Despertai! Despertai-vos mutuamente!

Jorge e Márcia Audibert – Estamos chegando ao Centenário do Congresso de Hoerde. Um dos documentos mais fascinantes que temos daquela época é a Carta aos Dirigentes de Grupo da União Apostólica, produzida pelo Pe. José Kentenich em 6 de novembro de 1919, pouco menos de três meses após o Congresso. A Carta é fascinante por vários motivos, mas, principalmente, pela sua densidade profética, no sentido da semelhança com os dias atuais. Como poderia um homem interpretar o presente e o futuro não só da União, mas de toda a humanidade, com tanta clareza e em tão poucos parágrafos?

Pe. Kentenich, de forma muita humana, começa a Carta alertando os Dirigentes de Grupo sobre certa paralisia que ocorria com os jovens após o Congresso de Hoerde. Um dos motivos alegados seriam adaptações ao ambiente universitário, mas o fator principal seria a “insegurança acerca dos fundamentos de nossos esforços” (P.K.). O entendimento dos jovens ainda era incipiente diante da grandeza da missão em que estavam se envolvendo e se fazia necessário apressar a finalização dos estatutos produzidos no Congresso. Para motivar os jovens, Pe. Kentenich utiliza uma expressão de Dom Michael von Faulhaber e conhecida dos unionistas: “Despertai! Despertai! E despertai-vos mutuamente!”.

Em toda a Carta se faz referência à missão da União Apostólica, objetivando combater o mal que estava corroendo a cultura e o pensamento humano: a ausência de uma vida interior sadia, capaz de fazer frente à massificação avassaladora que acontece com o ser humano: “… a todo o nosso cristianismo atual falta interioridade” (P.K.). Em sua Carta, Pe. Kentenich faz citação de outro autor, Weiss, para esclarecer progressivamente a importância de um cultivo de vida interior: “O mal está no enfraquecimento, sim, no definhamento da vida interior. Um mal deste tipo não pode ser curado com ações exteriores, mas somente fazendo despertar de novo no mundo a vida espiritual”.

 Continuando sua Carta, Pe. Kentenich cita novamente a importância da missão a ser assumida: “Sobreveio a guerra e a revolução. Uma e outra levaram ao extremo a superficialidade e a exterioridade. Sabemo-lo por nossa própria observação e experiência. Em meio a este caos, nós definimos um programa que equivale a uma solene opção pela vida interior”.

 

Estarão prontos a lançar-se ao fogo?

 A Carta redigida para os Dirigentes da União Apostólica é tão rica e explicativa que sua leitura lança luz para nossos olhos anuviados pelos acontecimentos mundiais. Diante da importância da missão assumida por aqueles jovens, seria difícil não entregá-la também nas mãos da Mãe de Deus: “Uma serena avaliação do desenvolvimento até agora permite chegar à conclusão: nossa MTA quer utilizar-nos como instrumentos para a renovação do mundo”. Mas o autor da Carta deixa uma dúvida: “nossos dirigentes serão plenamente confiáveis, estarão prontos a lançar-se ao fogo pela União, como corresponde a uma causa tão elevada?”

A Carta é concluída tal como começou, ou seja, com um novo alerta sobre a necessidade de uma entrega absoluta para construção de uma nova comunidade a partir do cultivo da vida interior: “Por isso, mais uma vez: Despertai! Despertai! E despertai-vos mutuamente!”.

 Cem anos mais tarde, podemos nos questionar: quanto nós avançamos no entendimento da missão e da necessidade de um cultivo de vida interior sadia para construção da Cultura da Aliança de Amor?

Fonte: www.schoenstatt.org.br

Jubileu de Hoerde – Tríduo e Liturgia para baixar

Em agosto de 2019 a Obra de Schoenstatt celebra 100 anos do Congresso de Hoerde, um momento marcante e decisivo de sua história. Para reavivar esse capítulo e demonstrar que Hoerde não é somente algo do passado, as Uniões Apostólicas de Schoenstatt do Brasil prepararam um TRÍDUO, que é oferecido a todo o país.

“Estamos perto de celebrar os 100 anos do Congresso de Hoerde, momento que marca a história do Movimento de Schoenstatt. Este Congresso aconteceu nos dias 19 e 20 de Agosto de 1919. Com o objetivo de inserir toda a Família de Schoenstatt do Brasil na celebração deste centenário, oferecemos, como União Apostólica do Brasil, a proposta da realização de um TRÍDUO”, escrevem os dirigentes das Uniões em uma carta dirigida a toda a Obra.

 

Quando realizar o Tríduo?

A sugestão é que o Tríduo seja realizado nos meses que antecedem o mês de agosto, isto é, Maio, Junho e Julho: “Por ser uma data próxima ao dia 18 sugerimos que a oração do Tríduo seja realizada nos 5 (cinco) minutos iniciais ou finais da Missa da Aliança ou em momentos criados exclusivamente para isso. Outra alternativa é a oração do Tríduo em encontros e/ou reuniões. Enfim, são sugestões”, escrevem os dirigentes.

Para cada dia do Tríduo há um arquivo em Word e slides de Power Point. Também é oferecida uma sugestão de liturgia para a missa jubilar, em agosto.

A proposta do Tríduo tem como finalidade principal que: A Recordação deve levar à Renovação!

Para cada dia os seguintes temas e materiais:

 

1º Dia: Hoerde Ontem
Neste dia queremos destacar o contexto histórico e importância de tudo o que aconteceu em Hoerde. Queremos também agradecer ao Pe. José Kentenich, como Fundador; à Mãe de Deus, como nossa Educadora e Protetora e aos participantes do Congresso, pelo seu Sim.

Textos para o 1º Dia
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2º Dia: Hoerde Hoje
Neste dia queremos dar o nosso SIM à origem, como os cofundadores da União, na abertura total para a imagem diretriz do Fundador: para a sua “silenciosa ideia predileta”, para o seu “plano”; para a identificação total e prontidão para o empenho: “A União sou eu” – “Pela União deixo-me crucificar”. Queremos também dar um renovado sim à MTA como “Padroeira e Protetora” da União, como “Fundadora, Guia e Educadora” de toda a Família (Pe. JK, 1968)

Textos para o 2º Dia
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3º Dia: Hoerde Sempre
No ‘Hoerde Sempre’ queremos despertar o espírito de disponibilidade e dedicação pela missão que temos pela frente e o aprofundamento do vínculo com o “Construindo uma nova terra mariana” por meio de oportunidades concretas de apostolado e por meio da busca pela santidade da vida diária.

Textos para o 3º Dia
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Textos para a liturgia de agosto
A proposta dos textos oferecidos para a Liturgia de agosto mantém como tema central: Centenário de Hoerde: A Recordação deve levar à Renovação

Liturgia da Santa Missa em agosto

 

A União Apostólica no Brasil conta com as seguintes comunidades:

– União Feminina

– União das Mães

– União dos Sacerdotes Diocesanos de Schoenstatt

– União de Famílias

 

Saiba mais sobre o Congresso de Hoerde

 

Fonte: schoenstatt.org.br

Herança de Hoerde: Veneração a Maria

 

O Santuário como fonte e centro de vida para Schoenstatt

3º Curso da União Apostólica de Mães de Schoenstatt – Desde 20 de agosto de 1919, Schoenstatt se abriu para os leigos e a Igreja pôde contar com o empenho de muitos jovens, seminaristas ou não, para a missão de anunciar ao mundo tudo que os empolgava e fazia arder seus corações; uma torrente de vida de graças, para transformação da humanidade em Cristo por Maria, a partir do Santuário.

Todos os que faziam parte da União sabiam que estavam inseridos nesta nova e fecunda irrupção da graça divina – a Aliança de Amor com a Mãe de Deus em 1914. Sentiam-se unidos na convicção de serem implantados no mesmo solo vital, na nova fundação, com o novo Fundador, no novo Santuário e com nova mensagem.

“A fé profunda no chamado da Mãe de Deus e a confiança em seu auxílio maternal nos colocam como seus instrumentos, à sua disposição, para a renovação do mundo”, dizia Alois Zeppenfeld, um dos líderes mais entusiasmados do Congresso de Hoerde.

 

Gerações formadas pela MTA

A posição de Maria na história da salvação sempre foi o ponto de partida usado pelo Pe. José Kentenich para a educação apostólica junto aos congregados. Ele vivia em perfeita confiança na graça de Deus e no auxílio de Nossa Senhora – “Mater habebit curam!” Ele conseguiu mover os corações dos jovens sob sua orientação e despertar neles o amor para a vinculação fiel e filial à Mãe Três Vezes Admirável desde o início. Este amor tem se manifestado ao longo dos anos na história de Schoenstatt como força central da Obra e dele cresceu a confiança na irrupção da graça nos corações, no tempo e no mundo.

Os congregados seminaristas foram anunciadores da Mãe Santíssima nos campos de batalha. E ela, por sua vez, acolheu a todos que estavam inflamados pelo mesmo amor e fidelidade aos mesmos ideais. Sentiam-se comprometidos com a MTA, gratos pelo auxílio que ela lhes enviava do Santuário durante a guerra. Desejavam continuar sob a mesma proteção e propagar o seu reino de graças. Com ela, percebiam que haviam se tornado grandes e fortes espiritualmente.

Os congregados e jovens da Organização Externa estavam animados pelo mesmo desejo: conseguir uma organização que se tornasse vida em cada um deles e que os impulsionasse como instrumentos de Maria para a renovação religiosa e moral do mundo. Fundaram a União Apostólica e decidiram que sua protetora seria a Mater Ter Admirabilis.

A geração fundadora vivia desse espírito mariano. Assim viveram as gerações passadas e continua a viver a presente geração. Maria é a companheira e auxiliar permanente de Jesus. Cremos na intervenção concreta de Nossa Senhora na Igreja do nosso tempo, a partir de Schoenstatt.

 

O Santuário: oficina de obras de arte

Após Hoerde, os jovens corações continuaram pertencendo à MTA, com sua força de atração, de transformação, com a plenitude dos valores educativos, como imagem do homem perfeito, a formadora maternal, a portadora de Cristo, a intercessora junto de Cristo, a esmagadora da serpente, o grande sinal do céu do nosso tempo, sinal de exortação, de luz, de esperança. O abrigo em Maria, na missão de Maria e no desvelo de Maria foi, é e permanecerá sendo o que de mais belo a União Apostólica recebeu.

Os encontros que se seguiram foram realizados junto ao Santuário e testemunharam a missão da MTA no campo educativo desde as primeiras décadas do séc. XX. “Eu os educarei… O Santuário é a oficina na qual a Mãe de Deus talha suas obras de arte: os santos modernos!” Suas mensagens de amor para o bem das almas ofereciam o abrigo espiritual, a transformação interior e a fecundidade apostólica para uma sociedade sem rumo, enfraquecida e com grande inversão de valores. Deus se manifestou com uma irrupção de graças, por meio da sua Mãe, criando uma atmosfera de grande poder.

Muita vida brotou. Novos grupos da União e da Liga se formaram. Schoenstatt recebia cada vez mais visitantes (homens, mulheres e jovens) que chegavam ao Santuário em busca de um lar e descobriam o amor e a vinculação à Maria e a um grande ideal…

Cada Santuário mariano revela uma parte da missão de Maria e cada um tem um carisma particular. O Santuário de Schoenstatt, para nossa Obra, continuaria a ser o ponto supremo de ligação, o centro propulsor de toda vitalidade desse organismo ao qual se ligariam todos os corações pela Aliança de Amor, por mais distantes e separados que eles estivessem, com a MTA. Ele é a escola de formação do homem novo. No Santuário, aqueles jovens que participaram do Congresso de Hoerde sempre foram vistos como companheiros nutridos na mesma fonte. Um sinal sensível da Aliança de Amor e a vinculação a um lugar de união com Deus e com toda família que estava surgindo.

 

Viver como Engling

O Pe. Kentenich buscava preparar sua Família para as exigências do tempo em que vivia e resumia tudo na necessidade de formar santos modernos – homens de amor heroico às provas de fogo das pequeninas coisas da vida diária. O seminarista José Engling escreve em seu diário: “Quero ser santo, santo da vida diária, herói da perfeita fidelidade às pequeninas coisas”. Ele queria fazer as coisas ordinárias de modo extraordinário, vivendo o seu ideal de “ser tudo para todos e propriedade especial de Maria”. Entregou-se à Mãe de Deus e deixou-se educar inteiramente por ela.

As suas contribuições ao Capital de Graças da MTA, o seu empenho e fidelidade na autoeducação inspiravam seus companheiros e ele levava profundamente em sua alma o mistério de Schoenstatt, a devoção a Maria, a presença de Jesus Eucarístico e o amor à Santíssima Trindade. Na guerra teve também a oportunidade de ser portador de um apostolado para a Igreja (vivia nas alturas do além e também nas profundezas humanas).

No front, o jovem heroi José Engling ofereceu a sua vida para o Capital de Graças da MTA, como holocausto pelo desenvolvimento da Obra do seu pai espiritual, no fim de maio de 1918, e Deus aceitou sua oferta de amor heroico no dia 4 de outubro do mesmo ano.

Seus esforços são exemplos ainda hoje lembrados quando a humanidade está sob constantes ameaças de destruição física, moral, espiritual…

O Pe Kentenich disse que ele era o “Documento de Fundação vivido” e bastaria considerar como foi a sua curta vida para saber o conteúdo autêntico do documento de fundação e como o compreendeu a primeira geração fundadora de Schoenstatt.

Ele previveu a educação do homem novo para a nova sociedade assumida em Hoerde.

 

2019: Nossa resposta e responsabilidade

Em Schoenstatt fomos presenteados com um caminho para conduzir a Igreja à nova margem.

O espírito da geração fundadora, o espírito de Engling, deverá ser testemunhado por nós como uma resposta ao chamado de Deus na hora da fundação da Obra de Schoenstatt e na hora do Congresso de Hoerde, que se repete neste tempo jubilar.

Como em Hoerde, queremos ser uma comunidade que, unida pelos mesmos ideais, arda e se propague com o fogo do amor apostólico para anunciar o reino mariano do Pai. Onde Maria reina como nossa Mãe e Educadora, a partir do Santuário, e onde nós levamos a sério nossa aspiração de autoeducação, pois o nosso tempo exige apóstolos santos.

Pe. Kentenich nos exorta: “Todo reino é mantido com fidelidade às forças que o originaram”, e também repete: “O que herdaram de seus pais, lutem para possuí-lo”.

 

“Acordai e despertai-vos mutuamente!”

Apóstolos leigos existem e a Igreja necessita deles. Vamos buscá-los e educá-los!

Como Mães da União Apostólica, revigoradas pela fidelidade à Aliança de Amor, sentimo-nos abrasadas e incorporadas no espírito dos congressistas de Hoerde para desenvolver nossa missão junto à família, à Igreja, ao Movimento de Schoenstatt e à sociedade. Atingimos a decisão fecunda de manter as mesmas aspirações sob a orientação carismática do Fundador, oferecendo ao mundo o ideal sempre válido: a proteção de Maria para renovar o mundo em Cristo.

 

Falando em José Engling, ouçamos uma canção sobre o jovem heroi.

 

 

Meu Herói

1- Em Schoenstatt temos muitos heróis, mas um é especial, “Ser tudo para todos” era o seu ideal.
Queria ser propriedade especial de Maria. E pela Obra de Schoenstatt ofertar sua vida.

Engling, José Engling, ensina-me a ser como tu: viver com fidelidade a Aliança de Amor.
Engling, José Engling, ensina-me a ser como tu: buscar a santidade todo dia seja onde for.

2- À nossa Mãe e Rainha sempre se consagrava. Seu Capital de Graças nunca faltava.
Fez parte da geração que acreditou que era possível formar um homem novo, ideia do Fundador.

3- Ofereceu sua vida, seu sangue derramou. Tão jovem, tão valente, soube ser semente.
E hoje com certeza, no Schoenstatt celeste, perto de Deus e Maria por nós ele intercede.

Composição: Maria Edna Gonçalves, CD Fonte de Graças

 

* O 3º Curso da União de Mães é composto por: Vania Maria Santa Cruz, Neusa Maria Rocha, Bertha V. Freire, Junice Maria R. Rocha, Maria Augusta M. Bruschini, Maria Cristina C. Lucietto, Maria Edna da S. Gonçalves e Suely Luzia C. Bayerlein.

 

Foto: Schoenstatt International Communication Office 2014

 

Referências:

ERNST, Fritz; HOLZMANN, Irene. Congresso de Hoerde – 1919, Atibaia: Movimento Apostólico de Schoenstatt.
MONNERJAHN, Engelbert; CAVANI, Pe Gilberto. Padre José Kentenich: Uma vida pela Igreja, Santa Maria: Livraria Editora Pallotti, 1977.
TREVISAN, Pe. Victor. Movimento Apostólico de Schoenstatt: Introdução Histórica, Primeiro Volume, Santa Maria, 1986.
UNIÃO DE MÃES DE SCHOENSTATT DA ARGENTINA/PARAGUAI, Estudo: Hoerde, 2018.
Uso particular da União de Mães de Schoenstatt do Brasil, trad. Fátima Maria Salgado de Mello.
CESCA, Olivo. Heroi de Duas Espadas, 3º Edição, Instituto Secular dos Padres de Schoenstatt. 1978
BOFANTE, Ir. M. Lubia; DOTTO, Ir. M. Fatima. Schoenstatt Nossa Missão, 2006, Sociedade Mãe e Rainha.

Fonte: schoenstatt.org.br

Hoerde: Como tudo começou

 

Geni Maria Hoss – Quem conheceu a cidade de Hoerde, em 1919, e as circunstâncias do Congresso de Hoerde, talvez tenha se perguntado: Pode vir algo de grande deste lugar? Hoje, no entanto, podemos afirmar que esse acontecimento foi relevante na história de Schoenstatt para que estivéssemos aqui, não apenas alimentando grandes ideais de santidade, mas tendo a nosso dispor um caminho seguro para alcançá-los.

As circunstâncias que levaram à preparação, realização e desdobramentos de Hoerde são, na verdade, portas abertas por Deus reconhecidas pelo Fundador, Pe. José Kentenich, e os pioneiros na história de Schoenstatt. Essa é a lei de Schoenstatt desde o começo. O que se sabe sobre Hoerde? A principal fonte sobre o Congresso é a revista periódica MTA-Zeitschrift.

Queremos celebrar o centenário do Congresso de Hoerde no mesmo espírito manifestado por um dos responsáveis na época, Fritz Ernst. Após 40 anos do evento, então pároco, ele diz: “Vale a pena ocupar-se com o Congresso de Hoerde, porque ali o Movimento Apostólico se desprendeu da Congregação Mariana e trilhou o caminho que foi apresentado: tornar-se movimento de educadores e de educação, escola do apostolado leigo, comunidade mariano-apostólica.” (DdH, 1969, p. 47).

 

E agora?

Recordando o contexto histórico, logo que a Primeira Guerra acabara, alguns jovens soldados retornaram com uma pergunta instigante: E agora? A questão se levantou porque os congregados schoenstattianos que foram para a guerra continuaram sua missão nos campos de batalha e a adesão de outros jovens, não-seminaristas, aos ideais dos congregados trouxe consigo, entre outros, uma nova realidade: nem todos os soldados que aderiram aos ideais de Schoenstatt aspiravam ao sacerdócio. Havia então congregados seminaristas e aqueles que queriam seguir um caminho de santidade como leigos.

A troca de correspondências entre os congregados dava conta da grande preocupação pela continuidade da Organização criada pelos jovens leigos. Em carta de 7 de dezembro de 1918, Claus Scheuffgen pergunta ao seu dirigente: “O que será da nossa Organização? Ela vai continuar existindo, ela será transformada ou ela será extinta?” (DdH, 1969, p. 50).

O Congresso de Hoerde não foi o único encontro dos jovens naquela época.  Por ocasião dos cinco anos da fundação da Congregação Mariana em Schoenstatt, em 19 de abril de 1919, houve um evento comemorativo da referida data, onde foram abordados três temas que se confirmaram como pilares da identidade de Schoenstatt:

– a veneração a Maria

– a santificação própria

– o apostolado.

O espírito estava preparado para uma relevante decisão sobre a continuidade da Organização em si e também sobre o modo como ela continuaria a existir. O Congresso de Hoerde foi preparado com entusiasmo, mas um balde de água fria foi a notícia da ausência do Pe. José Kentenich. Decepcionado, um dos principais responsáveis, Alois Zeppenfeld, chegou a cogitar o cancelamento do evento.  A decisão final, no entanto, foi pela realização do congresso. No discurso de abertura, ele próprio, Zeppenfeld, apresenta o objetivo: “Para que nos reunimos aqui? Deve ser de conhecimento de todos que por várias vezes foi dada a sugestão nos grupos para nos reunimos após o fim da guerra em Schoenstatt para uma celebração do reencontro e gratidão. E, mais vezes ainda, foi levantada a questão? A Organização Externa deve continuar depois da guerra ou se extinguir com o fim da guerra?” (DdH, 1969, p. 68).

Logo depois, no encerramento do congresso, Fritz Ernst, em poucas palavras, dá conta das conclusões em Hoerde: “Para nós se trata de promover, em medida particular, a honra de Deus e o bem de nossos semelhantes. É para este fim que nos encontramos. Uma meta especial exige meios especiais. Nós os temos e, na verdade, os melhores: no exame particular e horário espiritual, no ideal pessoal e na escolha de um diretor sacerdotal.” (DdH, 1969, p. 76).

Um relato da revista MTA (15/12/1920) revela que no encontro de outono (europeu) se confirmaram importantes pontos de Hoerde e os jovens manifestam igualmente a preocupação em manter vivas as propostas do congresso. Eles reafirmaram alguns tópicos relevantes do recente desenvolvimento do Movimento:

(1) Ampliar a educação dos membros e o pensamento apostólico;

(2) Confirmar que a Mãe de Deus continua sendo a Protetora e o Apóstolo Paulo o segundo patrono;

(3) O nosso lema é: Caritas Christi urget nos!

(4) A Central tem sua sede em Schoenstatt.

(5) O Movimento Apostólico é composto pela União Apostólica e a Liga Apostólica (DdH, 1920, p. 78ss).

 

100 anos depois

O jubileu nos convida a reassumir, com novo vigor missionário, a nossa missão como partícipes do carisma do Fundador: “Vós todos participais do meu carisma pessoal.”. Para bem celebrarmos o jubileu será realizado, de 16 a 18 de agosto de 2019, em Schoenstatt, um encontro internacional. Para esse encontro a Presidência Geral do Movimento convida todas as pessoas, também de outros movimentos eclesiais e amigos, para partilhar o legado  do Congresso de Hoerde, identificar sua eficácia nas realidades de hoje  e, fortalecidos na fonte, renovar nosso compromisso de sermos Schoenstatt em saída para uma cultura da vida, uma cultura da aliança, em todos os campos possíveis.

Fonte: schoenstatt.org.br

 

À luz de Hoerde, ser discípulo missionário hoje!

 

Geni Maria Hoss – O apostolado em todos os campos possíveis é um legado fundamental do Congresso de Hoerde. Para estar à altura deste propósito, os jovens estabeleceram como meta da União Apostólica de Schoenstatt “a educação de apóstolos leigos no espírito da Igreja”. [1]

Um dos grandes líderes do Congresso de Hoerde, Fritz Ernst, diz a respeito da missão: “Com a coragem de um Paulo no Areópago devemos engajar-nos por bens mais elevados, devemos tornar-nos fermento na massa, uma coluna de fogo [sagrado], que ilumina o caminho que atravessa a moderna superficialidade e escuridão.”[2]

O fermento faz a massa crescer silenciosamente e, a partir do interior, a luz irradia e atrai a atenção de fora. A vida interior é muito importante, mas a dimensão exterior, o sair para o mundo para conquistar as pessoas para a luz divina é igualmente uma dimensão relevante da missão. Fritz Ernst completa: “O caminho da nossa missão começa com o apostolado em nós mesmos para a concretização das palavras do Apóstolo: Fieri volo alter Christus” [eu quero ser um outro Cristo]. [3] O apostolado é mais do que um conjunto de palavras eloquentes, bem articuladas, ele é, sobretudo, expressão do encontro pessoal com Cristo.

“Posso fazê-lo pela palavra, mas o apostolado do ser é o mais importante”

Numa palestra em Roma, o Pe. José Kentenich diz que o apostolado “não consiste, em primeiro lugar, em pregação por palavras. Nós devemos representar uma corrente de vida, precisamos irradiar atmosfera santificada e religiosa. Isso é algo discreto, mas é extraordinariamente eficaz, ou melhor, é o apostolado mais eficaz possível”. Ele continua: “É o interior que transborda, é o transbordamento da plenitude interior cristã, a plenitude da vida divina. […] Eu transmito a vida. Posso fazê-lo pela palavra, mas o apostolado do ser é o mais importante.” [4] Na Encíclica Deus caritas est, o Papa Bento XVI chama a atenção para aquilo que é essencial para o autêntico apóstolo: “Ao início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo.” [5] Neste sentido, o Papa Francisco afirma: “Jesus quer evangelizadores que anunciem a Boa Nova, não só com palavras, mas, sobretudo, com uma vida transfigurada pela presença de Deus.” [6]

O apostolado deve nascer da experiência interior do encontro com Deus, se expressar em ações concretas, sempre alinhadas ao espírito da Igreja.

João Paulo II motivou os cristãos a se lançarem mar adentro: “Duc in altum!” (Lk 5,4). Isso requer coragem para ir ao encontro de todos que se encontram em condições desafiadoras. Ali é lugar da missão da Igreja, de sua presença transformadora. “Caritas Christi urget nos!” (2 Cor 5,14). A caridade de Cristo nos impulsiona para, com a Igreja e para a Igreja, sermos apóstolos em saída. O Papa Francisco nos conclama para nos colocarmos em movimento rumo às periferias existenciais. Ele diz: “Cada cristão e cada comunidade há de discernir qual é o caminho que o Senhor lhe pede, mas todos somos convidados a aceitar este chamado: sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho.” [7] Ele continua: “Constituamo-nos em ‘estado permanente de missão’, em todas as regiões da terra.” [8]

O apelo do Magistério nas últimas décadas reflete a imagem da Igreja do Concílio Vaticano II. Igreja que o Pe. José Kentenich descreve assim: “A Igreja que temos diante de nós hoje é uma Igreja peregrina […], é um barco que é enviado ao alto mar. Em relação ao passado, trata-se de uma Igreja extraordinariamente dinâmica.” Mais tarde, ele continua nesta linha de pensamentos: “A Igreja [é] o barco em alto mar, no meio da tempestade, e este barco atravessa todo o oceano, todo o mundo para acolher as pessoas em todos os lugares.” [9]

Perspectivas atuais de um Congresso centenário

Voltando a Hoerde, as reflexões e decisões dos jovens se deram na perspectiva da concepção de Igreja a ser confirmada no Concílio Vaticano II: de um lado, profundamente arraigada em seu fundamento último, Cristo, de outro, sempre em saída, em “estado permanente de missão”, uma Igreja em movimento, Igreja peregrina, para alcançar os recônditos mais distantes onde se encontram pessoas que necessitam de testemunho e ação dos cristãos, sinais do Reino no meio do mundo.

Todas as realidades humanas são objeto de cuidado e lugar de missão da Igreja [10]. Por isso, urge que o espírito de Hoerde se renove e afirme com vigor nos novos areópagos de missão hoje. É urgente a promoção de uma cultura da vida, numa sociedade na qual se apresentam muitos sinais de morte. É necessário criar e difundir uma cultura de encontro, de aliança, onde há muitos desencontros e divisões. É preciso promover uma rede global da comunicação solidária e de respeito à dignidade humana. É necessário um olhar e agir humanitários no campo do trabalho para que esta atividade humana contribua sempre para a realização, felicidade e vida digna dos trabalhadores e suas famílias. É imprescindível que os cristãos sejam protagonistas no cuidado da casa comum, da criação. Todos esses âmbitos e outros tantos constituem a doutrina social da Igreja (DSI). Ao mesmo tempo, na forma própria de seu tempo, encontramos relevantes pontos desse tema abordados na Santidade de Todos os Dias. Apostolado pressupõe a contínua aspiração ao mais elevado grau de santidade e o esforço para alcançar a santidade no cotidiano se expressa por meio de ações apostólicas edificantes.

“A Igreja cresce, não por proselitismo, mas por atração, isto é, por testemunho!” [11]

 

 

Referências:

[1] Hörder Dokumente. 1919 Hörde-Schoenstatt 1969. (Manuskript), 1969, p.78.

[2] Hörder Dokumente. 1919 Hörde-Schoenstatt 1969. (Manuskript), 1969, p. 76.

[3] Hörder Dokumente. 1919 Hörde-Schoenstatt 1969. (Manuskript), 1969, p. 77.

[4] Josef Kentenich. Romvorträge III: Vortrag 08. 12. 1965. (Publicação: 2018, CD)

[5] Bento XVI. Deus Caritas Est, 2005, n. 1.

[6] Papa Francisco. Evangelii Gaudium, 2013, n. 259.

[7] Papa Francisco. Evangelii Gaudium, 2013, n. 8.

[8] Papa Francisco. Evangelii Gaudium, 2013, n. 25.

[9] Josef Kentenich. Eine dynamische Kirche: Erster Vortrag vom 10. Februar 1968. Disponível em:  https://www.j-k-i.de/gwdk201011-7-14-eine-dynamische-kirche/?pdf=6734.

[10] Cf. Constituição Pastoral Gaudium et Spes, 1965, n. 1.

[11]  Bento XVI. Abertura da V Conferência Geral do Episcopado Latino-americano. Aparecida, 2007.

 

Foto: Schoenstatt International Communication Office 2014

Fonte: schoenstatt.org.br

Herança de Hoerde: Séria aspiração à santidade

 

Gines e Bernadete Ponce – Diante do desejo de se fundar uma União Apostólica de Schoenstatt, a partir do Congresso de Hoerde, nosso Pai e Fundador, Pe. José Kentenich, fez a seguinte pergunta: “Temos o direito de existir? O que nos faz diferentes dos demais?”

Respondendo ao questionamento sobre o direito de existência, assim se concluiu: “Somos originários de uma Congregação Mariana, porém, queremos ser algo mais… para nós, o apostolado é o fim primeiro e único”. E, ao questionamento em relação à capacidade de responder à necessidade do tempo, argumentaram dizendo: “Temos um programa que leva a vida interior a um maior crescimento. Mais interioridade! É para isso justamente que, em primeiro lugar, queremos educar os membros da comunidade. Também nós estamos em perigo de ser arrastados pela corrente da superficialidade se não nos concentrarmos com todas as forças de nosso ser. As exigências da União estão estabelecidas de tal forma que asseguram a maior concentração, mesmo na agitação da vida moderna. Isso é muito importante para nós que aspiramos ser apóstolos. Queremos empregar constantemente todos os meios à nossa disposição, para influenciar, direta ou indiretamente, a vida espiritual de nosso próximo. Não exige isto formação metódica e ativa da vontade e do coração? – O que nós mesmos não somos, nunca poderemos alcançar com os outros”.

No ano de 1949, em São João do Polêsine/RS, no Brasil, nosso Pai ensinou que o líder apostólico deve ser um educador educado, à imagem de Cristo Bom Pastor:

“O objeto ao qual queremos dedicar nossas forças é o Movimento Apostólico de Schoenstatt. Dizemos, e devemos repeti-lo novamente, que tal Obra é, antes de tudo, uma obra educativa, um Movimento de educação. Em consequência, quem trabalha no Movimento deve ser um educador. Mas isto não conseguiremos por nós mesmos: Necessitamos de uma graça imensa, a graça da educação. Por isso recorremos a Maria, com as mãos abertas para implorar este dom, dizendo-lhe: Concede-nos a graça, o carisma da educação. A que fim atende esta graça? A resposta é muito simples: queremos assemelhar-nos a Cristo. Cristo é o melhor educador, é o Bom Pastor. Por isso, se em geral esperamos a graça da transformação em Cristo, agora a esperamos como graça da transformação em Cristo – o Bom Pastor, em Cristo – bom educador. Estamos chamados a ser apóstolos por excelência; alguns, inclusive, devem educar a outros pastores: todos devemos e podemos ser bons pastores… Quem quer possuir o dom ou o carisma da educação, deve cultivar a consciência de instrumento e abrigar a aspiração a ser o bom pastor, tendo sempre diante de seus olhos este anseio: ‘Dá-me almas e tudo o demais toma para Ti’.”

Schoenstatt é um Movimento Apostólico que aspira estar em estreita união com a Igreja. Isto justifica o fato de, em 2014, por ocasião do centenário de fundação, toda a Família de Schoenstatt ter peregrinado a Roma para ouvir o pastor da nossa Igreja, o Papa Francisco. Ali ele, inspirado pelo Espírito Santo, disse o que espera de nós neste novo século da existência de Schoenstatt.
E seu primeiro pedido é direto: a santidade, pois “não se tem nada sem uma vida de santidade”.

Ele explicou que renovar a Igreja não é fazer uma mudança “aqui e ali” – isso também faz parte, mas são renovações de fora. “Ninguém fala, por exemplo, da renovação de coração”, ressaltou. Ele também mencionou a necessidade de ter como centro de tudo Jesus Cristo e trabalhar pela cultura do encontro.

Enfim, o Papa Francisco nos pediu uma vida de santidade para a renovação da Igreja!

Para nosso Pai, a busca pela santidade e o espírito missionário sempre estiveram estreitamente unidos. Tanto que as cadernetas antigas de Horário Espiritual traziam a frase: “Eu me santifico por eles” (Jo 17,19). Nossa santidade está a serviço da missão e só tem sentido se for para a missão. Não nos santificamos para nós próprios, mas para cumprirmos melhor nossa missão e sermos um sinal de luz nos novos tempos, como caminho a outros. Cada pequena obra de nosso dia tem e deve ter cunho apostólico. Isso nós o realizamos como Família, unidos com nosso Pai, por meio da sua e da nossa Cultura da Aliança.

Como conclusão, podemos afirmar que Schoenstatt, de acordo com as características próprias de ramo ou comunidade, tem todas as condições para formar autênticos líderes apostólicos que, como instrumentos nas mãos da nossa Mãe e Rainha, podem contribuir, de maneira eficaz, para a renovação da Igreja e da sociedade.

Herança de Hoerde: Educação apostólica de lideranças

 

Gines e Bernadete Ponce – Inflama-nos o coração a verdade de que todos nós, incorporados em Cristo pelo batismo, somos chamados a ser apostólicos.

Na Encíclica Redemptoris Missio, o Papa João Paulo II nos faz ver que o chamado à missão deriva, por sua natureza, da vocação à santidade. Que todo missionário só o é, autenticamente, se se empenhar no caminho da santidade: “A santidade deve ser considerada um pressuposto fundamental e uma condição totalmente insubstituível para se realizar a missão de salvação da Igreja” (nº 90).

São João Paulo II reforça, no mesmo documento, que a espiritualidade missionária da Igreja é um caminho orientado para a santidade, dizendo: “O renovado impulso para a missão ad gentes exige missionários santos. Não basta explorar, com maior perspicácia, as bases teológicas e bíblicas da fé, nem renovar os métodos pastorais, nem ainda organizar e coordenar melhor as forças eclesiais: é preciso suscitar um novo ‘ardor de santidade’ entre os missionários e em toda a comunidade cristã, especialmente entre aqueles que são os colaboradores mais íntimos dos missionários” (nº 90).

Na Exortação Apostólica sobre a Evangelização do Mundo Contemporâneo, o Papa Paulo VI considera que “o homem contemporâneo escuta com melhor boa vontade as testemunhas do que os mestres…ou então, se escuta os mestres, é porque eles são testemunhas…” (nº 41).

O Papa João Paulo II retoma a mesma afirmação na Encíclica Redemptoris Missio e acrescenta: “O homem contemporâneo acredita mais nas testemunhas do que nos mestres, mais na experiência do que na doutrina, mais na vida e nos fatos do que nas teorias. O testemunho da vida cristã é a primeira e insubstituível forma de missão: Cristo, cuja missão nós continuamos, é a ‘testemunha’ por excelência e o modelo do testemunho cristão” (nº 42).

Não simplesmente o maior, porém o máximo

Com o objetivo de apontar caminhos concretos que levem à formação de líderes apostólicos pela séria aspiração à santidade, vamos lançar um olhar à história de Schoenstatt.

No Documento de Pré-Fundação, nosso Pai e Fundador, Pe. José Kentenich, já anuncia os ideais e as leis fundamentais de Schoenstatt quando se apresenta aos seminaristas – futuros líderes apostólicos – dizendo de modo claro o que deseja alcançar com eles: “Sob a proteção de Maria, queremos aprender a autoeducar-nos, para sermos personalidades firmes, livres e sacerdotais”. Nesse momento já se adianta, com clareza, a aspiração à santidade de todos os dias sob o olhar e cuidados de Maria à luz da fé na Divina Providência.

No Documento de Fundação, em 18 de outubro de 1914, confirma esse desejo quando diz aos seminaristas: “Cada um de nós deve alcançar o mais alto grau imaginável de perfeição de estado e de santidade. Não simplesmente o grande e maior, porém, o máximo há de ser a meta de nossa mais elevada aspiração”.

E, apresentando aos jovens as exigências da Aliança de Amor com a Mãe de Deus, aponta a relação da séria aspiração à santidade como condição para se tornarem instrumentos aptos à liderança apostólica: “Esta santificação eu exijo de vós. Ela é a armadura com que vos deveis revestir, a espada com a qual deveis lutar pelos vossos desejos. Trazei-me diligentemente contribuições para o Capital de Graças: conquistai muitos méritos através do cumprimento fiel e fidelíssimo do dever e de uma zelosa vida de oração e colocai-os à minha disposição. Então estabelecer-me-ei de bom grado entre vós e distribuirei dons e graças em abundância; daqui, atrairei a mim os corações juvenis e educá-los-ei como instrumentos aptos em minhas mãos”.

Séria aspiração à santidade

Desde Hoerde, Schoenstatt assumiu, como missão, mobilizar todas as forças para a renovação religiosa-moral do mundo. Deixou-se registrado nos estatutos que a finalidade da União é a educação de apóstolos leigos, formados segundo o espírito da Igreja, inspirados pelo lema: “Caritas Christi urget-nos”, para que possam exercer atividade prática em todos os campos apostólicos.

Para alcançar essa meta se propuseram a uma séria aspiração à máxima perfeição possível, conforme seu estado, por meio da prática do Exame Particular, do Horário Espiritual controlado por escrito e prestação de contas, mensalmente, a um confessor, do cumprimento desses compromissos. Elegeram a MTA como protetora e São Paulo como patrono especial da nova comunidade, a União Apostólica.

Muito bem! A essência dos estatutos da União é a “Educação de apóstolos leigos formados no espírito da Igreja”. Nascia, assim, um novo Movimento, um Movimento Apostólico!

Fonte: schoenstatt.org.br

O impulso da primeira hora: Ide e evangelizai

Pe. Heitor Morschel – A União Apostólica, surgida com o Congresso de Hoerde de 1919, tinha como lema: “Caritas Christi Urget nos!” (O Amor de Cristo nos Impele), fundamentada na carta de São Paulo aos Coríntios (2 Cor 5,14). Nela, o Apóstolo exorta a permanecer fiéis a Cristo no trabalho apostólico. Foi Ele que nos amou primeiro e morreu por nós, “a fim de que aqueles que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que morreu e ressuscitou por eles” (2 Cor 5,15). Na Tradição da Igreja, sabemos que a mesma é “fundada na fé dos Apóstolos”[1], como testemunhas escolhidas e enviadas em missão pelo próprio Cristo. Popularmente, na pessoa de Pedro está contida toda a ortodoxia, ou seja, toda a doutrina e organização da Igreja. Em Paulo, vemos toda a ortopráxis, ou seja, todo trabalho missionário, apostólico.

 

Fritz Ernest (um dos dirigentes), em palestra proferida no final do Congresso de Hoerde, ao comentar a vocação de Paulo na sua ida a Damasco, nos diz: “O raio atingiu o coração de Saulo e transformou-o no coração de Paulo, num coração de Apóstolo”[2]. A partir desse contato, dessa experiência com o Senhor, “o apóstolo grava em si a imagem de Cristo e recebe o Evangelho das mãos do Salvador. Daí, parte para o meio do mundo com a imagem de Cristo no coração”[3]. Certamente foi uma experiência marcante na vida de Paulo. Em muitas passagens bíblicas ele vai se lembrar desse encontro com o Senhor. O mesmo Fritz continuava exortando: “O dia da União Apostólica deve ser, igualmente para nós, um dia de Damasco. Com o coração de Paulo, devemos lutar por nossos mais elevados bens, tornar-nos fermento na massa, farol que ilumina o caminho entre as frivolidades e obscuridades modernas”[4]. Este “dia de Damasco”, do encontro com o Senhor, deve ser a base de todo o trabalho apostólico do Movimento. Nesse encontro está o Amor. Ele é o combustível da missão.  Precisamos desse amor. Por isso, “nossa missão inicia-se no apostolado conosco mesmos, na realização da palavra do Apóstolo: ‘Quero tornar-me outro Cristo’”[5].

 

Caritas Christi Urget nos

 

O amor de Cristo nos impele: é amor dado e repartido entre todos. Paulo nos deu o exemplo. Mas, a transformação do mundo exterior começa na transformação do mundo interior, em cada um de nós, pela autoeducação e santificação na vida diária. O próprio Pe. José Kentenich, em carta aos dirigentes dos grupos da União, em novembro de 1919, nos adverte: “A todo o nosso cristianismo atual falta interioridade”[6]. E acrescenta: “O que nossa época necessita é de novos santos; de grandes santos, convincentes e arrebatadores; e, se não santos, homens novos, personalidades íntegras, cristãos novos, autênticos, interiorizados e perfeitos”[7].

 

São Paulo continua sendo para nós, membros de Schoenstatt, modelo de evangelizador para nossos dias. A sua fé, sua entrega e sua coragem devem ser norteadores para nossas vidas. E, por falar em coragem, vem-me à mente uma estória que um dia ouvi: muitas vezes dizemos que o cristão precisa de coragem na missão. No entanto, “coragem” é uma virtude dos soldados que lutam por dever a cumprir. Talvez, a palavra mais adequada poderia ser a “fé”, pois o cristão vive da fé (Rom 3,28). Lutamos, não por dever, mas por sermos homens livres. O mundo de hoje necessita de homens livres que deem a sua vida livremente pela transformação do mundo.

 

O Brasil é Terra de Missão, é “Terra Tabor”[8]. O Cristo Redentor, que aparece com os braços abertos, nos convida ao encontro com o Cristo Vivo e a missão: ide e evangelizai (Mt 28,19-20). Essa é nossa tarefa. Essa é a nossa missão. Tenhamos fé e esperança no nosso trabalho apostólico.

 

*Pe. Heitor Morschel pertence à União dos Sacerdotes Diocesanos de Schoenstatt, da Arquidiocese de Porto Alegre/RS

[1] Catecismo da Igreja Católica, n. 857.

[2] Importância do Congresso de Hoerde 1919 para o Movimento Apostólico de Schoenstatt. Atibaia: São Paulo, p. 70.

[3] Idem. P. 71.

[4] Idem. P. 72.

[5] Idem. P. 74.

[6] Carta do pe. Kentenich aos Dirigentes dos Grupos da União Apostólica, 06 de novembro de 1919.

[7] Idem.

[8] ANDRACA, Rafael Fernandez. 150 Perguntas sobre Schoenstatt. São Paulo: Nueva Patris, 2011, p. 138.

Fonte: schoenstatt.org.br

O impulso da primeira hora: Caritas Christi Urget Nos!

Pe. Heitor Morschel – Dando continuidade à temática dos cem anos do Congresso de Hoerde e suas implicações ao Movimento Apostólico de Schoenstatt, gostaríamos de falar sobre o que aconteceu nesse encontro e o que nos motiva a seguir esses grandes ideais ainda hoje.

A missão pede o anúncio da Boa Nova de Jesus Cristo a todas as nações, em todos os espaços e tempos. Esse mandato foi dado por Cristo e pode ser entendido como permanente a todas as épocas. É um conceito que não existe em si mesmo, mas deve ser entendido em cada contexto, em cada época. E, em cada época, a missão tem suas próprias implicações e exigências! O Concílio Vaticano II nos diz que a missão “é a manifestação do plano divino e o seu cumprimento no mundo e em sua história”[1]. Em outras palavras, a missão é obra de Deus na nossa história. Disso decorre “que não é a Igreja que tem uma missão, mas é a missão de Cristo que cria uma Igreja para si”[2]. Assim, Deus utiliza-se de pessoas, acontecimentos e fatos para que a humanidade alcance a salvação.

 

Voltar à fonte e recuperar o frescor original

Disso decorre que, nos dias de hoje, podemos falar que necessitamos de uma evangelização ad intra, ou seja, de uma evangelização ou nova-evangelização para aqueles que já perderam o entusiasmo do “primeiro amor”, de uma vida aberta aos planos de Deus. Também uma evangelização ad extra, ou seja, o anúncio da vida e obra de Nosso Senhor Jesus Cristo àqueles que ainda não conhecem a fé cristã. Temos aqui uma tarefa muito grande! O Papa Francisco nos diz que “sempre que procuramos voltar à fonte e recuperar o frescor original do Evangelho, despontam novas estradas, métodos criativos e outras formas de expressão para o mundo atual”[3].

Sem conhecer estas palavras do Papa Francisco, já no século passado, foi o que aconteceu em Schoenstatt, adquirindo um colorido especial ao Movimento Apostólico de Schoenstatt. A experiência vivida pelos internos do Seminário Palotino, por meio da Congregação Mariana e a sua consagração à MTA, em 18 de outubro de 1914, transformaria a vida de muitos jovens e adultos até os dias de hoje. Decisivo foi o testemunho desses mesmos jovens no decurso da Primeira Guerra Mundial. O seu exemplo e a proposta de santificação e transformação do mundo, pela fé e pela autoeducação, logo contagiou outros a seguirem o mesmo caminho. Aos poucos, mais e mais jovens foram aderindo à proposta desses Congregados, originando a chamada “Congregação Mariana Externa ou Organização Externa”[4]. Após a guerra, havia o desejo desses jovens se reencontrarem e, ao mesmo tempo, discutirem sobre o futuro da Congregação Mariana. Em 20 de agosto de 1919, em Hoerde, realiza-se um encontro dos Congregados de Schoenstatt – tanto dos que pertenciam aos Palotinos, como dos que entraram durante a guerra (Organização Externa). Esse encontro foi denominado “Congresso de Hoerde”.

 

Finalidade consistia na educação de apóstolos leigos

Fritz Ernest (um dos dirigentes) comentando sobre o Congresso de Hoerde e o futuro da Organização Externa nos diz: “Não pretendemos fundar uma congregação… Mas uma União que eduque caracteres dirigentes, seja fermento para as associações já existentes e se dedique, de preferência, ao apostolado”[5]. Esse Congresso deu origem à fundação da “União Apostólica de Schoenstatt, ou seja, foi à hora do nascimento do Movimento Apostólico de Schoenstatt fora dos muros do seminário”[6]. A sua finalidade consistia na educação de apóstolos leigos, formados segundo o espírito da Igreja.

A União Apostólica surgida com Hoerde, baseada na santidade da vida diária e na autoeducação, pretendia desenvolver nos jovens um grande propósito: a transformação religioso-moral do mundo. Os ideais comprovados da Congregação Mariana continuariam os mesmos. Todavia, seriam levados a ambientes diferentes, fora de Schoenstatt. A protetora da União é a Mãe Três Vezes Admirável. Para patrono especial, foi escolhido São Paulo, e o lema, baseado no mesmo apóstolo: “Caritas Christi Urget nos!” ( 2 Cor 5,14).

 

* Pe. Heitor Morschel é da Arquidiocese de Porto Alegre/RS e pertence à União dos Sacerdotes Diocesanos de Schoenstatt

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[1] Concílio Vaticano II: Ad Gengtes n.9.

[2] Kasper, W. A Igreja católica. São Leopoldo: Unisinos, 2012, p.368.

[3] FRANCISCO. Evangelii Gaudium. Sobre o Anúncio do Evangelho no Mundo Atual. Brasília: NNBB, 2013, n.11.

[4] FERNANDES De A., Rafael. Hörde 1919. Grandezas e Limites de um Congresso. Comp.: Heinrich M. Hug., p 9.

[5] Importância do Congresso de Hoerde 1919 para o Movimento Apostólico de Schoenstatt. Atibaia: São Paulo, p. 17.

[6] Idem. P. 23.

Entrevista: Por meio de Hoerde Deus abre portas

 

Karen Bueno – A caminho de celebrar os cem anos do Congresso de Hoerde, a Família de Schoenstatt é convidada a aprofundar o passado, contemplar seu lugar na atualidade e ser ousada em direção ao futuro. É isso o que propõe a Comissão Central que organiza as festividades internacionais do jubileu de Hoerde.

De 16 a 18 de agosto são esperadas pessoas de diversos países, em Schoenstatt/Alemanha, para os eventos comemorativos desse centenário (clique e saiba mais).

O evento é promovido pela Presidência Geral da Obra Internacional de Schoenstatt que, para sua preparação e realização, incumbiu uma Comissão Central formada por representantes das Uniões Apostólicas de Schoenstatt – já que esse Congresso (de 1919) marca o início da União. Nessa Comissão está também a brasileira Geni Maria Hoss, de Curitiba/PR, que pertence à União Apostólica Feminina de Schoenstatt. Geni faz parte da equipe responsável pelos conteúdos do encontro e nos conta mais detalhes sobre a celebração internacional…

 

Qual a importância do Congresso de Hoerde na história de Schoenstatt? Ele tem relação comigo, que sou, por exemplo, da Liga Apostólica, que sou de algum Instituto ou sou um peregrino do Santuário?

Nosso Pai e Fundador diz que Schoenstatt, como organização, apareceu no palco da sociedade como União. “Nós subimos ao palco da história sob o título União” (J. Kentenich). Isso significa que ali estavam as bases. Por esse Congresso, de 1919, Schoenstatt entrou na realidade da Igreja como Movimento, como organização própria. A Aliança de Amor, em 18 de outubro de 1914, foi e sempre será a fonte e o marco a partir do qual se desenvolveu toda a Obra de Schoenstatt. Portanto, Hoerde é um desenvolvimento desse 18 de outubro, é o ponto em que Schoenstatt se consolida como Movimento na realidade da Igreja.

Nós podemos comparar o desenvolvimento do Movimento de Schoenstatt com uma árvore: em Hoerde está a raiz de onde Deus, depois, abriria as portas para as outras comunidades. O Pai e Fundador fala sobre esse início com muita propriedade: Deus abre portas. Dali foram saindo ramos diferenciados e todas as comunidades que foram surgindo têm esse mesmo projeto de vida de santidade, se unem, vamos dizer assim, por essa seiva que vem desde Hoerde. Por isso, o programa jubilar internacional é aberto para todo e qualquer membro da Família de Schoenstatt; inclusive estarão também representantes de outros movimentos.

Hoerde tem valor e tem relação com todo o Movimento de Schoenstatt, não só com as Uniões. Desde o início e até agora tem algo a ver com todos, pois todos, segundo suas características próprias de comunidade ou ramo, aderiram ao programa de santificação e apostolado confirmado em Hoerde. Devemos estar conscientes de que Hoerde não foi um evento para “programar o futuro”, um projeto estratégico, como a gente conhece nas empresas. Trata-se de um reconhecimento da condução da Divina Providência e um resposta de pessoas que entenderam o chamado para a missão que Deus foi revelando.

 

O que pode nos contar sobre a programação internacional que terá em Schoenstatt para celebrar esse centenário?

O programa dura três dias. Nós começamos buscando essa raiz: o que ela nos trouxe? Onde estamos? Também vamos dialogar com outros movimentos, porque juntos somos a Igreja.

E depois, abordando as novas realidades de hoje, também a pergunta: Para onde vamos? Para onde somos enviados cem anos depois? Quais são os desafios hoje, por exemplo, sobre a cultura da vida, sobre a comunicação…?

Então nós vamos partir e, a partir dali, vai ter um reenvio para o novo século.

E outra coisa que eu acho importante do evento… ele não tem a pretensão de trazer todo mundo para o mesmo centro [em Schoenstatt]. A capacidade dos espaços é para aproximadamente 800 pessoas. Portanto, aqueles que participam em Schoenstatt representam seu local de origem. Mas desde o início o chamado e o desejo é que esse jubileu seja policêntrico, que cada país – quase que simultaneamente, ou muito próximo da data – celebre o jubileu na sua região. A forma como tudo será organizado em cada país é muito diversificada, mas o importante é que todos se unam. Onde existe o Movimentos de Schoenstatt – e não precisa necessariamente ter uma União Apostólica formada – que se festeje e, assim, seja uma festa de muitos lugares na mesma celebração.

Assim respondemos às três perguntas que Pe. Kentenich (1930) sempre sugeriu: Como algo se desenvolveu? Como se encontra agora? O que pretende para o futuro?

 

Nessa preparação do centenário vocês já conseguem perceber os frutos?

Já faz um tempo que a gente vem vislumbrando essa celebração. Se pensarmos em nossa realidade local, durante muito tempo as Uniões – União Feminina, União de Mães, União de Famílias, União dos Sacerdotes… – estiveram centradas no seu próprio desenvolvimento. E isso é natural, porque no começo elas têm que se afirmar, têm que ter identidade própria. Eu vejo, como um fruto bem positivo [do centenário de Hoerde], que a gente está conversando mais. A preparação uniu as pessoas e comunidades, que estão preparando; também há uma troca de ideias e de conteúdo. Acho que o fruto mais próximo, mais visível, é a “união das Uniões”. E esses frutos se tornam visíveis em todo o Movimento. Hoerde se tornou um assunto estudado por todos, o que fortalece a ligação de todos no Movimento com a origem de um projeto de vida de santidade próprio.

 

O que representa para você celebrar esses 100 anos de Hoerde?

Para mim foi bastante importante mergulhar nesse início, me aprofundar naquilo que chega até nós, por exemplo, nos materiais da Revista MTA. Ela foi um meio de comunicação e de vida. Olhar hoje e ver as preocupações daquele tempo – como vamos nos sustentar? Como vamos crescer? Mas isso tem desafios, vêm desafios junto… – é reconhecer que ali existe a nossa raiz mais profunda, que não se trata de uma coisa lá da União, no passado, mas é algo central em Schoenstatt que nós estamos celebrando. Hoje as perguntas se repetem, precisam ser repensadas em novos tempos e contextos.

Então, para mim, é importante o contato com esse “mundo do começo”, sobre como ele se desenvolveu e como hoje eu posso vivê-lo. Esse laço, essa ponte [entre passado e atualidade] tem que estar muito presente para nós.

Coube a mim fazer essa pesquisa histórica e faço agora a mesma pergunta que o Pai e Fundador fez naquela época: “Temos o direito de existir?” Nós podemos, conseguimos nos manter, mas… temos também o direito? E o direito de existir se dá quando conseguimos oferecer para a Igreja algo que é diferente daquilo que ela já tem. O Pai e Fundador disse que há muitas formas de vida e de aspiração à santidade, mas – ele questiona – “o que nos faz diferentes?”. Então disse: é a forma e a profundidade dos nossos altos ideais. Eu preciso ver, de uma forma muito profunda, meu caminho de santidade para vislumbrar esses altos ideias, as grandes metas. E ele também coloca: “Estamos a altura desses ideais que nós colocamos?” Então hoje, 100 anos depois, qualquer comunidade de Schoenstatt devia se perguntar: Tenho o direito de existir? O que eu ofereço de original para a Igreja e para a sociedade hoje? Não somos o único Movimento na Igreja, até por isso vamos convidar outros Movimentos Eclesiais para celebrar conosco, mas se não tivermos algo original e único para oferecer, não vivemos plenamente nossa missão. Por isso, é tão importante que as datas especiais sejam aproveitadas para agradecer, celebrar e abraçar com novo vigor a missão.

Fonte: schoenstatt.org.br