Por que acendemos o Círio na Páscoa?

 

Karen Bueno -Todos os anos, na celebração da vigília pascal, a Igreja se reúne em torno do fogo para iniciar a liturgia do Sábado de Aleluia. Neste “fogo novo” é aceso o círio pascal, que é a grande vela desenhada e cheia de símbolos, conduzida pelo sacerdote e marcada com cravos. Ela permanece acesa, após a Páscoa, durante todas as celebrações, até o dia de Pentecostes.

“Nós nos reunimos ao redor da fogueira, com a igreja às escuras e, no silêncio que ainda impera, dá-se início à benção do Fogo Novo, no qual se acenderá o Círio Pascal. Aquela chama grande, seguindo à frente dos fiéis, acompanhada pela Cruz, vai como que dissipando as trevas, invadindo os lugares escuros e sombrios e vai, pouco a pouco, do jeito de Deus, iluminando; até que cada um acende a sua vela no Círio e tudo se ilumina”, narra o Pe. Francisco Gonçalves, capelão do Santuário de Atibaia/SP.

 

Por que acendemos essa vela?

 

    

                Celebração do Fogo Novo no Santuário de Araraquara/SP em 2019 (Foto: Iris Marcomini)

 

A luz representa o próprio Cristo ressuscitado, já que ele mesmo disse: “Eu sou a luz do mundo” (Jo 8, 12). Durante a missa, em comunidade, nós vamos repassando a luz do Círio de pessoa a pessoa, até que a vida de todos seja iluminada por essa chama que nasce dele.

O círio tem alguns símbolos marcantes gravados na cera:

A Cruz, que fica no centro e é o caminho para chegar à Páscoa. Os Cravos, que simbolizam as cinco chagas de Jesus. Alfa e Ômega são a primeira e a última letra do alfabeto grego e ficam marcadas no círio para dizer que Cristo é o início e o fim do tempo, da eternidade e de tudo. O ano corrente é também sempre indicado nesta vela (repare que estará escrito 2021 este ano), para dizer que Deus está presente conosco HOJE, como sempre está. O Cordeiro é a figura do próprio Cristo que se entregou por todos. Há também elementos que as comunidades adicionam, de acordo com seu estilo artístico e sua espiritualidade (como vemos na foto acima, que traz o símbolo de Schoenstatt), mas que não fazem parte dos símbolos essenciais do Círio, são apenas figuras artísticas da vela.

 

O Círio das Famílias

 

       

            Vela sendo acesa no Círio para a renovação das promessas batismais (Foto: Marcia Kazumi)

 

Tem ganhado cada vez mais popularidade, entre as famílias, adquirir um pequeno Círio para se ter em casa. Alguns deles vêm com desenhos e também com cinco cravos, que serão fincados durante a celebração do fogo novo, acompanhando os gestos do sacerdote.

O “Círio das Famílias” tem como objetivo ajudar as pessoas, em suas casas, a estarem mais profundamente unidas com a celebração do fogo novo. Vale ressaltar, no entanto, que a importância e o significado do Círio Pascal das paróquias, usado na liturgia da missa, diante deste que utilizamos em casa é diferente. O “Círio das Famílias” é uma vela abençoada que nos lembra da ressurreição de Jesus, assim como outras velas abençoadas que guardamos em casa. Já o Círio das igrejas é uma peça-chave na liturgia, remete à luz de Cristo e tem um destaque especial. Cada vez que uma pessoa é batizada, ou quando se renova as promessas batismais em comunidade, as velas são acesas no Círio.

 

Foto de capa: Círio é aceso no Santuário de Atibaia (Ir. Marcia Maria Gusmão). Foto destacada: Círio Pascal no Santuário Tabor/2021 (Ir M Rosequiel Fávero)

Fonte: schoenstatt.org.br

Domingo da Páscoa da Ressurreição do Senhor

Pe. Francisco José Lemes Gonçalves – Que belo o levantar de madrugada de Maria Madalena, dirigindo-se para o túmulo onde depositaram Jesus. Para sua surpresa, a grande pedra estava rolada e o corpo do Senhor não estava lá! Ressuscitou! Pedro e o outro discípulo constatam a veracidade de Madalena… Jesus venceu a morte, como ele falara, e os esperava na Galiléia!

Quais são as lições desta madrugada de Páscoa?

Primeiro: se crermos nas palavras de Jesus, ele rolará a grande pedra da inimizade que o inimigo nos coloca no coração em relação à Deus. Diante das consequências da pandemia que ainda sentimos, diante da guerra, Ele rolará a pedra de nossa descrença na vida eterna e na comunhão com os santos. Este tempo é propício para renovar a nossa fé na vida eterna diante de entes queridos, amigos e conhecidos que, como o Senhor, fizeram sua páscoa – e um dia a nossa chegará. Mas… temos que permitir que o Senhor role a pedra (ou as pedras) de nossa falta de fé e confiança na Vida Eterna!

Segundo: o ir de madrugada, bem cedo, cedinho… Quem ama o Senhor não dorme e nem cochila, mas busca seu Amado bem cedo. Disposição em procurá-lo! Disposição em querer encontrar-se com Ele e deixar-se surpreender pelo túmulo vazio. Muitas vezes ficamos parados nos “túmulos da vida”, não levantamos a cabeça, pois Ele está à nossa frente a nos chamar pelo nome. Seu Corpo Glorioso traz as marcas da Paixão, ou seja, só se chega à glória da Ressureição pela Cruz que nos liberta e nos faz feliz. Sim, feliz, a Cruz não é somente um objeto de dor e sofrimento, mas de vida e força. Ressuscitado ele senta-se conosco, come, não é fantasma e nem uma reencarnação, mas vivo e ressuscitado – por isso as marcas da Paixão – e muito próximo de nós! Ele está no meio de nós!

Nossos Santuários de Schoenstatt serão, neste Domingo Pascal, estes sepulcros das pedras roladas, um convite para irmos, com nossa Mãe Vencedora, ao encontro do ressuscitado que nos espera e renova nossa esperança, mesmo nestes tempos sombrios. Somos chamados, a partir de nossos Santuários de Schoenstatt, a sermos anunciadores de que ele está vivo e toda essa realidade que vivemos poderá ser iluminada pela força do Crucificado Ressuscitado.

Tríduo Pascal junto ao Santuário Tabor

Estamos em plena Semana Santa e prestes a iniciar o Tríduo Pascal. O Tríduo Pascal, repleto de ritos e celebrações, constitui para os cristãos o coração da liturgia e da vida cristã como memorial da essência da fé em Jesus Cristo morto e ressuscitado. O termo “tríduo pascal” refere-se, exatamente à celebração da Páscoa seguido do domingo de Páscoa, em que se comemora a paixão, morte de Cristo e Ressurreição do Senhor.

Horário das celebrações junto ao Santuário Tabor

ATENÇÃO: a única celebração a ser transmitida ao vivo pela página do Santuário no Youtube será a via-sacra da Sexta-feira Santa.

Hoje a Igreja Católica celebra a “Segunda-feira do Anjo”

Jane Nogara – “O dia de hoje é um dia de festa a ser vivido habitualmente com a família”. Em 2018 o Papa Francisco assim explicou este dia de festa: “É chamada ‘Segunda-feira do Anjo’, em conformidade com uma tradição muito bonita que corresponde às fontes bíblicas sobre a Ressurreição. Com efeito, os Evangelhos narram que, quando as mulheres foram ao Sepulcro, encontraram-no aberto. Elas temiam não poder entrar, porque o Túmulo tinha sido fechado com uma grande pedra. Ao contrário, estava aberto; e do interior, uma voz diz-lhes que Jesus não está ali, mas ressuscitou”.

São João Paulo II e a Segunda-feira do Anjo

São João Paulo II, em 1994, citou a passagem do Evangelho de Mateus que narra a atitude das mulheres ao chegarem ao túmulo: “Mas o anjo, respondendo, disse às mulheres: Não tenhais medo; pois eu sei que buscais a Jesus, que foi crucificado. Ele não está aqui, porque já ressuscitou, como havia dito. Vinde, vede o lugar onde o Senhor jazia. Ide pois, imediatamente, e dizei aos seus discípulos que já ressuscitou dentre os mortos. E eis que ele vai adiante de vós para a Galileia; ali o vereis. Eis que os disse”. (Mt 28, 5-7)

E na sua última Segunda-feira do Anjo como Papa em 2004, São João Paulo II assim se pronunciava no Regina Caeli: “A Virgem Maria, silenciosa testemunha deste mistério confirme-nos na adesão pessoal Àquele que morreu e ressuscitou para a salvação de cada ser humano. Seja-nos mestra e guia na fé; sustente-nos nos momentos da dúvida e da tentação; obtenha-nos aquela serenidade interior que nenhum medo pode abater porque está enraizada na certeza de que Cristo ressuscitou verdadeiramente”.

Bento XVI: “Alegrai-vos”

O Sumo Pontífice Emérito Bento XVI, em 2009, assinalou que o “Alegrai-vos” Maria pronunciado pelo anjo é um convite à alegria: “Alegrai-vos e exultai, Virgem Maria, aleluia, pois o Senhor ressuscitou verdadeiramente, aleluia”.

Os anjos são servidores e mensageiros de Deus. Como criaturas puramente espirituais, têm inteligência e vontade: são criaturas pessoais e imortais. Superam a perfeição de todas as criaturas visíveis.

O resplendor da sua glória testemunha isso: Cristo é o centro do mundo dos anjos e estes lhe pertencem, ainda mais, porque os tornou mensageiros do seu plano de salvação.

A partir de hoje, até o final da Páscoa no dia de Pentecostes, se reza a oração do Regina Coeli em vez da Oração do Angelus.

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Foto: Elleov, em cathopic.com

Fonte: Vatican News

Podcast da Liga de Famílias de Santa Maria: 15ª estação da Via Sacra, Cristo ressuscitou!

Estimadas famílias de Schoenstatt, cumprimos a caminhada da Via Sacra à luz do Tabor. A palavra está cumprida, a morte está transfigurada em Ressurreição. Acompanhados por Maria, nossa Mãe Rainha e Vencedora, Três Vezes Admirável de Schoenstatt, vivenciamos a realização da Nova e Eterna Aliança de Amor de Deus com a humanidade. É Páscoa, Cristo vive!!!

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O que significam os Símbolos da Páscoa?

 

Ir. M. Nilza P. da Silva – Páscoa é a maior festa do cristianismo, pois, como escreve Paulo: “Se Cristo não tivesse ressuscitado, vã seria a nossa fé!” (1 Cor 15,14)

A palavra “Páscoa” vem do hebreu “Peseach”, significa a passagem da escravidão para a liberdade. Nela, comemoramos a Passagem de Cristo – “deste mundo para o Pai”, da “morte para a vida”, das “trevas para a luz”. A passagem do homem do pecado para a graça.

Seus Símbolos:

O Círio Pascal

É a grande vela que se acende na Aleluia. O sacerdote a benze na entrada da igreja e ela acompanha todos os batismos no decorrer do ano. Significa “Cristo, a luz do mundo”. As letras Alfa e Ômega, nele gravadas significam que “Deus é o princípio e o fim de tudo.

A Cruz Pascal

Está sempre ornada com a bandeira da vitória, significa que a ressurreição de Jesus dá sentido a todo sofrimento humano. Unidos a eles, seremos todos vitoriosos.

O Pão e o Vinho Pascal

Na ceia do senhor, Jesus escolheu o pão e o vinho para representar o seu corpo e seu sangue. Pede que se faça o mesmo em sua memória. Cada vez que se celebra a Santa Missa, renova-se a ressurreição de Jesus.

O Cordeiro

Cada vez que Deus selava uma aliança, no Antigo Testamento, era imolado um cordeiro, em sinal da Aliança. Cristo é o cordeiro de Deus. Ele mesmo foi o imolado na nova e eterna Aliança.

O Ovo de Páscoa

O ovo é símbolo de vida nova. Quando ele se quebra, nasce uma nova vida. Em Jesus, o pecado se quebra e nasce o “homem novo”! Chocolate é sinal de festa, de alegria, de energia. O ovo de chocolate significa que essa vida nova, gerada em Cristo, é plena de alegria, de dinamismo e de força.

O Coelhinho da Páscoa

O coelho é um dos animais que se reproduz com mais rapidez e em maior número. Como símbolo da Páscoa, ele significa que a morte e ressurreição de Jesus é capaz de despertar constantemente nova vida e “vida em abundância”. A Igreja é o povo numeroso que Deus prometeu na Aliança com Abraão.

Que essas reflexões nos ajudem a abrir ainda mais o nosso coração, a fim de que a força e a alegria de Cristo ressuscitado se torne plena em nosso coração e sejamos seus anunciadores em todo ambiente que vivemos.

Maria, a mulher da fé, nos acompanhe nos faça vitoriosos em Jesus Cristo!

Fonte: schoenstatt.org.br

Páscoa em família, por uma nova terra mariana

 

Ir. M. Diná Batista de Souza – A primeira Páscoa dos judeus foi celebrada em família, dentro das casas dos israelitas (Ex 12). Hoje vivenciamos algo semelhante, quando dentro das nossas casas, com nossas famílias, celebramos a Páscoa cristã. Nossas casas se tornam pequenas igrejas, iluminadas com a luz da ressurreição de Cristo. Nossos corações, o altar onde adoramos em espírito e verdade Aquele que nos amou e se entregou por nós! (Jo 4, 23-24; 13,1)

De todos os lares cristãos, sobe ao céu o aleluia pascal, o canto da ressurreição, o canto da vitória. A Igreja realiza o ponto mais alto da sua expressão de fé, a celebração da Páscoa do Senhor, na sua essência, como igreja doméstica. Nas Igrejas de pedra, nos templos, nos altares, sacerdotes celebram sozinhos em nome da humanidade. As redes sociais encurtam a distância e se tornam pontes que unem a terra ao céu, que possibilitam estarmos unidos, mesmo separados fisicamente. É incrível como a Boa Nova ultrapassa séculos, milênios e vence todos os desafios! Cristo vive, ontem, hoje e sempre! ALELUIA!

Como as redes sociais, assim também a grande rede de Santuários-lares tomaram, neste tempo excepcional, uma importância fundamental. Realizou-se o que afirmava nosso Pai e Fundador, no ano de 1963:
“O coletivismo pode fechar ou destruir as igrejas, fechar ou destruir todos nossos Santuários. Mas os Santuários-lares ninguém pode destruir!”. (O nascimento do Santuário-lar, p. 94-95)

Nunca vivenciamos uma Páscoa tão separados e ao mesmo tempo tão unidos. Em comunhão com a Igreja, Schoenstatt em saída continuou sua missão. Correntes de oração nos santuários-lares, retiros online, horas de guarda, campanhas caritativas, empenho social, para que ninguém se sinta só. As dificuldades, vemos como tarefas e este desafio da pandemia tornou-se para nós a porta aberta de novas ações missionárias. Por isso, fazemos desta Páscoa, um canto de júbilo e alegria!

Contemplamos Maria, a Mãe, Rainha e Vencedora e em nossos Santuários-lares dizemos: Rainha do céu, alegrai-vos! Aleluia! O Senhor ressuscitou! Cristo venceu a morte! “Por suas feridas, fomos curados” (Is 52, 5).
Muito mais que a doença do corpo, a ressurreição de Cristo é para o mundo a cura completa do ser humano, adoecido pelas consequências do pecado. Por sua Paixão, Morte e Ressurreição, Cristo, Caminho, Verdade e Vida, toma sobre si nossas enfermidades, ele mesmo sofre as nossas dores e suas chagas são o preço da cura dos nossos pecados (Is 52, 4-6). Assim, aquilo que parecia o fim, tornou-se o início de uma nova criação regenerada no amor misericordioso do Pai. O mistério da Redenção continua a gerar em nossas vidas perplexidade e gratidão.

Ver as Igrejas vazias pode brotar um sentimento misto de tristeza e incompreensão dos fatos. Numa oração o Pe. Kentenich reza: “Quando teu Corpo Místico é desprezado, condenado à morte e considerado morto, irrompe nele a força divina que, vitoriosa, cria uma nova terra.”(Livro de Orações Rumo ao Céu, nº 326)

Esta oração ilumina a nossa Páscoa no contexto do Lema do ano do Brasil Tabor: “Unidos ao Pai e Profeta, por uma nova terra mariana!

Aproveitemos o momento da graça que passa em nossas vidas: celebrando a Páscoa em nossos lares, queremos viver também um processo pessoal de renovação interior, para que em nós surja esta nova terra mariana, o novo homem transfigurado. Abramos nosso coração para uma nova vida, deixando de lado aquilo que nos afasta de Deus. Coloquemo-nos sob a mão educadora de Maria. Ninguém como ela viveu e partilhou tão intensamente a dor da Paixão e a verdadeira alegria da Ressurreição!

Neste domingo de Páscoa, toda a Igreja do Brasil, unida aos países da América Latina e Caribe, atendendo à solicitação do Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM) realizaremos, às 14 horas, o solene ato de consagração da nossa Pátria à Mãe de Deus. Neste 12 de abril, que recorda o histórico 12 de abril de 1894, quando a mãe do Pe. Kentenich, ao deixá-lo no Orfanato, em sua aflição se dirige a Maria e consagra o seu filho, também, em nossa aflição, consagramos o Brasil e todas as famílias a Maria. A ela confiamos que encontremos a solução para o controle e o fim desta pandemia.

Qual atitude pode nos ajudar a viver este tempo? Na Aliança de Amor, em Cristo e Maria, servimos a Igreja “de coração forte e semblante alegre”; e em nosso peregrinar terreno, a [Maria] confiamos o cuidado pela saúde e o sustento” (Rumo ao Céu, nº 564)

Em nossa família, Cristo ressuscitado cria uma nova terra mariana!
Alegremo-nos e exultemos, pois o Senhor ressuscitou verdadeiramente! Ele vive e está no meio de nós! Está em nós!

Liberta-nos, Senhor!

Mensagem do Pe. José Fernando Bonini, coordenador da Presidência Nacional

Queridos membros da Presidência Nacional do Movimento,
Querida Família de Schoenstatt do Brasil,
Nem bem iniciamos o ano, fomos surpreendidos por inúmeras imagens e textos em vídeos e mensagens que foram chegando até nós, a partir do momento em que a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou pandemia a infecção gerada pelo novo “coronavírus”.

Os efeitos e as consequências da atual pandemia foram se alastrando mundo afora e o nosso olhar foi fazendo um caminho. Pudemos ver a luta – um verdadeiro combate -: a entrega e o cansaço dos que estão na linha de frente e também o sofrimento pela morte de milhares. Tudo isso trouxe consigo a experiência de engolir seco, de impotência, como nunca antes sentida; e percebemos então, o medo em nós.

Por outro lado, no mesmo caminho que o nosso olhar fez, foi possível observar “algo novo” em muitos aspectos nunca antes visto assim. Nos deparamos com uma capacidade fantástica de entregar-se solidariamente aos demais, com uma criatividade que visa o bem e não o lucro, com uma sensibilidade e abertura para o mundo espiritual incríveis, com a busca pelo cultivo de vínculos; e até nos deparamos com o humor, que nos permite ver a nós mesmos e aos outros de forma nova, e porque não dizer, podermos rir um pouco de nós mesmos e das situações inesperadas nas quais todos nos encontramos; percebemos então, a esperança em nós.

Nesse olhar, que faz um caminho, duas imagens me tocaram: Numa delas, um sacerdote abençoando caixões depositados no chão de uma igreja; e na outra, um sacerdote, o Papa Francisco, caminhando sozinho na praça vazia. Nessas duas imagens pude perceber, como o medo e a esperança caminham de mãos dadas. Talvez eles precisem ou não podem, ou ainda nem devem soltarem-se as mãos. Ambos contribuem por ir gestando no profundo do nosso ser um anseio, que grita em nosso interior: “LIBERA NOS DOMINE” (Liberta-nos, Senhor).

É percorrendo esse caminho, que faz o nosso olhar, que chegamos à Páscoa A.D.2020. Como nunca antes, com este anseio, que nos une e perpassa povos e culturas: “LIBERA NOS DOMINE”. De fato, esse é o sentido da entrega de Cristo: libertar-nos. Este anseio possibilita-nos vivenciar a celebração do mistério de nossa salvação – sofrimento, morte e ressurreição de Cristo – como nunca antes; talvez, dizem alguns, somente comparável aos tempos das Grandes Guerras.

Pe. José Kentenich nos ensina, que Deus nos fala pelos acontecimentos; “Deus da vida e da história”. Parece-me, que a pergunta do momento é: Como Deus nos fala nessa crise mundial? Eu, pessoalmente, O senti falando forte, nas imagens desses dois sacerdotes.

Como Cristo, esses sacerdotes deixam a marca de algumas atitudes que fazem a diferença, não somente na crise da pandemia, mas também, creio eu, para nós cristãos, Família de Schoenstatt, que deseja ser coração da Igreja e alma do mundo: humildade, proximidade, solidariedade e caridade.

Esses valores levam a atitudes, que lavam a alma, amparam corações, sustentam vidas, derrubam muros, constroem pontes, pois levam-nos a buscar o outro e não a nós mesmos. Elas são marca registrada de Cristo; e porque não dizer, também de Maria, sua Mãe.

Nesta noite uno-me a cada um de vocês, suas Comunidades, seus Ramos, a Campanha da Mãe Peregrina e o Terço dos Homens Mãe Rainha, percebendo o anseio “LIBERA NOS DOMINE” e desejando que unidos, como o Padre Kentenich sonhou, possamos assumir a nova vida, que o sacrifício de Cristo conquistou para nós.
Que o Ressuscitado nos anime na entrega e no serviço, para que em nosso atuar façamos a diferença pelas atitudes que levam “a marca registrada” de Cristo, sendo instrumentos no surgimento de “uma nova terra mariana”. Feliz Páscoa A.D.2020!

Unidos na Aliança de Amor,

Pela Presidência Nacional do Movimento de Schoenstatt no Brasil

Pe. José Fernando Bonini

Carta em PDF, aqui

Fonte: schoenstatt.org.br