Pai

Essa atitude de profunda gratidão e aceitação transforma essa reflexão em um verdadeiro Capital de Graças. Ao reconhecermos o amor com que Deus conduziu esse ano, renovamos o nosso sim incondicional para o futuro, abraçando a serena certeza de que “o Pai tem o leme nas mãos, embora eu desconheça o destino e a rota.” (Rumo ao Céu, 399). Que este último mês seja, pois, um tempo de reparação e de renovação da Aliança.