1ª noite do tríduo de João Pozzobon

A Família de Schoenstatt de Santa Maria – e pelas redes sociais o Brasil e o mundo – começou na noite de 24 de junho, o tríduo em preparação aos 35 anos de morte de João Pozzobon.

Respeitando as determinações do ‘distanciamento’ em vista da pandemia da Covid 19, um pequeno grupo de devotos de João Pozzobon reuniram na Igreja matriz da paróquia Nossa Senhora das Dores para a primeira noite do tríduo. Pe. Francisco Bianchin, vigário paroquial, coordenou a pequena celebração, que contou com uma breve biografia de João Pozzobon e da oração do terço. Tudo sob o lema do ‘Ano João Pozzobon’: ‘Entendi a missão e por ela a minha entrega foi total’.

Após o terço, Pe. Francisco deu um emocionado e lindo testemunho sobre João Pozzobon. Vale a pena conferir seu testemunho no vídeo abaixo.

O tríduo continua hoje, quinta-feira, às 20h, no Santuário Tabor. E será transmitido ao vivo pelas redes sociais do Santuário: Facebook e Youtube.

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O que os santos tiveram em comum na missão?

 

Jorge e Marcia Audibert – Estamos vivendo os 70 anos da Campanha da Mãe Peregrina e, conjuntamente, o Ano João Pozzobon (10/setembro/2019 a 10/setembro/2020). Padre José Kentenich dizia que anos jubilares são anos de graças. Não é difícil compreender essas palavras, pois temos a oportunidade de conhecer ou mesmo reviver a vida santa de João Pozzobon durante este ano dedicado a ele.

A vida de João Pozzobon é um universo de momentos lindíssimos ofertados à Mãe e Rainha Três Vezes Admirável de Schoenstatt. Quando da aceitação da missão, em 10 de setembro de 1950, a partir da entrega da imagem a ele, João Pozzobon não tinha consciência da dimensão que a Campanha da Mãe Peregrina alcançaria: “Eu vou rezar todas as noites o rosário” [1]. Notemos que ele não era jovem (12/12/1904), tinha sete filhos, esposa e poderia argumentar uma vida repleta de afazeres para não assumir essa missão. Ao invés disso, se entregou gradativamente nas mãos da Mãe e Rainha, sempre observando o que a Divina Providência lhe indicava: “Somente me pus à disposição como pequeno instrumento, como uma criancinha. Que Ela me levasse aonde quisesse. Eu iria aonde Ela me indicasse, mesmo quando enfermo” [2].

Em 1959 foi organizada a visita mensal das pequenas peregrinas às famílias. Nove anos parece um tempo grande, considerando o início da Campanha, mas a Mãe e Rainha sempre exigiu dele – e exige de todos nós – provas de fidelidade. Nesse período João Pozzobon passou por tantos momentos de lutas e de graças alcançadas que os escritos sobre sua vida não podem quantificar. Um homem que também tinha muitas dificuldades com a visão e a leitura e por isso prestava atenção a tudo que ouvia. Ele se mostrava corajoso para enfrentar qualquer situação. Sabia que a Mãe e Rainha sempre caminhava com ele e tudo que pudesse acontecer estava nos planos da Divina Providência.

No ano de 1979 João Pozzobon visitou pela primeira vez o Santuário original e outros centros schoenstattianos, dando a conhecer a “Campanha do Terço”, como era conhecida a Campanha da Mãe Peregrina. Foi guiado pelos Irmãos de Maria por diversos Santuários da Alemanha. Questionado se o método da Campanha do Terço funcionaria na Alemanha, respondeu singelamente: “Mas, por acaso os senhores experimentaram aqui? Porque também no Brasil eu achava que não dava, mas experimentei e deu” [3]

Em 30 de novembro de 1983, 25 imagens peregrinas foram enviadas à Argentina, tornando a Campanha internacional: “Bentas desde o Santuário no Brasil para serem portadoras deste Movimento a todo o continente americano…” [4]

Falar de João Pozzobon em tão poucas palavras é tarefa difícil. Por meio da sua biografia temos a oportunidade de conhecer sua vida santa e digna. Se em algum momento nos compararmos aJoão Pozzobon poderemos nos sentir desanimados diante de tanta força espiritual e tantas realizações. A sua vida é única, sua missão no tempo (o momento e a cultura da época) e no espaço (no local em que viveu com suas características peculiares) não pode ser realizada por outra pessoa. Mas foi assim também com nosso Pai Fundador, Padre José Kentenich, que viveu uma missão única, insubstituível. Se olharmos os santos de forma geral veremos que também tiveram uma missão original em suas vidas.

Quando nos perguntamos o que os santos – incluindo as pessoas com fama de santidade, como João Pozzobon, que são acompanhadas pela Igreja – tiveram em comum para cumprir as suas missõe, encontramos pelo menos uma resposta: eles acreditaram nos seus ideais, de forma consciente ou inconsciente, e o entregaram com todo amor nas mãos de Deus. Talvez ainda não tenhamos entendido o poder de santidade contido nos nossos ideais pessoais. Mas se acreditarmos nele como uma missão original e intransferível, nós também faremos coisas grandiosas diante de Deus. Para tal, é preciso se entregar inteiramente nas mãos da Mãe e Rainha, confiando que possa nos educar e nos faça semelhantes ao seu filho Jesus.

A missão do nosso ideal pessoal é única, mas o seu florescer depende da nossa fé e da nossa confiança na Mãe e Rainha Três Vezes Admirável de Schoenstatt. Quem sabe quantos “João Pozzobon” não estão prontos a desabrochar.

 

*Contribuição da União Apostólica de Famílias de Schoenstatt

 

[1] 140.000 Km a Caminho com a Virgem, pag. 28, ed. 1985

[2] 140.000 Km a Caminho com a Virgem, pag. 31

[3] 140.000 Km a Caminho com a Virgem, pag. 82

[4] 140.000 Km a Caminho com a Virgem, pag. 100

 

Fonte: schoenstatt.org.br

João Pozzobon: amor à vida eucarística

Juliana Dorigo – O Servo de Deus João Pozzobon vivia intensamente a sua fé, caminhava todos os dias até o Santuário Tabor, em Santa Maria/RS, e logo de manhã, quando o sol ainda estava tímido em sair, ele dedicava sua peregrinação a Jesus Eucarístico. E foi assim, durante os 30 anos de suas peregrinações diárias. Ele empenhava-se de todo coração, para receber a Eucaristia. “O coração palpitante da Igreja, a única matéria nesta terra que tem verdadeiramente sabor de eternidade”. [1]

Pozzobon se dedicou por inteiro, assim, em 16 de fevereiro de 1972, na esplanada do Santuário Tabor, recebeu a missão de ser Ministro Extraordinário da Sagrada Eucaristia, especialmente para levar a comunhão aos doentes. Em dezembro do mesmo ano foi ordenado diácono permanente.

Com alegria, o diácono visitava as casas dos doentes, levando a Sagrada Eucaristia. “A Eucaristia convida a deixar-nos levar pela onda de Jesus, não ficar arenados na praia à espera que chegue qualquer coisa, mas zarpar livres, corajosos, unidos”. Em suas caminhadas com a imagem da Mãe Peregrina, Pozzobon sempre pedia a intercessão da Mãe de Deus: “Se tu me ajudas, vou adiante. Embora todos estejam contra mim, vou e quero aprender a levar Jesus, teu Filho, a todos” [2]

Pão da vida

O Papa Francisco nos ensina que a Eucaristia é “o pão do futuro, que já agora nos faz saborear um futuro infinitamente maior do que as mais risonhas expectativas. É o pão que sacia os nossos maiores anseios e nutre os nossos mais belos sonhos. Numa palavra, é o penhor da vida eterna, isto é, uma antecipação concreta daquilo que nos será concedido. A Eucaristia é a marcação, a ‘reserva’ do paraíso”. [3]

“Eu sempre tinha esse ‘espírito’ do grande sacrifício de Cristo que carregava a cruz e fazia aquilo por amor de todos… então, da minha pequena parte também queria me incluir, cooperar um pouco no sacrifício…”[4]

[1] Papa Francisco, Solenidade de Corpus Christi, 03 de junho de 2019. Acesso em: vaticannews.va

[2] Trevisan, João Luiz Pozzobon, p. 26

[3] Idem 1

[4] Uriburu, 140.000 km a caminho com a Virgem, p. 59

Entendi a missão na escola da Mãe e Rainha – 2ª parte

Com a segunda parte do vídeo ‘Entendi a missão na escola da Mãe e Rainha’ somos convidados a contemplar o Servo de Deus João Luiz Pozzobon, como aquele que foi educado pela Mãe e Rainha, no seu Santuário.

O vídeo é o 5º de uma série produzida pelas Irmãs Assessoras do Movimento de Schoenstatt nos Regionais Sul e Nordeste, refletindo sobre os temas do livro de estudo para 2020.

Cada tema é uma peregrinação ‘espiritual e virtual’ a um dos Santuários e Centros do Movimento nestes regionais. O Santuário Maria Cor Ecclesiae, em Porto Alegre é o que nos acolhe neste sábado.

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João Pozzobon e sua ‘Mãezinha’

Ir M Rosequiel Fávero – Estamos no mês de maio, em pleno Ano João Pozzobon, e o dia 10 cai justamente no dia das Mães. Isso tudo no meio da situação criada pela pandemia da Covid-19. Com a imagem da Mãe Peregrina aguardando o fim da pandemia para recomeçar (ou melhor, com ela ‘peregrinando espiritualmente’ nas famílias) pode acontecer que se esqueça do Ano João Pozzobon.

 

Um amor aprendido na infância

Sabemos que a tradição de celebrar o mês de maio como mês mariano começou, na idade média, em alguns países da Europa, especialmente na Itália e na Alemanha. Os imigrantes italianos devem trouxeram consigo, ao Brasil, essa tradição de dedicar ainda mais amor à querida Mãe de Deus no mês de maio.

Criado numa colônia italiana (São João do Polêsine/RS), João Pozzobon cresceu num ambiente religioso e mariano, com a oração diária do terço. Aprendeu a valorizar especialmente o mês de maio, com os cantos e procissões dedicadas à Maria. O amor à Nossa Senhora foi algo que o acompanhou até o final de sua vida e que transparecia na sua pessoa. Tudo nele se reportava à Mãe de Deus.

Por exemplo, vestia-se em terno e gravata, não importava o clima e aonde andava, em honra ‘àquela’ que ele levava sobre s ombros. Por amor à sua Mãezinha rezava muitos terços diários; teve a inspiração de pintar a sua casa por fora de cor de rosa porque, segundo o próprio João Pozzobon, a casa ‘não era dele, mas de Maria’…

Dois acontecimentos de sua vida falam de seu extraordinário e, ao mesmo tempo, simples e filial, amor a Maria:

 

 A gente não se cansa de quem ama

Certa vez, em julho de 1984, um grupo de jovens da Jufem (Juventude Feminina de Schoenstatt) que participava de uma jornada em Santa Maria/RS, foi conversar com João Pozzobon em sua casa. Ele recebeu as jovens junto da ermida da MTA. Não contendo a curiosidade, elas perguntaram se era verdade que ele rezava 15 terços por dia. “O Sr não se cansa de repetir tantas vezes a Ave-Maria?”, perguntaram admiradas. João Pozzobon, com um sorriso ‘maroto’ perguntou-lhes: “Vocês, meninas, se cansam do nome do rapaz a que vocês ‘querem bem’? Não escrevem o nome dele nos cadernos, nas capas dos livros e até nas cascas das árvores”? Envergonhadas e sorridentes afirmaram que era assim mesmo. João Pozzobon continuou: “Pois como eu vou me cansar de repetir o nome de Maria, a quem eu tanto amo? A gente não se cansa de quem se ama”.

 

O primeiro olhar é para Ela

Nos últimos meses de sua vida, João Pozzobon fez uma operação nos olhos (cataratas). Ainda no hospital, quando retiraram a proteção dos olhos, João Pozzobon permaneceu alguns instantes, conscientemente, de olhos fechados. Pegou no bolso uma pequena imagem da Mãe e Rainha, colocou diante de si e, só então, abriu os olhos, com um grande sorriso nos lábios. “A primeira que quero ver é a ‘Mãezinha’. Depois, as outras pessoas”[1].

Certamente, uma preciosa herança que João Pozzobon nos deixou é seu amor e dedicação à Nossa Senhora, como uma pessoa muito próxima, como a ‘Mãezinha’, como ele costumava chamá-la. Não é à toa que um dos cantos que mais lhe agradava era ‘Mãezinha do Céu’, que – provavelmente – é o primeiro canto mariano que aprendemos, ainda no colo materno. Neste Dia das Mães no Ano João Pozzobon, aprendamos dele a saudar e amar Maria como a ‘Mãezinha’ que nos abriga em seu coração e com quem selamos uma Aliança de Amor.

[1] João Luiz Pozzobon, Peregryno e Missionero de Maria, p. 354.

Foto: Ir M Raquel Mainardi

Melodias e cifras dos cantos para 2020

Todos os anos, as Irmãs de Maria de Schoenstatt, assessoras do Movimento de Schoenstatt dos Regionais Sul e Nordeste, preparam um livro com sugestões de cantos e orações para o trabalho do ano.

A experiência iniciada há 8 anos foi cada vez mais bem aceita e, assim, já está nos Centros de Schoenstatt o Livro de Cantos e Orações 2020. Muitos dos locais que já iniciaram as atividades e fizeram suas jornadas de formação já puderam utilizá-lo.

Agora chega mais uma novidade: a melodia e cifras da maioria dos cantos está aqui, à disposição, no site do Santuário Tabor. Assim, se tornará mais fácil preparar os encontros e viver este Ano João Pozzobon.

Basta clicar AQUI e você já estará na página dos cantos.

Qualquer dúvida, pode entrar em contato pelo email santuariotabor.informa@gmail.com

 

João Pozzobon: vida de sacrifício e amor ao Crucificado

Ir Maria Aparecida Gehn – Estamos vivendo o “Ano João Pozzobon” e, neste período da quaresma, sua vida nos motiva a seguirmos com fidelidade os passos de Jesus, também quando o caminho se torna íngreme e pedregoso. Para o cristão, não é motivo de glória o sucesso, a fama e o poder, e sim os verdadeiros valores do reino dos céus. O Apóstolo Paulo escreve aos Coríntios: “A linguagem da cruz é loucura para os que se perdem, mas para aqueles que se salvam, para nós, é uma força divina.”[1]  Jesus não prometeu vida fácil aos seus discípulos, mas os advertiu: “Se alguém quiser seguir-me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida, a perderá, mas quem perder a sua vida por minha causa, a encontrará.”[2] João Pozzobon costumava dizer que a verdadeira grandeza só existe quando a pessoa deseja subir ao encontro da cruz de Cristo. Para ele, o restante era só ilusão e coisas passageiras do mundo.

Assim como na vida de Jesus, Maria foi sempre a sua colaboradora e companheira inseparável. João Pozzobon aceitou o testamento de Cristo e se deixou educar pela Mãe e Rainha, conforme a imagem de seu Filho amado. O sentido de tudo o que fazia era levar as pessoas a Deus e abrir caminhos para que elas voltassem a se encontrar com Ele. E não media sacrifícios para que isso acontecesse. Queria ser herói, desejava renunciar e sacrificar para que Jesus e sua Mãe chegassem até as pessoas mais abandonadas e esquecidas.

 

Mãe e Rainha, acompanha-me para eu poder realizar o meu calvário

João Pozzobon descobriu a sua vocação e missão de “peregrino” de Jesus e Maria e por esta missão a sua entrega foi total. Uma vez confessou que a imagem da Mãe Peregrina pesava “como o madeiro da cruz”[3] e acrescentou, dirigindo-se a Mãe: “não tenho nada para dar-te, só meu pobre coração cansado, esgotado por teu amor… Agora peço a Mãe que não me abandone. Mãe e Rainha, Mãe das Dores, acompanha-me para eu poder realizar o meu calvário.”[4]

O pobre peregrino, como se autodenominava João Pozzobon, entendeu e viveu o que o Catecismo da Igreja Católica ensina sobre a participação na Paixão de Cristo: “O Espírito Santo confere a alguns o carisma especial de poderem curar para manifestar a força da graça do Ressuscitado. … Assim, São Paulo deve aprender do Senhor que «a minha graça te basta: pois na fraqueza é que a minha força atua plenamente»[5] , e que os sofrimentos a suportar podem ter como sentido que «eu complete na minha carne o que falta à paixão de Cristo, em benefício do seu corpo, que é a Igreja»[6] . Para “completar” o que falta a Paixão de Cristo, João Pozzobon levou adiante a missão recebida no Santuário. Ele mesmo testemunhou: “eu sempre tinha esse “espírito” do grande sacrifício de Cristo que carregava a cruz e fazia aquilo por amor de todos… então, da minha pequena parte também queria me incluir, cooperar um pouco no sacrifício… e fiz minha penitência até, muitas vezes, a falta de refeições, caminhar o dia inteiro… e fazia tudo pelo florescimento desta grande Campanha.” [7]

 

No amor, abraço a cruz que o Pai Celestial me destinou

Pelo grande apostolado realizado dia e noite, com sol ou chuva, com frio ou calor, por cidades e matas, João Pozzobon ajudou muitas pessoas a se encontrarem com Deus e a voltar novamente aos sacramentos. Confiava filialmente na Mãe e Rainha e lhe implorava: “Se tu me ajudas, vou adiante. Embora todos estejam contra mim, vou e quero aprender a levar Jesus, teu Filho, a todos.”[8]  Para ele nenhum caminho era difícil demais e nenhuma estrada tortuosa demais, pois descobriu o segredo e o verdadeiro sentido do amor a cruz. Seu profundo e terno amor a Mãe e Rainha o fez entender que “sofrer também é uma consolação e é o único tempo que nos parecemos com Jesus”.[9]  E Reza: “Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt… quero ser um instrumento sacrifical pioneiro do Santuário, disposto a consumir-me por ti. No amor abraço a cruz que o Pai Celestial me destinou … Peço que não te compadeças de mim… Que cada sofrimento e dor que me enviares, se converta numa constante alegria e agradecimento” .[10]

João Pozzobon vivia na presença de Deus e o seu dia era perpassado pela oração. “Não fazer nada que desagrade a Deus. Para Deus a glória, para o próximo a alegria, para mim o sofrimento. O amor supera tudo. Quem vive para a Mãe, vive num oceano de graças. Mãe ensina-me a sempre ser melhor, a servir os outros. Guia minha família e minha missão. O que é amargo, engolir sozinho. O que é alegria, anunciar a todos.”[11]

O amor ao próximo é expressão do amor a Deus. “Nisso todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros”.[12] João Pozzobon encontrou na oração uma forma de levar a Deus todas as pessoas que lhe foram confiadas. O muito trabalho apostólico ou o cuidado com os mais pobres nunca foi para ele uma desculpa para descuidar da vida de oração. Rezar o terço era para ele um diálogo filial com a Mãe e Rainha e uma forma de meditar a vida de Cristo. Rezar a Via Sacra significava meditar nos sofrimentos de Cristo e dos irmãos. Ele costumava rezá-la no trajeto de retorno da Santa Missa do Santuário para a sua casa. João revela: “Comecei a valorizar a Via Sacra… ao colocar as estações na Vila Nobre da Caridade, para rezá-la uma vez por mês. Entendi então o sentido da Via Sacra, os sofrimentos de Cristo, os sofrimentos dos irmãos”. [13]

No Monumento dos Heróis de Schoenstatt, junto ao Santuário Tabor em Santa Maria, RS, encontramos uma cruz negra com o nome de João Pozzobon. Ela é expressão de gratidão por sua fidelidade, seu heroísmo e seu grande amor ao Santuário, que foi a sua escola de santidade. A Aliança de Amor vivida lhe conferiu uma confiança inabalável na atuação de sua Mãe e Educadora. Ele sabia que “quando tudo parece impossível, bem pertinho vem o possível, porque Ela é a portadora da graça.”[14]

Vemos em João Pozzobon um exemplo de cristão que amou muito a cruz e o Crucificado. Nele podemos nos espelhar, procurando aceitar, como ele, com fidelidade a nossa missão em Schoenstatt e, por ela, nos entregar totalmente.

[1] I Coríntios 1, 18

[2] Mateus 16, 24-25

[3] Citado em “João Luiz Pozzobon evangelizador da família na pós-modernidade” pg 63

[4] Idem

[5] 2 Cor 12, 9

[6] Cl 1, 24

[7] Uriburu, 140.000 km a caminho com a Virgem, p. 59

[8] Trevisan, João Luiz Pozzobon, p. 26

[9] Uriburu, João Luiz Pozzobon, Peregrino e Missioneiro de Maria, p. 125

[10] Uriburu, Herói hoje, não amanhã, p. 148

[11] 641-029/ITPE – arquivo

[12] Jo 13,35

[13] Trevisan, João Luiz Pozzobon, p. 25

[14] 1100-002, pag.9 – arquivo

João Pozzobon viu, sentiu compaixão e cuidou…

 

Sonia Tubino/ Maria Dulce Torres/ Thelma Soutello – A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) apresenta anualmente a Campanha da Fraternidade como caminho de conversão quaresmal. O tema para a Quaresma de 2020 é: “Fraternidade e Vida: Dom e Compromisso”, e o lema: “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele”, em referência à parábola do bom samaritano (Lc 10, 34-35).

A Campanha da Fraternidade busca conscientizar, à luz da palavra de Deus, para o sentido da vida como dom e compromisso, que se traduz em relações de mútuo cuidado entre as pessoas, na família, na comunidade, na sociedade e no planeta, casa comum. O cartaz da campanha destaca a imagem de Santa Dulce dos Pobres, uma das mais representativas e impactantes personificações da caridade cristã levada à prática no Brasil.

O Servo de Deus, Diácono João Luiz Pozzobon, personificou esta Campanha da Fraternidade com sua própria maneira de viver, sempre atento às necessidades dos irmãos. Iluminado pela luz da fé cristã e enriquecido pela vida brotada do Santuário de Schoenstatt, João Pozzobon tinha uma visão muito bela, delicada e rica de todas as pessoas humanas. Podemos dizer que via todas com os olhos de Jesus Cristo e de Maria.

Para ele, todos são uma imagem e semelhança de Deus. Via-os, pois, como seus irmãos e irmãs. Alegrava-se com a bondade e santidade das pessoas, mas também, como Cristo e Maria, ele se entristecia ao vê-las feridas ou deformadas pelo pecado. Agradecia a Deus quando elas estavam bem e, quando as via separadas d’Ele ou indiferentes a Ele, pedia o perdão de Deus e a sua conversão.

O bom samaritano

Amava as crianças, os jovens, os adultos, os doentes, os idosos, os encarcerados, os que estavam presos ao leito. Imitava o bom samaritano que, movido de amor e compaixão, procurava curar as feridas do irmão ferido. João Luiz fez sua a atitude de Cristo, que veio não para ser servido, mas para servir.

Em 1954, João Pozzobon fundou a “Vila Nobre da Caridade”. Começou construindo, com os pobres, uma casinha de madeira, propondo-se a levantar uma a cada ano. “Moradia gratuita para os pobres. Para educar, saber valorizar-se como pobre, formar cidadãos e, também, para que todos tenham conhecimento da religião”. Desta forma, ele contribuiu para uma concretização dos postulados da Doutrina Social da Igreja, levando cristãos atentos a assumirem o seu papel de corresponsáveis pela transformação da sociedade em crise.

 

 

Objetivo social

João Luiz Pozzobon não assume apenas o objetivo social do Movimento Apostólico de Schoenstatt, ele o recria e traduz em uma obra social, enriquecida com um método de educação, capaz de dar à família carente, sócio e cultural, religioso e moralmente, aquilo que, na linguagem popular costumamos expressar: “não dar o peixe, mas, ensinar a pescar”.

A Vila não foi um projeto premeditado por ele. O contato com as famílias carentes, deu-lhe a convicção de que Deus queria a construção das casinhas. Com esta iniciativa, podia contribuir para uma solução eficaz dos problemas que atingiam algumas famílias, de uma forma mais aguda, nos arredores de Santa Maria/RS.

Além disso, a intuição mostrou-lhe que Deus queria usá-lo como instrumento para a formação do “homem novo”, para uma nova ordem social”, como havia aprendido dos ensinamentos do Pe. José Kentenich. João Pozzobon visava a promoção da dignidade da pessoa humana no seu todo. No centro da Vila Nobre, próximo à última Estação da Via-Sacra, ele gravou uma frase que para ele resume o Documento de Puebla: ‘Viver e ensinar a viver’.

Dignidade da pessoa humana

Pozzobon criou uma verdadeira escola de educação social. Atento aos exemplos do Pe. José Kentenich, o Servo de Deus não apenas viveu exemplarmente a espiritualidade do Movimento Apostólico de Schoenstatt, mas também soube traduzi-la num método de resgate da dignidade da pessoa humana, levando-a à autonomia e liberdade.

A Campanha da Mãe Peregrina de Schoenstatt, por ele iniciada, está em “saída” e vive em permanente estado de missão, empenhando-se em levar a Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt, e seu Filho Jesus, aos lares de milhões de famílias, estando presente nos cinco continentes. Hoje, o Servo de Deus é um candidato à honra dos altares. Sua causa de Beatificação já está encaminhada no Vaticano. Neste momento estudam-se casos de possíveis milagres realizados pela intercessão dele.

No Hino da Campanha da Fraternidade, o refrão retrata sua vida e sua missão:

Peregrinos, aprendemos nesta estrada
o que o “bom samaritano” ensinou:
Ao passar por uma vida ameaçada,
Ele a viu, compadeceu e cuidou. (Cf. Lc 10,33-34)

 

 

Referências:
Livro: João Luiz Pozzobon – Um ícone de Maria
Excertos dos textos: A doutrina social da Igreja – Pe. Ottomar Schneider
A espiritualidade em João L. Pozzobon – Pe. João B. Quaini

 

Fonte: schoenstatt.org.br

“João Pozzobon me conduziu ao Santuário”

 

Cada pessoa entra em contato com o Movimento Apostólico de Schoenstatt de um jeito diferente. Tem aqueles que chegam “por acaso” ao Santuário e não querem mais partir; tem outros que entram no Movimento por um convite dos amigos e colegas; tem muitos que já nascem inseridos em Schoenstatt e assim continuam pelo resto da vida. Cada história é única e pessoal, um capítulo exclusivo de descoberta e de vinculação.

No caso da Solange de Almeida Cândido, da União de Mães de Schoenstatt, de Londrina/PR, o primeiro contato com o Movimento foi muito especial. Num encontro bem imprevisível, quem indicou o caminho do Santuário, para ela, foi o Servo de Deus João Luiz Pozzobon.

Durante toda sua vida, João Pozzobon cuidou de aproximar o Santuário das famílias e das pessoas que ele encontrava em seu caminho, levando a Mãe Peregrina a todos. E, sempre que possível, também aproximava as pessoas do Santuário, como é o caso da Solange. Ela nos conta essa história, que aconteceu há 40 anos:

 

Quando conheci o Sr. João Pozzobon, eu morava em Cornélio Procópio/PR. Fiz uma viagem até Londrina/PR para levar uma pessoa doente ao hospital e então o encontrei na frente da Santa Casa. Ele estava com sua “imagem original” e senti um toque muito especial ao olhar para aquela imagem.

Eu perguntei a ele o que era aquela imagem e ele me respondeu perguntando se eu conhecia o Santuário. Eu disse que não, que ia muitas vezes a Londrina, mas não era de procurar essas coisas. Aí ele me indicou o Santuário.

Saí de lá com o propósito de ir a outro lugar, mas resolvi, então, passar no Santuário. Quando cheguei, havia carros estacionados em todos os lugares e não encontrei uma vaga (o Santuário de Londrina fica no centro da cidade, numa região bastante movimentada). Então eu pensei: “Não vou parar aí, vou para o meu destino”.

Mas, algo me chamou a atenção. Dei uma volta, voltei ao Santuário e, na frente dele, havia uma vaga para estacionar.

Quando eu entrei no Santuário, vivi uma experiência muito pessoal e íntima com a Mãe de Deus. Eu me emocionei, chorei olhando para aquela imagem, foi algo que me tocou muito. Quando saí, encontrei uma Irmã de Maria no pátio e ela me falou sobre o Movimento, que Schoenstatt estava iniciando em Cornélio Procópio. A partir daí eu procurei mais informações e entrei na Liga das Mães, depois na União de Mães e já se passaram 40 anos.

O segundo encontro

Em 1985 eu fui para Santa Maria/RS, num congresso, e encontrei o Sr. João pessoalmente outra vez. Ele estava doente e nós fomos até a casa dele. Eu me lembro que foi uma emoção muito grande. Nós rezamos o terço juntos e na hora do Pai Nosso, rezamos de mãos dadas: tenho na minha mente e no meu coração que eu dei a mão para um santo.

O Sr. João foi uma pessoa muito especial em minha vida e continua sendo até hoje. Graças a ele faço parte do Movimento, o que para mim é uma grande alegria.

E eu fiquei muito feliz quando contei minha história para ele e ele me falou: “Que bom que a senhora continua aqui, aqui é bom estar”.

A Aliança de Amor, pela espiritualidade e pedagogia de Schoenstatt, mudou completamente a minha vida. A gente sabe que ser uma pequena Maria na sociedade, no mundo e mesmo na família não é fácil, mas o amor e a intimidade com Maria transformaram a minha vida. Eu procuro ser Maria em todos os momentos da minha vida, não só no trabalho e na sociedade, mas em todos os lugares onde eu vou. Como o ideal na Liga das Mães é ser “Custódia Viva”, essa é minha intenção: sempre levar Maria para as pessoas. Schoenstatt mudou completamente a minha vida, depois a vida da minha família, e essa é a principal razão do meu viver.

 

Estamos no Ano João Pozzobon: Clique para saber mais informações

 

Texto: Karen Bueno / Entrevista: Ir. M. Marcia Silva

Fonte: schoenstatt.org.br

“Eu era grande quando me fiz pequeno”

 

Sonia Tubino/ Maria Dulce Torres/ Thelma Soutello/ Juliana Dorigo – Estamos nos preparando para o Natal, a chegada do Salvador. Compartilhamos dessa ansiedade com Maria e José que caminham até Belém. É tempo de reconhecer que somos pequenos diante do amor de Deus por nós. Nesta espera, devemos praticar o amor ao próximo. “O meu mandamento é este: amem-se uns aos outros, assim como eu vos amei” (Jo 15,12).

“Todas as vezes que vocês fizeram isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizeram” (Mt 25,40). E assim fez João Pozzobon quando inicia a Vila da Caridade. O Sr. João foi um homem humilde, podemos enfatizar que ele entendeu a raiz da palavra Humus no seu sentido mais profundo: Ser também terra! Ele era parte da criação, era pó, algo leve, precário, passageiro e frágil, mas que também podia se transformar, se aglutinar e ser algo maior a partir das mãos de Deus.

Corrente de vida

Sua caridade nunca foi esmola, mas uma possibilidade de educação para o melhor. Ao escutar as queixas dos que lhe cercavam, ao ver as carências da realidade, colocava-se disposto a agir e atento ao que poderia extrair de cada um, movia-se como um elo na grande corrente da vida.

 

Havia uma família muito simples, uma avó e duas meninas, que morava num ranchinho. Elas não dispunham de um lugar para colocar a imagem da Mãe e Rainha que iria visitá-las, então a avó disse às netas: “Hoje de noite a ‘Santa’ (a Mãe Peregrina) vem para cá. Vamos dormir no curral com os cabritos para que eu possa colocar a Imagem no quarto de vocês”. Isso aconteceu no mês de julho, um mês de frio, bem gelado na região sul do país.

O senhor João Pozzobon soube dessa história um pouco antes do Natal, no dia 17 de dezembro de 1952. Quando a avó das meninas lhe contou sobre isso, ele ficou muito comovido e teve uma inspiração:

Perguntou-lhe: “Vamos construir uma capelinha?” “Com que dinheiro?”, disse a avó, “Somos pobres” “Também não tenho nada”, respondeu o Sr. João. E acrescentou: “Não existirá capim seco para cobrir a capela?”

Três dias depois, voltou o Sr. João e, com as pessoas que moravam nas redondezas, resolveram que os pais, as mães e as crianças arrancariam capim seco e outras plantas. Surgiu, assim, a primeira capela construída por ele, a “Capelinha de Capim”.

 

Em 1954 chega-lhe às mãos, por obra da Providência, uma pequena soma em dinheiro. Ele compra, então, um pedaço de terra. Com a ajuda de doações de pessoas generosas começou construindo, com os pobres do lugar, uma casinha de madeira, propondo-se a levantar uma a cada ano.

Pretendia assim fornecer “moradia gratuita aos pobres, para educar, fazê-los saber valorizar-se como pobre, formar cidadãos e também para que todos conhecessem a religião”. Tinha como meta legalizar a vida espiritual e civil dessas pessoas. Pensava ainda na oferta de trabalho.

Levantou pequenas casas e graças a ajuda de novos doadores, efetuava ali a distribuição de roupas e alimentos. Juntamente com as primeiras casas, foi fundada, na “Capelinha de Capim”, a primeira escolinha com 15 alunos.

Ser humilde

Foi assim, sendo humilde no caráter, mas com uma personalidade audaciosa e forte, que agrupou tantos outros e os incentivou na construção da Vila da Caridade. Colocava a mão na massa e compartilhava seus próprios recursos em favor do bem comum!

Ser humilde, ser terra é se dispor a se deixar modelar pelas circunstâncias e desafios que os tempos nos propõem e isso João Pozzobon sempre o fez, com arrojo, responsabilidade e confiança em Deus Pai.

Saiu de sua cidade natal e veio com a primeira esposa buscar um novo rumo e melhor tratamento para ela. Depois de seu falecimento, acolhendo sugestões casa-se novamente e forma uma bela família dirigida por seu pulso firme e coração educador.

Deu-lhes valores e exemplo do quanto esse Humus, esse pó tão pequenino e volátil é significante quando se deixa conduzir pelo amor providente do Pai. E até hoje todos seus filhos e netinhos sentem-se abençoados por terem tido essa formação em forma de amor e responsabilidade para com o outro.

 

Citações: Heroi Hoje, Não Amanhã. Esteban J. Uriburu