Dom Ricardo Hopers, um peregrino dos Santuários de Schoenstatt

 

Ir M Nilza P. da Silva – A Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realizou uma visita aos Dicastérios do Vaticano este mês e, no dia 11 de janeiro, teve um encontro com o Papa Francisco. Em seguida dessa visita ao Santo Padre, mais precisamente no dia 13 de janeiro, o Secretário Geral da CNBB, Dom Ricardo Hoepers, aproveita para visitar e se encontrar com a Mãe e Rainha de Schoenstatt. Ele esteve no Santuário de Schoenstatt Cor Ecclesiae, que se localiza bem próximo ao Vaticano.

Dom Ricardo, que atualmente é bispo auxiliar da Arquidiocese de Brasília, capital do país, é natural da cidade Curitiba. Ele foi bispo da Diocese de Rio Grande, no sul do Brasil. Esses dois locais marcaram seu contato com Schoenstatt, como ele nos conta em entrevista:

Qual é a sua relação com o Movimento Apostólico de Schoenstatt?

A minha relação com o Movimento de Schoenstatt vem desde o seminário menor. Na época, o Pe. Rafael Biernaski, hoje Dom Rafael Biernaski, Bispo de Blumenau/SC (membro da União Internacional dos Presbíteros de Schoenstatt), era o diretor espiritual do seminário e ele já nos preparava, desde a oração do terço até as visitas ao Santuário. Nos ensinou que pelo sacrifício, pela oração e, acima de tudo, pela consagração a Nossa Senhora, nós conseguiríamos perseverar na nossa vocação sacerdotal.

Então, desde pequeno eu já peregrinava ao Santuário de Schoenstatt, a partir do nosso seminário São José, em Curitiba/PR.

O que o motiva a peregrinar aos Santuários da Mãe e Rainha?

O que me motiva a peregrinar aos Santuários da Mãe e Rainha é também a minha experiência como Bispo Diocesano de Rio Grande/RS. O Movimento da Mãe e Rainha é tão grande nas casas, nas famílias. São tantas pessoas que participam na diocese do Rio Grande, a partir da experiência da Mãe e Rainha visitando as casas, que isso me fez ter a convicção de que a presença da Mãe e Rainha nas famílias é o caminho mais seguro para que uma diocese, para que uma Igreja particular, possa se desenvolver e, acima de tudo, se fortalecer na fé. Nós tivemos sempre a graça de sermos também bem assessorados pelas Irmãs de Maria [da Província] de Santa Maria (Rio Grande do Sul). Na Diocese de Rio Grande a Mãe e Rainha percorre praticamente todas as famílias, em todas as paróquias.

 

Jornada de lideranças da CMPS da diocese de Rio Grande, em 2018.

Há algum aspecto de nossa espiritualidade que lhe chama a atenção?

A espiritualidade do Movimento para mim é fundamental. Tenho muita clareza da importância do Capital de Graças que, no dia a dia, fortalece não só minha vocação, agora também episcopal, mas também é a força com qual temos que enfrentar todas as dificuldades e aprender que os sacrifícios, nas nossas vidas, são oportunidades que Deus nos dá para nos tornarmos pessoas melhores. Na vivência das virtudes, nos dons e nos carismas, Deus, por meio de sua Mãe, nos mostra que o caminho seguro está na perseverança em sempre fazer o bem.

Pelo Capital de Graças, todas as coisas que acontecem são oferecidas à Nossa Senhora e ela pode distribuir ao mundo inteiro as graças que as pessoas mais necessitam. Então, eu me sinto sempre um colaborador. Estando em qualquer lugar, nós sempre podemos colaborar com o Capital de Graças e com a espiritualidade schoenstattiana, que nos mostra, acima de tudo, uma virtude de olharmos para dentro de nós, reconhecermos os erros, pecados e nos aprimorarmos, nos lapidarmos, nos consagrando a Maria e nos tornando filhos no Filho, pela Mãe.

 

Dom Ricardo na Romaria da Primavera, em 2018, em Santa Maria/RS.

 

Fonte: schoenstatt.org.br

 

 

Um Diácono Permanente nas pegadas do Diácono João Pozzobon

Hoje, 10 de agosto, celebramos o Dia dos Diáconos Permanentes, que constituem parte de uma vocação fundamental na vida da Igreja, dedicada à liturgia, à palavra e à caridade. No Brasil, o patrono dos diáconos permanentes é justamente um schoenstattiano que atualmente está em Processo de Beatificação: o Servo de Deus João Luiz Pozzobon, iniciador da Campanha da Mãe Peregrina. Ele fez do sacramento da Ordem uma forma de tornar a Igreja mais missionária e apostólica, indo ao encontro das pessoas em distantes e diferentes realidades, levando os sacramentos até as periferias.

Inspirando-se em João Luiz Pozzobon, hoje o Sr. Adelino Stefanello é diácono permanente na Arquidiocese de Curitiba/PR. Em entrevista ele conta sobre as vivência que teve e como cultiva uma amizade espiritual com Pozzobon:

 

Como e quando foi que o senhor conheceu João Luiz Pozzobon? 

Diác. Adelino – Eu conheci o Diácono João Luiz Pozzobon pela primeira vez no ano de 1967. Eu era seminarista palotino e estudava no Colégio São José, em Faxinal do Soturno/RS. Naquela visita e depois em outras, nos anos subsequentes, o Sr. João levava consigo a imagem da Mãe e Rainha em uma capelinha e, no seminário, durante a permanência da visita dele com a imagem peregrina, (colocada em um pequeno altar lateral, na capela do seminário), rezávamos o terço e depois, na sequência, o Sr. João nos falava carinhosamente, a todos os seminaristas, sobre Nossa Senhora, Mãe de Deus, sob o título de Mãe Três Vezes Admirável.

 

O que mais lhe marcou na pessoa de João? 

Diác. Adelino – Tenho presente em minha mente o seu carinho pela Mãe de Deus. Também o desejo ardente que ele tinha de mostrá-la a nós e dizer a nós, seminaristas, que Nossa Senhora (cuja imagem na capelinha ele conduzia) queria nos amar com um amor de Mãe e queria nos mostrar o seu filho Jesus. Ele tinha a capacidade de nos envolver no testemunho de amor que ele vivenciava com a Mãe de Deus e de fazer crescer em nós o amor para com ela. Impressionante como ele realmente nos conduzia a uma experiência de amor para com a Mãe de Deus, em cada visita anual que realizava no seminário. Muito me marcou, também, a sua humildade, tanto como pessoa, quanto na oração, quando rezávamos o terço, junto à capelinha peregrina. Ele transparecia o estar a serviço de Nossa Senhora e a amava, levando-a peregrina diuturnamente – e fazia com convicção, com zelo e simplicidade. Isto era bem testemunhado em suas visitas.

 

De que forma ele, patrono dos diáconos permanentes do Brasil, lhe inspira hoje no diaconato?

Diác. Adelino – Ele me inspira na disponibilidade que devo ter aos desígnios de Deus. Em colocar-me a serviço incondicional e com simplicidade de coração, na realização da vocação diaconal na família e na comunidade. Inspira confiança filial na missão à qual sou chamado como diácono, enraizada por aquelas singelas experiências de amor, vivenciadas com a Mãe de Deus. Inspira a humildade, dar o melhor de mim para o Reino de Deus acontecer já aqui e agora. Inspira a oração, aqueles terços que rezávamos quando das visitas recebidas e que hoje continuo a rezar diariamente e com a mesma confiança. Como disse o Pe. José Kentenich: “O rosário é a chave que abre a porta para o céu”.

 

Por que o senhor acha que João Pozzobon deve ser canonizado?

Diác. Adelino – Em primeiro lugar porque, ocultamente, tenho um sentimento interior de que ele já está no céu, razão pela qual juntamente com o Pe. José Kentenich e José Engling e mais três santos de minha devoção, peço a intercessão deles diariamente para sempre ter boa saúde.

Eu creio também que o Diácono João Luiz Pozzobon deve ser canonizado por sua entrega filial à Mãe de Deus e pelo cultivo de uma vida de oração. Nas visitas que recebíamos no seminário, rezávamos com ele. No meu entendimento, ele, nas “mãos” da Mãe de Deus, livremente e com consciência de ser instrumento escolhido, realizou uma tarefa específica na Igreja para estes novos tempos, através do Movimento Apostólico de Schoenstatt: Tornar a Mãe de Deus conhecida nos lares e nas comunidades e mostrar o quanto ela nos ama como seus filhos e filhas, que de fato ela é e o quanto ela quer nos levar ao amor para com seu filho Jesus. E esta missão ele assumiu de corpo e alma, renunciando a si mesmo, na simplicidade, no sofrimento, na força de vontade, não medindo esforços para cumprir sua agenda de visitas, onde em milhares de lares, levou Maria e seu filho Jesus para estabelecerem o seu reinado (nos corações) já aqui na terra – e que em continuidade se dará no céu. Nossa vocação é para a santidade e o sentimento que tenho, pelo que o conheci e ouvi sobre ele, ele realizou aqui na terra a sua vocação plenamente.

 

Fonte: schoenstatt.org.br100

O que mudou na Causa Kentenich?

Ir. M. Márcia Silva – Neste mês, recordamos os 46 anos da abertura do Processo de Beatificação do Pe. José Kentenich, com certeza um tempo de muita pesquisa e estudo. O postulador da Causa, Pe. Eduardo Aguirre, conta como estão os trabalhos e envolvimento da Família de Schoenstatt nesta fase do Processo.

 

Como é estar à frente deste processo, como postulador, justamente neste tempo em que surgem publicações e acusações em relação à conduta do Pe. Kentenich?

Pe. Eduardo: Desde o início de julho de 2020, quando as acusações e difamações feitas pela Sra. von Teuffenbach se tornaram conhecidas, podemos dizer que o Processo de Beatificação do nosso Pai e Fundador sofreu uma aceleração surpreendente. De fato, essas acusações têm motivado uma renovada preocupação pela pessoa do nosso Pai em amplos círculos da nossa Família: as correntes de oração pelo processo do Pe. Kentenich têm se intensificado, a sua pessoa tornou-se mais presente na consciência da nossa Família de Schoenstatt e despertou-se um grande interesse em estudar e conhecer melhor a história das Visitações e o tempo do exílio.

Nesse sentido, muita investigação tem sido feita – e continua a ser feita – sobre documentos pesquisados em diferentes arquivos e muitos artigos e estudos estão a ser publicados como resultado dessa investigação. Está havendo um trabalho intenso que será muito positivo para dar um forte impulso ao Processo do nosso Pai.

Também será muito importante o trabalho que a nova comissão de investigação histórica, formada pelo Bispo de Tréveris (o último responsável pelo desenvolvimento da causa do Pai na sua fase diocesana) começou a fazer em relação à esta etapa da história de Schoenstatt. Podemos confiar que esta comissão será capaz de esclarecer definitivamente as questões, dúvidas e motivos que levaram ao nosso Pai e Fundador ao exílio. Esperamos também que, com isso, a fase diocesana do Processo possa ser fechada e chegar a Roma, onde deve ser resolvido definitivamente.

Claro que, a par dessas consequências mais positivas de toda as controvérsias levantadas, também houve dor, confusão, dúvidas e discussões sobre a figura do nosso Pai na Família de Schoenstatt. Neste sentido, estes últimos meses não têm sido fáceis.

Para mim, tem sido um tempo exigente e desafiador, o que tem intensificado o meu trabalho. Tive de estudar e rever um grande número de documentos. Em condições e tempos normais, todo esse trabalho seria levado com muito mais tempo e calma.

Posso também dizer que as acusações feitas pela senhora von Teuffenbach preocuparam-me e também indignaram-me, devido ao quão malfeitas e pouco sérias são; como ela manipulou e selecionou algumas fontes, retirando-as do contexto, e ignorando outras, para construir as suas acusações de abuso sexual e comportamento tirânico da parte do Pai. Ela afirmou claramente que gostaria de impedir que a sua Causa avançasse.

Mas posso dizer que em nenhum momento duvidei da integridade moral do nosso Pai e Fundador, nem da santidade que ele alcançou, precisamente por causa das provações a que foi submetido pelo Santo Ofício. O que tenho estudado durante este tempo intenso, reforçou a minha admiração pelo Pe. Kentenich e a minha convicção de que ele é uma figura santa e profética para o nosso tempo e o futuro da Igreja.

Por conseguinte, posso finalmente dizer que estou grato e otimista pelo desenvolvimento em relação ao processo do Pe. Kentenich.

 

 

Como está o trabalho com os documentos que o senhor teve acesso nos arquivos do Vaticano?

Pe. Eduardo: Até agora, pude estudar cerca de 400 documentos, cobrindo mais de 2000 páginas. Trata-se de cerca de metade dos documentos que se referem ao Pe. Kentenich nos arquivos da Congregação para a Doutrina da Fé (ex-Santo Ofício). Portanto, ainda tenho um número semelhante de documentos para pesquisar. Devido ao covid, o acesso aos arquivos tem sido limitado e não o posso ir até eles continuamente. Mas espero receber em breve uma cópia de todos os arquivos relacionados com o Pe. Kentenich e Schoenstatt, que pude encomendar há algumas semanas. Assim poderei estudá-los mais calmamente em casa.

Em relação aos conteúdos, as razões da Visitação e os confrontos com o Santo Ofício, encontrei poucas novidades. Muitos documentos desse arquivo já eram conhecidos durante o Processo de Beatificação do Pe. Kentenich e estão presentes no arquivo da Causa. Isto inclui decretos, cartas, relatórios, declarações, etc., que já tinham sido estudados e considerados pela Comissão Histórica que, na altura, foi formada pelo Bispo de Trier, no âmbito do processo diocesano, e que já tinha emitido o seu relatório final. Toda essa documentação relacionada com o processo está sob sigilo; ou seja, não pode ser divulgada.

Naturalmente, também encontrei documentos que não eram conhecidos e que não se encontram nos arquivos do Processo. Entre eles, penso que os mais importantes, e que ainda não foram considerados na Causa, são os relatórios sobre a Visitação Apostólica (1951-1953), escritos pelo Visitador, Pe. Sebastian Tromp. São quatro relatórios que foram apresentados internamente ao Santo Ofício e que compreendem cerca de 200 páginas escritas em latim. Esses relatórios foram mantidos desde então, até agora, sob sigilo. Uma vez traduzidos, poderemos estudá-los em pormenor. Mas, em termos de conteúdo, em geral não fornecem elementos importantes desconhecidos ou surpreendentes.

Em todo o caso, posso afirmar que nos arquivos do Santo Ofício não encontrei qualquer acusação de abuso sexual, atos de violência ou conduta imoral por parte do Pe. Kentenich. Nem antes, nem depois houve acusação alguma deste tipo contra ele. Se tivesse havido alguma, podemos estar certos de que o Santo Ofício, o Supremo Tribunal da Igreja naquela altura, não encobriu ou fez “vista grossa” a este tipo de má conduta. Se o tivesse feito, o Santo Oficio teria de ser acusado de encobrimento. Mas o Santo Ofício não geriu nenhum julgamento com uma tal acusação contra o Pe. Kentenich. Nem mesmo os seus mais ferrenhos detratores trouxeram acusações de abuso sexual contra ele.

O próprio Kentenich, na medida em que tomou conhecimento de algumas difamações e rumores a este respeito, negou-as categoricamente. (Cfr. “Apologia pro vita mea”, 1960)

Nos arquivos encontrei também um bom número de escritos que chegaram ao Santo Ofício e mesmo ao Santo Padre, Pio XII, em defesa da idoneidade do Pe. Kentenich, dos seus ensinamentos e práticas, assim como esclarecimentos em relação à espiritualidade e pedagogia de Schoenstatt, e do significado da pessoa do Fundador para a Família de Schoenstatt. Não há cópias de vários deles na documentação da Causa.

 

Como postulador, qual sua principal tarefa neste momento?

Pe. Eduardo: Como podem ver, tenho estado concentrado no estudo e classificação de um grande número de documentos que têm a ver com este período da história do nosso Pai. Também tenho estado em contato permanente com um grupo de Irmãs de Maria que está trabalhando intensivamente no estudo dos seus próprios arquivos e dos documentos que partilhamos de outros arquivos. O mesmo em relação às iniciativas tomadas pela Presidência Geral, que tem formado comissões de estudo e de comunicação, e em coordenação com o trabalho de outros Padres de Schoenstatt, que têm feito investigação e estão elaborando temas, bem como outros membros da nossa Família.
Alguns frutos desta pesquisa e trabalho podem ser vistos no site oficial de Schoenstatt: www.schoenstatt.com

 

Após as publicações, houve alguma mudança na participação e interesse da Família de Schoenstatt pela Causa de Beatificação do Fundador? O que o senhor vê nesse sentido?

Pe. Eduardo: Como já mencionei, toda essa situação colocou a pessoa do nosso Pai e Fundador muito mais no centro da consciência da Família. Também a corrente de oração pela sua causa intensificou-se. Penso que se pode dizer que, para as atuais gerações da Família de Schoenstatt, esta situação motiva, e mesmo exige, a um estudo mais aprofundado dessa etapa da história de Schoenstatt, a fim de conhecer e compreender mais profundamente a pessoa, a vida e o carisma do Fundador.

Tendo em conta os momentos mais difíceis e exigentes da história da nossa Família de Schoenstatt, por causa das perseguições do Pe. Kentenich pelos nazistas e depois pelo Santo Ofício, agora em vários círculos da Família são oferecidas orações e ofertas ao Capital de Graças pelo “3º regresso, ou libertação do Pai” ou pelo “3º milagre da Noite Santa”.

Da mesma forma, toda essa polêmica nos ajuda a olhar de forma mais realista para o Pe. Kentenich e, embora as acusações de conduta imoral sejam falsas, sabemos que como todos os seres humanos ele tinha limites, que não era infalível e que podia cometer erros. Podemos dizer que nem sempre obteve os resultados que esperava e que poderia ter errado no julgamento e compreensão de algumas pessoas que colaboraram com ele na fundação de Schoenstatt. Como é evidente, o Pe. Kentenich não nasceu santo. Se ele se tornou um santo, foi ao longo de uma história de vida bastante agitada, na qual sempre lutou para deixar-se conduzir pela Divina Providência, colocando-se nas mãos de Maria e aspirando seriamente ao ideal de santidade. Se atingiu ou não este ideal, é a Igreja que deve declarar isto formalmente, após uma investigação minuciosa da sua vida e obra no marco do Processo que será levado a cabo.

 

Como as orações e grupos formados pela Beatificação do Pe. Kentenich ajudam em sua tarefa? É possível fazer algo mais?

Pe. Eduardo: Tenho certeza de que é muito importante intensificar e aumentar as ofertas de orações e entregas ao Capital de Graças, para implorar as graças de que necessitamos, para que a nossa Mãe e Rainha saia vitoriosa e os planos de Deus sejam realizados em relação à Causa do nosso Pai e Fundador.

Ao mesmo tempo, esses grupos de oração, que têm se multiplicado em diversos países e que têm crescido muito numericamente, são muito importantes para difundir a fama de santidade do nosso Pai e promover o seu Processo. Motivados por essa corrente de oração, têm surgido workshops virtuais para o conhecer melhor e se envolver mais com o Pe. Kentenich. De maneira semelhante estão sendo realizados cursos online com base na biografia do Pai, para aprender mais sobre seu carisma e missão.

Como discípulos fiéis do nosso Pai e Fundador e animados pela nossa Aliança de Amor, confiamos plenamente na Providência de Deus, que nos conduz sabiamente, e na fidelidade da nossa Mãe, que mais uma vez mostrará o seu poder de Rainha nestas controvérsias em torno do Pe. Kentenich. MPHC et V!

Pe. Eduardo Aguirre,
Roma, 07/02/2021

Fonte: schoenstatt.org.br

 

Cuidar do Santuário Original: um presente e uma missão

Karen Bueno – Há dois anos o Santuário Original de Schoenstatt, na Alemanha, recebe os cuidados diários de uma brasileira, a Ir. M. Vanda Lucia Friedrich. Ela é sacristã e, junto com seus companheiros de trabalho, tem a tarefa de zelar pelo coração de toda a Obra Internacional de Schoenstatt. Uma missão dinâmica e imensa, afinal, como ela conta, “é bem normal chegar a ter seis missas num único dia, principalmente a partir de maio, que começa o verão”.

Além disso, Schoenstatt é o núcleo de um Movimento espalhado por centenas de países então, consequentemente, há grande movimentação ao redor do Santuário, seja física ou espiritual. Nesta entrevista a Ir. M. Vanda compartilha um pouco de sua experiência nesses dois anos de atividades:

Qual é o trabalho de um sacristão do Santuário Original?

Nós três – eu e mais um casal do Instituto de Famílias (Bernadette e Norbert Weweler) – somos a equipe oficial de sacristãos do Santuário Original, com contrato de trabalho. Nós nos revezamos em certas tarefas, temos uma escala de atividades e cuidamos dos trabalhos práticos ao redor do Santuário. Estamos sempre em contato com o reitor (Pe. Pablo Javier Pol), que é o responsável pela parte administrativa e pastoral, para que ele possa acompanhar tudo o que acontece.
Nosso trabalho no Santuário é: ornamentação, limpeza (do Santuário, da sacristia e dos arredores – como a capela das velas e o monumento dos heróis), preparação das missas, também, de certa forma, uma pastoral e acolhida para as pessoas que chegam. O cuidado com o gramado é terceirizado, mas somos nós que chamamos os responsáveis, quando necessário, e acompanhamos. São todos trabalhos práticos que assumimos em nome do reitor. Tem também uma equipe de voluntários que nos ajuda, especialmente a noite. O dia começa muito cedo. Nós começamos a trabalhar 5h30min, quando fazemos a limpeza diária do Santuário Original e arrumamos tudo para a missa. Às 5h45min chegam as primeiras pessoas para rezar.

 

Como nós, pessoas de diversos países, podemos nos sentir representadas no Santuário?

Uma forma que usamos para representar as pessoas do mundo inteiro são as bandeirinhas dos países, que nós conquistamos há pouco tempo. Estivemos pesquisando as datas especiais dos países – por exemplo: os feriados nacionais e as datas marcantes de cada nação – e nesses dias a bandeirinha deste país é colocada no Santuário Original. Ou, por exemplo, no final do ano passado houve muitas turbulências na Bolívia, no Chile… então nós colocamos essas bandeirinhas no Santuário Original para lembrar que estamos rezando por essas pessoas. Quando chegam grupos de diferentes países, nós também colocamos as bandeirinhas lá, para recebê-los.
O meu uso pessoal – e acredito que dos outros sacristãos também – é ter a certeza de que nunca chegamos sozinhos ao Santuário, mas sempre representando as pessoas do mundo inteiro; nós as levamos conosco. Eu penso: “Estou aí todos os dias e quantas pessoas, em toda sua vida, não poderão pisar um minuto sequer neste lugar”. É emocionante poder representá-las.

 

O que te marcou e te chamou a atenção nesses dois anos de trabalho?

O que me impressiona e comove muito é o grande amor que os filhos de Schoenstatt têm. Às vezes não são pessoas muito introduzidas no Movimento, somente recebem a Mãe Peregrina, mas, quando chegam ao Santuário, demonstram grande amor, querem receber suas graças e vão retribuir a visita da Mãe de Deus. Não raras vezes têm pessoas que chegam de lugares diversos do país e vão porque a mãe, a avó ou algum familiar pediu que passasse por lá, que recebesse as graças do Santuário e levasse até eles de volta no Brasil. Isso me dá a convicção de que é um lugar de muitas graças.
É muito bonito, também, o primeiro encontro com o Santuário, as pessoas que chegam pela primeira vez, se ajoelham e choram de emoção.
Uma coisa muito bonita que eu experimento também é a internacionalidade. Não tem um dia em que você não encontre peregrinos, pessoas avulsas ou famílias de outros países – e são de todo o mundo. Os países de língua espanhola são a maioria, mas você escuta pessoas falando húngaro, polonês, inglês… É muito raro o dia que não tenha um brasileiro. Para eles é uma grande surpresa quando descobrem que sou brasileira e veem isso como um carinho especial da Mãe de Deus, pois tem alguém falando o idioma deles para dizer: bem-vindos!

 

O que a senhora indica para as pessoas que desejam visitar o Santuário Original?

Normalmente os grupos precisam de agendamento, para ter certeza de que o Santuário estará desocupado. Às vezes acontecem imprevistos e chegam grupos sem avisar; nós fazemos o possível para que todos possam aproveitar o Santuário, mas já aconteceu de alguns grupos não conseguirem visitar ou celebrar uma missa no Santuário Original. Para agendar as visitas em grupo é muito simples, nós temos um e-mail de contato do Santuário Original e toda a Central Internacional de Romarias (línguas portuguesa, espanhola, inglesa e alemã) tem acesso à agenda. Na agenda entram todas as peregrinações, também estão anotados os grupos do Movimento com hora reservada. (E-mail: kontakt@schoenstatt-info.de / site: schoenstatt-info.com). O Santuário é muito reservado, especialmente à noite, para horas privadas. As pessoas individuais e os grupos têm essa possibilidade especial, eles podem reservar um horário só para eles no Santuário. É um grande presente de estar só ali, junto com a Mãe de Deus.

Fonte: schoenstatt.org.br

Levar o Pe. Kentenich para círculos mais amplos…

Trad. Ir. M. Isabel Machado – Ir. M. Doria Schlickmann, historiadora e germanista, pesquisa sobre a vida e obra do Pe. Kentenich, atualmente, trabalha no lançamento de mais um livro. Vejamos o que ela diz sobre ele.

Ir. M. Doria, faz pouco tempo que a senhora publicou alguns livros sobre o Pe. Kentenich (Anos ocultos, Tempestades de outono, Anos decisivos.) O que a move, depois de tudo o que a senhora já escreveu, a escrever mais um livro sobre o Pe. Kentenich?
Na minha opinião, Pe. Kentenich ainda não é suficientemente conhecido, nem sua vida, nem seu trabalho, nem sua missão para a Igreja e a sociedade. Por isso, eu queria escrever uma biografia mais popular, com uma narrativa em linguagem acessiva para círculos mais amplos.

Nós não podemos mais experimentar pessoalmente o Pe. Kentenich hoje e, portanto, todos dependemos essencialmente da imagem dele que nos é apresentada por outros. Como a senhora lida com essa responsabilidade?
Sim, é uma grande responsabilidade – especialmente quando procuramos pesquisar sua vida e sentimos que ele é muito grande e é difícil abranger toda a grandeza humana e os mistérios de José Kentenich. O contato com uma variedade de material (palestras, declarações, publicações), o fato dele ser uma pessoa escolhida de modo especial por parte de Deus, a sua vida orientada de modo extraordinário pela graça, tudo isso podemos tocar apenas de leve. Embora a ciência histórica nos forneça uma ferramenta importante para a pesquisa e a abundância de material seja uma valiosa fonte de pesquisa, é preciso confessar humildemente que tudo o que conseguimos é apenas uma visão parcial.

É por isso que não quero dar uma imagem específica do Pe. Kentenich, mas tentar “sondar” quem e como ele era. Eu tento deixar as fontes falarem e só posso pedir repetidas vezes ao Espírito Santo que eu consiga de modo correto e seja guiada pelo alto! Na nova biografia, eu procuro mostrar especialmente o seu crescimento pessoal pelo caminhar com a graça, seu amadurecimento como pessoa, a partir de uma perspectiva natural e sobrenatural. E isso, de tal maneira, que também uma pessoa que ainda não conhece o Pe. Kentenich, se estiver de coração aberto, possa, por assim dizer “crescer junto”.

Seu livro tem o título: “Uma vida à beira do Vesúvio”…
Essa imagem me veio, porque eu estava procurando uma imagem que representasse esta vida, às vezes arriscada e perigosa em um nível mental, emocional e também físico. Então, me deparei com uma citação. Nietzsche refere-se as pessoas que ousam algo como um modelo, quando ele escreve: “Então acredite em mim! O segredo para uma vida de grande produtividade e prazerosa é: viver perigosamente! Construa suas cidades à beira do Vesúvio!”

Também hoje, “a vida de Schoenstatt” pode, de fato, ser perigosa em muitos aspectos: qualquer um que confessa ter fé e, ainda por cima, venerar Nossa Senhora, corre o risco de não ser mais compreendido. Além disso, mesmo no lugar Schoenstatt, muitas coisas se tornam menores… Existe na vida do Pe. Kentenich uma mensagem para tais desafios?
Estou convicta que a vida do Pe. Kentenich “fala” para muitas pessoas e as encoraja: A vida pode ter sucesso, mesmo sob más circunstâncias, e as dificuldades podem justamente conduzir à vitória. O Pe. Kentenich nunca contou com grandes números. Ele começou com um punhado de jovens e fundou um movimento mundial.

Na minha opinião, seus impulsos e inspirações, sobretudo em termos de desenvolvimento da personalidade, bem como todo o seu método pedagógico, estão longe de serem apresentados de modo adequado. Especialmente em um mundo midiático e tecnológico, que conhece tantas possibilidades de manipular o indivíduo. A educação da personalidade, mas também sua idéia de família e comunidade, se nós, por profunda convicção interior, transmitirmos suas ideias, pode ser uma chave para resolver questões difíceis da atualidade.

Não, eu não acho a vida de Schoenstatt seja perigosa nesse sentido, pelo contrário: eu acho cada vez mais fácil falar sobre isso, porque o interesse em questões de religião tornou-se mais imparcial, despertando a curiosidade de aprender algo sobre o que você ainda não sabe. Eu acho que depende inteiramente da nossa própria atitude e de nossas experiências de fé.

Na sua opinião, qual mensagem do Pe. Kentenich o mundo todo deveria conhecer?
A mensagem do valor humano em sua totalidade e da dignidade de cada pessoa, como origem e fundamento da responsabilidade da auto-aceitação e auto-educação e como medida para nos relacionarmos uns com os outros. A pessoa, em sua totalidade, e com ela também sua dimen-são religiosa, teriam que adquirir uma importância central. A educação matrimonial e a pastoral familiar do Pe. Kentenich deveriam ser capazes de lançar mais luz e “sacudir” a Igreja por dentro, não apenas em sua organização, mas também para investir muito mais na renovação e na vitalização da fé cristã, para uma renovação a partir das origens do cristianismo.

Na homilia, no funeral do Fundador, Dom Tenhumberg perguntou: “O que a Igreja dirá dele?” O que a senhora acha que se deve dizer do Pe. Kentenich?
O mesmo que, há 20 anos, disse um grupo não religioso, de doutores da ciência da educação, na Universidade de Münster: “Este homem é um fenômeno! Por que ele ainda não foi canoni-zado?”

A senhora não se encontrou pessoalmente com o Pe. Kentenich. Apesar disso, há algum “encontro” com ele que teve efeito sobre a sua vida?
Ele disse uma vez: “Quando eu morrer e vier alguém que queira ser educado por mim, então voltarei eu à vida.” (quer dizer: eu ajudarei na educação dessa pessoa, tanto como se ainda estivesse vivo!). Essa afirmação é uma realidade para mim.

Fonte: schoenstatt.org.br

Pré-Sínodo: É uma honra representar Schoenstatt

Ir. M. Cacilda Becker – Os Bispos da Alemanha nomearam Magdalena Hartmann, de 22 anos, membro da Juventude Feminina de Schoenstatt, em Rottenburg, para representar a juventude católica da Alemanha na pré-jornada, de 19 a 24 de março, em Roma.

Ela participou nas últimas três Jornadas Mundiais da Juventude e tornou-se conhecida do episcopado alemão pela preparação e participação da JMJ na Polônia. Magdalena assegura: “As duas semanas e meia no Brasil foram as mais bonitas que eu tive até agora”.

Com Lucas Galhardo, ela representa o Movimento Apostólico de Schoenstatt nesse trabalho tão importante que é preparar os documentos que os bispos do mundo inteiro estudarão durante o Sínodo. Ela nos fala sobre sua expectativa para esses dias de trabalho, em Roma.

Como você foi escolhida para participar do pré-sínodo?

Pelo trabalho de comunicação, durante a Jornada Mundial da Juventude em Cracóvia, entrei em contato com a Conferência Episcopal Alemã e uma pessoa responsável me sugeriu à Comissão Juvenil. Então, chegou esse pedido, que aceito de bom grado, mas com o máximo respeito.

 

Como você está se preparando para esta reunião? Você recebeu algum material de estudo e indicações para tua tarefa durante o Pré-sinodo?

Pela minha participação na Juventude Feminina de Schoenstatt, estou constantemente em contato com os jovens. Claro, também em meus estudos e na minha vida cotidiana, estou em contato constante com jovens – eu também sou um deles. Mas, desde que fui convidada a ir a Roma, para o Pré-sínodo, presto muita atenção aos anseios, desejos, preocupações e desafios que dizem respeito às pessoas com quem convivo. O documento preparatório sobre o Sínodo da Juventude ajudou-me muito a me envolver nos temas do Sínodo. A informação oficial, que também está na página Web do Sínodo, também me parece muito útil. As questões que trataremos em Roma estão online, então eu tenho uma boa possibilidade de orientação.

 

Conte-nos sobre suas expectativas que se relacionam a esta reunião e os dias em Roma.

Minha expectativa é que seja criado um espaço em Roma, no qual possamos expressar nossos anseios e expectativas como jovens. Espero que possamos não só trazer as nossas preocupações, mas também que sejamos ouvidos. O objetivo é preencher um documento preparatório que será utilizado pelos padres sinodais em outubro. Um desafio muito bom, penso eu. Penso que é um grande desafio resumir o mundo vital dos jovens de todo o mundo em um único documento. Mas posso imaginar que encontraremos algumas semelhanças. Não temos desafios semelhantes em nosso desenvolvimento pessoal, preocupações com o futuro, questionamentos de fé?
Espero que a Igreja esteja aberta ao nosso mundo e às nossas necessidades, como jovens adultos. Deveria, em minha opinião, também haver um espaço em que possamos falar de nossos desafios e dos pontos críticos que sentimos em nossa Igreja. Eu desejo que possamos dialogar em um ambiente de respeito e valorização do outro. Seria bom se fosse reconhecido, além dos círculos católicos, que a Igreja pode ser um lugar de diálogo.

 

O que você espera dos jovens que participam dessa reunião? Como os jovens podem contribuir concretamente para o Sínodo da Juventude em outubro?

De todo o mundo, 300 representantes estarão em Roma. Mas o que é esse número em comparação ao número de jovens de todo o mundo?
Por isso, penso ser importante que todos possam dar uma contribuição pessoal. Mais concretamente, o Vaticano convida você a responder as perguntas que enfrentaremos em Roma durante o pré-sínodo por meio de um grupo no Facebook (clique para saber mais). Assim, pelo menos é possível que mais pessoas contribuam. Infelizmente, também esse meio não atinge uma grande quantidade de jovens. Os jovens que estão zangados com a Igreja, provavelmente não atuarão ativamente nesse grupo do Facebook. Em minha opinião, justamente essas pessoas poderiam colaborar com nossa Igreja para um desenvolvimento e crescimento positivos.

 

Você participará do pré-sínodo como mulher e como schoenstattiana, que contribuição você pode dar neste Encontro?

É uma honra, para mim, representar Schoenstatt em um evento internacional. Qual contribuição posso levar para Roma com isso? Todas as experiências que experimentei, e que experimentamos, na vida por meio de Schoenstatt. Nossa Aliança de Amor, nossa santidade da vida diária, nossa pedagogia do Pe. Kentenich como uma abordagem concreta ou formulada de maneira simples: Nosso estilo de vida cristão que ocorre no cotidiano e não por trás das paredes da Igreja. Nós, como Movimento de Schoenstatt, estamos em rede em todo o mundo. Em 2014, fomos capazes de experimentar o que significa viver uma cultura de aliança. Um desafio que nossa Igreja espera é unir as diferentes nações e culturas. Tão diferentes quanto os desafios em cada país, nosso Movimento espiritual consegue superar esses obstáculos graças à nossa fé.
O Pe. Kentenich já tinha uma percepção tão perspicaz em sua vida, ele tinha uma idéia do que move os jovens e do que eles precisam. Ele nos deixou tantos métodos valiosos e possibilidades para o crescimento da personalidade em Schoenstatt, que também poderiam ser úteis para muitos outros jovens. Da mesma forma, ele nos deu a nossa Santíssima Mãe na Aliança de Amor como uma “ponte” para o Pai. Talvez por meio do intercâmbio em Roma, possa tornar-se mais claro que existem diferentes “pontes” para viver nossa fé cristã.

Como mulher, vejo essa participação, em Roma, como algo muito importante e, sinceramente, me sinto feliz também, como é natural, por representar o nosso país. À luz do fato de que, em muitos países, não é evidente que uma mulher possa preencher esse papel, eu também quero fazê-lo conscientemente. Acredito que é importante para o futuro da nossa Igreja que não só os representantes masculinos desempenhem um papel, mas também que as facetas e necessidades femininas sejam refletidas.

Fonte: schoenstatt.org.br

Foto: Arquivo Pessoal

Entrevista com os pais da Ir Cristiane Maria

Hélio e Mara Martins, Santa Maria/RS, pais da Ir. Cristiane Maria, Irmã de Maria há quatro anos, alegram-se pelo dom da vocação de sua filha e contam sobre o trajeto que percorreram desde a decisão de sua filha à vida consagrada.

Redação: Sr. Hélio, a decisão de sua filha a ser Irmã de Maria de Schoenstatt surpreendeu-lhe? Por que?

Sr. Hélio: Sim, foi uma surpresa, também para minha esposa. Por mais que a Cristiane participasse ativamente da Legião de Maria, nunca pensamos que ela fosse optar por uma vida de consagração. Comecei a perceber algum sinal quando ela chegava da aula e comentava conosco o quanto defendia e admirava as Juvenistas (vocacionadas das Irmãs de Maria) em sala de aula. Fizeram amizade e ela começou a frequentar mais vezes a casa delas. Mas, eu penso que essa história teve um início muito anterior. Refiro-me a um cartão que encontrei de minha vó com o escrito: “Guardiã do Santuário de Schoenstatt!” Quem sabe a oração da minha avó já gerava na família uma futura vocação?

Redação: De que maneira os senhores sentem-se corresponsáveis pela opção de sua filha?

Sr. Hélio: Desde sempre minha preocupação foi a de todo pai: encaminhar os filhos aos sacramentos e ensiná-los a gostar de rezar. Rezar em família é importante para que Deus tenha chance de nos falar. Costumávamos sempre rezar e participar juntos dos encontros na paróquia, temos o costume de rezar o terço em família durante as viagens. Penso que a principal influenciadora na vocação de nossa filha foi Nossa Senhora.

Redação: Alguma vez os senhores pediram a Deus uma filha Religiosa ou um filho Sacerdote?

Sr. Hélio: Nós sempre queremos o melhor para eles. Sempre rezei pelas vocações, mas nunca pensei que um dos meus filhos seria chamado um dia, pois nunca me achei merecedor. Quando nossa filha nos deu a notícia, fiquei muito surpreso. Foi como se eu tivesse recebido um presente. Embora não tenha pedido a vocação consagrada, nós consagramos nossos filhos à Mãe de Deus, no Santuário de Schoenstatt. No caso da Ir. Cristiane Maria, fui consagrá-la antes dela nascer, devido uma complicação que surgiu pouco antes do parto. Quem sabe ali Nossa Senhora já tenha aceitado sua consagração num grau diferente, numa entrega maior. É tão grande a alegria de nossa família em pronunciar junto ao nome dela, o nome de Maria, que já garantimos que o nome da primeira neta será Maria.

Redação: O que mais lhes custou nessa decisão e como os senhores superaram?

Srª Mara: Foi difícil. Senti muito a falta dela em casa, já que era a minha companheira mais próxima, pois os dois filhos mais velhos tinham muitos compromissos fora. Mas, por meio da oração, aos poucos, consegui aceitar sua saída de casa.

Sr. Hélio: Também para mim, custou muito. Lembro-me das muitas vezes que saímos para pescar e ela não se contentava em pescar poucos peixes. Hoje, como Irmã de Maria, tenho certeza que ela pode pescar muitas pessoas para Jesus. Custou-me também ouvir algumas pessoas criticarem a decisão dela e cobrarem que nós, pais, não a deixássemos seguir esse caminho. Para estes, era como se ela tivesse desperdiçando sua vida…  Diante dessa pressão, eu apenas rezava e respondia a eles que isso era “obra de Deus” e, por isso, eu não podia proibi-la de seguir o chamado.

Redação: Srª Mara, mudou algo em sua família a partir da Consagração de vida de sua filha?

Srª Mara: Sim, nós nos tornamos mais unidos e participativos na Igreja, nos grupos e na oração em família.

Redação: Sr. Hélio, além do traje, o que mudou em sua filha?

Sr. Hélio: Ela amadureceu bastante e até já nos aconselha. Diferente de antes, agora ela espera sua vez de falar, coloca sua opinião e desprendidamente dá seus conselhos. Assim toda família se educou para ouvir com respeito a opinião uns dos outros.

Redação: Como os senhores interpretam o medo que alguns pais sentem diante da possível decisão dos filhos à vida consagrada ou sacerdotal?

Srª Mara: O medo é muito normal, porque a expectativa quanto ao futuro é sempre incerta. Nunca se sabe se a escolha foi acertada. Devemos rezar para que eles saibam fazer a escolha certa.

Sr. Hélio: Também acho que o medo é fruto da nossa falta de confiança e entrega a Deus. Como pai, rezo diariamente pedindo a fidelidade dela porque estamos apenas no começo de sua caminhada.

Redação: Muitas vezes se apresenta a vida religiosa como um fardo, na qual há apenas renúncias. Como o senhor avalia “as perdas e ganhos” de uma vida totalmente entregue a Deus?

Sr. Hélio: Quem se consagra só tem a ganhar. Se, por acaso, no futuro se descobre que não é esse o caminho, tudo valeu a pena. Sempre aconselho minha filha a aproveitar cada momento, para crescer espiritualmente e não pensar em desistir, diante dos obstáculos, pois é assim também na vida matrimonial. Na vocação consagrada se ganha uma nova e grande família, um pai e uma mãe diferentes, mas que se deve respeitar e com os quais se aprende. Jesus já disse: “Quem puder compreender, compreenda…” Deus convida a todos, uns não foram e ficaram tristes, quem foi sujeitou-se às mudanças. Alguns que tentaram convencê-la de mudar de decisão, hoje, veem a alegria que ela transmite e pedem que ela reze por eles.

Redação: Se pudessem aconselhar pais que tem filhos vocacionados,  o que diriam?

Srª Mara: Que rezem para que eles acertem  e sigam o caminho que Deus escolheu para eles, pois isso traz felicidade.

Sr Hélio: Os filhos não chegam por si mesmos a descobrir a vontade de Deus, precisamos indicar caminhos e ajudá-los. Os pais precisam tomar a frente, principalmente na oração. Quantas vezes precisei desligar a televisão para levá-los à missa, à catequese ou a grupos de jovens.

Redação: Como os senhores definem: Ser uma Irmã de Maria de Schoenstatt?

Srª Mara: Algo especial, que não é para todas as pessoas.

Sr. Hélio: É uma vocação para “quem escolheu a melhor parte”, como disse Jesus.

Fonte: s-ms.org