Ir M Rosequiel Fávero – Em 15 de agosto, quando se recorda a Assunção de Maria ao céu (no Brasil, celebrado no domingo seguinte), Deus chamou para junto de si Benedicto João Felix, da Liga de Homens de Schoenstatt da diocese de Santo Ângelo/RS.
Nascido em Arceburgo/MG, Benedicto migrou com a família para São Paulo, onde perdeu os pais muito precocemente. Já adulto, foi para o Rio Grande do Sul com mais dois irmãos. No início dos anos 60 veio para Santo Ângelo, como professor no Colégio Marista Santo Ângelo.
Foi no Colégio Santo Ângelo que conheceu Schoenstatt através do então Irmão Marista Ottomar Schneider, mais tarde, Pe. Ottomar (Padres de Schoenstatt), falecido no ano passado em São Paulo. Com ele e alguns alunos do Colégio, ajudou a fundar o Movimento de Schoenstatt em Santo Ângelo. No ano jubilar de 50 anos da Obra de Schoenstatt, 1964, este grupo pioneiro selou sua Aliança de Amor no Santuário Tabor, em Santa Maria.
Professor por vocação, Benedicto (ou Bene, como era conhecido pelos amigos Schoenstattianos) contava como havia descoberto sua paixão pela educação. Tendo vivido uma infância difícil, teve uma espécie de bloqueio que o impedia de ser alfabetizado. Foi a dedicação materna de uma professora que o ajudou a vencer esta dificuldade, abrindo-lhe o caminho para os estudos. Quis dedicar sua vida a ajudar os jovens, como tinha feito esta professora com ele. Inteligente e ‘curioso’, Benedicto formou-se em pedagogia e letras. E ainda estudou filosofia e teologia.

Outra ‘paixão’ de sua vida era Schoenstatt. Ajudou a construir a história do Movimento na região missioneira do Rio Grande do Sul, que corresponde à diocese de Santo Ângelo, mas também além dela. Teve a graça de acolher em Santo Ângelo o Símbolo de Deus para o Santuário Original em 1968 e também o Pe. Menningen no ano seguinte.
Sua profissão o colocava muito próximo aos jovens, que também conduzia à MTA e ao Santuário. Por muitos anos foi assessor do Jumas. Ele era mais que assessor: procurava os garotos, fazia os grupos, organizava escolinhas de futebol e violão para atrai-los, batalhava para conseguir o dinheiro para leva-los aos encontros e acampamentos, com seu carro levava os meninos para o Santuário, etc. Tinha um carinho especial pelos mais pequenos que o chamavam carinhosamente de ‘tio Bene’. Seus bolsos eram sempre cheios de balas para as crianças.
Dedicou-se também incansavelmente à Campanha da Peregrina. Tinha o orgulho em afirmar que recebera em sua casa João Pozzobon com a Peregrina Original, a quem acompanhava nas visitas às escolas e às comunidades do interior. Muitas vezes levava de carro a Irmã assessora da Campanha aos rincões mais longínquos (e de difícil acesso) da diocese. Como ministro da Eucaristia, atendia muitos doentes na cidade de Santo Ângelo, levando sempre a Mãe Peregrina dos Doentes: ‘sempre a Mãe e o Filho juntos’, como dizia.

O Santuário Missioneiro de Schoenstatt Tupãcyrendá foi um sonho que buscou ardentemente com a Família de Schoenstatt local. Por exemplo, a partir do final da década de 60, organizava caminhadas com os jovens do Jumas, ‘semeando’ medalhinhas da MTA, em todas as direções, ao redor da cidade, para que a Mãezinha se manifestasse em que local queria morar e construir a sua casa, o seu Santuário. Até que em 1994 foi possível começar a construir o Centro Tupãcyrendá (o Santuário foi inaugurado em 1996). Foi um incentivador da ‘Caminhada com São José’ ao Santuário, sempre em 1º de maio, unindo a Comunidade São José Operário no Bairro Subuski (Santo Ângelo) ao Santuário.
Um dos seus ‘últimos empreendimentos schoenstattianos na diocese foi implantar o Terço dos Homens em diversas paróquias. Ele próprio era assíduo no grupo da sua paróquia, que reúne semanalmente dezenas de homens para rezar o terço com a Mãe e Rainha.
Nos 54 anos do Movimento na Diocese de Santo Ângelo, pode-se afirmar que nada do que foi realizado, deixou de contar com a sua presença, através do planejamento, trabalho, orações ou contribuições ao Capital de Graças. Na publicidade da diocese e também da sociedade santo-angelense Benedicto era simplesmente o ‘rosto’ do Movimento e do Santuário

Deus levou a sério sua consagração e entrega. O lento enfraquecimento das suas capacidades pela idade, uma Diabetes que levou à amputação de uma perna, problemas respiratórios, mas especialmente uma angústia e ansiedade que lhe tiravam a paz, foram instrumentos que o conduziram a um caminho de purificação nos últimos anos de sua vida. Muitas vezes assessores ouviam o pedido: “Irmã, Padre, reza para que eu creia verdadeiramente na misericórdia de Deus!” Por isso, o medo da morte o atormentou até pouco tempo antes da sua partida. Nas últimas semanas, todavia, foi ficando mais sereno a ponto de afirmar que estava pronto para partir. O que aconteceu nos primeiros minutos de 15 de agosto, de forma serena e pacífica.
Na tarde de 15 de agosto, familiares, schoenstattianos e membros da Paróquia Sagrada Família se despediram do ‘tio Bene’ com uma Santa Missa presidida pelo pároco Inácio Dalla Nora, acompanhado pelo vigário Pe. Flávio. Muitos ministros da Comunhão, lideranças de pastorais e outros movimentos se uniram nesta celebração.
A Família de Schoenstatt de Santo Ângelo recebe do Benedicto, como integrante da geração fundadora de Schoenstatt na região missioneira, um legado a guardar e levar avante.
(Fotos da crônica do Movimento de Schoenstatt de Santo Ângelo)
