Santuários sob bandeira preta no Rio Grande do Sul

Karen Bueno – Pela primeira vez, desde o início da pandemia, todo o estado do Rio Grande do Sul foi classificado em bandeira preta, devido ao agravamento do número de casos. A medida começou a valer no último sábado, dia 27 de fevereiro, e todas as regiões tiveram de se adaptar aos protocolos determinados pelo governo do estado. A Família de Schoenstatt nos conta como estão vivendo este período a partir de alguns Santuários Filiais:

 

Tabor Maria Cor Ecclesiae

Na capital do Rio Grande do Sul, os meios de comunicação tornaram-se, mais uma vez, os protagonistas: “O Movimento de Schoenstatt da Arquidiocese de Porto Alegre, seguindo todas as orientações do arcebispo metropolitano, também precisou passar por reformulações e restrições. Schoenstatt, em sua singularidade, reforçou suas orações em Família nos Santuários Lares e possibilitou, por meio da tecnologia, momentos de muita integração nas transmissões diárias de terço, santas missas, reflexões, depoimentos e palestras virtuais”, conta a presidente do Conselho local, Cristina Jaenish Rosa.

O isolamento, no entanto, não impediu a vinculação: “A distância do Santuário, das missas presenciais, dos amigos, das assessoras, dos encontros na Casa Tabor, das inúmeras confraternizações, dos grupos de estudo nos mostram a necessidade da confiança e da entrega ao bom Deus. Precisamos fortalecer nossa fé, confiar na Divina Providência e oferecer todo sacrifício ao Capital de Graças. As amizades verdadeiras foram ainda mais fortalecidas e a entrega de muitas pessoas possibilitou que o Movimento continuasse vivo e pulsante, trazendo conforto e abrigo espiritual para muitas pessoas que necessitam de auxílio”.

 

Tabor Porta do Céu

Em Frederico Westphalen, uma das preocupações é a manutenção física do Centro de Schoenstatt: “O que nos está prejudicando realmente é manter a parte física do Santuário, porque toda casa tem despesas e ali não é diferente. Mesmo não tendo visitação, a gente mantém os guardiões, porque é uma propriedade razoavelmente grande. A gente tem um pequeno bazar que nos ajuda nas despesas, mas, sem visitação, não temos venda alguma”, conta César Augusto Mendes, presidente da Sociedade Mariana de Schoenstatt, o órgão que cuida das finanças do Santuário.

E, mesmo com a bandeira preta, diz ele, “as pessoas ainda vêm buscar o aconchego do lar na casa da Mãe de Deus. E a Mãe acolhe a todos. A gente não obriga as pessoas a irem embora, mas orientamos para não permanecerem muito tempo no local”.

Já a Família de Schoenstatt se reveza em pequenos grupos para transmissão: “O Santuário hoje está fechado para peregrinos, mas em determinadas situações a gente mantém ele aberto. Abrimos para grupos como o Terço dos Homens, a Liga de Famílias, a Juventude, uma vez por semana, em grupo reduzido, para fazerem transmissões de dentro do Santuário. Então, a vinculação continua. As pessoas também mantem essa vinculação à Mãe de Deus por meio do Santuário Lar. Seguimos vinculados à Maria, ao Santuário, vinculados ao Pai e Fundador, para que tenhamos força e dignidade, coragem e sabedoria para superar essas dificuldades”, diz o César.

 

Santuário Tabor

Em Santa Maria, o Santuário está também com portas fechadas, mas a Família de Schoenstatt recebeu algumas sugestões sobre como visitá-lo espiritualmente. Partilhamos essas sugestões aqui, para todos do Brasil que também não podem visitar os Santuários presencialmente neste momento:

“Podemos visitar sempre o Santuário espiritualmente! Diante de um quadro da Mãe e Rainha, da sua imagem peregrina, até diante de uma medalha (nos ensinava o Fundador do Movimento de Schoenstatt, Pe. José Kentenich), podemos concentrar-nos, silenciar o coração e nos colocarmos diante do altar da Mãe e Rainha no Santuário. Muitas pessoas dizem que se imaginam entrando no pátio do Santuário, subindo as escadas, abrindo a porta… Até tem um lugar fixo para ‘ajoelhar’ e rezar junto da Mãe. O importante é a real intenção com que alguém peregrina ao Santuário.
As mídias sociais (Youtube e Facebook) também podem nos ajudar a peregrinar. E é possível escrever diariamente para as Irmãs Adoradoras, confiando a elas nossas intenções de oração”. (santuariotabor.org.br)

 

Para enviar suas intenções de oração: clique aqui

Fonte: schoenstatt.org.br

Como é feito o quadro da Ave Maria?

 

Karen Bueno – Um primeiro olhar não revela a riqueza de detalhes que há no quadro sobre o arco do Santuário. A saudação à Maria feita pelo Anjo Gabriel – Ave Maria – está expressa nos Santuários de Schoenstatt de maneira singela, porém, com uma grande riqueza histórica e artística.

Em 2015 completaram-se 100 anos dessa peça que adorna e saúda Nossa Senhora e que alegrou muito o Pai e Fundador, pois demonstrava o amor que os jovens dedicavam à capelinha recém-fundada no Vale de Schoenstatt. O quadro Ave Maria completa seu centenário quase que junto com a imagem da Mãe Três Vezes Admirável, já que foram entronizados na mesma época no Santuário Original.

Em maio de 1915, Pe. Kentenich escreve para um congregado que estava fora:

“No pouco tempo em que estiveste fora, a nossa pequena capela tem mudado de aspecto. O São Miguel teve de ceder o lugar a uma linda imagem de Nossa Senhora com o Menino, um presente do Padre Huggle. Foi-lhe dado [ao São Miguel] um pedestal do lado esquerdo do altar, onde reina como guardião do Santíssimo Sacramento. No arco principal do Santuário foi colocado um magnífico bordado que diz ‘Ave Maria’. O Irmão Franz fê-lo nos seus tempos livres durante um ano e meio. O marceneiro que o emoldurou para nós (por 17.5 Marcos) estimou o seu valor entre 300 e 400 Marcos, o que poderá ser um pouco exagerado. Mas, estamos muito contentes com a nossa capela e sentimo-nos em casa como nunca até agora. Deverias sentir-te igualmente em casa, pois recebes uma grande porcentagem dos objetivos do Capital de Graças que estamos a reunir aqui durante o mês de maio; mas tu tens também de contribuir com a tua parte neste capital. Tu compreendes…” (Herois de Fogo, Pe. Jonathan Niehaus, pág. 248)

Como explica o Fundador, o primeiro quadro foi bordado por um Irmão Palotino e não se sabe ao certo porque ou quando ele o bordou, porém, a complexidade da obra revela seu grande amor à Maria.

Como ele é feito hoje?

Ir. M. Lucinda foi a primeira a bordar o quadro na Província

Atualmente, na Província Schoenstatt Tabor das Irmãs de Maria, com sede em Atibaia/SP, há quatro mãos habilidosas que criam esses quadros. Ir. M. Lucinda Schüpper e Ir. M. Dilecta Rubin dedicaram várias horas bordando a Ave Maria para todos os 12 Santuários ligados a essa Província, também para o Santuário de Caieiras/SP.

Olhando de longe não dá para perceber, mas a gravura do quadro não é feita com linhas, aliás, as linhas nem aparecem. Todo o desenho é formado por miçangas minúsculas – mais de 20 mil – que revelam o desenho do quadro.

Ir. M. Lucinda, que pertence ao círculo das Irmãs Adoradoras, no Instituto Instituto das Irmãs de Maria de Schoenstatt, foi quem começou a bordar primeiro nessa Província. Ela explica que o quadro é resultado de uma aspiração ligada ao seu curso de Irmãs: “Fui me informando e descobri que as Irmãs Adoradoras da Alemanha tinham bordado um quadro para o nosso Santuário familiar no Monte Schoenstatt, então elas me enviaram o material e o linho já riscado, aí eu fui fazendo”.

O primeiro quadro bordado por Ir. M. Lucinda foi para o Santuário de Atibaia/SP, entronizado no dia 18 de novembro de 1985, depois para Londrina/PR e São Paulo/SP. Também os dois Santuários da Itália – Cor Ecclesiae e Matri Ecclesiae – receberam seu trabalho manual.

Ir. M. Lucinda Schüpper conta que levava cerca de 200 horas para produzir um quadro: “Hoje em dia vai um pouco mais de tempo, pela dificuldade de colocar as pedrinhas na agulha. Tenho mais de 80 anos, então é só com orações que consigo enxergar as pedrinhas e a linha; já levei mais de dez minutos para colocar a linha na agulha, porque essa agulha é muito pequena”.

Cada miçanga é uma contribuição ao Capital de Graças

Ir. M. Dilecta Rubin borda esses quadros há menos tempo, porém dedica igual carinho ao trabalho. Ela explica que são usadas duas agulhas na montagem: “Em uma eu coloco as pedrinhas e com a outra vou pregando-as no tecido”. O quadro da Ave Maria é algo muito durável – prova disso é que o primeiro já tem mais de cem anos –, tudo é feito com muito cuidado e capricho, com material de boa qualidade.

 

“O quadro representa a própria Maria”, diz Ir. M. Dilecta

“O quadro tem muitas curvas e como a miçanga é dura, não dobra, ela precisa ser bem pequena; quanto menor for a miçanga, melhor fica o bordado”, diz Ir. M. Dilecta.

Os quadros que as Irmãs criam em Atibaia/SP têm algumas diferenças do original que está na Alemanha. Com o tempo, inseriu-se a sigla JK [José Kentenich] e o triângulo superior traz o símbolo do Olho do Pai, por exemplo. Outra diferença são as datas, cada Santuário escolhe alguma data referente à sua história para colocar, de acordo com a realidade local.

“Vejo meu trabalho como uma contribuição para que nossos Santuários sejam cada vez mais semelhantes ao Santuário Original, e para que a Mãe possa formar ali pequenos reflexos seus e de Jesus. Cada miçanga e cada fio colocado é uma contribuição ao Capital de Graças”, diz Ir. M. Lucinda.

“O quadro da Ave Maria representa a própria Maria, ela que acolhe os peregrinos, seus filhos. A pessoa que entra no Santuário e olha para o quadro lá na frente, diz ou pensa ‘Ave Maria’, ela saúda Nossa Senhora, com as palavras do Anjo, porque enxergou essa saudação exposta”, ressalta Ir. M. Dilecta.

 

Veja mais fotos da confecção do quadro
Fotos: Karen Bueno