Hoje é aniversário de José Engling

Hoje, 5 de janeiro, a Família de Schoenstatt recorda os 128 anos do nascimento de José Engling, em Prossitten/Alemanha, em 1898. Faleceu em 4 de outubro de 1918, no último dia da Primeira Guerra Mundial, em Cambrai/França.
Quem foi José Engling?

José Engling foi seminarista da Sociedade São Vicente Pallotti e aluno do Pe. José Kentenich. Pertencia à Congregação Mariana, mas não participou da fundação de Schoenstatt em 18 de outubro de 1914, pois chegou dias mais tarde das férias anuais. Mesmo assim, foi um dos que primeiro e mais profundamente compreendeu o sentido dessa consagração.

Sua vida de Aliança levou o Pe. José Kentenich a dizer: “Engling foi o Documento de Fundação vivido!”

Como soldado na Primeira Guerra Mundial, deu testemunho de como a santidade pode ser vivida em ambientes totalmente adversos. Continuou, ali, seu esforço pela santificação e viveu fielmente a Aliança de Amor pelas contribuições ao Capital de Graças. Seu diário relata o heroísmo de uma vida entregue a Deus sob o cuidado e proteção de Maria.

Nos campos de batalha, em meios às trincheiras, foi de fato ‘tudo para todos’, sempre servindo seus companheiros e os demais que encontrava, e também ‘propriedade especial de Maria’, como um filho fiel à Mãe de Deus.

É com José Engling que nasce a aspiração das “Flores de Maio”, tão cultivadas entre os filhos de Schoenstatt. No mês de Maria, muitos se inspiram em Engling para oferecer um ramalhete espiritual de flores, conquistadas por meio das contribuições ao Capital de Graças, para a Mãe e Rainha.

Engling faleceu em 4 de outubro de 1918, em Cambrai/França, poucos dias antes de terminar a Primeira Guerra Mundial. No local onde o jovem herói tombou, no território francês que faz divisa com a Alemanha, foi construído o Santuário da Unidade e é onde ele está sepultado. Atualmente seu processo de canonização segue na Congregação pela Causa dos Santos, em Roma.

engling

O exemplo do jovem soldado que ofereceu a vida pela Obra da MTA permanece para todas as gerações. Pe. Kentenich repetiu muitas vezes e continua repetindo àqueles que pertencem à sua Obra: “Quem será o José Engling de hoje?”

 

Algumas palavras de José Engling

“A imagem sublime da Mãe está agora vivamente diante dos meus olhos. Uma só coisa deve nortear a minha vida: Tudo por ti, querida Mãezinha.”

“Mãe, nenhum sacrifício quero considerar por demais pesado. Quando se trata de tua honra, não quero recusar nem o mais duro sacrifício. Mãe, dá-me força para me conservar fiel a esse propósito”.

“Cinco vezes ao dia – duas de manhã e três à tarde – quero lembrar-me que um filho de Maria não deve andar triste e me esforçarei para estar alegre. Se alguma vez estiver abatido, quero combater este sentimento e impor-me uma penitência.”

“Querida Mãezinha, quero aproveitar as difíceis circunstâncias em que me colocaste, para me santificar o mais depressa possível. Na vida militar, tu me deste uma ótima ocasião, embora espinhosa. Quero aproveitá-la. Chamaste-me a ser teu vassalo. Quero esforçar-me por aproximar todos de ti.”

“Querida Mãezinha! Mater Ter Admirabilis! A ti novamente me consagro como holocausto. A ti, consagro tudo o que sou e tenho: meu corpo e minha alma com todas as suas faculdades, meus bens e haveres, minha liberdade e minha vontade. Sou teu, inteiramente, sem reservas! Dispõe de mim e do que me pertence, como te aprouver. Se, no entanto, for compatível com teus planos, deixa-me ser um holocausto, pelas tarefas que propuseste à nossa Congregação (Movimento Apostólico de Schoenstatt). Em humildade, teu indigno servo, José Engling.”

Referência Bibliográfica:
“Herói de duas espadas” – Olivo Cesca

Com informações de schoenstatt.org.br

107 anos da morte de José Engling

 

Hoje a Família de Schoenstatt recorda 106 anos de falecimento de um de seus ‘heróis’, testemunha dos tempos da fundação do Movimento, o jovem José Engling.

Quem foi José Engling?

José Engling foi seminarista da Sociedade São Vicente Pallotti e aluno do Pe. José Kentenich. Pertencia à Congregação Mariana, mas não participou da fundação de Schoenstatt em 18 de outubro de 1914, pois chegou dias mais tarde das férias anuais. Mesmo assim, foi um dos que primeiro e mais profundamente compreendeu o sentido dessa consagração.

Sua vida de Aliança levou o Pe. José Kentenich a dizer: “Engling foi o Documento de Fundação vivido!”

Como soldado na Primeira Guerra Mundial, deu testemunho de como a santidade pode ser vivida em ambientes totalmente adversos. Continuou, ali, seu esforço pela santificação e viveu fielmente a Aliança de Amor pelas contribuições ao Capital de Graças. Seu diário relata o heroísmo de uma vida entregue a Deus sob o cuidado e proteção de Maria.

Nos campos de batalha, em meios às trincheiras, foi de fato ‘tudo para todos’, sempre servindo seus companheiros e os demais que encontrava, e também ‘propriedade especial de Maria’, como um filho fiel à Mãe de Deus.

 

 

É com José Engling que nasce a aspiração das “Flores de Maio”, tão cultivadas entre os filhos de Schoenstatt. No mês de Maria, muitos se inspiram em Engling para oferecer um ramalhete espiritual de flores, conquistadas por meio das contribuições ao Capital de Graças, para a Mãe e Rainha.

Engling faleceu em 4 de outubro de 1918, em Cambrai/França, no último dia da Primeira Guerra Mundial. No local onde o jovem herói tombou, no território francês que faz divisa com a Alemanha, Cambrai, foi construído um Santuário de Schoenstatt, o Santuário da Unidade. Atualmente seu processo de beatificação foi encerrado na diocese e está na Congregação pela Causa dos Santos, em Roma.

 

 

Con informações de: schoenstatt.org.br

 

 

José Engling nos ensina ‘a colher flores de maio’ também numa catástrofe

Estamos vivendo o mês dedicado à nossa Mãe celestial. E no Movimento de Schoenstatt, quando falamos em mês de maio logo pensamos em quem? No herói da geração fundadora do Movimento de Schoenstatt, José Engling. Foi ele que, em maio de 1916, teve a inspiração de oferecer à Mãe de Deus um ramalhete espiritual, que ficou conhecido como ‘Flores de Maio’. Nesta mesma época, se definiam elementos e expressões fundamentais na espiritualidade de Schoenstatt, por exemplo, ‘Contribuições para o Capital de Graças’, em cujo processo José Engling desempenhou um papel fundamental.

Naquela época, como jovem seminarista, José Engling aprendeu a transformar as suas esperiências cotidianas como oprtunidade de oferecer suas flores espirituais à Mãe de Deus:  a rosa do amor, o lírio da pureza, a violeta da humildade…

Flores no meio de uma catástrofe

Esta experiência ele levou também para os campos de batalha da Primeira Guerra mundial onde suas ‘flores de maio’ foram colhidas em situações muito difíceis:

  • Quando precisava se atirar no chão durante um bombardeio e seu pensamento ‘voava’ ao Santuário para junto da Mãezinha, assim que nem escutava mais o barulho das bombas e granadas;
  • Quando, dentro da trincheira, rezava o seu terço, fazia as anotações de suas ofertas para a Mãe de Deus no seu diário espiritual;
  • Quando vendo a angústia de um pai de família que fora designado para uma missão muito perigosa, ele não hesitou em dizer: “Fica, camarada, eu vou no teu lugar”;
  • Quando ninguém queria se voluntariar para atravessar o campo de batalha para buscar comida para os colegas de tropa e ele era o único que se apresentava;
  • Quando, no meio de tantas tentações e situações que afastavam de Deus, ele se esforçava para levar os colegas para a Missa, o terço, a confissão.

Nossas flores num maio especial

A Família de Schoenstatt do Rio Grande do Sul e também Santa Catarina, neste maio, é chamada a imitar José Engling, colhendo e oferecendo flores muito especiais para a Mãe e Rainha: a flor da esperança e da confiança; a flor da fortaleza e da resiliência; a flor do amor, da solidariedade e da caridade; numa atitude de fé filial que confia no amor do Pai celestial para com seus filhos.

No final do mês, ao celebrarmos o jubileu de 75 anos do Terceiro Marco da História do Movimento de Schoenstatt, essas flores se tornarão as pedras preciosas que ornarão a coroa de nossa Mãe e Rainha.

 

Coleta de doações feita pela Família de Schoenstatt de Porto Alegre

Um convite para a juventude: ajude a beatificar nosso amigo José Engling

Alicja Kostka – José Engling é uma fonte de inspiração para muitos jovens. Mas, como podemos demostrar isso? A vice-postuladora do Processo de Beatificação de Engling, Dra. Alicja Kostka, convida os jovens a ajudarem nessa importante fase do processo.

Uma nova campanha busca reunir testemunhos pessoais sobre José Engling, que podem ser compartilhados nas mídias sociais com a hashtag #YouOnMySide (você ao meu lado) ou enviados por e-mail.

Um convite do Secretariado

Muitas vezes, recebemos sinais de que Engling é reconhecido pelos jovens como um companheiro e intercessor. Por exemplo, recentemente um seminarista das Filipinas nos pediu para rezar pela intercessão de José Engling com materiais em inglês. Ao mesmo tempo, esse seminarista nos deu palavras de certeza pessoal: Estou rezando por sua rápida beatificação e canonização.

Essas perguntas, bem como a persistente indagação de Roma sobre se José Engling pode ser um modelo para a geração jovem de hoje, nos levaram a convidar a juventude a participar de uma campanha na qual eles mesmos testemunharão se e como vivem com José Engling, se são inspirados por ele e se experimentam seu auxílio.

Esta é a campanha #YouOnMySide:

Porque você está ao meu lado #YouOnMySide – com essa hashtag, você é convidado a compartilhar seu testemunho pessoal sobre José Engling.

José queria ser “tudo para todos” e deu sua força vital à missão da Mãe de Deus em Schoenstatt, para que, a partir dali, ela pudesse ajudar muitas pessoas a experimentar as graças da acolhida, da transformação interior e da fecundidade apostólica. Muitas pessoas vivenciaram sua amizade pela Aliança de Amor. Mesmo depois de sua morte sacrificial, ele ainda está próximo de muitas pessoas como um irmão, intercessor e companheiro.

Você também já experimentou essa proximidade inspiradora e reconfortante? O projeto #YouOnMySide é o convite e o lugar para falar sobre isso.

Seu testemunho pode ser uma contribuição importante para a Beatificação, um sinal de agradecimento a Engling e, ao mesmo tempo, um convite a outros jovens para que o convidem a entrar em suas vidas.

Os testemunhos podem ser enviados para Alicja Kostka pelo email: admirabilis2014@gmail.com

 

Fonte: schoenstatt.com

Vivendo o mês de maio a exemplo de José Engling

Estamos vivendo o mês dedicado à nossa Mãe celestial. E no Movimento de Schoenstatt, quando falamos em mês de maio logo pensamos em quem? No herói da geração fundadora do Movimento de Schoenstatt, José Engling. Foi ele que, em maio de 1916, teve a inspiração de oferecer à Mãe de Deus um ramalhete espiritual, que ficou conhecido como ‘Flores de Maio’. Nesta mesma época, se definiam elementos e expressões fundamentais na espiritualidade de Schoenstatt, por exemplo, ‘Contribuições para o Capital de Graças’, em cujo processo José Engling desempenhou um papel fundamental.

Da principal biografia de José Engling, Herói de Duas Espadas [1], sabemos como foi a experiência das primeiras Flores de Maio.

 

“Na Páscoa de 1916, por causa das dificuldades de alimentação no Seminário, todos os alunos tiveram a permissão de passar as férias em casa. Para Engling, porém uma viagem tão longa não compensava. Ficaria, pois, em Schoenstatt; seria um boa oportunidade para estar um pouco a sós consigo mesmo.
Certa manhã, no estudo, lia o poema de G.Weber: “As treze trilhas”, quando erguendo os olhos, ficou a contemplar a natureza que despertava com a chegada da primavera. Azaléias e bétulas balançavam suas pequena corolas matizadas. Os abetos, até há pouco, vergados de neve, ressoavam de cantos. E a brisa, vinda de longe, das cerejeiras floridas, convidava a um contato maior com a natureza. Largou o livro e saiu a caminhar. No seu enlevo, pareceu-lhe ouvir a voz da primavera, segredando-lhe: “Hoje é o primeiro de maio. É por isso que os bosques e os prados andam nessa atividade febril. Cada qual se esmera em preparar a sua Rainha as mais belas homenagens com perfumes e flores. Não quer você também associar-se a esse preito da natureza?”
José voltou para casa tomou o seu caderno e escreveu: “Flores de maio do jardim do meu coração, oferecidas à Rainha de maio em seu mês de 1916.
Mãe a ti seja consagrado o jardinzinho de meu coração; para ti quero plantar e cultivar:

A Rosa do amor e da estima

Quero que esta rosa simbolize a ti, Mãe. Assim como a rosa é a rainha das flores, sê tu a Rainha do meu coração. A tua disposição minha soberana, ponho tudo o que tenho, em especial: 
  • atos de entrega a ti
  • promover a tua honra
  •  leituras referente a ti
  • conversações referentes a ti
  • saudações à tua imagem
  • visitar a Capelinha da Congregação
  • terço
  • comunhão
  • comunhão espiritual
  • atos de apostolado
  • fazer de ti o ponto central de meu dia
  • jaculatórias

 O miosótis da fidelidade a teu serviço. Quero ser-te fiel por estes meios

  • rezar bem as orações dos congregados
  • preparar a reunião
  • fazer com atenção a leitura espiritual
  • estudar com afinco
  • guardar silêncio na sala de estudos
  • silêncio ao toque da campainha
  •  cumprir com exatidão os meus trabalhos
  •  fazer particularmente bem a minha cama
  •  ter ordem na carteira
  •  ser dócil as inspirações da graça e da consciência

 A violeta da humildade e da modéstia a cultivarei  procurando:

  • aceitar as correções com paciência
  • perdoar as ofensas
  • obedecer com alegria

 A flor da paixão e do amor ao sacrifício desabrochará pelo:

  • paciente aturar das coisas desagradáveis
  • comportamento cheio de atenções
  • cortesia
  • domínio de mim mesmo à mesa
  • cumprimento exato do exame particular
  • leitura do livro de boas maneiras
  • leitura do regulamento
  • prestar favores
  • outros sacrifícios

 O lírio da Pureza 

  • vigiar os olhos especialmente no dormitório
  • silêncio no dormitório
  • implorar a pureza na santa comunhão
 
A seguir escreveu esta oração: ‘Rainha de maio, minha Mãe e Rainha! A ti consagro este mês. Tudo o que me pertence seja propriedade tua, e eu teu fidelíssimo escravo. Não quero ter outra vontade senão a tua. Ainda que me tenhas reservado somente o inferno quero suporta-lo por teu amor. Tu, porém ó Mãe sabes como sou fraco, quantas vezes deixei de cumprir meus propósitos e corresponder às tuas intenções. Por isso Mãe, ajuda-me, principalmente a fazer bem o exame particular. Mãe!’(…)
 
Dia a dia José se acercava do ‘jardinzinho de seu coração’ e ali colhia ramalhetes para o Capital de Graças. Cada “flor” era anotada na caderneta do controle espiritual com um traço à margem do propósito correspondente. Somados estes traços obteve o total de 1712, ou seja uma média de cinquenta e cinco por dia. Realmente, maio fora o mês florido de seu jovem amor.”[2]
[1] Olivo Cesca, Herói de Duas Espadas,  Instituto dos Padres de Schoenstatt.
[2] Herói de Duas Espadas, p. 95 – 97.
Fotos das flores: GLady, mariya-m, Jîri-Kouilek, garten gg, Buntysmum em Pixabay

Qual o significado da Taça de José Engling?

Karen Bueno – Quem visita algum dos Santuários de Schoenstatt se depara, normalmente, com um símbolo especial, conhecido como Taça ou Pira de José Engling: um globo pousado sobre uma grande taça, de onde, em dias especiais, se erguem labaredas de fogo. Este símbolo representa José Engling, um jovem congregado do Movimento Apostólico de Schoenstatt que, na força da Aliança de Amor, ofereceu sua vida pelo Santuário e pela Obra.

Hoje, quando recordamos 124 anos de seu nascimento, é interessante refletirmos sobre este símbolo.

 

                          Taça de José Engling junto ao Santuário de Londrina/PR (foto: Cleber Lima)

 

José Engling foi o primeiro a compreender o significado e a importância do Capital de Graças e se empenhou muito por ele. Participou do início da Obra de Schoenstatt e logo foi convocado a lutar na Primeira Guerra Mundial, na qual oferecia todos os sacrifícios para o Capital de Graças. Ele é considerado pelo Fundador, Pe. José Kentenich, “o Documento de Fundação vivido”.

Este jovem herói faleceu atingido por uma granada, no dia 4 de outubro de 1918. A primeira Pira construída foi colocada em Cambrai/França, local onde ele morreu.

A Taça de José Engling e as ofertas ao Capital de Graças

Na Taça são depositadas as representações simbólicas das ofertas ao Capital de Graças, daqueles que colaboram com a missão de Schoenstatt. Essas representações, ali queimadas no Dia da Aliança (dias 18), são papéis e símbolos conquistados ao longo do mês, depositados na ânfora do Santuário, que registram o esforço pessoal de cada um na luta pela santidade. As chamas elevam os sacrifícios e contribuições ao céu, como fogo de amor, e lembram a cada um a missão de “incendiar o mundo” com o ardor missionário.

Trata-se de um símbolo importante nos Santuários de Schoenstatt, pois recorda o heroísmo e a santidade que os schoenstattianos almejam e buscam. Apesar do modelo da Pira variar de um lugar a outro, em geral elas são sempre muito parecidas e suas partes trazem significados próprios:

 

    Taça de José Engling em Porto Alegre (Foto: Márcia Kazumi)

 

O que significa cada parte?

Taça: a grande taça, composta por três pontas, tem o formato de uma patena (a patena é aquela peça redonda e fina, que acompanha o cálice, na qual se deposita a Eucaristia durante a missa). Ela acolhe os sacrifícios oferecidos a Deus. Na Santa Missa, a patena leva não apenas o corpo de Cristo, mas também todos os méritos conquistados por Jesus, ele mesmo e sua entrega total pela humanidade, quando morreu na cruz. Na Taça de Engling, essa patena, em forma de triangulo, indica também a Santíssima Trindade, fonte e modelo de todo amor que se consome. Nossos sacrifícios têm valor quando os unimos ao amor do Deus Trino. Em Cristo, esses méritos, que são as contribuições pessoais de cada um e seus esforços de santificação por meio da autoeducação, se tornam penhor de salvação.

A taça sustenta o globo, indicando que o sacrifício de Jesus salvou o mundo. Também para nós é possível hoje colaborar na salvação da humanidade, por nossos esforços pessoais, que sobem ao céu unidos à oferta de Cristo.

Globo: mostra que “o mundo todo é nosso campo de batalhas”, como dizia José Engling, e que é preciso incendiar o mundo. O globo recorda que as ofertas pessoais ao Capital de Graças são parte do compromisso de cada um com o mundo todo. O Capital de Graças é oferecido pela salvação da humanidade e não apenas por interesse próprio.

Neste sentido, o globo presente na Taça de Engling, acentua a dimensão missionária da autoeducação: meus esforços pessoais se revertem em graças para a humanidade inteira.

Fogo: Os papeis e sinais concretos das ofertas ao Capital de Graças são consumidos pelo fogo na Taça. Este gesto quer representar a força do amor que incendeia e ilumina o mundo. Cristo diz: “Eu vim lançar fogo sobre a terra” (Lc 12, 49), é esse fogo de amor do Pai que deve ser ateado à humanidade. Cada sacrifício, oferecido a Deus pelas mãos de Maria, aquece o mundo. Assim, unido ao sacrifício de Cristo, é possível ajudar a incendiar e iluminar o mundo pelo amor.

Tripé: os três suportes que sustentam a taça formam a letra “M”, de Maria, de Mãe. Cada suporte representa um ponto de contato de Schoenstatt: o Santuário, o Fundador e a Mãe de Deus. Nosso empenho pela autoeducação e os sacrifícios que oferecemos são realizados pela sua intercessão, em Aliança de Amor com a Mãe de Deus. Ela nos sustenta na luta e nos mantém sempre abertos para acolher o amor divino e multiplicá-lo em boas obras, retornando assim ao céu, como dádivas sacrificais.

                        Renovação da Aliança junto ao Santuário de Schoenstatt em Santo Ângelo/RS

Ele em minha vida: José Engling continua vivo em nós

 

Se hoje você fosse convidado a descrever José Engling com uma única palavra, que expressão usaria?
Pense alguns minutos…
Uns podem dizer “ardor”, “fogo”, outros, “heroísmo”, “missão”, “vinculação”, ou talvez “fidelidade”, “ousadia”… Ao pegar o dicionário, surgem muitos substantivos que poderiam caracterizar a curta vida desse jovem soldado schoenstattiano. E todos eles são, de fato, o fragmento de uma história inspirada e movida pela Aliança de Amor, que culmina hoje, dia 4 de outubro, no centenário de sua oferta de vida.

 

Se formos capazes de sonhar, contagiar e partilhar

“Os jovens serão capazes de profecia e visão, na medida em que nós, adultos ou idosos, formos capazes de sonhar, contagiar e partilhar os nossos sonhos e esperanças”. Essa frase foi dita ontem, dia 3, pelo Papa Francisco na abertura do Sínodo dos Bispos.

Olhando a vida de José Engling, é fácil descobrir essas palavras do Papa em sua história. No início da década de 1910, o caminho pessoal e vocacional do menino se deparou com um novo diretor espiritual. Esse sacerdote poderia ser somente mais um professor ou orientador; poderia ser só um “colega” de seminário. Acontece que o novo diretor era capaz de “sonhar, contagiar e partilhar seus sonhos e esperanças”, capaz de partilha sua “ideia predileta”. E isso fez de Engling o que ele é hoje.

O Pe. José Kentenich foi mais que um diretor, foi um Pai para José Engling e, como “golpe de mestre”, conduziu o jovem ao Santuário, para que a Mãe de Deus se tornasse a grande educadora.

 

 

Passo a passo para a santidade

“Mas, bem – poderíamos pensar – Engling morreu há cem anos; ele foi, sim, importante para o Movimento, deixou suas marcas, mas será que isso toca minha vida em algo? Poderia a história desse jovem ainda estar ligada com a minha?”

A resposta mais simples para esse pensamento, talvez, seja expressa em duas palavras: Aliança de Amor. Somos uma Família, somos irmãos que se encontram no coração do Pai, e isso vai além de tempo e eternidade. Engling está unido a nós e, como costumam chamá-lo, é nosso ‘irmão maior’.

Mas a resposta é muito maior que essa – merecia linhas e mais linhas, mais do que podemos colocar. A começar pelo exemplo pessoal. José Engling abriu caminhos para a vida de santidade, ele mostrou, “passo a passo”, tudo o que o Pe. Kentenich queria de seus filhos, tudo o que o Pai espera de nós.

Por exemplo: Era um dia de frio terrível e os superiores não tiveram pena, exigiram do menino uma pesada carga de exercícios durante todo o dia, algo que dificilmente se poderia resistir sem treinamento. Com a chegada da noite, ele busca ansioso pela cama e pelas cobertas, mas, o que descobre? Já não tinha mais com o que se cobrir, pois lhe roubaram tudo o que possuía, incluindo as cobertas. E nessa noite gelada, em pleno acampamento, só restou colocar sobre si um pedaço de lona. José até ficou bravo e indignado, mas um pensamento-chave o fez suportar isso e muitas outras situações; esse pensamento se chama “Capital de Graças”.

Em 2018, sua vida é um exemplo prático para o dia a dia. Se hoje não temos trincheiras e granadas ao nosso redor, temos, por sua vez, um bombardeio de manchetes polêmicas, ideologias, perseguições, injustiças, etc. que gritam e caem “zunindo” à nossa porta. A “zona de guerra” muitas vezes é a nossa própria casa ou o ambiente de trabalho. E como enfrentar isso? A sugestão é conhecer mais a fundo a vida desse menino, pois, em cada episódio, sua reposta de amor vai além de teorias e discursos, é autêntica vida de santidade.

 

Chamas a se consumir

Engling se faz presente na Família de Schoenstatt hoje, mas, mais que isso: seu espírito, seu ardor, sua herança estão vivos em cada um que sela a Aliança de Amor. Cada vez que a Pira é acesa, seja em qual lugar do mundo for, é sua memória que arde entre as chamas, num grande sinal de amor e entrega à Maria.

Em algumas ocasiões o Pe. José Kentenich questionava: “Quem quer ser o novo José Engling?” Certamente o Pai continua dirigindo essa pergunta a cada um: “Quem quer viver esse espírito de heroísmo? Quem deseja, a seu próprio modo e personalidade, seguir os passos desse jovem?” O desafio é grande e a meta ambiciosa, mas, com o auxílio da Mãe e Educadora, a santidade de todos os dias, de todas as situações, de todos os contextos se torna possível.

“Na vida e na história do jovem heroi, a Família vivenciou o Documento de Fundação e pôde experimentar a história da fundação com seus três pontos de contato, história que foi antecipada e interpretada com perfeição pela vida exemplar de José Engling” (Pe. José Kentenich, 1968).

Foto: Schoenstatt Guarapuava/PR

Fonte: schoenstatt.org.br

José Engling: Uma vida entre a Simplicidade e a Santidade

 

“Mãe, nenhum sacrifício quero considerar por demais pesado. Quando se trata de tua honra, não quero recusar nem o mais duro sacrifício. Mãe, dá-me força para me conservar fiel a esse propósito” (José Engling)

Ariel Stival – Hoje recordamos a morte de José Engling, o humilde servo de Maria, como ele mesmo se intitulava. Nosso herói tinha como ideal pessoal a frase “Ser tudo para todos e propriedade especial de Maria”. O que quer dizer isso para nós hoje? No campo de batalha, ele viveu fortemente o ideal, sendo, dia após dia, ‘tudo para todos’, sempre servindo seus companheiros e os demais que encontrava, muitas vezes se humilhando. Foi sempre “propriedade especial de Maria”, como um filho fiel à Mãe de Deus.

José se entregou, vítima de uma granada, oferecendo a sua vida à Mãe Três Vezes Admirável, na cidade de Cambrai, na França, poucos dias antes do fim da I Guerra Mundial. Ele era um jovem com algumas limitações físicas, mas que possuía um coração com bondade sem limites. Em meio aos tormentos da Guerra, sempre encontrava tempo de oferecer à Mãe de Deus inúmeras contribuições ao Capital de Graças; oferecia ramalhetes de flores espirituais à Mãe e buscava cultivar em seu coração as virtudes que a Mãe lhe inspirava.

“…e exaltou os humildes” (Lc 1, 52)

 

 

A humildade é uma grande virtude. A Virgem Maria e seu filho Jesus foram grandes exemplos de servos humildes. O Papa Francisco, que hoje representa São Pedro para nós católicos, enfatiza sempre a importância de viver de forma simples, para se alcançar a santidade. “Quando nos colocamos diante de Deus nesta dimensão de humildade, então Deus nos exalta, se inclina para nós, para elevar-nos para Ele” (Papa Francisco) [1]. E foi dessa forma que José Engling viveu, fazendo tudo o que lhe cabia, ou melhor, tudo o que estava ao seu alcance de forma simples, mas de forma plena, e assim alcançou o grau de santidade.

O que mais nos cativa e comove em seu testemunho de vida é sua determinação em ser todo de Maria, em especial nas pequenas atividades do dia, servindo a cada um dos irmãos como se fossem o próprio Cristo, através dos trabalhos mais humildes, sendo tantas vezes humilhado pelos seus pares e exercitando a paciência. Ele levou a sério tudo o que o Pai e Fundador lhe ensinava e nas suas cartas constatamos o seu ímpeto de fazer acontecer Schoenstatt por onde fosse.

“O santo do dia a dia santifica seu trabalho, vive santamente durante toda a semana e, em tudo o que faz, imprime o selo da santidade. Alegrias e tristezas, trabalhos e descanso, orações, palavras e conduta: executa tudo extraordinariamente bem, por amor, isto é, santamente” (Pe. José Kentenich) [2]. Essa frase de nosso fundador pode ser entendida como um resumo da vida de nosso herói José Engling, que de todas as formas foi humilde em todos os anos de sua vida e hoje é um grande exemplo para nós schoenstattianos.

Neste dia que recordamos a sua partida ao lar eterno, rezemos junto com Engling:

“Querida Mãezinha! Mater Ter Admirabilis! A ti novamente me consagro como holocausto. A ti, consagro tudo o que sou e tenho: meu corpo e minha alma com todas as suas faculdades, meus bens e haveres, minha liberdade e minha vontade. Sou teu, inteiramente, sem reservas! Dispõe de mim e do que me pertence, como te aprouver. Se, no entanto, for compatível com teus planos, deixa-me ser um holocausto, pelas tarefas que propuseste à nossa Congregação (Movimento Apostólico de Schoenstatt). Em humildade, teu indigno servo, José Engling”. [3]

 

[1] PAPA FRANCISCO. Angelus, 28 de agosto de 2016

[2] KENTENICH, Pe. José. Santidade de Todos os Dias

[3] José Engling, 31 de maio de 1918. Fonte: HANNAPPEL, Paulo M. José Engling – Nosso Irmão Maior. Sociedade Mãe Rainha. Santa Maria/RS, 2010

Fotos: Karen Bueno

Fonte: schoenstatt.org.br

Algumas lições de José Engling para o isolamento social

Bernardete Ponce – Queria pedir licença para partilhar com vocês uma experiência pessoal. Nesses dias tenho feito algumas reflexões para entender o plano de Deus com essa pandemia que vem acometendo grande parte do mundo. Deus, eu acredito, está no controle, está permitindo tudo isso e, então, quero descobrir o que ele espera de mim pessoalmente nesse momento e em qual sentido ele deseja a minha transformação e o meu crescimento interior por meio disso tudo. Convido cada um, cada irmão na Aliança de Amor, a também fazer essa reflexão.

Preparando um material de formação para a União de Famílias de Schoenstatt, busquei um livro que fala sobre a vida de José Engling (o livro “Herói de Duas Espadas”), que me permitiu uma profunda reflexão para o período que estamos vivendo.

 

José Engling e o isolamento social

José Engling, quando vivia no seminário, em Schoenstatt, teve de ficar sozinho por um certo período. Na Páscoa de 1916, todos os seminaristas tiveram permissão para passar as férias em casa, por causa das dificuldades de alimentação no seminário. Para Engling, porém, uma viagem tão longa não compensava, devido aos gastos e à condição econômica limitada de sua família. Ele, por isso, decidiu permanecer em Schoenstatt, pois essa seria uma boa oportunidade para estar a sós consigo mesmo.

Certa manhã, quando José Engling saiu para caminhar, sentiu que a primavera poderia partilhar com ele um segredo e então, no seu coração, captou a mensagem: “Hoje é primeiro de maio. É por isso que os bosques e os prados andam nessa atividade febril. Cada qual se esmera em preparar à sua Rainha as mais belas homenagens com perfumes e flores. Não quer você também associar-se a esse preito da natureza?”

Engling voltou para casa, tomou o caderno e escreveu: “Flores de maio do jardim de meu coração, oferecidas à Rainha de Maio em seu mês de 1916. Mãe, a ti seja consagrado o jardinzinho de meu coração; para ti quero plantar e cultivar”.

Ou seja, foi num momento em que ele se encontrava a sós que surgiu essa corrente de vida tão rica, que até hoje nós imitamos: as Flores de Maio.

 

Visitas espirituais ao Santuário

Durante o período que serviu como soldado, na guerra, José Engling permaneceu afastado fisicamente de Santuário e poucas vezes pode visitá-lo. Mesmo assim, ele “viajava” até lá espiritualmente todos os dias, como conta, numa carta, ao Pe. José Kentenich: “Há alguns dias, quando as granadas caíam à direita e à esquerda, perto de mim, eu, como de costume, rezava à Mãezinha, e em espírito transladava-me à nossa Capelinha. Então sentia-me tão unido a ela como nunca em minha vida. Tão doce e amável parecia-me sua presença, que não experimentava o menor temor diante das granadas. Era um estado de tanta felicidade que eu teria gostado de permanecer nele para sempre. Como é bela e sublime, como é amorosa e inspira confiança a nossa querida Mater Ter Admirabilis. Muitas vezes sinto uma grande saudade do nosso Santuário, do senhor e dos queridos congregados” (20/05).

José queria tornar-se santo sob a proteção de Maria e pôr-se ao seu serviço. Não apenas sua pessoa, mas também seu trabalho cotidiano devia ser consagrado a Ela. Neste sentido, compôs uma oração, pela qual oferecia seu dia à Mãe Três Vezes Admirável. De certo, o dia presente lhe exigiria duros sacrifícios: trabalho de escavação, cansaço paralisador, fome, ataques imprevistos, corridas cheias de perigos e a maior responsabilidade no posto de sinais. Tudo devia ser uma ininterrupta contribuição ao Capital de Graças.

 

A missa à distância

Também era impossível, para Engling, participar da missa com regularidade, por causa da guerra – então ele o fazia à distância:

“Em seguida assistia espiritualmente à Missa. Em Schoenstatt e em muitos outros lugares se estaria celebrando àquela hora. Para unir-se mais estreitamente ao santo sacrifício, fazia a comunhão espiritual. No sacrifício incruento da cruz encontrara a expressão mais perfeita de seu ideal pessoal: ‘Tudo para todos’. Já em Schoenstatt ele se preocupara em fazer da Missa e Comunhão o centro e a culminância de seu dia”.

Durante as Missas, transportava-se ao Santuário de Schoenstatt; assim realizava simultaneamente sua peregrinação espiritual. Na realidade, ele vivia mais no Santuário do que na frente de batalha e era isto que lhe dava, nas horas de maior perigo, a tranquilidade interior e aquele sangue-frio que tanto surpreendia os companheiros.

Ele também cultivava a íntima união com o Cristo eucarístico durante as suas duas “horas de guarda”, uma pela manhã e outra pela tarde. Assim passava ele seu dia em união com Jesus crucificado e tinha a força e a coragem necessárias para sacrificar-se pelos outros. Para manter sempre vivo este espírito de sacrifício, propôs-se fazer diariamente um ato de renúncia, num ponto que mais lhe custasse.

Engling desconhecia o conceito “não ter tempo”. De tarde, recolhia-se por 15 minutos para a leitura espiritual. Nas últimas semanas fizera-a em meio ao estrondar das granadas e ao zunir dos estilhaços. Ao longo das solitárias horas de observação, nas caminhadas levando mensagens ou quando buscava comida, rezava o terço. O dia culminava com o exame de consciência, a oração da noite, as marcações no Horário Espiritual e o ato de contrição perfeita. E, pela última vez no dia, peregrinava em pensamento a Schoenstatt, a fim de pedir a bênção ao confessor, Pe. Kentenich, conforme haviam combinado.

 

Como ele conseguia tudo isso?

Se José conseguia manter-se mergulhado neste divino isolamento, repleto de Deus, não era isso devido unicamente ao esforço de sua vontade, mas principalmente à riqueza de uma vida interior dirigida pela Graça.

Que nós possamos aproveitar este tempo em que estamos isolados para um mergulho no amor de Deus. Que a experiência do isolamento seja para nós motivo de encontro. Que a experiência em nossa Igreja Doméstica fortaleça os vínculos com os nossos e com o céu. Que saibamos entender o que realmente importa para, depois que tudo passar, pautemos nossa vida em novos e renovados valores.

 

*Citações retiradas do livro Herói de Duas Espadas, por Olivo Cesca, editado pelo Instituto Secular dos Padres de Schoenstatt, 3ª edição.

Fonte: schoenstatt.org.br

Algumas lições de José Engling para o isolamento social

 

Bernardete Ponce – Queria pedir licença para partilhar com vocês uma experiência pessoal. Nesses dias tenho feito algumas reflexões para entender o plano de Deus com essa pandemia que vem acometendo grande parte do mundo. Deus, eu acredito, está no controle, está permitindo tudo isso e, então, quero descobrir o que ele espera de mim pessoalmente nesse momento e em qual sentido ele deseja a minha transformação e o meu crescimento interior por meio disso tudo. Convido cada um, cada irmão na Aliança de Amor, a também fazer essa reflexão.

Preparando um material de formação para a União de Famílias de Schoenstatt, busquei um livro que fala sobre a vida de José Engling (o livro “Herói de Duas Espadas”), que me permitiu uma profunda reflexão para o período que estamos vivendo.

 

José Engling e o isolamento social

José Engling, quando vivia no seminário, em Schoenstatt, teve de ficar sozinho por um certo período. Na Páscoa de 1916, todos os seminaristas tiveram permissão para passar as férias em casa, por causa das dificuldades de alimentação no seminário. Para Engling, porém, uma viagem tão longa não compensava, devido aos gastos e a condição econômica limitada de sua família. Ele, por isso, decidiu permanecer em Schoenstatt, pois essa seria uma boa oportunidade para estar a sós consigo mesmo.

Certa manhã, quando José Engling saiu para caminhar, sentiu que a primavera poderia partilhar com ele um segredo e então, no seu coração, captou a mensagem: “Hoje é primeiro de maio. É por isso que os bosques e os prados andam nessa atividade febril. Cada qual se esmera em preparar à sua Rainha as mais belas homenagens com perfumes e flores. Não quer você também associar-se a esse preito da natureza?”

Engling voltou para casa, tomou o caderno e escreveu: “Flores de maio do jardim de meu coração, oferecidas à Rainha de Maio em seu mês de 1916. Mãe, a ti seja consagrado o jardinzinho de meu coração; para ti quero plantar e cultivar”.

Ou seja, foi num momento em que ele se encontrava a sós que surgiu essa corrente de vida tão rica, que até hoje nós imitamos: as Flores de Maio.

 

Visitas espirituais ao Santuário

Durante o período que serviu como soldado, na guerra, José Engling permaneceu afastado fisicamente de Santuário e poucas vezes pode visitá-lo. Mesmo assim, ele “viajava” até lá espiritualmente todos os dias, como conta, numa carta, ao Pe. José Kentenich: “Há alguns dias, quando as granadas caíam à direita e à esquerda, perto de mim, eu, como de costume, rezava à Mãezinha, e em espírito transladava-me à nossa Capelinha. Então sentia-me tão unido a ela como nunca em minha vida. Tão doce e amável parecia-me sua presença, que não experimentava o menor temor diante das granadas. Era um estado de tanta felicidade que eu teria gostado de permanecer nele para sempre. Como é bela e sublime, como é amorosa e inspira confiança a nossa querida Mater Ter Admirabilis. Muitas vezes sinto uma grande saudade do nosso Santuário, do senhor e dos queridos congregados” (20/05).

José queria tornar-se santo sob a proteção de Maria e pôr-se ao seu serviço. Não apenas sua pessoa, mas também seu trabalho cotidiano devia ser consagrado a Ela. Neste sentido, compôs uma oração, pela qual oferecia seu dia à Mãe Três Vezes Admirável. De certo, o dia presente lhe exigiria duros sacrifícios: trabalho de escavação, cansaço paralisador, fome, ataques imprevistos, corridas cheias de perigos e a maior responsabilidade no posto de sinais. Tudo devia ser uma ininterrupta contribuição ao Capital de Graças.

 

A missa à distância

Também era impossível, para Engling, participar da missa com regularidade, por causa da guerra – então ele o fazia à distância:

“Em seguida assistia espiritualmente à Missa. Em Schoenstatt e em muitos outros lugares se estaria celebrando àquela hora. Para unir-se mais estreitamente ao santo sacrifício, fazia a comunhão espiritual. No sacrifício incruento da cruz encontrara a expressão mais perfeita de seu ideal pessoal: ‘Tudo para todos’. Já em Schoenstatt ele se preocupara em fazer da Missa e Comunhão o centro e a culminância de seu dia”.

Durante as Missas, transportava-se ao Santuário de Schoenstatt; assim realizava simultaneamente sua peregrinação espiritual. Na realidade, ele vivia mais no Santuário do que na frente de batalha e era isto que lhe dava, nas horas de maior perigo, a tranquilidade interior e aquele sangue-frio que tanto surpreendia os companheiros.

Ele também cultivava a íntima união com o Cristo eucarístico durante as suas duas “horas de guarda”, uma pela manhã e outra pela tarde. Assim passava ele seu dia em união com Jesus crucificado e tinha a força e a coragem necessárias para sacrificar-se pelos outros. Para manter sempre vivo este espírito de sacrifício, propôs-se fazer diariamente um ato de renúncia, num ponto que mais lhe custasse.

Engling desconhecia o conceito “não ter tempo”. De tarde, recolhia-se por 15 minutos para a leitura espiritual. Nas últimas semanas fizera-a em meio ao estrondar das granadas e ao zunir dos estilhaços. Ao longo das solitárias horas de observação, nas caminhadas levando mensagens ou quando buscava comida, rezava o terço. O dia culminava com o exame de consciência, a oração da noite, as marcações no Horário Espiritual e o ato de contrição perfeita. E, pela última vez no dia, peregrinava em pensamento a Schoenstatt, a fim de pedir a bênção ao confessor, Pe. Kentenich, conforme haviam combinado.

 

Como ele conseguia tudo isso?

Se José conseguia manter-se mergulhado neste divino isolamento, repleto de Deus, não era isso devido unicamente ao esforço de sua vontade, mas principalmente à riqueza de uma vida interior dirigida pela Graça.

Que nós possamos aproveitar este tempo em que estamos isolados para um mergulho no amor de Deus. Que a experiência do isolamento seja para nós motivo de encontro. Que a experiência em nossa Igreja Doméstica fortaleça os vínculos com os nossos e com o céu. Que saibamos entender o que realmente importa para, depois que tudo passar, pautemos nossa vida em novos e renovados valores.

 

*Citações retiradas do livro Herói de Duas Espadas, por Olivo Cesca, editado pelo Instituto Secular dos Padres de Schoenstatt, 3ª edição.