Aconteceu a 10ª Caminhada com a Ir M Emílie

Ir Maria Aparecida Gehn – No feriado de 15 de novembro de 2021 aconteceu a décima caminhada com a Ir M Emilie Engel, do Santuário Tabor, em Santa Maria, até o Santuário ‘Puer et Pater, no município vizinho de Itaara.

Ir M Emílie Engel pertenceu ao grupo que, juntamente com o Padre José Kentenich, fundou em 1926 o Instituto das Irmãs de Maria de Schoenstatt. Falecida em 20 de novembro de 1955, sua causa de beatificação já foi concluída em Roma, recebendo o título de Venerável, sendo que falta somente o reconhecimento de um milagre pela sua intercessão para ser beatificada.

Já antes das 6h da manhã começaram a chegar ao Santuário Tabor peregrinos de diversas partes da cidade de Santa Maria. Alguns se orgulhavam ao dizer que não perderam nenhuma caminhada e muitos vieram pela primeira vez.  Já na oração de abertura, em frente ao Santuário, ofereceram à Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt a predisposição e alegria em caminhar, com a bênção de Deus, estes 13 km até o Santuário de Schoenstatt em Itaara.

 

13 quilômetros de oração e alegria

Após breve introdução no sentido da caminhada, cada pessoa foi convidada a escrever as suas intenções e colocá-la em uma pequena mala, que foi levada na caminhada e no decorrer do percurso foi recolhendo as intenções e pedidos dos peregrinos. A história da mala nos remete à disponibilidade com que Ir. M. Emilie entregou toda sua vida a Deus. A ‘mala de Ir. M. Emilie’, se tornou um símbolo visível da confiança dos peregrinos no poder e no amor de Deus que conduz a vida de cada um de seus filhos.

O grupo partiu então do Santuário Tabor cantando e louvando a Divina Providência que realizou maravilhas em Ir. M. Emílie e também em cada um e expressando a confiança na sua intercessão pelos peregrinos, pelas pessoas que se encontrariam com eles e por aquelas por quem faziam a caminhada.

A peregrinação foi de muita oração, alegria e de contemplação das maravilhas de Deus na criação tão esplêndida que encontraram no percurso pela Estrada do Perau. Todos, jovens e idosos, deram o máximo de suas forças, confiança e entusiasmo. Nos trajetos mais íngremes, o apoio e o incentivo mútuo foram muito importantes para vencer esta etapa e despertou a reflexão e paralelo com as situações da vida que exigem força e determinação, coragem, união e fé para vencer. A oração do terço, meditações intercaladas com o silêncio e a partilha entre os peregrinos conferiram uma atmosfera alegre a este caminho de fé.

 

Uma ‘mala’ de intenções para a Santa Missa de encerramento

Ao chegar no Santuário em Itaara, destino final, todos se alegraram em ver e saudar a Mãe de Deus em seu Santuário. Como culminância foi celebrada a Santa Missa, presidida pelo Padre Rodrigo Cabrera. Junto ao altar foi depositada a “mala” com todas as intenções oferecidas durante a caminhada.

Isabella Leite Patriota que participou pela primeira vez desta caminhada relata sua vivência: ”Para mim, particularmente, ter tido a oportunidade de participar da Caminhada da Irmã Emílie foi uma experiência muito marcante, não só por estar em comunidade e partilhando deste momento junto da Família Tabor com as minhas coirmãs e Irmãs de Maria que eu tanto admiro, mas também por contemplar a natureza belíssima do Santuário de Itaara e, através do exemplo da Irmã Emílie, cultivar o amor e me afastar de pensamentos e sentimentos negativos, aceitando os acontecimentos e depositando filialmente cada pequena coisa nas mãos do Bom Deus, que como ela mesma diz, sabe sempre o que é bom para nós! A aspiração à santidade que a Irmã Emílie nos passa serve de impulso para este caminho que trilhamos rumo ao céu, rumo ao abandono das coisas do mundo e ao cultivo das coisas de Deus, e estar com as pessoas na caminhada rezando e pedindo por essas graças foi único e transformador. Também o fato de muitas pessoas estarem na caminhada pela primeira vez refletiu que o exemplo é um estímulo que tantos necessitam para se voltarem para a Mãe de Deus e alcançarem a graça da verdadeira conversão e entrega ao Pai. Devemos ser almas missionárias, e colaborar com o trabalho da Santa Igreja Católica de trazer essas almas que permanecem ainda pairando sobre a escuridão e anseiam internamente em seu ser por conhecerem a luz divina da verdade!”

Alegres e confiantes na intercessão de Ir. M. Emílie M. Engel todos retornaram para seus lares fortalecidos na fé e na esperança dispostos a participar novamente desta caminhada no próximo ano.

 

Mais fotos (Jufem e Carlos Iop)

Vem aí a 10º Caminhada com a Ir M Emílie

No próximo 15 de novembro acontecerá a 10ª edição da Caminhada com a Ir M Emílie, uma oportunidade de rezar e meditar (e exercitar-se), aprofundando nosso relacionamento com Deus, contemplando a natureza.

A caminhada parte às 6h do Santuário Tabor e segue até o Santuário Puer et Pater, no Itaara. Às 10h30min acontecerá a Santa Missa.

O percurso será feito pela ‘estrada do perau’ e haverá ônibus para o retorno (R$ 12,00 a passagem).

Cada um leva consigo caneta, água e lanche.

A arte de transfigurar a vida de cada dia

Ir. M. Daniele Ramos – Cada vez mais lemos e ouvimos que vivemos num mundo em constante mudança. São muitos os desafios que, por vezes, exigem de nós uma posição inovadora.

“Há um mundo sempre antigo e sempre novo…” Já em 1912 o desejo de mudança era um imperativo do tempo e nos é conhecida a proposta de nosso Pai e Fundador aos jovens. Uma fórmula simples, eficiente e, ao mesmo tempo, decisiva de transformação da realidade em que viviam: autoeducação.

É verdade, o mundo exige mudanças e temos a necessidade de mudar. A renovação do macrocosmo continua hoje dependente do domínio e da transfiguração do microcosmo, de nosso pequeno mundo interior. O grande desafio e dificuldade é aceitarmos que essa transformação deve acontecer dentro de cada um de nós.

O lema escolhido pela Família de Schoenstatt do Brasil, “Família Tabor, transfigura hoje a realidade”, nos convida justamente a percorrer esse caminho. Por ele, somos convidados a transformar, transfigurar os acontecimentos, por uma predisposição positiva em relação a eles.

 

O “Sim Pai” que tudo transfigura

 

                                     Caminhada com a Ir M Emília, em Santa Maria/RS

 

Um exemplo de quem trilhou este caminho é a Ir. M. Emílie Engel, cujo aniversário hoje recordamos (5 de fevereiro). O lema “Sim Pai”, assumido como seu ideal de vida, tem muito a nos ensinar. Na escola do Santuário, da Aliança de Amor e, sobretudo, sob a direção espiritual do Fundador, Ir. M. Emilie descobriu o verdadeiro rosto de Deus como um Pai rico em amor e misericórdia, que nos ama sempre, mesmo quando caímos ou lhe viramos as costas. Por isso, mesmo duramente provada, Ir. M. Emilie soube transfigurar seu sofrimento e sua dor na certeza do amor paternal de Deus que dirigia sua vida. Em tudo e sempre ela renovava o “Sim Pai” e procurava causar alegria ao bom Deus. Esta atitude lhe deu uma predisposição positiva diante da vida e dos acontecimentos. Deste modo, se tornou um polo de paz no qual muitas pessoas encontraram abrigo e segurança em suas aflições.

Mas não foi sempre assim na sua vida. Emilie Engel trazia uma imagem errada de Deus, formada já na sua infância. Temia a Deus como um juiz severo e julgava que, por uma mínima falta sua, pudesse ser castigada e “perder o bom Deus”. Este sentimento foi tornando-a escrupulosa, tímida e introvertida, sem liberdade interior.

Até que… Schoenstatt entrou em sua vida. No Santuário, ela fez uma experiência profunda e positiva de Deus que se transformou na experiência central de sua vida. Neste caminho, Ir. M. Emílie encontrou sempre mais a felicidade e a alegria de viver. A partir deste “lugarzinho”, sua vida se transformou, transfigurando aspectos antes envolvidos na “escuridão”.

 

O que Ir. M. Emilie descobriu em Schoenstatt?

 

                          

                                                   (Foto: Monique Vaz, @desenhocatolico)

 

Descobriu que o olhar de Deus Pai se volve para nós com indescritível e imenso amor. Acompanha-nos em cada momento e nos protege.

Na força transformadora da Aliança de Amor, Ir. M. Emilie foi educada até que podia afirmar do íntimo do seu coração: “Eu sei que tu és meu bom Pai”. Ela explica: “Vemos o olhar do Pai repousar sobre nós com indizível amor. Sim, ele nos persegue a cada momento, para nos proteger e fazer o bem”. Ela sabia que estava abrigada sob esse bondoso olhar. E, mesmo quando Deus exigia algo difícil e incompreensível, ela não se deixava confundir, mas se abandonava à Divina Providência, pois acreditava: “o que o Pai faz ou permite é sempre bom, mesmo que exteriormente tudo permanece inexplicável”. É dela também a afirmação: “Para que precisamos saber o que foi determinado para nós daqui 5 minutos? Somente precisamos saber o que o Pai previu para o momento presente”. Nesta fé ela pôde experimentar mil vezes: Deus cuida! Deus é bom! E bom é tudo o que Ele faz e permite!

Transformada pela Aliança de Amor, Ir. M. Emílie se tornou ela mesma luz que ajudou a transfigurar a vida dos que conviviam com ela. Alguém que conviveu com Ir. M. Emilie testemunha: “Todas amávamos Emilie, não podia ser diferente. Irradiava-se dela um mundo diferente, iluminando a sua existência repleta de dor, com o brilho da transfiguração. Sentíamo-nos felizes na sua proximidade. Emilie era o respeito personificado e possuía uma genialidade genial, que, perante Deus e as outras pessoas, a transformava numa pessoa bela, simpática e amável. Representava realmente o ‘novo homem’ que o Padre Kentenich e a Mãe de Deus esperam encontrar em nós” (Emilie Engel, Uma vida doada a Deus e ao próximo, p. 37).

 

Um sorriso que continua “transfigurando” a realidade

 

                                              (Foto: Lichi Mariño, via cathopic.com)

 

O sorriso estampado em seu rosto se tornou, para muitas pessoas que têm contato com a foto de Ir. M. Emílie, uma “fonte de luz”. “Que olhar cristalino”, “Quanta paz este sorriso me traz”, são afirmações comuns de pessoas que entram em contato com o folheto com a oração pedindo sua beatificação. Os responsáveis pelos secretariados que trabalham para sua causa de beatificação que o digam!

No Paraguai, a Campanha da Mãe Peregrina tem até mesmo uma imagem peregrina especial, que leva o nome “Serenidad” (serenidade) e é acompanhada de uma novena pela beatificação de Ir. M. Emilie. E é dedicada especialmente ao apostolado entre os doentes de depressão.

E nós, somos também uma fonte luz que ajuda a transfigurar a vida dos que convivem conosco?

Minha vinculação com a Ir M Emilie

No último dia 20 recordamos o falecimento (e o nascimento para o céu) da Venerável Ir M Emílie Engel. Muitas pessoas encontram nela um modelo de vida e uma intercessora junto a Deus. No testemunho que segue, a jovem Luana Cardoso, da Jufem Brasília, nos conta a sua experiência.

“Chamo-me Luana Cardoso, tenho 23 anos, curso Letras e participo da Jufem de Brasília. Venho contar um pouco sobre meu vínculo espiritual com a venerável Ir. M. Emilie Engel, pois, neste dia 20 de novembro, recordamos a data de seu retorno ao lar eterno. 

A Irmã Emilie é para mim um grande exemplo de mulher que soube viver heroicamente a filialidade diante de Deus Pai e experimentou fortemente seu amor bondoso e misericordioso. Identifico-me muito com ela, pois, assim como eu, o seu temperamento era melancólico. A natureza da Irmã Emilie era muito propensa à sensibilidade e ansiedade, mas lutava contra essas inclinações, buscando tornar-se cada vez mais alegre, livre, confiante e amável.  Desta forma, passei a admirá-la e ela se tornou minha fiel companheira na busca pela educação de meus instintos, auxiliando-me nos esforços para alcançar um maior desprendimento e liberdade interior.

Cerca de 1 ano atrás, passei por uma enorme aflição e fui diagnosticada com transtorno de pânico e depressão ansiosa; diante dessa situação, orientada pelas Irmãs, fui buscar ajuda em suas novenas. Estava sendo tomada por um sentimento de angústia e indiferença, mas, ali, a Irmã Emilie me ajudou e me mostrou o quanto Deus nos tem como seus filhos prediletos, como Ele cuida de nós, preocupa-se com nossos interesses, acompanhando-nos a cada segundo. Ao final das novenas, senti-me profundamente abrigada no coração de Deus, de uma forma muito serena, em meio a um turbilhão de acontecimentos, conquistando uma tranquilidade interior e fortaleza na fé. O vínculo com a Irmã Emilie foi uma grande luz para mim, sendo essencial durante o tempo de tratamento médico; não há dúvidas de que ela intercedeu por minha cura. 

Tenho uma enorme admiração pelo fato de ela ter permanecido sempre fiel a seu SIM filial, fiel à Aliança de Amor, mesmo com tanto sofrimento. Certas vezes, já questionei os caminhos e obstáculosda vida, mas a Irmã Emilie me ajudou a enxergar que Deus é sempre amor e me ensinou a considerar as dificuldades do dia a dia como tarefas, não fugindo delas, mas crescendo e amadurecendo, confiando no plano de amor celeste. Pouco a pouco, fui parando de me sentir desanimada e passei a experimentar um abrigo no coração de Deus Pai, com todas as alegrias e dificuldades que Ele envia. E, quando as preocupações começam a voltar, entrego a ela e peço que me ajude a reconquistar a tranquilidade interior e confiança na Divina Providencia. Graças ao seu auxílio, consigo enxergar hoje minhas limitações não como fardos, mas como meios para que a misericórdia de Deus seja derramada mais abundantemente sobre minha pequenez. 

Por fim, vejo a Irmã Emilie como uma verdadeira santa, exemplo de mulher de coragem, ousadia e repleta de outras grandes virtudes. Com a ajuda do Padre Kentenich, ela enobreceu suas faculdades e conquistou uma profunda riqueza interna, em busca de uma semelhança à Mãe de Deus. Em meio a dores e lutas, ela foi tornando-se mais pura, compreensiva, bondosa e amável, transbordando a presença do Pai Celestial. Assim, peço que o Pai Fundador me eduque a exemplo da Irmã Emilie, pois, como ele próprio disse: “Não há nada tão semelhante a Deus como uma mulher nobre que, em nobre desprendimento e singela posse de si mesma, plena de Deus, possui o espírito de liberdade disciplinada”. 

Agradeço a ela pelo auxílio e rezo especialmente por sua beatificação e intercessão por nós, sobretudo diante de todos desafios deste tempo de pandemia. Ir. M. Emilie Engel, rogai por nós! “

 

Por: Luana Cardoso, Jufem Brasília/DF – Regional Sudeste

Edição por Marina, Jufem Rio de Janeiro/RJ – Regional Sudeste

Fonte: Jufem Brasil

Jufem de Santa Maria realiza a IX Caminhada da Ir. M. Emilie

Simone Tabolka – Após mais de oito meses em quarentena pela pandemia do Covid-19, a Juventude Feminina de Schoenstatt de Santa Maria se uniu no último sábado, 21 de novembro de 2020 para uma caminhada de 13Km, desde o Santuário Tabor (Santa Maria/RS) ao Santuário Tabor Puer et Pater (Itaara/RS).

A Caminhada é costume há 9 anos, e relembra a peregrinação realizada pelas Irmãs de Maria, de Metternich à Schoenstatt – Alemanha, pedindo a cura de Ir. M. Emilie[1]. Em 2011, a peregrinação começou a ser feita em Santa Maria, com a iniciativa das Irmãs de Maria, para que a devoção à Venerável Serva de Deus Emílie Engel fosse propagada.

Nesta Caminhada, a Jufem Santa Maria abriu seu jubileu de 75 anos de história. Com profunda gratidão pelos prodígios realizados no canteiro Lirial da Juventude Feminina e em ardente súplica pela florescência de novos lírios, pela intercessão de Ir. M. Emilie.

Mesmo no caminho íngreme, podemos contemplar as maravilhas da criação de Deus, na natureza exuberante que acompanhava a maior parte da Caminhada e no compartilhar a alegria de estar unidas por um mesmo ideal: ser Lírio do Pai, Tabor para o mundo! Também foi possível ver o quanto o testemunho de uma juventude que ama a Mãe de Deus e quer a seu modelo viver a pureza, fala alto, mesmo sem usar palavras, numa sociedade na qual muitas vezes os valores da fé são deturpados.

O lema da IX Caminhada da Ir. M. Emilie foi “Com Ir. M. Emílie ‘vê’: Deus te chama para trilhar um caminho de santidade” nos fez refletir e foi aprofundado na Santa Missa à sombra do Santuário Puer et Pater, na qual o presidente da celebração, Pe. Clécio Almeida, perguntou a Juventude se aquilo que cantamos no Hino da Jufem Brasil, com tanto ardor – “Maria queremos ser” – é sério em nossa vida e o caminho que de fato queremos seguir, à luz do que nos ensina nosso Pai e Fundador, Pe. José Kentenich, por meio de suas palavras e seu testemunho.

Sem dúvidas, a Caminhada à luz da vida de virtudes heroicas de Ir. M. Emilie Engel, na sua doação total a Schoenstatt, fez brilhar novamente e com mais ardor, o amor pela missão, a coragem de testemunhar Schoenstatt, fiéis ao Pai e Fundador assim como foi Ir. M. Emilie e pelo nosso ser, conduzir muitas almas a Deus Pai e novos lírios para a Jufem, como presente jubilar!

Mais fotos (Heloísa Seikoski)

 

[1] Uma vida doada a Deus e ao próximo – p. 42

A mala e a Providência: Lições de Irmã Emilie para 2020

Monique Vaz – Hoje, 20 de novembro, recordamos a data da ida da Ir. M. Emilie Engel ao céu. Podemos ter, através do seu exemplo, uma resposta para os tempos difíceis, como é o caso de 2020 com a pandemia do coronavírus. Ela dizia “Sim, Pai” diante as aflições interiores e exteriores, confiava que esse “sim” traria uma liberdade interior, cura, transformação e santificação.

A Ir. Emilie Engel costumava dizer que cada pessoa tem uma grande mala com todos os seus bens. E, por amor ao Pai Eterno, tínhamos que entregar a Deus dizendo: “Eis-me, aqui eu te dou tudo, inteiramente tudo o que sou e tenho. Tudo recebi de ti; agora, com toda a liberdade, podes tomar tudo novamente”. E então o Pai receberia com alegria e nos daria novamente essa mala, dizendo que poderíamos ficar com tudo o que tem nela, mas que, ocasionalmente, buscaria aquilo que mais lhe agradasse.

Quando Deus Pai vem buscar, pode ser difícil dar as coisas tão valiosas de nossas malas. Mas para Ir. M. Emilie, o sorriso reinava quando Deus vinha buscar algo e, apesar do sofrimento, ela não se zangava ou questionava, também não queria pegar de volta aquilo que lhe foi tirado, agradecia por tudo aquilo que o Pai ainda havia lhe deixado e poderia vir buscar mais tarde. Percebia o quanto a sua mala não estava vazia!

 

                                     

                                                                                      (Foto: Monique Vaz)

 

Em setembro de 1935 ela adoece gravemente, uma tuberculose pulmonar aguda. E realmente Deus havia tirado muitas coisas de sua mala: o corpo estava quase paralisado, a boca já não pronunciava uma só palavra, somente lhe restavam os movimentos do braço direito, os olhos, ouvidos e a razão. Também, em certo período, teve que ir para um sanatório de doenças pulmonares e transformou o local em sua escola de santidade. Percebeu que a santidade não é uma consequência de seus atos, mas sim uma tarefa que precisava assumir.

Aprende, e experimenta, que Deus é um Pai misericordioso que ama e não espera a perfeição, mas o amor de sua filha. E assim, com a certeza que era muito amada, conseguiu suportar todos os sacrifícios que lhe foram exigidos até a sua partida ao lar eterno.

E nós, será que estamos dispostos a dizer um “Sim, Pai” confiantes na condução de Deus em nossas vidas? O que será que Deus veio buscar das nossas malas esse ano? Conseguimos ver o amor de Deus mesmo em meio a uma pandemia?

Que possamos refletir como estamos agindo e aproveitar o dia de hoje para dizer: SIM PAI!

 

      

                                  Santuário de Metternich (Foto: Monique Vaz)

 

Um breve relato sobre como vivi meu “Sim Pai” nessa pandemia

Em 2017 participava do Schoenstatt Zeit [1] e tive a oportunidade de conhecer Metternich [2] e, ali, a história da Ir. M. Emilie Engel começou a me inspirar, principalmente nas dificuldades e em como lidar com elas. Nós duas temos o mesmo temperamento, o melancólico, então me sinto compreendida, mas também consegui me espelhar em como educar minhas angústias e sofrimentos com alegria. Algo que em 2020 foi muito necessário! Além da pandemia, surgiram vários problemas no mesmo período, como: lidar com desemprego, retorno para a casa dos meus pais, doença da minha mãe… e em cada um deles eu pude dizer o meu “Sim Pai, confio cegamente!”

E foi após esse “sim” que comecei a ver outros caminhos, percebi que tinha que olhar para os desígnios de Deus como a Ir. Emilie olhava – e minha vida se transformou totalmente. Em vez de olhar para as oportunidades que haviam sido “tiradas” da minha mala, resolvi ver o que eu poderia fazer com o que eu ainda tinha nessa mala. E assim comecei a trabalhar como freelancer e em paralelo abri a minha loja, o @blumedesignsanto, onde já tenho um bom retorno e estou investindo para ser minha renda principal, algo que só seria possível se não tivesse em um emprego estável. Então percebi que Deus tinha tirado algo, mas eu teria algo muito maior ali. Também resolvi cuidar da minha saúde mental, pois ano passado tinha sido diagnosticada com crise de ansiedade e, para isso, resolvi resgatar um hobby de infância: voltei a desenhar, algo que me faz tão bem e ainda por cima consigo evangelizar através dele, um hobby que está ganhando um espaço no ambiente digital @desenhocatolico e me permitiu conhecer muitas pessoas.

Esses são apenas alguns exemplos do que eu precisei fazer com o que tinha na “minha mala” e dizer diariamente “Sim, Pai!” para seguir em frente. Agradeço à Ir. Emilie por ter me ajudado a ser assim, ser minha companheira nesse período, e rezo pela sua beatificação.

 

[1] Programa desenvolvido pela Juventude Feminina de Schoenstatt para aproximar as jovens do Santuário Original, da história do Movimento e de locais importantes para a

[2] Metternich é o local onde Ir. M. Emilie viveu, sede da Província Providência, das Irmãs de Maria. Ela também foi sepultada neste lugar.

Desenho e foto destacada: Monique Vaz, @desenhocatolico

Fonte: schoenstatt.org.br

Filialidade: O caminho para ser uma personalidade autêntica

O que é necessário a uma pessoa para significar algo para os outros?

Ir. M. Dioneia Lawand – “Diante de mim está a imagem de uma mulher com um rosto acolhedor, com olhos brilhantes e um sorriso otimista – diz uma jovem estudante. Ela me parece serena, desprendida, livre. Um reluzir que chega até por uma foto, um reluzir que me torna curiosa por saber algo sobre seu caminho.” [1]

Outra jovem testemunha: “Meu primeiro pensamento foi: aqui está, diante de mim, uma pessoa que irradia o amor, a bondade e a beleza de Deus. Eis aqui o homem novo, que é natural e sobrenatural ao mesmo tempo. […] Em mim se despertou, fortemente, o anseio de poder pertencer a esta comunidade. Também eu queria me tornar tal pessoa: alegre, tranquila e profunda.” [2]

Quem é esta mulher, pela qual Cristo deixa brilhar sua luz?

Ir. M. Emílie Engel, uma das cofundadoras do Instituto Secular das Irmãs de Maria de Schoenstatt. Nela experimenta-se uma personalidade de mulher que desdobrou os valores femininos. Sua profunda religiosidade, seu vigor e seu coração bondoso concederam-lhe forças, mesmo muito enferma, para dirigir a maior Província do Instituto numa cadeira de rodas.

Em Ir. M. Emilie, assim como em tantas outras personalidades, pode-se comprovar a eficácia da ascese e da pedagogia de Schoenstatt na formação da mulher.

Isso não aconteceu “da noite para o dia”

Aos seis anos de idade, Emilie começa a sofrer crises de angústia, que ela mesma chama de início da “via-sacra de sua vida.” [3] Enxergava a Deus como uma figura autoritária, um juiz severo e sem piedade. Somente anos mais tarde, após participar de um congresso para mulheres [4] em Schoenstatt, com o auxílio da pedagogia do Pe. José Kentenich, abre-se o caminho para a liberdade interior de Emilie.

O medo e as angústias que essa jovem experimentou por tanto tempo e que, segundo o Pe. Kentenich, estavam interiormente enraizados e generalizados à maneira de um câncer e pareciam impossíveis de expirar [5], na vivência da profunda filialidade, transformaram-se em grande serenidade e segurança, de tal modo, que ela se doava profundamente aos outros. Suas palavras comprovam esta realidade:

“Se Deus é todo amor e nos revela seu amor através das pessoas, então, isso também quer dizer para mim: ser inteiramente AMOR!” [6]

“À medida que somos filhas da confiança, em tempos difíceis, podemos ser para os outros o bastão, o arrimo, a luz e o sol.” [7]

Ir. M. Emilie sofria sob muitos e dolorosos limites. Mas, sob a condução pedagógica do Pe. José Kentenich, foi-lhe concedido experimentar a mais bela verdade sobre o bom Deus: Ele é um Pai misericordioso! A conhecida fraqueza, as faltas e as misérias pessoais despertam, acima de tudo, o poder e a riqueza do amor de Deus.

Por meio do carisma pedagógico de Schoenstatt, Ir. M. Emilie encontrou o segredo da santidade. Sabia, como genuína filha da divina Providência, “colocar a escada da fé” e ver, numa clara luz, os acenos de Deus por trás dos acontecimentos. Ela aprendeu a considerar as próprias misérias como misericórdias divinas.

Uma autêntica líder schoenstattiana

Ir. M. Emilie tornou-se uma líder extraordinária, fez parte da primeira Direção Geral do Instituto das Irmãs de Maria, foi Mestra de Noviças e a primeira Superiora Provincial da maior província de Irmãs do Instituto.

Durante os anos do exílio do Fundador, com ânimo, ousadia e sem vacilar, Ir. M. Emilie toma iniciativas, onde as considera corretas e necessárias, para defender o Fundador e o Instituto das Irmãs de Maria.

Manifesta suas convicções com respeito e clareza, sem intimidar-se de qualquer modo ao defender a verdade, a honra e a justiça, seja em forma oral ou escrita, frente às mais altas autoridades eclesiásticas. Também anima outros a atuarem com a mesma intrepidez. Em 1954, Ir. M. Emilie viaja a Roma com a finalidade de evitar influências externas no Capítulo Geral de sua comunidade, que estava por acontecer, e solicitar, nas instâncias correspondentes, a garantia na liberdade de eleição da nova Direção Geral. [8] Seu pedido é atendido pelo Vaticano e a liberdade e autonomia das Irmãs de Maria são respeitadas.

 

 

Em 20 de novembro de 1955, Ir. M. Emilie Engel morre com fama de santidade.

Seu processo de beatificação foi então aberto e caminha com rapidez. Confia-se que, num futuro não tão distante, poderá ser apresentada a primeira Irmã de Maria beatificada. O caminho que a levou a tal altura é semelhante ao de Santa Teresinha: a infância espiritual que, em Schoenstatt, se denomina “filialidade”.

“As dificuldades da Obra nascente impulsionaram a evolução da saúde psíquica de Ir. M. Emilie até levá-la à posse de um elevado grau de liberdade própria dos filhos de Deus. Ela morreu, como é reconhecido publicamente, em fama de santidade”, disse o Pe. José Kentenich. [9]

Pedagogia comprovada

Algo impossível de se explicar segundo as leis naturais é a vida de Ir. M. Emilie. Se ela tivesse ficado à mercê de si mesma, se não tivesse seguido sua vocação, provavelmente sua vida teria sido um fracasso. Porém, em Schoenstatt, ela encontrou um lar e um caminho de libertação interior. Descobriu ali um mistério que transformou a sua vida para sempre. A partir de Schoenstatt e da condução do Pe. José Kentenich, acontece um milagre em Ir. M. Emilie: aos poucos, tudo o que era fraqueza em sua personalidade se torna ponto de irrupção da graça! Entendeu e experimentou que Deus é Pai, que é amor, que Ele pode e quer realizar grandes obras por meio dos pequenos! Sua profunda vivência de limitação desemboca no oceano do amor e da misericórdia do Pai.

“Sua vida e sua aspiração santas foram, sobretudo, obra da graça, mas também fruto plenamente maduro de nossos princípios pedagógicos.” [10]

 

 

A santidade foi o objetivo da vida de Ir. M. Emilie Engel desde o começo.

O Pe. Kentenich comprometeu-se perante ela e seu pai (Sr. Amoldo Engel) a conduzi-la a este cume. E foi fiel à sua palavra.

Pouco antes de sua morte, na carta de despedida à sua Província, Ir. M. Emilie Engel escreve: “Não esqueçamos nunca o que devemos ao Senhor Padre (ao Pe. Kentenich) [11]. Guardemos fidelidade a ele e sigamos em suas pegadas os caminhos da Providência Divina. Muitas coisas da atual situação da Família só vamos compreender à luz da eternidade.” [12]

Seu testamento: “Por toda a eternidade quero cantar hinos de louvor ao amor misericordioso do Pai e da Mãe de Deus e ser um sacrifício de louvor. Não posso enviar nenhuma saudação ao Senhor Padre, mas estarei junto dele da eternidade e mostrar-me-ei grata tanto quanto o bom Deus me permitir.” [13]

Sua vida é um facho de luz na escuridão do mundo atual. Uma luz que indica o caminho da santidade filial, uma luz que enaltece e comprova a espiritualidade e a pedagogia de Schoenstatt, uma luz que faz brilhar ainda mais a vida íntegra e coerente do Pe. José Kentenich.

 

Referências

[1] Novena Ir. M. Emilie Engel – Missão para os homens de hoje.

[2] Novena Ir. M. Emilie Engel – Missão para os homens de hoje, p.25.

[3] WOLFF, Margareta. Meu sim é para sempre, p. 23.

[4] Congresso realizado de 4 a 8 de junho de 1922

[5] KENTENICH, José apud WOLFF, Margarete Emilie Engel: Zeugnisse-Briefe- Tagebuchnotizen, p. 76.

[6] Novena Ir. M. Emilie Engel – Missão para os homens de hoje, p. 44

[7] Novena Ir. M. Emilie Engel – Missão para os homens de hoje, p. 39

[8] WOLFF, Margareta. Meu sim é para sempre, p. 225.

[9] WOLFF, Margareta. Meu sim é para sempre, p. 258.

[10] KENTENICH, José; apud WOLFF, Margareta: Meu sim é para sempre.

[11] Senhor Padre é a expressão com a qual tratavam o Pe. José Kentenich

[12] ENGEL, Emilie, apud WOLFF, Margareta: Meu sim é para sempre, p.251.

[13] ENGEL, Emilie, apud WOLFF, Margareta: Meu sim é para sempre, p.259.

 

Fonte: schoenstatt.org.br

Ir. M. Emilie e alguns de seus “super poderes”

 

“Senhor, torna-me madura como um grão de trigo, alimento para os famintos e desvalidos.
Que toda minha vida seja uma oferenda, doação total, então, estarei vazia de mim mesma e madura para a eternidade!” (Ir. M. Emilie Engel)

Karen Bueno – Tem pessoas que, só pelo olhar, já transmitem um pouco daquilo que é divino. São pessoas comuns, que estão na padaria, no supermercado ou na farmácia, mas que carregam um segredo particular: elas deixam escapar, em seus traços, a experiência que fizeram com o amor de Deus.

Um sorriso, uma palavra ou o simples estar próximo são os “super poderes” dessas pessoas, que fazem do céu uma realidade mais próxima e mais presente do nosso dia a dia. Quer um exemplo? Basta olhar a imagem acima. Ir. M. Emilie Engel, cujo aniversário é celebrado em 6 de fevereiro (isso mesmo, hoje), foi uma dessas pessoas especiais.

É uma mulher normal. Ao olhar para sua expressão serena, ou mesmo para as suas vestes de consagrada, não a imagine com dons sobrenaturais ou com habilidades excepcionais. Seus “super poderes” eram diferentes.

Ir. M. Emilie soube transparecer o divino – ser reflexo de Cristo – em todos os estágios da vida: na alegria, na confiança, na criatividade, na vinculação, na entrega, na dor, no sofrimento…

Mas nem sempre foi assim. A princípio, desde criança, Emilie era medrosa por natureza e sofria com crises de angústia. Os complexos de inferioridade, que muitas vezes nós também carregamos, marcaram suas lutas pela santidade. Como se diz muitas vezes, ela é “gente da gente”.

Mas Emilie conseguiu avançar muito além do seu ser débil e incapaz. E isso ela alcançou porque sempre estava aberta para a graça divina. Vejamos, para nos inspirar, três de suas características que a tornaram mais semelhante a Cristo:

 

Alegria – Quem quer refletir Cristo para o mundo precisa ser alegre, afinal, não existe cristão autêntico com “cara de pimenta com vinagre”, diz o Papa Francisco [1]. Ir. M. Emilie, como se sabe, foi diagnosticada com tuberculose e sofreu muito pela doença. Mesmo assim era uma pessoa alegre e também alegrava os demais. Em seus apontamentos, escreve: “Afirmar com alegria minha condição e vê-la como uma prova de amor da parte de Deus. Suportar ocultamente meus pequenos e grandes sofrimentos com o rosto alegre, para que ninguém os perceba” [2].

Filialidade – Ela mesma descreve como queria viver essa característica: “Penso que devo transferir para a minha vida espiritual, para o meu relacionamento com Deus e com os que o representam, o procedimento natural de um bom filho. O fundamento deve ser a consciência do meu total desamparo, do meu nada e de um profundo espírito de fé, que me impulsionem a lançar-me nos braços paternais de Deus. Desse espírito de fé deve brotar a simplicidade da criança, o olhar dirigido unicamente a Deus” [3].

Espírito sacrifical – Ir. M. Emilie não queria “dar somente seu sim a todos os sofrimentos e dificuldades interiores e exteriores, mas também agradecer por isto e, inclusive, desejá-los como um meio de santificação” [4]. Unida interiormente ao sofrimento de Cristo, implora “poder amar meu abandono interior sabendo que, nele, Jesus se inclina para mim”.

 

Um grão de trigo

Tudo isso, e muito mais, a tornaram um pouco mais parecida com Cristo. O resultado não surgiu da noite para o dia; foi reflexo de uma vida toda, entre acertos e tropeços. E hoje, chamada de “venerável” pela Igreja, do céu ela pode nos ajudar a também sermos reflexos de Cristo: “Todos vocês, os que sofrem sob grande angústia, venham comigo no trem expresso da filialidade. Convido-os ao compartimento no qual estou sentada, à frente do qual está escrita a palavra ‘Providência’ e, em seu interior, vale a senha: ‘Ita Pater – Ita Mater’ (Sim, Pai – Sim, Mãe)”.

 

Oração pela canonização de Ir. M. Emilie Engel

Deus, nosso Pai, confiando filialmente em tua sábia e bondosa providência, Irmã Emílie trilhou o caminho de sua vida. Mesmo no sofrimento e na insegurança ela pronunciou o “Sim Pai” aos teus desejos e a tua vontade. Desta forma ela encontrou profundo abrigo em teu coração paternal, em meio a todos os temores e aflições. Nela manifestaste poderosamente teu amor e tua misericórdia.

Eu te peço a canonização de Irmã Emílie para a tua glória, para a honra da Mãe e Rainha Três Vezes Admirável de Schoenstatt e para a bênção da humanidade.

Por sua intercessão, atende os meus pedidos, assim como corresponde a tua bondosa providência. Amém.

 

Se a sua oração for atendida, envie-nos uma mensagem pelo formulário de contato do site

 

 

[1] Papa Francisco. Homilia matutina, Casa Santa Marta, 10.05.2013

[2] Wolff, Margareta. Meu sim é para sempre. Sociedade Mãe e Rainha, Santa Maria/RS, 1ª edição

[3] Idem

[4] Ibidem

VIII Caminhada com Ir. M. Emilie

Ir M Driene V. da Silva / Ir M Raquel Mainardi – Em 15 de novembro, como está se tornando tradição em Santa Maria/RS, realizou-se mais uma caminhada pela beatificação da Venerável Serva de Deus Ir M. Emilie Engel. O lema que norteou a VIII caminhada foi: “Com Ir. M. Emilie, queremos trilhar o caminho da Santidade”.

A caminhada teve início às 6h no Santuário Tabor e contou com dezenas de pessoas, que se dispuseram a peregrinar, a pé, o percurso de 11 km do Santuário Tabor, em Santa Maria, ao Santuário Puer et Pater, no vizinho município de Itaara.

Na oração inicial, diante do sacrário e do trono da Rainha da Filialidade Heroica, foi colocado o objetivo da peregrinação. Cada participante foi convidado a escrever em um bilhete a intenção para esta caminhada e colocá-la na “mala de Ir M. Emilie”, que foram depositadas sobre o altar na Santa Missa. As palavras de Ir M. Emilie, ditas a um grupo de Irmãs que em 1955 peregrinaram ao Santuário Original, em Schoenstatt/Alemanha, pedindo a sua cura, foram mais uma vez estímulo para os hoje novamente se colocavam em peregrinação: “Queremos fazer essa peregrinação numa atitude adequada: por um lado, com uma confiança filial e singela, capaz de transportar montanhas; por outro, na firme fé de que o bom Deus preparou algo melhor, caso não realizar esse milagre agora. Certamente, o céu terá alegria com sua força sacrifical e seus esforços”.

Com o apoio de um carro de som, o grupo partiu do Santuário Tabor. Esta foi uma novidade deste ano e ajudou para que todos pudessem participar melhor nos terços, reflexões e cantos no caminho, o que contribuiu para que todos permanecessem concentrados e unidos. Contudo o que caracterizou esta caminhada foram as suas 9 paradas e meditações. A cada parada foi contemplado um elemento do caminho de Santidade percorrido por Ir M. Emilie e que fazem parte também do nosso caminho.

Na primeira parada, diante dos trilhos de trem, a reflexão evocava o símbolo do trem que tanto foi caro para Ir M Emílie: “Ao conhecer Schoenstatt, ela se deixou conduzir pela orientação do Padre José Kentenich; caminhou segura, presa pela mão firme de guia da MTA que a levou à estação na qual embarcaria no trem da Divina Providência, para encontrar a Deus Pai.”

Assim Ir. M. Emílie, nos ensina que, apesar das dificuldades, os trilhos do trem da Divina Providência sempre vão conduzir nossa vida à sua meta final, Deus Pai.

No final da meditação, um presente da Divina Providência: todos se surpreenderam ao ouvir o barulho de um rem, que estava se aproximando. Era um grande trem de carga. Todos ficaram admirados e puderam contemplar visualmente o símbolo que Ir. M Emilie usava para expressar o trem da Divina Providência no qual ela havia “embarcado”.

Nas paradas seguintes, foram comtempladas as pedras que nos fazem tropeçar, as necessidades dos que estão à beira do caminho; o perigo dos atalhos, a subida a Deus, a santidade no fim do caminho, avançar ou retroceder, as encruzilhadas e nossa missão, ir ao Pai.

A caminhada durou aproximadamente 6h e teve seu fecho com uma Missa campal à sombra do Santuário Puer et Pater, presidida pelo Pe. Valmor Pastre, da Paróquia de São Pedro, Arroio Grande – Santa Maria. Em sua homília fez uma exortação ao desprendimento dos bens terrenos. Aplicou à nossa vida e à vida de Ir M. Emilie: “Ela é uma criatura que viveu santamente, em fidelidade, o carisma de seu Fundador. ”

Terminada a celebração o grupo se despediu do Santuário e retornou a Santa Maria. Alguns voltaram a pé, de carro, ou de ônibus, muito contentes e agradecidos pela bela caminhada, onde puderem experimentar um encontro espiritual com Ir. M. Emilie.

Mais fotos (Carlos Iop)

Irmã M. Emilie: Uma filha heroica!

 

Ir. Ana Paula R. Hyppólito – Liberdade interior! Quem não deseja alcançá-la e vivê-la em plenitude? Ao contemplarmos a vida de Ir. M. Emilie Engel, neste aniversário de sua partida para a eternidade, descobrimos, sempre mais, o poder da graça que atua em sua vida, em um longo processo de crescimento interior, que lhe possibilita vencer muitas dificuldades e alcançar a verdadeira liberdade dos filhos de Deus.

Ela é uma pessoa normal

Quando lemos sobre a vida de um santo e conhecemos suas virtudes, podemos, às vezes, desanimar, por considerá-lo um tanto “inatingível” para nós, pessoas normais. Com Ir. M. Emilie isso não acontece! Vemos o quanto ela é humana, “normal”, com limites, fraquezas, mas também possibilidades. Ela reconhece seus lados de luz e de sombra e se deixa formar e educar pelo Pe. José Kentenich, Fundador da Obra Internacional de Schoenstatt. Ela luta muito e anseia abrir-se à graça de Deus e vencer os limites de seu temperamento e de sua estrutura. Realmente, ela não é uma pessoa santa, que já nasce pronta, mas está em constante processo de purificação e de crescimento na liberdade.

Segredos de Ir. M. Emilie

Quais são os segredos de suas pequenas, mas crescentes vitórias? Ela compreende que o sentir-se amada por Deus e pela Mãe de Deus, como sua filha querida e pequena, é o pressuposto essencial para não desanimar, para lutar e vencer não só em muitos, mas em todos os desafios de sua vida. Neste sentir-se amada, especialmente em sua pequenez, ela experimenta o crescimento na verdadeira liberdade e na filialidade diante de Deus. Ser filha, ser livre, ser pequena, ser feliz e, por isso, santa, são expressões e realidades sinônimas para ela!

Essa liberdade “de criança” diante de Deus Pai misericordioso é a meta da aspiração à santidade de Ir. M. Emilie. Sob a orientação do Pe. José Kentenich e por sua profunda vida de oração e união com Deus, ela supera medos, aflições interiores, educa seu temperamento, torna-se sempre mais alegre, natural, espontânea, flexível, serviçal, de modo que as pessoas se sentem bem ao seu lado. Assim, ela se torna apoio e orientação para muitos.

Que caminho ela trilha em busca deste ideal da santidade?

“Lentamente (ela) consegue desviar o olhar da contemplação de si mesma. (…) Com o passar do tempo, vai encontrando o caminho para a liberdade interior. Nos últimos anos de sua vida, essa liberdade se irradiará em forma quase palpável, mesmo em meio à grande debilidade física. Em Emilie se firma a convicção interior de que os limites e as enfermidades lhe dão certo “direito” a confiar na infinita misericórdia de Deus Pai”. [1]

Desviar a atenção de si mesma, concentrar-se em Deus, na oração, na entrega filial, no abandono a Ele e na doação às tarefas que Ele lhe confia; olhar sua história de vida e as permissões de Deus por uma perspectiva positiva, como possibilidades de crescimento e amadurecimento e não como sofrimentos sem sentido; olhar para seus limites como meios para que a misericórdia de Deus seja derramada mais abundantemente sobre ela. Esses são os caminhos que Ir. M. Emilie trilhou, ou seja, ela passa a olhar tudo com olhos filiais e assim adquire grande liberdade de espírito e caridade fraterna.

“No transcurso de sua vida, Ir. M. Emilie aprende que tudo depende do sim dado a Deus para sempre. Um sim como resposta ao sim que Deus me deu, assim como sou, como ele me criou e como me aceitou. Um sim que inclui faltas e limitações de todo tipo. Precisamente estas são as causas pelas quais Deus se dirige a mim com seu amor que cura e santifica”. [2]

 

Fonte: s-ms.org

 

[1] WOLFF, Margareta. Meu sim é para sempre

[2] Idem