Helene Kühr, só Deus e eu sabemos


Marcelo e Stefani Frölich/Ir. M. Nilza P. da Silva – Neste 13 de dezembro, lembramos os 47 anos da morte de Helene Kühr, esposa de Dr. Fritz Kühr. Ela nasceu no dia 7 de fevereiro de 1891, na cidade de Attendorn, Alemanha, e faleceu no Brasil. Está sepultada junto ao seu esposo, em Londrina/PR.

O casal viveu muitos anos separados fisicamente, devido a prisão de Fritz pelo nazismo. Nesse período Helene mudou-se para o Brasil.  Nesse cenário, Helene precisa, mesmo sem a presença física de seu esposo, demonstrar diariamente a força de uma mulher fiel, determinada, corajosa, autoconfiante, amorosa, maternal e sensível ao contexto, o que reflete em seus poemas, escritos durante este período de “exílio”, ao liderar o árduo trabalho de estruturar uma fazenda.

Mesmo distante, separada de seu marido pelo oceano, sem saber exatamente onde estaria e em que condições, mesmo temendo por sua vida, seus poemas demonstram seu grau de fidelidade e amor incondicionais, pois sempre destacou a saudade amorosa e o ardente desejo do reencontro. No poema Mágoas do coração, Helene assim escreve: Quando à noite eu vou dormir/silente e cansada me ponho à janela,/eu penso em ti./Eu contemplo tua face novamente,/ouço as lindas canções que cantavas para mim…

Ao mesmo tempo em que por poemas que evocam a subjetividade, ela dialogava com Fritz Kühr através de versos saudosos, amorosos, preocupados, mas, acima de tudo, vinculado à Deus. Em um de seus poemas, escreve que sua vida está despedaçada, pois encontra-se distante de seu amor, reconhece que sem ele não consegue mais sentir alegria. Termina afirmando que o que carrega e que suporta só ela e Deus o sabem.

Portanto, a história de Helene retrata a vida de quem amou independência e vinculação harmoniosa com sua fé. Novamente, como lemos na obra Como uma pluma ao vento, o que mais chama a atenção em seus poemas é o restabelecimento constante e bem orgânico da união com aquilo que a movia e que vivenciou em relação a Deus e ao sobrenatural. Lembrando sua vida e revisitando sua trajetória, lembrando a passagem de sua morte, somos convidados a nos inspirarmos em Helene, que depois de tudo o que passou, reencontra seu amor Fritz Kühr, em outubro de 1947, e podem enfim viver juntos, até que a morte os uniu para sempre no céu.

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Fonte: schoenstatt.org.br

Para tempos de crise, um casamento inspirador

Fabio e Marcelle Levandowiski – No dia 8 de novembro, comemoramos o aniversário do casamento de Fritz e Helene Kühr, exemplo de amor conjugal para a atualidade. Ele, político e economista; ela, professora e poetisa. Dr. Fritz Kuhr foi o cofundador da Obra das Famílias de Schoenstatt quando foi prisioneiro no campo de concentração de Dachau. O idealizador da Obra das Famílias, Pe. José Kentenich, também prisioneiro, em Dachau, tinha a clareza que a família e o matrimônio são os pilares de uma nova ordem social cristã na sociedade.

Fritz e Helene se casaram em uma cidade alemã chamada Bad Lippspringe, na paróquia São Martin. Viveram momentos felizes e também passaram por muitas dificuldades. No contexto da segunda guerra mundial, viram-se obrigados a ficar dez anos separados fisicamente: ele foi prisioneiro no campo de concentração de Dachau enquanto ela precisou emigrar sozinha para o Brasil, em Rolândia/PR, numa época em que predominava condição precária de sobrevivência, no meio da mata. Além disso, após se reencontrarem no Brasil, três anos depois, Fritz Kühr adoece e morre aos 55 anos de idade. Apesar de inúmeras dificuldades pelas quais passaram, nunca perderam a fé em Deus e o amor mútuo foi a força para ambos vencerem as adversidades, uma realidade. A vida matrimonial de Fritz e Helene Kühr é exemplo e resposta para os casais nos tempos atuais, principalmente pelos inúmeros desafios que a família enfrenta. Seus restos mortais estão sepultados junto ao monumento dos heróis ao lado do Santuário da Mãe e Rainha Três Vezes Admirável de Schoenstatt, em Londrina/PR.

 

              

                       Os restos mortais repousam junto ao Santuário de Londrina/PR (foto: Karen Bueno)

 

No dia 8 de novembro de 2022, iremos celebrar internacionalmente os 100 anos de matrimônio da família Kühr. E, para preparar esse momento tão especial, foram formadas duas equipes: uma nacional e uma internacional.

O nome adotado pelas equipes foi “Wollgras” (Wollgras é o nome de uma planta típica alemã que o Dr. Kühr cita em uma carta enviada do campo de concentração [1]). A comissão Wollgras, desde o início de 2020, vem trabalhando alguns temas relacionados ao matrimônio e à vida da família Kuhr, com o objetivo de torná-los mais conhecidos internacionalmente, especialmente para a Obra familiar.

Muitas novidades ainda vão ser divulgadas para a celebração do centenário. Já estamos em fase de preparação e queremos que seja um momento muito especial para as famílias.

Convidamos todos a se unirem em oração por esse momento e por toda a nossa Obra Familiar.

 

 

[1] Planta Eriophorum. As superfícies das sementes são cobertas com uma massa macia de algodão que são dispersadas pelo vento para germinação.

Fonte: schoenstatt.org.br