Transfiguração do Senhor: uma inspiração para Schoenstatt desde a fundação

Debora Dalegrave / Ir. M. Eliane da Costa Cunha – No dia 6 de agosto, a Igreja celebra em sua liturgia a festa da Transfiguração do Senhor, pela qual Jesus é revelado como o Filho muito amado de Deus Pai no alto do monte Tabor (Lc 9, 28-36). Para a Família de Schoenstatt do Brasil, essa data é ainda mais especial, uma vez que o nosso Pai e Fundador, Pe. José Kentenich, nos presenteou o Ideal Tabor, no ano de 1947. Fato que celebramos, neste ano, os 75 anos.

Estamos cientes que a ideia do Tabor, em Schoenstatt, se revelou desde o início, a partir do Documento de Fundação, em 18 de outubro de 1914, quando nosso Pai e Fundador disse:

“Ao contemplar as magnificências divinas no monte Tabor, Pedro exclamou encantado: “Aqui é bom estar! Façamos três tendas” (Mc. 9,5). Estas palavras sempre me voltam à memória e frequentes vezes me perguntei: Não seria possível que a Capelinha de nossa Congregação se tornasse nosso Tabor, no qual se manifestem as magnificências de Maria? Sem dúvida, maior ação apostólica não podemos realizar, herança mais preciosa não podemos legar aos nossos sucessores do que mover nossa Senhora e Rainha a estabelecer aqui, de modo especial, o seu trono, distribuir seus tesouros e realizar milagres da graça. Pressentis o que viso: gostaria de transformar este lugar, num lugar de romarias […]. Todos os que aqui chegarem para rezar, terão de experimentar as magnificências de Maria e confessar: Aqui é bom estar! Aqui queremos construir tendas! Este será o nosso lugarzinho predileto! Esta ideia é ousada, quase ousada demais para o público em geral, mas não para vós”. (Documento de Fundação, 1914).

Diante disso, nós, schoenstattianos, temos a oportunidade, ao entrar em contato com o Santuário, de nos tornarmos semelhantes a Cristo. Isso é nosso ideal, forma e fundamento de vida, se o amarmos de todo o coração e, assim, conhecermos o plano de Deus, o seu ideal a nosso respeito.

Neste sentido, sermos “Tabor” significa deixar fluir a vontade de Deus em nossas vidas, ou seja, resplandecendo nossos valores, qualidades e talentos, os quais nos foram presenteados; esta ideia está ligada à segunda exigência da Aliança de Amor: “Essa santificação eu exijo de vós”. Por ela colaboramos com a graça divina, com o dom do amor de Deus, que recebemos no Batismo.

Revelarmos o Tabor é darmos o nosso testemunho neste mundo que tem vínculos tão frágeis, que mantém mais os olhos em uma tela de celular do que nos olhos daqueles que convivem realmente no dia a dia. Se conseguirmos fazer a diferença por onde passarmos e as pessoas puderem dizer: “como é bom estar na sua presença, você transmite algo diferente, especial”, parafraseando a expressão: “Aqui é bom estar”, ou seja, “contigo é bom estar”, estaremos dando a nossa contribuição, mesmo que pareça pequena, para que “o Brasil e todas as regiões de língua portuguesa se tornem um Tabor”, como profetizou nosso Pai e Fundador.

O Papa Francisco reafirma o pensamento de nosso Pai, do Tabor de Cristo e Maria com essas palavras:

Na Transfiguração ouve-se a voz do Pai, que diz: «Este é o meu Filho muito amado. Ouvi-o!» (v. 5). Olhemos para Maria, a Virgem da escuta, sempre pronta para acolher e guardar no coração cada palavra do Filho divino (cf. Lc 1, 51). Queira a nossa Mãe e Mãe de Deus ajudar-nos a entrar em sintonia com a Palavra de Deus, de modo que Cristo se torne luz e guia de toda a nossa vida(Angelus, 6.08.2017).

Somos Tabor desde o início, celebrando a festa litúrgica, deixemos que a atmosfera da transfiguração inunde o nosso coração, dando-nos uma vivência antecipada do céu e luz para os calvários que se apresentarem em nosso dia a dia.

Foto: Imagem sobre a cúpula da igreja do Monte Tabor

João Pozzobon: um missionário do Tabor

Ir. M. Rosequiel Fávero – Neste mês de abril, a Família de Schoenstatt do Brasil inicia o ano preparatório ao jubileu de 75 anos da proclamação do “Tabor” como o ideal e missão do Movimento de Schoenstatt no Brasil.

João Luiz Pozzobon foi um membro ativo do Movimento de Schoenstatt e, como tal, vivenciou o processo de reconhecimento do ideal Tabor, nos anos que antecederam à celebração dos 100 anos de nascimento do Fundador, Pe. José Kentenich, em 1985. A definição do ideal Tabor foi o presente que a Família de Schoenstatt brasileira ofereceu para esta grande festa.

Deus chamou João Pozzobon para junto de si no ano do centenário de nascimento do Pe. Kentenich, em 27 de junho de 1985. Ele já tinha até a passagem para viajar a Schoenstatt e Roma em setembro daquele ano, para a grande celebração internacional. Ele (Pozzobon) vivia intensamente o espírito destas celebrações, por isso não se estranha que tenha desejado, para sua missa de corpo presente, que fosse utilizada a liturgia da festa de transfiguração do Senhor (celebrada em 6 de agosto).

 

Que relação podemos fazer entre a atuação de João Pozzobon e o acontecimento da transfiguração de Jesus no Monte Tabor?

A experiência vivida pelos três apóstolos: Pedro, Tiago e João, que acompanharam Jesus ao Monte Tabor, foi única! O evangelho testemunha que o rosto e as vestes de Jesus brilhavam e que era tudo tão lindo que Pedro exclamou: “Senhor, é bom estarmos aqui!” (Mt, 17,4)

João Pozzobon viveu esta experiência no Santuário Tabor, no “colo” da Mãe e Rainha, para onde peregrinava diariamente, seja de forma física, seja de forma espiritual. E, a partir do Santuário, levou esta experiência para todos os lugares por onde andava. Ele mesmo afirmou: “Mãe e Rainha Três Vezes Admirável, sempre quero estar vinculado ao teu Santuário… Para mim, tudo é um Santuário, seja rezando, seja trabalhando, seja viajando, enfim, tudo” (Herói Hoje não amanhã, p. 54).

Os apóstolos precisaram subir um monte, com Jesus. E João Pozzobon “subia o monte” no caminho ao Santuário. Diariamente, caminhava cerca de um quilômetro até o Santuário. Tinha um “rito” para a chegada: subia as escadarias e, diante do Santuário, se ajoelhava e beijava o chão, pois esta era uma “terra sagrada”. Ali, de joelhos, entregava para a Mãe e Rainha suas contribuições para o Capital de Graças das últimas 24 horas. Como ele mesmo se expressava, entregando tudo para ela, se abria para as graças que a Mãe lhe daria neste dia.

Muitas vezes, os teólogos relacionam a experiência dos apóstolos no Tabor com a de Moisés, quando “conversava” com Deus. A Sagrada Escritura narra que esta experiência fazia com que o rosto de Moisés resplandecesse de luz, assim que, para esconder este fenômeno, ele usava um véu (cf Ex 34, 35). João Pozzobon não tinha um rosto “brilhante”, mas emanava dele algo especial. Muito embora nem soubesse falar direito com eloquência ou formalidade, todos o escutavam: professores e alunos, pobres e ricos, adultos, jovens e crianças, acadêmicos e iletrados. Assim, os que hoje estudam sua vida se perguntam: o que tinha este homem tão simples, quase analfabeto, para cativar as pessoas desta forma?

Os apóstolos, embora quisessem ter “montado tendas” no Tabor, precisaram descer o monte com Jesus e enfrentar o caminho até o Calvário. João Pozzobon “subia o Tabor” todos os dias, peregrinando ao Santuário. Também “descia o monte”, para levar a Mãe e Rainha a muitas pessoas.

Podemos afirmar que, com a Mãe Peregrina nos ombros, João Pozzobon se tornou um “missionário do Tabor”, ajudando para que – com a presença de Jesus e Maria – muitas pessoas também pudessem fazer a experiência dos apóstolos no Monte Tabor. A mesma missão que têm os milhares de missionários e missionárias da Mãe Peregrina hoje, que cooperam para que em cada casa onde sua imagem peregrina entra, todos possam exclamar: “Mãe, como é bom estarmos aqui, contigo e com teu Filho Jesus”!

 

Foto: painel do Congresso do Centenário de Nascimento de João Luiz Pozzobon (Ir M Nanci Meister)

 

20 de abril: definição do Ideal Tabor

Pe. Deilton de Souza – Querida Família de Schoenstatt, o dia de ontem trouxe a nossa memória as magnificências que Deus realiza na nossa história: a definição do Ideal Tabor!

Este tempo pascal é a melhor ocasião para recordar o nosso Ideal TABOR, o ideal do Schoenstatt brasileiro, pois vêm a iluminar e aprofundar o mistério da nossa Aliança de Amor.

Algo semelhante ocorre entre a vitoriosidade de Cristo e a vitoriosidade da Mãe de Deus na nossa história de Família. A Mãe de Deus, “em atenção aos méritos de seu Filho, e unida a Ele por um vínculo estreito e indissolúvel, foi enriquecida com a excelsa missão e dignidade de Mãe de Deus Filho” (Constituição Dogmática sobre a Igreja, Lumen Gentium, n.53). Por conseguinte, pela Aliança de Amor, a Mãe Três Vezes Admirável de Schoenstatt guia-nos a experimentar o Tabor como um acontecimento de transformação em Cristo. Maria, nossa Mãe e Mãe da Igreja, é a portadora de Cristo por excelência. Em Cristo, Ela quer revelar suas magnificências, a partir dos nossos Santuários, a todo o mundo.

No âmbito da primeira visita do Pe. José Kentenich ao Brasil, em 20 de abril de 1947, há exatos 73 anos, juntamente com a entronização da Mãe de Deus na Catedral de Londrina/PR, estabeleceu-se nosso Ideal Tabor. Para o nosso Pai e Fundador, Pe. José Kentenich, esse acontecimento significou para a história da nossa Família brasileira “um novo Documento de Fundação”, o qual expressa que a Mãe de Deus quer revelar aqui suas glórias. Quais são, pois, os grandes desafios contidos nesse excelso ideal?

“A Mãe de Deus quer revelar aqui suas glórias. Sua glória consiste em fazer com que Cristo possa subir novamente ao trono. Precisam acontecer milagres de transformação, precisamos nos transformar em milagres vivos”, afirma nosso Pai e Fundador.

Em efeito, a experiência da vitoriosidade de Maria nos leva a experimentar o Tabor onde Cristo manifestou-se de forma fulgurante sua glória (cf. Mc 9,2-10; Mt 17,1-9; Lc 9,28-36). Em cada Santuário, lugar onde é bom estar, se renova e se experimenta as magnificências de Maria. No Santuário examinamos e discernimos o que a Mãe de Deus quer de nós. Move-nos a transfigurarmos, a recriarmos, a nos educarmos em Cristo. A partir do Santuário Maria “procura conquistar herdeiros da transfiguração” (Rumo ao Céu, n.620).

A vitoriosidade da Mãe de Deus, expressão da sua missão na concreção do plano salvífico de Deus, “de modo algum ofusca ou diminui” a “única mediação de Cristo” (Constituição Dogmática sobre a Igreja, Lumen Gentium, n.60), pois as “glórias” de Maria, nos unem e nos assemelham à Cristo, seu Filho.

Cabe sinalizar que a experiência do Tabor é para nós motivo de anuncio da rica e profunda manifestação da Luz divina que nos impele a abrir novos caminhos ao plano de Deus. Este compromisso segue sendo para nós um desafio permanente, pois o Tabor quer ser um acontecimento que transforme nossa pátria numa verdadeira Terra Mariana, onde a Luz de Cristo resplandeça e sua glória permaneça entre nós.

Esse desafio trouxe até nós a presença de nosso Pai e Fundador ao Brasil. Ele não hesitou em anunciar, de imediato, esta missão. Para ele, vir ao Brasil significou transmitir e assumir o ideal do Tabor como resposta aos desafios do tempo. Neste sentido, o Brasil inteiro deve tornar-se um Tabor, um Schoenstatt vivo! “O mundo inteiro precisa tornar-se mariano, aberto para Deus, configurado à imagem de Cristo”, ou seja, si “contemplamos a Jesus no Tabor, contemplamos a Mãe de Deus e contemplamos a nós, contemplamos nossa glória comum no Tabor”, afirmou o Pe. Kentenich dias antes de nos presentear o ideal Tabor.

À luz da Fé prática na Divina Providência, o Pe. José Kentenich nos traz uma visão profética da filialidade heroica, baseada na experiência de ser filho e filha diante de Deus, de filhos e filhas bem-amados do Pai.

Portanto, tal experiência reflete uma profunda vivência de confiança filial à Mãe de Deus na Aliança de Amor. Logo, essa filialidade heróica vivida significa participar da vida transfigurada de Jesus, nosso Senhor. Hoje somos nós os herdeiros dessa missão. “Nosso Tabor deve irradiar as glórias da Mãe de Deus. Em que consiste a perfeita glória da Mãe de Deus? Como está Ela em nossa frente? Ela é a grande Mulher cristiforme e cristiformante, a Mulher do Sol, revestida do Sol” (Herança do Tabor I, pág. 73), afirma o Pe. Kentenich.

Que em nossa terra de Schoenstatt, “o prado de sol no brilho do Tabor”, irrompa um novo tempo para a Mãe de Deus e para nós como outrora!

Foto: Ir. M. Rosequiel Fávero

Fonte: schoenstatt.org.br

20 de abril: O Brasil ganha um Ideal

Pe. Deilton de Souza – Querida Família de Schoenstatt, hoje fazemos memória as magnificências que Deus realiza na nossa história como Família neste dia de júbilo no Cristo e Senhor ressuscitado!

Os mistérios pascais da vida de Cristo são a melhor ocasião para recordar o nosso Ideal TABOR, o ideal do Schoenstatt brasileiro, pois vêm a iluminar e aprofundar o mistério da nossa Aliança de Amor.

Algo semelhante ocorre entre a vitoriosidade de Cristo e a vitoriosidade da Mãe de Deus na nossa história de Família. A Mãe de Deus, “em atenção aos méritos de seu Filho, e unida a Ele por um vínculo estreito e indissolúvel, foi enriquecida com a excelsa missão e dignidade de Mãe de Deus Filho” (Constituição Dogmática sobre a Igreja, Lumen Gentium, n.53). Por conseguinte, pela Aliança de Amor, a Mãe Três Vezes Admirável de Schoenstatt guia-nos a experimentar o Tabor como um acontecimento de transformação em Cristo. Maria, nossa Mãe e Mãe da Igreja, é a portadora de Cristo por excelência. Em Cristo, Ela quer revelar suas magnificências, a partir dos nossos Santuários, a todo o mundo.

No marco da primeira visita do Pe. José Kentenich ao Brasil, num dia como hoje um 20 de abril de 1947, há exatos 72 anos, juntamente com a entronização da Mãe de Deus na Catedral de Londrina/PR, estabeleceu-se nosso Ideal Tabor. Para o nosso Pai e Fundador, Pe. José Kentenich, esse acontecimento significou para a história da nossa Família brasileira “um novo Documento de Fundação”, o qual expressa que a Mãe de Deus quer revelar aqui suas glórias. Quais são, pois, os grandes desafios contidos nesse excelso ideal?

“A Mãe de Deus quer revelar aqui suas glórias. Sua glória consiste em fazer com que Cristo possa subir novamente ao trono. Precisam acontecer milagres de transformação, precisamos nos transformar em milagres vivos”, afirma nosso Pai e Fundador.

Em efeito, a experiência da vitoriosidade de Maria nos leva a experimentar o Tabor onde Cristo manifestou-se de forma fulgurante sua glória (cf. Mc 9,2-10; Mt 17,1-9; Lc 9,28-36). Em cada Santuário, lugar onde é bom estar, se renova e se experimenta as magnificências de Maria. No Santuário examinamos e discernimos o que a Mãe de Deus quer de nós. Move-nos a transfigurarmos, a recriarmos, a nos educarmos em Cristo. A partir do Santuário Maria “procura conquistar herdeiros da transfiguração” (Rumo ao Céu, n.620).

A vitoriosidade da Mãe de Deus, expressão da sua missão na concreção do plano salvífico de Deus, “de modo algum ofusca ou diminui” a “única mediação de Cristo” (Constituição Dogmática sobre a Igreja, Lumen Gentium, n.60), pois as “glórias” de Maria, nos unem e nos assemelham à Cristo, seu Filho.

Cabe sinalizar que a experiência do Tabor é para nós motivo de anuncio da rica e profunda manifestação da Luz divina que nos impele a abrir novos caminhos ao plano de Deus. Este compromisso segue sendo para nós um desafio permanente, pois o Tabor quer ser um acontecimento que transforme nossa pátria numa verdadeira Terra Mariana, onde a Luz de Cristo resplandeça e sua glória permaneça entre nós.

Esse desafio trouxe até nós a presença de nosso Pai e Fundador ao Brasil. Ele não hesitou em anunciar, de imediato, esta missão. Para ele, vir ao Brasil significou transmitir e assumir o ideal do Tabor como resposta aos desafios do tempo. Neste sentido, o Brasil inteiro deve tornar-se um Tabor, um Schoenstatt vivo! “O mundo inteiro precisa tornar-se mariano, aberto para Deus, configurado à imagem de Cristo”, ou seja, si “contemplamos a Jesus no Tabor, contemplamos a Mãe de Deus e contemplamos a nós, contemplamos nossa glória comum no Tabor”, afirmou o Pe. Kentenich dias antes de nos presentear o ideal Tabor.

À luz da Fé prática na Divina Providência, o Pe. José Kentenich nos traz uma visão profética da filialidade heroica, baseada na experiência de ser filho e filha diante de Deus, de filhos e filhas bem-amados do Pai.

Portanto, tal experiência reflete uma profunda vivência de confiança filial à Mãe de Deus na Aliança de Amor. Logo, essa filialidade heróica vivida significa participar da vida transfigurada de Jesus, nosso Senhor. Hoje somos nós os herdeiros dessa missão. “Nosso Tabor deve irradiar as glórias da Mãe de Deus. Em que consiste a perfeita glória da Mãe de Deus? Como está Ela em nossa frente? Ela é a grande Mulher cristiforme e cristiformante, a Mulher do Sol, revestida do Sol” (Herança do Tabor I, pág. 73), afirma o Pe. Kentenich.

Temos uma grande responsabilidade pela frente. Estamos envoltos em pequenos raios de luzes que surgem do Tabor. Uma das vozes do tempo que moveu a alma do nosso Pai e Fundador foi, naqueles dias, a publicação da Constituição Apostólica Provida Mater Ecclesiae, do Papa Pio XII, promulgada no dia 02 de fevereiro de 1947. Dito documento eclesial regulamenta os Institutos Seculares na Igreja. Para a Obra de Schoenstatt esse documento é de suma importância, pois valida implicitamente nossa apostolicidade. Pois bem, no dia 25 de março deste ano, no Santuário mariano de Loreto, o Papa Francisco lança, aos jovens e a todo o povo de Deus, a Exortação Apostólica pós-sinodal Christus Vivit(Cristo Vive). Acaso, o Ideal Tabor não quer, nos tempos atuais, adquirir um rosto jovem? “Assim, com a presença d’Ela [da Mãe de Deus], nasceu uma Igreja jovem, com os seus Apóstolos em saída para fazer nascer um mundo novo (cf. At 2, 4-11)” (Christus Vivit, n.47). Assim, hoje somos chamados a transfigurar, a experimentar as magnificências de Maria no novo Tabor, o Tabor Jovem, “para que surjam homens novos, livres e fortes aqui na terra que, nas alegrias e dificuldades, procedam como Cristo… assim como a Mãe e Esposa o fez outrora, em sua vida” (Rumo ao Céu, nn.617-618).

Que em nossa terra de Schoenstatt, “o prado de sol no brilho do Tabor”, irrompa um novo tempo para a Mãe de Deus e para nós como outrora! Feliz Páscoa!

Foto: Ir. M. Rosequiel Fávero

Fonte: schoenstatt.org.br

Subamos nós também ao Tabor

Karen Bueno – “Subamos nós também ao monte da Transfiguração e paremos para contemplar o rosto de Jesus, para colher a mensagem e traduzi-la em nossa vida, para que nós também possamos ser transfigurados pelo Amor”: Esse conselho é dado pelo Papa Francisco na oração do Angelus (01.03.2015) e diz muito à Família de Schoenstatt do Brasil, no contexto de seu ideal nacional.

Na preparação para a Páscoa, vejamos o que o Pai e Fundador, Pe. José Kentenich, diz sobre a imagem de Cristo no Tabor. Ele aponta algumas características dessa imagem, que merecem ser aplicadas à vida de Aliança:

– Mobilidade: “Como se apresenta o corpo de Jesus? Em primeiro lugar é dotado de mobilidade. Na Sagrada Escritura lemos como ele aparece de repente e depois desaparece. O brilho do Tabor deve conferir mobilidade à nossa alma”.
Se fossemos adaptar essas palavras do Pai e Fundador para uma linguagem mais próxima, certamente poderia se falar em uma “alma em saída”. A mobilidade é o caminho missionário, de ir ao encontro do outro, das suas necessidades, nos mais variados locais.

– Maleabilidade: “… a cera é fluida. Os místicos nos dizem que o mesmo acontece com a alma em estado de graça. Ela se torna maleável como cera, aceita qualquer forma que Deus queira gravar nela”.
Deixar-se e moldar pelas mãos do Pai e da Mãe e Educadora é traço essencial numa personalidade filial. Cumprir a exigência que diz “Essa santificação eu exijo de vós” passa necessariamente pelo deixar-se moldar. Essa é uma característica central do filho heroico, do filho muito amado.

– Afetos profundos: “…na alma fluem afetos profundos. Ela não precisa esforçar-se muito para aproximar-se de Deus. Ninguém ama a Deus como a alma transfigurada. Mas ela não flui apenas ao encontro de Deus, flui também ao encontro do próximo”.
Há uma ligação íntima, pessoal e filial com o Bom Deus, assim como Jesus revela no Tabor. A alma transfigurada busca Deus na vida diária, em todos os momentos e, com o tempo, essa ligação se torna natural, um impulso próprio da alma. Isso vale também para o próximo, para os irmãos, na vinculação mútua: um no outro, um com o outro, um para o outro, juntos no coração de Deus.

Viver o ideal Tabor, segundo o Pai e Fundador, é também buscar esses traços da imagem de Cristo no Tabor, pois “os atributos do corpo transfigurado de Jesus devem ser, já agora, os atributos de nossa alma. Portanto, já agora está inserido, em nossa alma, um germe da vida transfigurada de Jesus, que quer se desenvolver plena e totalmente”.

 

Referências
Pe. José Kentenich. Tabor Nossa Missão – Col. Brasil Tabor 1
Conferências de Londrina/PR, 16 de abril de 1947 e Santa Maria, 2 de setembro de 1947.

Fonte: schoenstatt.org.br