Schoenstatt
Um movimento
O 18 de outubro de 1914, dia da fundação de Schoenstatt, foi um acontecimento de uma densidade fora do comum. Nele, Deus irrompe novamente na história e se aproxima de nós em Maria para aplicar a nós a Aliança selada em Cristo com seu povo e torná-la fecunda, de uma forma original, para o nosso tempo.
Deus escolhe instrumentos: o Pe. José Kentenich, que capta seus desejos guiado pela fé prática na Divina Providência. Com ele estavam cerca de 30 estudantes, de idades entre 16 e 18 anos, que estudavam no Seminário Menor dos Padres Palotinos em Schoenstatt.
O Pe. Kentenich era o diretor espiritual desse grupo de jovens desde o dia 27 de outubro de 1912. Desde essa data ele os vinha orientando no caminho da formação pessoal e no desenvolvimento de um cristianismo vital e apostólico, com a ajuda materna de Maria.
Quando em fins de julho de 1914 interrompeu a Primeira Guerra Mundial, o Pe. Kentenich vê-se, então, diante de um grande desafio, pois muitos jovens teriam que ser incorporados ao exército. Isso supunha riscos humanos e espirituais. Ele já não poderia ajudá-los mais de forma direta e está consciente de que o melhor modo de tirar proveito do aumento de dificuldades externas era acelerar o crescimento espiritual. Além disso, confia plenamente que Maria é a maior garantia para que os jovens consigam a sua transformação em Cristo e para alcançar a fecundidade apostólica. Diante deste fato e de alguns sinais da Divina Providência, Pe. Kentenich entende ser vontade de Deus que os jovens tenham em Maria, sua Mãe e Educadora e que pela Aliança de Amor, lhe confiem a “aceleração do seu processo de santificação” (1º Documento de Fundação).
No final da guerra em 1918, muitos dos seminaristas que tinham sido chamados às armas retornam ao seminário em Schoenstatt. Junto com eles, chegam também ex-combatentes que haviam conhecido os seminaristas-soldados e ouvido sobre a congregação mariana e a capelinha dedicada à Mãe de Deus em Schoenstatt. Ficaram entusiasmados com a ideia de transformar o mundo a partir da aspiração à santidade vivida no dia a dia. Por essa razão, também eles queriam se incluir na Aliança de Amor de 18 de outubro de 1914. Com este grupo de jovens idealistas iniciou a expansão do Movimento Apostólico de Schoenstatt, em 20 de agosto de 1919.
Em 1920 formaram-se os primeiros grupos femininos e, com o passar do tempo, outros grupos e comunidades, femininos e masculinos, se organizaram conforme o estado de vida. Em 1926, para atender o crescente movimento, o Pe. Kentenich fundou o Instituto Secular das Irmãs de Maria de Schoenstatt, o primeiro dentre os seis institutos seculares da Obra de Schoenstatt.
Hoje, mais de 100 anos após a fundação, o Movimento está presente em todos os continentes. Seu lar espiritual permanece o Santuário Original, em Schoenstatt, que é reproduzido fielmente nos mais de 200 Santuários filiais no mundo.
O Movimento Apostólico de Schoenstatt está organizado como uma grande federação de comunidades juridicamente autônomas, unidas pela mesma espiritualidade e empenho comum: a renovação religioso-moral do mundo, em Cristo, por Maria. A vivência fundamental permanece a Aliança de Amor com a Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt, a mesma aliança selada pelo Pe. Kentenich e os seminaristas em 1914. Como um todo, o Movimento se concebe como uma Família que tem na Mãe e Rainha, a Educadora do novo homem e da nova mulher para um novo tempo; o Pe. Kentenich como Fundador e Pai de sua fundação e o Santuário como lar comum onde recebemos as graças de peregrinação: abrigo, transformação e zelo apostólico.
As primeiras sementes
Schoenstatt no Brasil
O Movimento de Schoenstatt chegou ao Brasil em 1935, com a vinda de 12 missionárias das Irmãs de Maria que iniciaram sua missão no Paraná. Em 1945, chegaram a Santa Maria/RS e, desde então, a espiritualidade mariana de Schoenstatt conquistou milhares de brasileiros, resultando, ao longo dos anos, na construção de Santuários em várias dioceses do país.
A partir de Santa Maria nasceu também, em 1950, a Campanha da Mãe Peregrina, apostolado dedicado à evangelização das famílias. Atualmente, cerca de três milhões de lares brasileiros recebem, todos os meses, a imagem da Mãe Rainha com seu Filho Jesus. O Movimento está presente em quase todos os estados do Brasil, e promove formação espiritual e missionária, contribuindo, assim, para o fortalecimento da fé.
Belo Lugar
Nada sem Vós - nada sem nós"
Schoenstatt não surgiu, simplesmente, por iniciativa de Maria. Em sua origem está comprometida, de modo especial, também a cooperação humana. E isto diferencia Schoenstatt de outros lugares de peregrinação, pois nele se destaca, particularmente, ao lado da ação de Deus, nossa própria atividade.
A Aliança de Amor selada com a Mãe Três Vezes Admirável, no Santuário, nos compromete com a missão de renovar o mundo em Cristo. O Capital de Graças é, essencialmente, a nossa colaboração com Maria que consiste em lhe entregar tudo o que realizamos e vivenciamos, os desafios, as boas obras, sacrifícios e orações, bem como nossas alegrias, êxitos e conquistas para que Ela se estabeleça no Santuário e o transforme num lugar de peregrinação, de graças e de educação de apóstolos de Cristo e construtores de uma nova sociedade.
Unido aos sacrifícios do Redentor, pelos méritos de sua paixão, morte e ressurreição, essas ofertas se tornam graças que jorram abundantemente do Santuário, a fim de que Ela os distribua àqueles que necessitam.
O Catecismo da Igreja Católica ensina que “Os méritos das nossas boas obras são dons da bondade divina, A graça precedeu; agora restitui-se o que é devido. Os méritos são dons de Deus. Uma vez que, na ordem da graça, a iniciativa pertence a Deus, ninguém pode merecer a graça primeira, que está na origem da conversão, do perdão e da justificação. Sob a moção do Espírito Santo e da caridade, podemos, depois, merecer para nós mesmos e para outros, as graças úteis para a santificação e para o aumento da graça e da caridade, bem como para a obtenção da vida eterna.”
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