Faça-se Maria!

Faça-se Maria!

Ir. M. Hortêncya Gomes Cintra – Com alegria, recordamos hoje, com toda a Santa Igreja, a Natividade de Maria. Nessa festa, contemplamos Maria como sendo a aurora que anuncia o Sol de Justiça, que dissipa as trevas do pecado. Nela, a Igreja nos convida a contemplar uma menina como todas as outras e que, ao mesmo tempo, é única, pois Ela é a ‘bendita entre todas as mulheres’ (Lc 1,42), a Imaculada ‘Filha de Sião’ (Zc 9,9), destinada a tornar-se a Mãe do Filho de Deus.

Estava previsto, desde a eternidade, no plano de amor e sabedoria de Deus, que o Verbo Divino assumiria nossa natureza humana pela força do Espírito Santo, no seio virginal de Maria. Portanto, acreditamos que, também desde toda a eternidade, a Mãe do Filho Unigênito de Deus foi esperada, até que, na aurora de um novo tempo, Ele pronunciou sua palavra criadora: “Faça-se Maria!”

A Natividade de Maria é, pois, a aurora da redenção, pois o seu nascimento projeta uma luz nova sobre toda a humanidade: luz de inocência, de pureza e de graça, precursora da grande luz que inundará a terra quando aparecer Jesus, “luz do mundo” (Jo 8,12; 9,5). Assim, esta festa é um convite à alegria pela chegada da aurora da salvação e à recordação do dom gratuito que Deus concede a cada um de nós, como fez com Maria.

Na meditação deste grande dom, o Padre José Kentenich aplica a cada um de nós o chamado a ser como Maria, a tornar-se uma “altera Maria”. Na festa da Natividade, em 1935, ele afirmou: “Nós devemos irradiar o nascimento alegre de Maria, pois ela é para cada um de nós o arrebol da salvação.” Se pensarmos na grande missão que a querida Mãe de Deus realiza a partir de seus Santuários de Schoenstatt, podemos afirmar, com toda certeza: Maria quer, novamente, nascer em Schoenstatt, nascer em cada um de nós!

Foto: jubileu de 75 anos da CMPS

Temos, então, ante nossos olhos, a verdadeira beleza, o ideal da verdadeira dignidade humana. Com o seu nascimento, a Mãe de Deus deseja peregrinar em nós e por nós no nosso tempo. Em Maria, somos todos chamados a revelar a imagem de Cristo ao mundo.

Sabemos que necessitamos travar diariamente uma constante luta para enfrentar e vencer o “homem e a mulher velhos” que existem em nós e deixar que Maria, que traz em seus braços o Filho Divino, triunfe em nós. Quantas vezes fracassamos em nossa autoeducação, caímos em tentações, cedemos às paixões e aos instintos desordenados. Especialmente nesses momentos, ensina-nos o Padre Kentenich que devemos olhar para a Mãe de Deus, para suas virtudes, e suplicar-lhe, singela e filialmente: “Mãe, quem me dera ser como tu! Mãe, quem me dera ser tu!”

Com o nascimento de Maria, Deus Pai concede ao mundo uma luz de esperança: não estamos sozinhos; temos alguém em quem podemos nos espelhar em nosso caminho de santidade.

Que, neste dia da Natividade de Maria, nosso anseio pela santidade atraia o olhar complacente de Deus Pai sobre nós e o faça pronunciar novamente sua palavra criadora: “Faça-se Maria!”