Na véspera do primeiro Dia da Aliança de 2025, Ano Santo e ano dos 75 anos da Campanha da Mãe Peregrina, Deus chamou para junto de si, na idade de quase 88 anos, a Ir. M. Cacilda Sônego. Essa notícia surpreendeu as suas coirmãs, pois apesar das limitações de saúde que a prenderam a um leito de enferma nos últimos anos, até o dia anterior ao seu falecimento, Ir. M. Cacilda não apresentava sinais de que a sua caminhada de vida estava chegando ao fim, vida essa, feita oferta à Mãe e Rainha, como dádiva da Aliança de Amor.
Ir. M. Cacilda nasceu a 9 de fevereiro de 1937, na Colônia Borges, Município de Restinga Seca, Arquidiocese de Santa Maria/RS. Como era costume nas famílias da época, ajudava desde criança nos afazeres da casa e da lavoura. Recebeu uma boa educação nas verdades da fé e já como adolescente manifestou o desejo de consagrar sua vida a Deus. Aos 20 anos chegou a Santa Maria para realizar esse desejo. Dois anos mais tarde, com suas Irmãs de curso ingressou no Instituto das Irmãs de Maria de Schoenstatt e consagrou-se à Mãe de Deus, a grande Discípula do Senhor.

47 anos na enfermagem

A maior parte de sua vida, Ir. M. Cacilda atuou na enfermagem: em Londrina e Ribeirão Claro/Paraná; em Santa Maria, Santa Cruz do Sul, Santa Vitória do Palmar e em Caxias do Sul/Rio Grande do Sul. Certa vez, numa entrevista, ela disse: “Eu gosto muito da enfermagem, de cuidar do paciente como um todo. Não apenas a parte física, mas também a parte espiritual. Muitos diziam: a gente sente a diferença quando são vocês que atendem. Mas a religiosa tem de ser mais dedicada.” – “Para nós, o paciente sempre foi o mesmo, pobre ou rico. É preciso cuidar dele da mesma forma. E eu gostava de cuidar das pessoas que estão ali, indefesas, dependendo da gente. Sempre dizia para as funcionárias: ‘Vocês têm de cuidar deles como vocês gostariam de ser tratadas, como se estivessem no lugar deles. As pessoas precisam de atenção.’ Às vezes eu encontrava uma pessoa e ela dizia: ‘Irmã, a senhora cuidou de mim’. Eu ficava orgulhosa em ouvir isso”.
As Irmãs também ajudavam na paróquia, a catedral de Caxias do Sul. Durante alguns anos, o atual Arcebispo de Santa Maria, Dom Leomar Brustolin, foi pároco da Catedral e estimava muito a Irmã M. Cacilda. Dom Leomar admirava nela o espírito apostólico e sacrifical. Certa vez, durante uma semana missionária, um grupo de pessoas visitou as casas das famílias e Ir. M. Cacilda ao acessar uma escada se machucou. Foi fazer exames, mas logo a seguir voltou para continuar o trabalho e não deixou perceber a dor que sentia. Estava sempre pronta a ajudar quando podia.

Servir a Schoenstatt na saúde e na doença

Ao despedir-se da sua querida profissão, Ir. M. Cacilda dedicou-se com alegria à Obra de Schoenstatt em Santa Maria: no Centro Mariano (casa do Movimento de Schoenstatt), junto ao Santuário Tabor e na Casa Provincial. Uma alegria especial para ela foi pertencer, mesmo que por pouco tempo, à filial das Irmãs Adoradoras. Sentia-se feliz porque neste tempo, como fiel discípula do Senhor, podia passar mais tempo junto do seu Mestre, oculto no Santíssimo Sacramento. Já na filial das Irmãs idosas, os últimos anos de sua vida foram de uma contínua oferta para o Capital de Graças, pois já não conseguia caminhar. Esta situação, porém, não lhe tirou a alegria, seu sorriso e seu espírito de oração.
Que sua vida seja penhor por muitas vocações para a Igreja e para a Obra de Schoenstatt que, como ela, queiram seguir os passos do Mestre.

 

Foto: Jean Pimentel / Agência RBS