Neste segundo domingo do Tempo Comum (pois festa do Batismo de Jesus já foi o 1º), o evangelho nos apresenta o primeiro milagre de Jesus, nas Bodas de Caná. Um trecho das escrituras muito rico em significado, também para a espiritulidade de Schoenstatt.

 

Enchei as talhas de água!

A espiritualidade do Movimento de Schoenstatt é uma espiritualidade de aliança, pois o seu centro de vida é a Aliança de Amor com Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt. 

Uma aliança, por si, exige reciprocidade, ou seja, as partes envolvidas têm direitos e deveres. Este caráter de compromisso recíproco, em Schoenstatt, se expressa no lema dirigido à Mãe de Deus e a nós: ‘Nada sem vós, nada sem nós’. 

A Mãe de Deus se compromete a acompanhar seus filhos com sua materna intercessão a partir dos seus Santuários de Schoenstatt, implorando para eles todas as graças que necessitam no seu caminho de santidade. Os schoenstateanos, de sua parte, se comprometem a colocar nas mãos da Mãe e Rainha, no Santuário, o esforço consciente de viver com fidelidade a sua aliança batismal (vida de oração, fiel cumprimento do dever caridade fraterna…). Essas ofertas são chamadas de ‘contribuições para o Capital de Graças’. O acontecimento das bodas de Caná é um estímulo a om fidelidade essa cooperação com a Mãe e Rainha de Schoenstatt, no seu Santuário. Quando, orientados pela Mãe de Deus, os serventes foram até Jesus, Ele não realizou logo o milagre, o que poderia ter feito sem dificuldades. Ele é Deus e pode tudo. Jesus, porém, ordenou aos serventes: “Enchei as talhas de água” (Jo 2, 7), e o evangelista testemunha que eles as eram até às bordas. 

 

Jesus nos pede: “Enchei as talhas de água!”

Jesus Cristo já nos mereceu todas as graças de que nós precisamos pela sua encarnação, morte e ressurreição. Mas, dizia Santo Agostinho, ‘Deus que nos criou sem nós, não quer salvar-nos sem a nossa cooperação’. Então Ele nos pede: “Enchei as talhas de água”. Que água? Nossas alegrias e tristezas, sucessos e fracassos, propósitos e desânimos, especialmente, o esforço consciente na própria educação e santificação. 

“Enchei as talhas de água”. Só Deus mesmo pode fazer algo de bom de nossas míseras contribuições. Ele que poderia fazer tudo sem nós, quer precisar de nossa cooperação, como precisou da pobre Serva de Nazaré. 

 

 A Ânfora no Santuário

“Enchei as talhas de água”. Este lema estimulou os schoenstateanos a colocarem ‘ânforas’ nos Santuários de Schoenstatt, em que são recolhidos milhares de bilhetinhos, nos quais os devotos da Mãe e Rainha de Schoenstatt escrevem as suas contribuições para o Capital de Graças. Também muitas famílias costumam ter sua própria ânfora onde diariamente, jovens, adultos e crianças fazem suas ofertas para a Mãe de Deus. E em cada dia 18, o Dia da Aliança, junto aos Santuários e também nas paróquias, os bilhetes são queimados, símbolo da entrega dos filhos, elevada a Deus em oração. 

Em Schoenstatt tem-se a convicção de que, se ninguém mais ofertar as contribuições para o Capital de Graças, a Mãe de Deus deixa de atuar no Santuário. Essa convicção nasce do caráter recíproco de toda aliança: se uma das partes não cumpre o contrato, a outra fica desobrigada dos deveres assumidos. O que, à primeira vista, pode parecer uma relação comercial com Deus, na verdade, é uma relação de amor e confiança. Afinal, a Mãe Três Vezes Admirável, de certa forma, faz-se dependente da cooperação dos seus filhos. Assim como Jesus nas bodas de Caná ao pedir aos serventes: “Enchei as talhas de água”. 

 

Fonte: Na Escola de Maria – Imagem Bíblica de Nossa Senhora, p. 96-98. 

Fotos: wikimedia.com e Schoenstatt Londrina