
Ontem, 30 de janeiro, diversas pessoas da Família de Schoenstatt de Santa Maria recordaram que há cinco anos anos, de uma forma repentina, faleceu Manfred Worlitschek, dos Irmãos de Maria de Schoenstatt. Seu coirmão, Jorge Helfer, organizou um belo texto o Sr Manfred, para ajudar que sua memória continue viva entre nós.
Manfred Ronald Worlitschek. O sobrenome é de origem tcheca. Não sabemos, mas provavelmente é de sua mãe. Do pouco que sabemos da sua infância, resumiu-se em desajuste social, tornou-se órfão muito cedo, rejeitado. Viu seu pai uma vez só na vida, quando ainda era criança. Assim não teve um pai presente, comprometido, responsável e com isto a criança estava marcada por uma carência de amor, segurança e compromisso.
O Manfred soube cedo resignar-se, avançar, aprimorar seus dons de mansidão, bondade, esperança e fé. Decidiu-se para a profissão de construtor de órgãos de tubo e fez a aprendizagem. Depois de sua formatura foi para o serviço militar no exército alemão, especializou-se como paraquedista e fez curso de oficial do exército. Depois disso trabalhou mais ou menos 5 anos como empregado numa empresa de órgãos de tubo.
Nesta época conheceu mais profundamente o Movimento de Schoenstatt, decidiu-se para ser Irmão de Maria e fez sua formação em Schoenstatt. Isto foi mais ou menos na mesma época, 1984, quando Paulo Tochetto de Oliveira fez sua formação de Irmão de Maria em Santa Maria.
Durante a construção do Santuário Puer et Pater (1985) em Itaara, decidiu-se para Brasil e foi enviado para Santa Maria. Na Marcenaria, já existente, começou a construir órgãos de tubo e além disso trabalhou no Movimento de Schoenstatt com grupos de jovens.
Deixou uma lacuna como profissional, irmão, amigo e de amor incondicional. Sabia ler o coração do próximo, esforçado no respeito às individualidades e apoiador dos anseios dos outros. Sua bondade desinteressada aos outros foi maioral. Nunca pude perceber orgulho, mágoa ou rancor. Artífice do perdão, e da reconciliação com Deus por, não sei quais limitações, confessava se com frequência e percebia-se uma verdadeira alegria.
Em torno do seu falecimento falou-se muito pela vida que assumiu: abnegado ao trabalho, exímio profissional, Irmão de Maria, filho da Mãe e Rainha de Schoenstatt. Sim, com todo seu ser amou e sentiu-se amado pelas mães que lhe adotaram, a do orfanato e a Celestial, a Rainha do seu coração.
Foi o homem que protagonizou um jeito de viver simples, dedicado, amoroso e sobrenatural. Compreendeu sem ser compreendido, usando genialidade sendo ingênuo, artífice do bem querer.
Se para ir ao céu, é preciso viver com um coração de criança, eis a arte que marcou sua trajetória de vida. Foi atlético, incansável no serviço a juventude Masculina de Schoenstatt.
Sua bondade nos pequenos detalhes de um bilhete de Natal, num elogio com sabor de brincadeira eram singulares genialidades de um coração nobre. Alcançou os méritos que só no céu, na eterna União ao Pai Celestial serão saboreados e recompensados.
Que a bondade deste coração nobre, faça-nos crer na eterna morada junto aos homens da paz. Descanse em paz Manfredo.
Herói por heroísmo, carente por amor, vitorioso pelo ser.
P. HELFER
